Power Balance
A Power Balance, fundada em 2007, é a marca celebrizada por comercializar milhões de pulseiras de silicone, com dois hologramas, cujos fabricantes e vendedores alegavam serem capazes de melhorar "o equilíbrio, a força e a flexibilidade" de quem as usasse. Afirmavam que a alegada "tecnologia plográfica (...) fazia ressonância e respondia ao campo energético do corpo" capaz de aumentar o desempenho [d]esportivo.
O produto foi publicitado através de celebridades pagas para o promover e através de marketing viral em vez de ser publicado num trabalho científico. A pulseira Power Balance tornou-se uma moda em 2010 no seio dos [d]esportistas profissionais, entre eles os futebolistas David Beckham e Cristiano Ronaldo, o piloto de fórmula 1 Rubens Barichello e o basquetebolista Shaquille O'neal. Um jornalista do Telegraph começava um artigo dizendo que "um número crescente de [d]esportistas profissionais e os seus assistentes estão a começar a soar como os curandeiros de cristais New Age." De 2009 a maio de 2010 tinham-se vendido em Espanha 350 mil pulseiras, onde custavam trinta e cinco euros cada uma.
Investigadores quiropráticos da Escola das Ciências da Saúde do RMIT divulgaram em 2011 os resultados de um estudo independente, randomizado e de controlo com dupla ocultação. Descobriram que não existia qualquer diferença de equilíbrio entre as pessoas que usavam as pulseiras holográficas reais e aquelas que usavam o placebo. A 28 de outubro de 2010, Dominique Dawes, campeã de ginástica dos Jogos Olímpicos, a trabalhar para a Yahoo Weekend News e o Independent Investigations Group (IIG), testou as pulseiras Power Balance no que diz respeito às suas afirmações de que estas melhoravam o equilíbrio, flexibilidade e força. Ela relata que "É um fato que, todos os atletas sabem que nada pode substituir o bom e velho trabalho árduo - exercício, exercício, exercício... Pode realmente uma pulseira de silicone com um holograma colado dar-lhe a vantagem?" Segundo Dave Richards, investigador do IIG, "Existia apenas uma pulseira Power Balance 'legítima' e 3 pulseiras a fingir, cujos hologramas foram retirados. Era uma experiência de dupla ocultação, todas as pulseiras foram revestidas de fita-cola de forma que nenhuma das pessoas presentes sabia qual era a pulseira verdadeira e quais eram as falsas. Nenhum dos participantes nem as pessoas que registavam as pontuações sabiam qual era a pulseira 'real' até ao momento que todos os participante finalizaram os seus exercícios e as pontuações foram registadas." Os resultados indicaram que não existia qualquer benefício para quem tinha a pulseira holográfica comparado com aqueles que tinham o placebo.
Um grupo de estudantes, céticos acerca das alegações da empresa, conduziu uma experiência que mostrava "quaisquer diferenças entre a pulseira real e falsa. Investigadores incumbidos pela BBC também descobriram que as pulseiras eram placebos, e esta opinião é repercutida por outros: Victor Thompson, um psicologista do desporto a exercer em Londres, é citado pelo Daily Mail como dizendo: Não tenho conhecimento de qualquer pesquisa que apoie a tecnologia por detrás destas pulseiras". Greg Whyte, professor de ciência aplicada ao desporto e ao exercício, da Universidade John Moores de Liverpool também foi citado: "Há gerações que têm existido dispositivos que alegam serem mediadores do fluxo de energia do corpo, desde a acupunctura às pulseiras de cobre e, mais tarde, os ímanes... Na maioria das vezes, a 'prova' é baseada em evidência anedótica." Comentando sobre "Power Balance", O Center for Inquiry dava nota de que o vendedor usava testes de Cinesioterapia pseudocientífica, descritos como "problemáticos e cheio de falhas". O vídeos ilustrativos encontrados no site da empresa são considerados pouco claros e o Centro assinalava que "a flexibilidade das pessoas parecia melhorar do primeiro alongamento para o segundo alongamento, independentemente se estavam a usar ou não a pulseira". O teste de equilíbrio usa apenas leis de física básicas para provocar o efeito de desejo para melhorar o equilíbrio.
Imagem: todo.esto.por.un.flickr · BY-SA · Openverse
Em novembro de 2010, os distribuidores australianos da "Power Balance" foram obrigados pelo Therapeutic Goods Complaints Resolution Panel a deixar de usar afirmações "falsas e enganadoras" de que os utilizadores poderiam obter "um aumento até 500% de força, resistência e flexibilidade" e ordenou que estas alegações fossem removidas do sítio web da companhia e que fosse publicada uma declaração, num prazo de duas semanas, que corrigisse essas declarações. Também em novembro de 2010, a Power Balance apresentou um processo contra a Microsoft por violação da imagem comercial no que diz respeito ao Xbox Kinect, depois da companhia anunciar uma gama de pulseiras promocionais. Em dezembro de 2010, Comissão Australiana para a Competição e Consumo (ACCC) obteve da Power Balance Australia Pty. Ltd. um acordo para retirar um número de ações em tribunal relacionadas com a correção da sua campanha enganosa, incluindo:
No Brasil
Em setembro de 2010, por determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), foi suspensa a publicidade dos efeitos terapêuticos da Power Balance e da Life Extreme, a versão brasileira destas pulseiras. O reembolso não foi exigido no Brasil. Segundo a agência brasileira, a Power Balance e a Life Extreme não cometeram outras infracções depois de ser publicada esta suspensão. A On the Beach, distribuidora das pulseiras Power Balance no Brasil, afirmou que já tinha ajustado a publicidade às novas regras e que já "não divulga falsas promessas de benefícios". De 2009 a janeiro de 2011 já tinha vendido 200 mil pulseiras no Brasil.
Na Europa
Em Portugal, em janeiro de 2011, a DECO garantia que não tinha recebido queixas sobre as pulseiras Power Balance, apenas tinha recebido pedidos de informação sobre o seu preço. Em Itália, em dezembro de 2010, a Autoridade para Concorrência Italiana multou a Power Balance e outra empresa, em 300 mil euros e 50 mil euros respetivamente, por não terem provas científicas para as alegações que faziam. Em Espanha, a Junta de Andaluzia multou a subsidiária sediada em Marbella em 15 mil euros, cerca de 40,5 mil reais, por publicidade enganosa; a organização para o consumidor Facua apresentou um pedido ao Departamento de Saúde para um agravamento da multa por que consideram que esta é insuficiente.


