A Viagem de Pedro
A Viagem de Pedro é um filme luso-brasileiro do gênero drama histórico de 2022, dirigido por Laís Bodanzky e roteirizado pela própria diretora em parceria com Luiz Bolognesi e Chico Mattoso. O filme foi produzido pela Biônica Filmes, Buriti Filmes e O Som e a Fúria, com distribuição da Vitrine Filmes. Estrelado por Cauã Reymond no papel de Dom Pedro I, o elenco ainda conta com nomes como Luísa Cruz, Luise Heyer, Rita Wainer, Isabél Zuaa, Welket Bunguê, Victoria Guerra e João Lagarto no elenco. Foi lançado no mercado estrangeiro com o título Pedro, Between the Devil and the Deep Blue Sea.
Uma visão pessoal sobre a vida de Dom Pedro I (Cauã Reymond) e dos eventos históricos que giram em torno do príncipe, com foco em um momento crucial de sua jornada. Em 1831, o primeiro Monarca do Brasil retorna à Europa em circunstâncias desfavoráveis, a bordo do navio inglês Warspite. Diante de sua renúncia ao trono brasileiro, este é um momento de profunda contemplação para D. Pedro I, que reflete sobre os equívocos e acertos de sua governança desde sua chegada ao país aos 10 anos de idade, em 1808, acompanhado por sua família. A Jornada de Pedro aborda questões sensíveis em relação ao imperador do Brasil durante seu retorno à Europa. Temas como sua virilidade, epilepsia e suspeitas de ter contraído sífilis, bem como sua instabilidade emocional ao deixar seu filho no país e separar-se dele. A representação íntima de Pedro revelará como ele se sentia desleal a Portugal e como se via sem uma pátria definida.
Concepção e Desenvolvimento
O projeto teve seu início graças à iniciativa de Cauã Reymond e Mário Canivello, que, na época, eram sócios da produtora Sereno Filmes. Eles encontraram inspiração no livro "Dom Pedro I - A Luta pela Liberdade no Brasil e em Portugal, 1798 - 1834" do escritor Neill W. Macaulay Jr. e decidiram transformá-lo em um longa-metragem. "Esse projeto surgiu a partir do desejo de começar a trilhar meu próprio caminho como ator", comenta Reymond, que também é co-produtor do filme e já atuou como produtor associado em diversos outros projetos ao longo de sua carreira no cinema brasileiro, incluindo Alemão, Uma Quase Dupla e Tim Maia. Cauã complementa dizendo: "Eu queria uma perspectiva feminina, e Laís era a pessoa certa", referindo-se à escolha de Laís Bodanzky como diretora do projeto.
Imagem: Marcio Cabral de Moura · BY-NC-ND · Openverse
A Viagem de Pedro teve sua première mundial em 21 de outubro de 2021 durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Em 8 de maio de 2022, estreou no IndieLisboa Festival Internacional de Cinema. No mesmo mês, no dia 19, foi lançado comercialmente em Portugal. Em 30 de agosto de 2022, o filme encerrou a mostra de filmes do 1º Festival Internacional de Cinema de João Pessoa, o FestincineJP, na Paraíba. No Brasil, o filme foi lançado comercialmente em 1 de setembro de 2022, mês em que se comemorou o bicentenário da Independência do Brasil, declarada por Dom Pedro I.
Exibição na televisão
Em 17 de outubro de 2022, o filme foi lançado na com exclusividade pelo canal de televisão por assinatura Telecine Premium, sendo essa sua primeira exibição fora dos festivais e das salas de cinema.
Análise da crítica
A Viagem de Pedro foi recebido com avaliações mistas e negativas por parte dos críticos especializados. Pedro Strazza, escrevendo para o website Omelete, atribuiu ao filme a nota 2 de 5, o que o classifica como "Regular", e disse: "Não há dúvidas de que há algum prazer no exercício de se desfazer a imagem de herói de uma figura real nos tempos atuais, mas despir um rei em tese pede por algo além do vislumbre humano, uma nova leitura que dê conta de reposicionar as imagens antes abandonadas à putrefação. Para um filme sobre estátuas, A Viagem de Pedro é um drama dos mais engessados". Do CinePOP, Janda Montenegro escreveu sobre a performance de Cauã Reymond, dizendo que o ator se "despe o imperador dos seus inúmeros sobrenomes e entrega um protagonista confuso, paranoico, a beira do surto, doente e disposto a se agarrar nas religiões de matriz africana para blindar seu destino". Sobre filme, Montenegro o definiu como "uma experiência cinematográfica que alcança a expectativa gerada desde o anúncio de sua filmagem. Com ares de superprodução, porém com baixo orçamento e parceria com a Marinha, o longa contribui para desconstruir a imagem da família imperial perfeita e intocável, colocando-a, felizmente, dentre o mundo dos mortais".


