Abedalá ibne Zobair
Abedalá ibne Zobair ou Zubair ibne Alauame foi o califa de um califado centrado em Meca que rivalizou com o Califado Omíada de Damasco de 683 até sua morte.
Primeiros anos e carreira
Abedalá ibne Zobair nasceu em Medina no Hejaz (oeste da Arábia) em maio de 624. Era o filho mais velho de Zobair ibne Alauame, um sahaba (companheiro) de Maomé e uma importante figura muçulmana. Pertencia ao clã assadita dos coraixitas, a tribo dominante de Meca, um centro comercial no Hejaz e localização da Caaba, o santuário mais sagrado do Islão. Sua avó paterna de era Safia binte Abedal Mutalibe, a tia paterna de Maomé, e sua mãe era Asma, filha do primeiro califa, Abu Becre (r. 632–634), e irmã de Aixa, uma das esposas do profeta. De acordo com os historiadores do século IX ibne Habibe e ibne Cutaiba, foi o primeiro filho dos muajiritas, os primeiros convertidos ao Islão que foram exilados de Meca para Medina. Esses primeiros laços sociais, de parentesco e religiosos com Maomé, sua família e os primeiros muçulmanos, todos aumentaram sua reputação na idade adulta.
Revolta
Não se opôs à ascensão de Moáuia I ao califado em 661 e permaneceu inativo durante o curso de seu reinado. No entanto, se recusou a reconhecer a nomeação de Moáuia de seu filho Iázide I como sucessor em 676. Quando Iázide ascendeu após a morte do pai dele em 680, novamente rejeitou sua legitimidade, apesar de Iázide ter o apoio das tribos árabes da Síria que formavam o núcleo do exército omíada. Em resposta, Iázide exigiu de Alualide ibne Oteba ibne Abu Sufiane, o governador de Medina, a submissão de Zobair, mas ele escapou das autoridades e fugiu para Meca. Foi acompanhado por Huceine, filho de Ali, que também havia se recusado a se submeter a Iázide. Huceine e seus apoiadores tomaram posição contra os omíadas em Carbala em 680, mas foram mortos.
Zobair se opôs veementemente que o califado se tornasse uma herança omíada. Em vez disso, defendeu que o califa deveria ser escolhido por xura (consulta) entre os coraixitas como um todo. Este último se opôs à monopolização do poder pelos omíadas e insistiu que o poder fosse distribuído entre todos os clãs. No entanto, além dessa convicção, não patrocinou nenhuma doutrina religiosa ou programa político, ao contrário dos movimentos álida e carijita contemporâneos. No momento em que fez sua reivindicação ao califado, ele emergiu como o líder dos coraixitas insatisfeitos. De acordo com o historiador H. A. R. Gibb, o ressentimento coraixita em relação aos omíadas é evidente como um tema subjacente nas tradições islâmicas sobre o conflito de Zobair e ele foi o "principal representante" da segunda geração das famílias muçulmanas da elite do Hejaz que se irritaram com o "abismo de poder" entre eles e a casa omíada governante. Embora Gibb descreva-o como "corajoso, mas fundamentalmente egoísta e autocomplacente", a hostilidade aos omíadas em fontes muçulmanas tradicionais levou a uma descrição geral dele como um "modelo de piedade". No entanto, várias fontes o condenaram como ciumento e severo e criticaram particularmente o abuso fatal de seu irmão Anre e sua prisão de Maomé ibne Hanafia.


