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Galibe ibne Abderramão

Galibe Abu Tamame Anaciri, também conhecido como Galibe ibne Abderramão, foi um poderoso e exitoso general do Califado de Córdova de origem eslava (Siclabi). Serviu os três primeiros califas cordoveses, pois foi libertado (maula) da escravidão por Abderramão III (r. 912–961), atingiu suas melhores posições sob Aláqueme II (r. 961–976) e faleceu durante o reinado de Hixame II (r. 976–1009). Por ser libertado por Abderramão, e seguindo o costume, adotou o nome dele como patronímico. Ele notabilizou-se em três frentes ao longo de sua carreira: a luta na fronteira setentrional do Alandalus contra as incursões dos reis cristãos, a contenção do avanço das forças do Califado Fatímida no Magrebe e a proteção com a armada califal das costas andalusinas frente as invasões normandas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Vida

Marca Média

Galibe era um escravo de origem eslava (sacaliba) pertencente ao séquito do califa Abderramão III (r. 912–961). Em data incerta, foi libertado (maula) por Abderramão e, seguindo a tradição, usou o patronímico ibne Abderramão Naciri (ibn ʿAbd al-Raḥmān al-Nāṣirī) para homenagear seu antigo senhor. Em 942, recebeu sua primeira posição de relevância nas tropas califais. Em 946, foi colocado no comando da Marca Média como alcaide (chefe do exército fronteiriço). Nessa capacidade, segundo o tardio Almacari, reconstruiu o Castelo de Medinaceli (946-947) e usou-o como base para invadir o Reino de Leão no alto e médio vale do Douro. Em 953, atacou o leonês Condado de Castela, obtendo muitos prisioneiros e butim, mas a fronteira permaneceu inalterada. Em 955, atacou a costa do Califado Fatímida na Ifríquia (norte da Argélia e Líbia e atual Tunísia) para se vingar do saque de Almeria pela frota siciliana do califa Almuiz (r. 953–975). O primeiro ataque falhou, mas em 956 Galibe voltou com outra esquadra de 70 navios, tomou e incendiou Marsa Alcaraz (Alcalá) e saqueou os arredores de Susa e Tabarca. No mesmo ano, infligiu dura derrota à frota cristã.

Comandante supremo

Em 20 de janeiro de 972, Galibe foi promovido à posição de comandante supremo (alcaide alalá). Em 15 de abril, liderou o exército que atravessou ao Magrebe para enfrentar o rebelde idríssida Alhaçane ibne Alcácime Canune (r. 954/5–974), que desde os anos 950 era vassalo do Califado Fatímida, mas foi derrotado. Em 973 e 974, invadiu o Magrebe, onde combateu a cavalaria rebelde idríssida. Em junho de 973, recebeu reforços para seguir a campanha e dirigiu operações próximo a Tânger e em outubro tomou Baçorá. Sitiou Alhaçane em sua fortaleza de Hajar Nácer enquanto tratou de subornar seus partidários, mas só conseguiu submetê-lo em março de 974. Em junho, anunciou a submissão de Fez e em setembro voltou a Córdova em triunfo na companhia de Alhaçane. Em novembro e dezembro, novos diplomas de autoridade (sigilos; sijilat em árabe) foram dados aos senhores menores da Marca Média, concedendo autoridade sobre terras e castelos. Neles, emitidos sob ordens de Galibe, que à época talvez residia em Guadalaxara, ele aparece como zaime (chefe) desses senhores, que provavelmente eram seus seguidores eslavos estabelecidos na área para formar um pequeno enclave de território leal a ele.

Dissenções no califado

Após a morte de Aláqueme em 976, Hixame foi proclamado califa em outubro como apoio de sua mãe, a sultana Soba (que se chamada Aurora por ter nascido cristã, numa casa nobre, e entregue como escrava ao califa por um inimigo de seu pai). Após uma curta crise sucessória, começou o enfrentamento entre o ministro Jafar e Almançor, mão-direita da mãe de Hixame. Galibe, intrigado com o ministro, não reagiu diante as incursões dos Estados cristãos, que aproveitaram a morte de Aláqueme para fazer raides. A ascensão de Almançor fez Jafar reconciliar-se com Galibe, que foi convocado à capital e confirmado como comandante das forças fronteiriças e recebeu o novo título de duplo vizir. Enquanto isso, Almançor havia conseguido o comando das tropas da capital. Ambos realizaram uma segunda campanha na primavera de 977 durante a qual concordaram em eliminar Almuxafi. Galibe recomendou a Almançor, que havia facilitado sua nomeação como duplo vizir, que utilizasse seu novo prestígio militar para solicitar a prefeitura de Córdova, naquele momento ocupada por um dos filhos de Almuxafi. A destituição, aprovada pelo califa sem consultar nem o afetado nem seu pai, produziu a ruptura entre Jafar e Almançor, até então considerado fiel servidor do ministro.

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