Tote
Tote, também grafado como Thoth, Tot, Toth ou Thot, é o deus egípcio da lua, do conhecimento, da sabedoria, da escrita, da música e da magia. O seu principal centro de culto situava-se em Khmunu. A sua contraparte feminina, frequentemente descrita como sua filha ou consorte, era a deusa Sexate, e a sua esposa principal era Maat, a personificação da verdade e da ordem cósmica.
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O nome egípcio original de Tote era Djeuti (ou Dḥwty), que os egiptólogos traduzem frequentemente como "Aquele que é semelhante ao íbis". As suas origens mitológicas variam dependendo da tradição: em algumas versões, ele nasceu diretamente dos lábios de Rá no início da criação; em outras, relativas aos conflitos entre Hórus e Seth, ele teria emergido da testa de Seth após este engolir acidentalmente o sêmen de Hórus. Apesar dessas variações, Tote sempre representou a inteligência divina e a voz da razão.
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Na arte egípcia, Tote era tipicamente retratado sob duas formas principais, correspondentes aos seus dois animais sagrados:
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Os papéis de Tote na mitologia egípcia foram vastos e fundamentais para a manutenção do universo.
O escriba divino e o conhecimento
Ele serviu como o escriba dos deuses, mantendo o registro de tudo o que acontecia. Os egípcios o consideravam o autor de todas as obras de ciência, religião, filosofia e magia. A ele foi creditada a invenção da escrita e dos hieróglifos egípcios, conhecidos como "as palavras dos deuses". Por isso, era o padroeiro supremo dos escribas.
Magia e medicina
Sendo o guardião dos feitiços e do conhecimento oculto, Tote era um curandeiro formidável. No mito de Osíris, foi ele quem forneceu a Ísis as palavras mágicas necessárias para ressuscitar o seu marido. Também foi Tote quem restaurou o olho de Hórus (o Olho de Wadjet) após este ter sido arrancado em batalha por Seth, curando-o com a sua magia e cuspe.
Mensurador do tempo e astronomia
Como deus da lua, o ciclo lunar estava associado à medição do tempo. Tote era considerado o criador do calendário egípcio. Num mito famoso, a deusa do céu, Nut, foi amaldiçoada por Rá a não ter filhos em nenhum dia do ano civil (que tinha 360 dias). Tote, num jogo de dados (ou senet) contra o deus da lua (Khonsu), ganhou uma fração da sua luz, criando assim cinco dias adicionais (os chamados dias epagômenos). Nesses cinco dias, Nut conseguiu dar à luz os deuses Osíris, Hórus o Velho, Seth, Ísis e Néftis.
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No submundo (Duat), o papel de Tote era crucial. Durante a cerimônia descrita no Livro dos Mortos, conhecida como a "Pesagem do Coração", Tote (frequentemente em sua forma de babuíno, Aani, ou como o escriba com cabeça de íbis) permanecia junto à balança de Osíris. Ele registrava com precisão matemática o momento em que a balança pesava o coração do falecido contra a pena da deusa Maat. Apenas se a balança estivesse perfeitamente equilibrada o falecido poderia prosseguir para os Campos de Aaru (o paraíso egípcio). Se o veredito fosse positivo, Tote declarava o falecido como "justo de voz".
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Com a chegada dos gregos ao Egito após as conquistas de Alexandre, o Grande, houve uma intensa fusão cultural. Os gregos identificaram Tote com o seu próprio deus mensageiro, Hermes. Dessa fusão nasceu a figura de Hermes Trismegisto (Hermes, o Três Vezes Grande). Os gregos ptolomaicos declararam Tote/Hermes como o inventor da astronomia, astrologia, ciência dos números, matemática, geometria, topografia, medicina, botânica, teologia, governo civilizado, alfabeto, leitura, escrita e oratória. Eles afirmavam que ele era o verdadeiro autor de todas as obras de todos os ramos do conhecimento, tanto humano quanto divino. Este sincretismo deu origem a uma tradição filosófica e esotérica duradoura conhecida como Hermetismo.


