Betty Grable
Elizabeth Ruth Grable, conhecida como Betty Grable, foi uma dançarina, cantora e atriz estadunidense.
Betty Grable nasceu Elizabeth Ruth Grable em 18 de dezembro de 1916, em Saint Louis, no Meio-Oeste americano. Ela era a caçula de três filhos do casal Lillian Rose (née Hofmann; 1889-1964) e John Charles Grable (1883-1954), um corretor da bolsa. Ela tinha ascendência holandesa, irlandesa, alemã e inglesa. O apelido de "Betty" ela ganhou ainda criança. Apesar de seu sucesso, ela sofria de demofobia e era sonâmbula.
1929–1939: Início de carreira
Grable e sua mãe viajaram para Hollywood em 1929, logo após a quebra da bolsa de valores de Nova York, na esperança de alcançar o estrelato. Sua mãe nunca mediu esforços para que sua filha se tornasse famosa, falsificando inclusive sua identidade para arranjar um contrato. Aos 12 anos, a jovem já atuava em Dias Felizes (1929), com o rosto cheio de maquiagem e cabelos loiro-platinados, um visual que ela manteve ao longo de sua vida. Isso acabou levando-a a pequenos papéis em A Caminho de Hollywood (1930) e em curtas-metragens publicitários para a 20th Century Fox. Em 1930, aos 13 anos, Grable iniciou uma parceria com a produtora de Samuel Goldwyn, tornando-se uma das primeiras Goldwyn Girls, e apareceu em uma série de pequenos papéis em filmes, incluindo o megassucesso Whoopee! (1930), estrelado por Eddie Cantor. Apesar de não ter recebido crédito por sua atuação, ela conduziu o número musical de abertura do filme, intitulado "Cowboys". Em 1932, assinou um contrato com a RKO Pictures. Seu primeiro filme para o estúdio, Probation (1932), lhe deu o primeiro papel creditado no cinema. Nos anos seguintes, porém, ela voltou a ser relegada a papéis menores e sem créditos em uma série de filmes, muitos dos quais se tornaram sucessos mundiais, como o sucesso de 1933, Cavalgada. Grable obteve papéis maiores em A Alegre Divorciada (1934) e Nas Águas da Esquadra (1936), dois filmes musicais estrelados pelos populares Fred Astaire e Ginger Rogers.
1940–1949: Estrelato na Fox
Em uma entrevista de 1940, Grable afirmou que estava "cansada" do show business e pensava em se aposentar. Porém, o sucesso de DuBarry Was a Lady chamou a atenção de Darryl F. Zanuck, chefe da 20th Century-Fox, que lhe ofereceu um contrato de longo prazo. "Se isso não é sorte, eu não sei o que você chamaria disso", disse ela em sua primeira entrevista depois de assinar com o estúdio. Zanuck, impressionado com seu desempenho no musical de Buddy DeSylva, deu-lhe o papel principal no filme Serenata Tropical (1940). O papel havia sido inicialmente atribuído a Alice Faye, a estrela preferida dos musicais da Fox, mas Faye teve de recusar devido a problemas de saúde não esclarecidos. Após analisar o teste de tela de Grable, Zanuck substituiu Faye por ela no filme. A comédia musical em Technicolor foi co-estrelada por Don Ameche e Carmen Miranda. O desempenho de Grable em Down Argentine Way é considerado um dos destaques do filme, que foi um sucesso de crítica, arrecadando US$ 2 milhões de bilheteira em seu lançamento, e muitos críticos proclamaram Grable como a sucessora natural de Faye. O sucesso do filme levou o estúdio a escalá-la para A Vida é uma Canção (1940). Ao longo dos anos, boatos sobre uma rivalidade entre Grable e Faye durante as filmagens surgiram, mas ambas sempre negaram tais rumores.
1950–1955: Declínio e últimos filmes
Desde 1942, Grable figurava entre as "10 estrelas mais rentáveis do cinema". Ela chegou ao 1º lugar em 1943 e ficou em segundo lugar em 1947 e 1948. Em 1947, Grable foi a atriz mais bem paga dos Estados Unidos, ganhando cerca de 300 mil dólares no ano — uma quantia fenomenal para a época. Em 1949, embora ainda estivesse entre os dez primeiros, ela caiu da segunda para a sétima posição. A Fox ficou preocupada com a possibilidade de Grable estar se tornando "coisa do passado". O chefe de produção do estúdio, Darryl F. Zanuck, adaptou Noiva que não Beija para adequar-se aos talentos dela. O filme era um remake de seu antigo sucesso, Turbilhão. Apesar da semelhança no enredo, o novo filme contou com canções inéditas e números de dança coreografados para modernizá-lo. Noiva que não Beija foi lançado em maio de 1950 e foi um sucesso de bilheteira, apesar das críticas menos favoráveis. Seu filme seguinte, A Cegonha Demora-se, lançado em dezembro de 1950, também foi estrelado ao lado de Dan Dailey e igualmente bem-sucedido financeiramente. Em 1950, Grable recuperou seu status como a mulher mais popular do cinema americano, ficando em quarto lugar geral, atrás apenas de John Wayne, Bob Hope e Bing Crosby.
Cartaz de Frank Powolny
Em 1943, Grable colaborou com o fotógrafo Frank Powolny em uma sessão de fotos em estúdio para a promoção do filme Rosa, a Revoltosa. Durante a sessão, ela posou várias vezes usando um maiô apertado. Uma pose, em particular, mostrava suas costas voltadas para a câmera, enquanto ela sorria, olhando por cima do ombro direito. O motivo dessa pose foi o fato de Grable estar grávida de seu primeiro filho. A foto foi lançada como um pôster e se tornou a mais solicitada pelas tropas americanas no exterior. A fotografia de Grable vendeu milhões de cópias, ultrapassando a popularidade da famosa foto de Rita Hayworth de 1941. O sucesso de Grable como uma "garota pin-up" impulsionou sua carreira como estrela de cinema. À medida que sua popularidade aumentava, o chefe da Fox, Darryl F. Zanuck, manifestou interesse em ampliar o alcance de sua atuação como atriz. Zanuck tentou, em várias ocasiões, lançá-la em filmes que desafiavam suas habilidades de interpretação, apesar da resistência de Grable, que se sentia insegura quanto ao seu talento e preferia estrelar musicais.
Betty Grable foi casada duas vezes. Primeiro, com o ex-ator infantil Jackie Coogan, em 1937. A relação durou até 1939. Em 1943, Betty se casou com o trompetista Harry James, mas, alguns anos depois, o casamento tornou-se um pesadelo repleto de escândalos. O casal teve duas filhas, Victoria e Jessica. James era alcoólatra e viciado em jogos de azar, o que fez com que Grable também se tornasse dependente de bebidas alcoólicas e corridas de cavalos. Juntos, desperdiçaram mais de 5 milhões de dólares e quase arruinaram a família. James também foi acusado de ser um pai ausente e irresponsável, que minou o respeito próprio de sua esposa com relações extraconjugais e suas dívidas de jogo. Em 1965, o casal se divorciou. Após o divórcio, Grable iniciou um relacionamento com o dançarino Bob Remick, vários anos mais jovem, com quem permaneceu até sua morte, em 1973. A atriz morreu de câncer de pulmão em 1973, aos 56 anos. Ela está sepultada no Inglewood Park Cemetery, em Inglewood, Condado de Los Angeles, Califórnia.
Betty Grable "foi talvez a mulher mais desejada durante uma década crucial na história americana", disse o Turner Classic Movies. Ela apareceu em vários filmes de grande sucesso musical nos anos 1940, e era conhecida por vários apelidos durante seu auge, incluindo: "A menina com as pernas de um milhão de dólares" (por ter seguro das suas pernas no valor de US$ 1 milhão cada no Lloyd's of London), "A rainha do musical de Hollywood", e "A querida dos anos 40". A sua foto em traje de banho, olhando para trás por sobre o ombro direito, transformou-a na maior das pin-ups durante a Segunda Guerra Mundial e consequentemente da década de 1940. A imagem foi posteriormente incluída numa lista compilada pela revista Life, "100 Photographs that Changed the World" (As 100 Fotos que Mudaram o Mundo). Grable foi uma das seguidoras do mito do sensualismo explosivo, iniciado por Mae West e seguido depois por Marilyn Monroe. A imagem de Monroe era a idealização da 20th Century-Fox, que desejava uma atriz loira, resistente e esperta, para que pudesse substituí-la no estúdio. Grable também serviu de inspiração para Hugh Hefner fundar a revista Playboy. A boneca Barbie, criada na década de 1950, teve como inspiração Betty Grable.


