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A Cena Muda

O periódico A Cena Muda, originalmente nomeado como “A Scena Muda” até 1941 foi a primeira revista brasileira focada em assuntos acerca do cinema. Fundada no Rio de Janeiro pela Companhia Editora Americana, ela foi circulada desde sua primeira edição em 31 de março de 1921, até sua última edição em Maio de 1955. Foi considerada uma "revista de fã" por conta das principais temáticas abordadas, que tratavam da vida das estrelas de cinema em prol de instigar o público a conhecer mais sobre eles.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Histórico

Foi dirigida por Renato de Castro, jornalista profissional, colaborador da revista O Malho, crítico teatral, tendo como diretor gerente Aurelino Machado. Apesar de assumir tal função, o nome de Castro, como editor da revista em si, não da editora, deixou de ser atribuído a ela rapidamente. Nos primeiros anos da revista, Renato e seu filho trabalharam a montagem da revista de forma artesanal e quase que sozinhos, colando os materiais disponibilizados pelas companhias cinematográficas. Segundo Eliana Queiroz, em sua dissertação de mestrado defendida na Universidade de São Paulo, o conteúdo da revista era reflexo das ambiguidades do contexto sócio-político dos anos 20. Nas palavras de Queiroz, “indefinição ideológica, ausência de valores próprios e reais e aspiração a participar de um mundo maior” constituíram A Cena Muda, pois a revista era ignorante a quaisquer problemas políticos que atravessaram o período de circulação do periódico, vivendo no imaginário oriundo do cinema norte-americano. Tal postura percorreu o conteúdo da revista de seu início ao seu fim, sendo abordada em diferentes intensidades dependendo do período histórico.

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Fases da Cena Muda

Imagem: A Cena Muda Magazine · BY-SA · Openverse

Flora Bender, em sua dissertação de mestrado defendida na Universidade de São Paulo, elaborou uma divisão cronológica de fases para a revista: • 1ª fase: Revista especializada em cinema (1921-1942) • 2ª fase: A revista amiga do rádio (1942-1949) • 3ª fase: A revista crítica (1949-1952) • 4ª fase: A revista decadente (1952-1955)

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Conteúdo

Imagem: midianinja · BY-NC-SA · Openverse

Em suas primeiras edições, a revista foi composta, basicamente, por diversos anúncios espalhados, seja de outras revistas da Companhia Editora Americana ou de produtos variados; pela “Novidades na tela”; por fotos de atores; por matérias acerca da vida de atores, principalmente da beleza dos atores dos filmes; por excertos informando e/ou refletindo assuntos variados do cinema estrangeiro, e, majoritariamente, pelos “contos”. A “Novidades na tela” foi uma parcela da revista dedicada a um aglomerado de informações diversas, em sua maioria diretas, acerca da indústria cinematográfica no geral. Acerca dos assuntos mais focados em reflexões sobre o cinema em si, vale ressaltar que estes, aos poucos, foram perdendo espaço para sessões mais voltadas às estrelas do cinema, como, por exemplo: “A garotas da Scena Muda”, “Os namorados do cinematographo”, “Os que vivem no écran” e “Predilectos do público”.

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Star System

Imagem: Direitos Urbanos · BY · Openverse

Muito presente desde as primeiras edições, o star system marcou a imagem da Cena Muda para sempre, sendo esta conhecida na historiografia como uma “revista de fã”. Essa relação entre ídolos e fãs era bem reforçada, por exemplo, em épocas comemorativas, como o fim de ano. Nas edições desse período, havia diversas sessões de mensagens dos ídolos para os tietes. Tal sistema já era bem claro nas próprias capas das revistas, ilustradas, frequentemente, com fotos de diferentes atrizes. Apesar de muito centrado na figura feminina, havia espaços para a idolatração de atores homens, como pode ser observado em algumas matérias acerca da figura masculina e nas capas mais tardias da revista, as quais também exibiam tais figuras. Além disso, a junção de ambas as figuras, representadas como casais heterossexuais, foi amplamente utilizada ao longo dos anos da revista. Já na primeira edição, a primeira matéria a ser lida foi nada mais, nada menos que “Que é a beleza?”, um breve debate acerca da vencedora do concurso de beleza de atrizes norte-americanas.

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Crítica cinematográfica

Imagem: Assembleia Legislativa da Bahia · PDM · Openverse

A crítica na revista foi proposta como uma espécie de vitrine a ser analisada pelos leitores. Sendo assim, houve a influência dos gostos dos redatores e, também, dos exibidores e das distribuidoras sobre as críticas veiculadas no periódico. Nesse contexto, outro ponto importante sobre a crítica na Cena Muda, em especial no ano de 1950, é que ela foi feita a partir de aspectos fílmicos separados, analisando a fotografia, o roteiro e as interpretações especificamente. No final do texto, a qualidade do filme era definida pela média das áreas. Foi Jean-Claude Bernadet que explicou como os críticos da revista, de fato, conheciam a produção dos filmes brasileiros, visto que discorriam sobre eles levando em consideração os possíveis problemas produtivos. Em contraponto, ele ainda reforçou que quando se tratava de filmes estrangeiros, pela falta de conhecimento acerca da cultura e do contexto social de outros países, os filmes eram isolados de suas situações históricas de seus respectivos países.

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Figuras notáveis

Imagem: paulo_amoreira · BY-NC · Openverse

Ao longo das 3 décadas de publicações da revista, diversos nomes marcantes na historiografia e imprensa brasileira passaram pela A Cena Muda, tendo alguns deles até assumido a função de diretores, como por exemplo:

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Versão digital

Imagem: Assembleia Legislativa da Bahia · PDM · Openverse

Em 2010 o Museu Lasar Segall promoveu a edição e digitalização do acervo da revista, com participação do IPHAN e apoio da Petrobrás. Atualmente, a revista encontra-se disponível tanto no site do Museu Lasar Segall quanto no site da Hemeroteca Digital Brasileira.

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Fontes consultadas

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