Abedal Maleque ibne Omar ibne Maruane
Abedal Maleque ibne Omar, neto do califa Maruane I, foi uma figura proeminente da dinastia Omíada no Alandalus. Após a queda do Califado Omíada na Síria, ele buscou refúgio na península Ibérica, onde se tornou um conselheiro e general leal a Abderramão I, o primeiro emir de Córdova. Abedal Maleque liderou campanhas militares cruciais em 758 e 774, que consolidaram o poder do Emirado de Córdova no oeste do Alandalus. Seus descendentes continuaram a ter um papel significativo na política e no exército do emirado até o século X, com alguns alcançando posições de destaque como vizires e governadores.
Pontos-chave
- Abedal Maleque ibne Omar era neto do califa omíada Maruane I e chegou ao Alandalus após a Revolução Abássida.
- Ele foi um conselheiro chave para Abderramão I, o primeiro emir de Córdova, ajudando a consolidar seu poder.
- Liderou campanhas militares importantes em 758 e 774, fortalecendo o controle do emirado no oeste do Alandalus.
- Seus filhos e descendentes desempenharam papéis políticos e militares importantes no emirado até o século X.
- A família de Abedal Maleque manteve uma forte identidade omíada, vendo-se como igual aos emires governantes.
Abedal Maleque ibne Omar nasceu por volta de 718, neto do califa omíada Maruane I. Sua família tinha conexões importantes, incluindo seu pai Omar, que residia no Egito. Após a ascensão dos Abássidas e a perseguição aos Omíadas em 750, Abedal Maleque fugiu do Egito e chegou ao Alandalus, provavelmente entre 754 e 758. Ele se juntou a outros Omíadas, incluindo seu parente Abderramão I, que estava estabelecendo o Emirado de Córdova.
Ascendência e Juventude
Abedal Maleque ibne Omar nasceu aproximadamente em 718. Ele era neto do califa omíada Maruane I (que reinou de 684 a 685). Seu pai, Omar, era o único filho do califa com Zainabe binte Omar. Zainabe era neta paterna de Abu Salama Almaquezumi, membro do proeminente clã maquezumita da tribo coraixita, e filha do enteado do profeta Maomé. Omar vivia em Fostate, no Egito, em uma casa que lhe foi concedida por seu meio-irmão, Abedalazize ibne Maruane, o governador do Egito. Um indivíduo chamado "Omar ibne Maruane", mencionado em papiros egípcios, pode ser o pai de Abedal Maleque. Abedal Maleque passou sua juventude no Egito.
Fuga e Estabelecimento no Alandalus
Em 750, a Revolução Abássida derrubou o Califado Omíada, com base na Síria, e estabeleceu o Califado Abássida, ordenando execuções em massa de membros da dinastia omíada. Abedal Maleque ibne Omar foi um dos sobreviventes omíadas que escaparam para o Alandalus (a Espanha islâmica). A tradição islâmica medieval sugere que ele deixou o Egito e chegou ao Alandalus entre maio de 757 e maio de 758. No entanto, o historiador moderno Alejandro Garcia Sanjuan estima que sua chegada tenha ocorrido entre 754 e 755. Ele viajou acompanhado por seu primo Juzai ibne Abedalazize ibne Maruane e seus respectivos filhos. Seu parente distante, Abderramão I, um tataraneto de Maruane I, já havia se estabelecido na península em 755-756 com o apoio de maulas omíadas locais e tropas sírias, e se autoproclamou emir em Córdova. Abedal Maleque era o mais velho dos maruânidas no Alandalus.
Morte e legado
Abedal Maleque morreu c. 778. Suas vitórias decisivas em nome de Abderramão foram fundamentais para o estabelecimento do emirado. Seus filhos Abedalá, Ibraim e Aláqueme serviram como vizires de Abderramão. Abedal Maleque deixou vários descendentes registrados pelas fontes, incluindo vários que serviram como vizires ou caides (líderes do exército). Um ramo da família estabeleceu-se em Sevilha e nas áreas ocidentais da península. Como omíadas, os membros de sua família se viam como iguais aos emires governantes de Córdova. O neto de Abedal Maleque foi governador de Beja durante o governo de Hixame I. Um descendente direto de quinta geração, Amade ibne Albara ibne Maleque, serviu como governador de Saragoça, mas foi suspeito de deslealdade e assassinado por ordem do emir Abdalá I (r. 888–912). A família em Sevilha juntou-se à rebelião contra Abedalá, mas se mudou para Córdova quando as tropas de Sevilha se renderam ao emir Abderramão III em 913. Depois disso, vários serviram como governadores, generais e vizires. Outro de seus descendentes foi um pretendente ao Califado de Córdova no século X.


