Adhemar Gonzaga
Adhemar Gonzaga foi um cineasta e jornalista brasileiro. Nasceu no Rio de Janeiro, cidade onde, nos anos 1920, formou um dos primeiros clubes de cinema do país, o Cineclube Paredão, juntamente com outros jovens intelectuais como Otávio de Faria, Plínio Sussekind Rocha, Almir Castro, Cláudio Melo e Pedro Lima, cujo objetivo era o estudo do cinema como uma arte. Criou a prestigiada revista Cinearte (1926-1942), que defendia para o cinema brasileiro padrões estéticos semelhantes aos dos filmes norte-americanos.
Infância e início de carreira
Adhemar iniciou sua paixão pelo cinema desde a infância, quando essa arte ainda não era popular no Brasil. Sua vocação começou a partir do desenho, sobretudo a caricatura. Em 1912, com apenas 11 anos de idade, criou o jornal O Colombo, feito a mão, que contava com caricaturas de personagens de filmes de companhias estrangeiras, como a Ambrósio (da Itália) e Nordisk Film (da Dinamarca). Começou a enviar suas caricaturas também para as revistas O Tico Tico e O Malho, revistas de desenhos em quadrinhos conhecidas na época. João Antônio, pai de Adhemar influenciou o gosto do filho pelo cinema. Era amigo próximo de João Cruz Jr., dono do Cinema Íris, de quem Adhemar pegava filmes para assistir em sua maquininha movida a manivela. Entretanto, seus pais não apoiavam sua carreira no cinema, vendo com maus olhos o gosto do filho por essa arte.
Revista Cinearte
Em 1923, Adhemar Gonzaga começa a trabalhar no semanário ilustrado Para Todos. Entre os seus chefes constava Mário Behring, um importante jornalista carioca que tinha na bagagem 30 anos a mais de experiência. Os dois divergiam sobre o rumo que o futuro do cinema no Brasil poderia levar. Enquanto Mário era mais cético e não acreditava no potencial da indústria nacional, Adhemar tinha esperanças de que ela poderia se erguer um dia de maneira sólida. Os dois tinham uma boa relação, o que refletiu na conciliação de seus ideais. Isso acabou resultando na ampliação do sucesso da revista, sobretudo da seção cinematográfica. Junto a seu amigo do cineclube Pedro Lima, que na época trabalhava na Revista Selecta, embarcou em uma das principais campanhas pela valorização do cinema brasileiro. Os dois criaram um espaço para que as idealizações sobre suas visões de cinema saíssem do papel, atribuindo ao jornalismo uma função de agente cultural. Com força dos editores, a partir de meados de 1925, surgiu o interesse de tornar a seção Cinema Para Todos em uma revista autônoma. Em 3 de março de 1926 foi lançada a primeira edição da Revista Cinearte, com Adhemar e Mário como redatores chefes.
Cinédia
A paixão de Adhemar Gonzaga pela indústria cinematográfica, unida de sua atuação na área de comunicação jornalística, por meio da revista de sucesso Cinearte, deu a ele o encorajamento necessário para dar um passo ainda maior em sua vida e carreira. No ano de 1926, com a fundação do Circuito Nacional de Exibidores no Rio de Janeiro, Adhemar e seus amigos da Cinearte comprometeram-se em elaborar um argumento que servisse como base para a realização de um longa para o Circuito. Porém, o argumento do filme – até então intitulado Mocidade – foi negado pela banca. Inconformados, os redatores recorreram a Paulo Benedetti, um fotógrafo conhecido da época para firmarem uma produção conjunta. Eis que no ano de 1927, com o roteiro básico assinado por Paulo Vanderley, Adhemar embarcou na produção, onde marcou presença como diretor, pondo em prática tudo aquilo que havia aprendido anteriormente durante suas viagens aos estúdios hollywoodianos. Ainda no ano de 1927, durante uma de suas viagens aos estúdios de nova iorquinos, Adhemar iniciou seu processo de pesquisa arquitetônica, técnica e comportamental com a finalidade de reproduzir o mesmo em território brasileiro, e, consequentemente, percebeu que fazer cinema não parecia ser algo tão complicado quanto imaginava e que seu sonho poderia se concretizar.


