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Luteranismo

O luteranismo é um dos principais segmentos do protestantismo, com aproximadamente mais de 77 milhões de fiéis, que tem por base a teologia de Martinho Lutero, um frade católico, reformador e teólogo alemão. Surgiu a partir dos esforços de Martinho Lutero em reformar a doutrina e prática da Igreja Católica, até então a tradição cristã dominante no ocidente, o que originou a Reforma Protestante. As Igrejas Luteranas aderem à Bíblia como a principal e maior autoridade e aos três Credos, com a doutrina luterana sendo explicada no Livro de Concórdia. Os luteranos se consideram em continuidade com a igreja apostólica original e afirmam os escritos dos Padres da Igreja e os quatro primeiros concílios ecumênicos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 18/07/2026
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Etimologia

O nome "luterano" surgiu como um termo pejorativo empregado por João Maier contra Martinho Lutero durante o Debate de Leipzig de julho de 1519. Maier e outros católicos romanos seguiram a prática tradicional de nomear uma heresia utilizando o nome de seu líder, assim rotulando a todos que se identificavam com a teologia de Lutero como "luteranos". Martinho Lutero, em todas suas convenções, nunca utilizou o termo "luterano", preferindo em qualquer ocasião referir o movimento da reforma como "Evangélico", o qual deriva da palavra em grego euangelion, que em português significa "boas novas", "evangelho". Com o tempo, "Evangélico" também se tornou um sinônimo de Protestante e começou também a ser usado pela Tradição Reformada (Calvinista). Para distinguir os dois grupos evangélicos, alguns começaram a se referir a eles como Evangélicos Luteranos e Evangélicos Reformados. Com o passar do tempo, o termo "evangélico" deixou de ser usado; os próprios luteranos passaram a usar o termo "luterano" em meados do século XVI, a fim de se diferenciarem de outros grupos, como os anabatistas e a tradição calvinista. Em 1597, os próprios teólogos de Wittenberg definiram-se a si próprios como "luteranos", tornando assim o termo tradicional e usado em todo o mundo até os dias de hoje.

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Luteranismo

Martinho Lutero, um católico romano fervoroso, decidiu entrar para o claustro num mosteiro Agostiniano, sendo ordenado padre em 1507. Segundo alguns historiadores, isto ocorreu devido a um acontecimento sobrenatural, no qual ele sobreviveu a uma tempestade na estrada, após ter dito: "Ajuda-me Santa Ana! E tornar-me-ei monge!". No mosteiro, Lutero vivia em angústias e desespero por dúvidas que tinha sobre seus méritos espirituais. Quanto mais refletia, tanto mais cresciam suas dúvidas e incertezas. Não possuía, por isso, paz de alma e via Deus como um severo juiz pronto a castigar os pecadores. Lutero tornou-se doutor em Teologia e passou a lecionar na Universidade de Wittenberg. Sendo um dos privilegiados a ter acesso a uma Bíblia, Lutero desenvolveu nova visão teológica lendo as palavras de Romanos 1.17: "mas o justo viverá pela fé". Ele dizia que o perdão e a vida eterna não são conquistados por nós mediante as obras, mas nos são dados gratuitamente mediante a fé em Jesus Cristo, o que Lutero afirmou com base na Epístola aos Efésios, capítulo 2, versículos 8 e 9: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie".

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As Confissões Luteranas

As Confissões Luteranas podem também ser consideradas como estandarte, em torno do qual os luteranos cerram fileiras em defesa de suas visões doutrinárias da Escritura sagrada contra o erro, ou podem ser consideradas como uma bandeira, à qual os mestres da igreja prestam juramento de fidelidade. Cada membro da Igreja Luterana deve subscrever não apenas a Bíblia, mas também as confissões como exposição correta das doutrinas bíblicas. Para o leigo isto significa, ao menos, o Catecismo de Lutero; para o pastor e professor, significam todas as confissões adotadas pela Igreja Luterana. O livro que compele todas as confissões luteranas é chamado de Livro de Concórdia, possuindo a Confissão de Augsburgo, a Apologia da Confissão de Augsburgo, os Artigos de Esmalcalda, o Tratado Sobre o Poder e Primado do Papa, Catecismo Maior e Menor de Lutero e a Fórmula de Concórdia. Em suas constituições, os grupos luteranos – congregações, bem como sínodos – geralmente definem sua posição doutrinária mais ou menos nestas palavras: "Confessamos que os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento são a palavra de Deus inspirada e, portanto, a única regra de fé e vida, e que as confissões da Igreja Luterana são uma exposição correta das doutrinas desta palavra". Por que esta firme insistência, como resumido nas confissões luteranas? Porque para luteranos não pode haver nada mais importante do que as doutrinas expostas conforme sua interpretação da Bíblia.

A Confissão de Augsburgo

A Confissão de Augsburgo é o documento que Filipe Melâncton escreveu e que foi apresentado, como sendo o testemunho luterano, ao imperador Carlos V e à Dieta do Santo Império Romano, a 25 de junho de 1530. Compõe-se de vinte e oito artigos. Destes, os primeiros vinte e um apresentam a doutrina luterana e sintetizam os ensinamentos de Martinho Lutero. Eles tentam provar que os luteranos não estavam ensinando novas doutrinas, contrárias às Escrituras Sagradas, e que não constituíram uma nova seita religiosa. Os artigos XXI a XXVIII pretendem tratar dos abusos medievais que os luteranos tinham corrigido. Sua leitura angariou prosélitos importantes. O bispo Stadion de Augsburgo teria afirmado: "O que foi lido é a pura verdade, e nós não podemos negá-lo". Quando João Eck, um dos mais ativos adversários de Lutero, supostamente disse ao duque Guilherme da Baviera que ele era capaz de refutar a Confissão de Ausburgo com os pais eclesiásticos, mas não com as Sagradas Escrituras, Guilherme teria respondido: "Assim, pois, ouço que os luteranos estão com a Escritura e nós, que seguimos o pontífice, fora dela".

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Os credos ecumênicos

Em resposta à acusação de que a Igreja Luterana se desviou da antiga fé da Igreja Cristã e era, por isso, uma nova seita, os pais luteranos oficialmente declararam sua concordância total com os credos ecumênicos. No prefácio da Fórmula de Concórdia declararam: "E porque imediatamente depois do tempo dos apóstolos e mesmo enquanto eles ainda viviam, falsos mestres e hereges se levantaram, símbolos, isto é, confissões breves e concisas, foram compostos contra eles na igreja primitiva, que foram considerados como a unânime, universal fé cristã e a confissão da Igreja Ortodoxa e verdadeira, a saber, o Credo dos Apostólos, o Credo Niceno, e o Credo Atanasiano; juramos fidelidade a eles, e deste modo rejeitamos todas as heresias e doutrinas, que, contrárias a eles, têm sido introduzidas na igreja de Deus". A primeira confissão da fé cristã foi o Credo Apostólico. Divergências posteriores levaram à formulação do Credo Niceno (325) e do Credo Atanasiano (451). Essas três confissões são conhecidas como credos ecumênicos ou universais.

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Doutrina

Bíblia

Tradicionalmente, os luteranos consideram que a Bíblia do Antigo e do Novo Testamento é o único livro de inspiração divina, a única fonte de conhecimento divinamente revelado e a única norma para o ensino cristão. Somente a Escritura é o princípio formal da fé, a autoridade final para todas as questões de fé e moral por causa de sua inspiração, autoridade, clareza, eficácia e suficiência. A autoridade das Escrituras foi contestada durante a história do luteranismo. Martinho Lutero ensinou que a Bíblia era a Palavra escrita de Deus e o único guia confiável para fé e prática. Ele sustentou que toda passagem da Escritura tem um significado direto, o sentido literal como interpretado por outras Escrituras. Estes ensinamentos foram aceitos durante o luteranismo ortodoxo do século XVII. Durante o século XVIII, o racionalismo defendia a razão e não a autoridade da Bíblia como a fonte final de conhecimento, mas a maioria dos leigos não aceitou essa posição racionalista. No século XIX, um renascimento confessional enfatizou novamente a autoridade da Bíblia e o acordo com as Confissões Luteranas.

Mariologia

Os Artigos de Esmalcalde, uma das confissões luteranas, descrevem Maria como virgem perpétua, indo contra a heresia dos antidicomarianitas, que dizia que Maria teve filhos com José após o nascimento de Jesus. Apesar de muitos luteranos afirmarem a Virgindade Perpétua de Maria, não são todos que o fazem.

Sacramentos

Luteranos afirmam que os sacramentos são "os ritos que têm mandamento de Deus e aos quais foi adicionada a promessa da graça." A Defesa da Confissão de Augsburgo define três sacramentos: Batismo, a Ceia do Senhor e a Absolvição, que é o sacramento da penitência.

Casamento

A maioria das Igrejas Luteranas ao redor no mundo apoia apenas o casamento entre um homem e uma mulher. Algumas Igrejas Luteranas deixam que as igrejas locais decidam sobre as bênçãos de casamentos entre pessoas do mesmo sexo, como a Igreja Evangélica Luterana no Canadá, a Igreja Evangélica Luterana na América e a Igreja Evangélica Luterana da Finlândia. ReconcilingWorks reúne 1.138 igrejas, 2 universidades e 5 seminários inclusivos em 2 países em 2025 que apoiam as bênçãos de casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

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Luteranismo mundial

Atualmente, o luteranismo está presente em todos os continentes habitados, congregando milhões de pessoas. Segundo alguns dados levantados no período de 2015-2017, o número de luteranos ultrapassa a marca dos 80 000 000. Hoje, mundo afora, existem cerca de 250 ramos luteranos, entre estes, mais de 160 igrejas estão filiadas à Federação Luterana Mundial (FLM) e mais 40 fazem parte do Concílio Luterano Internacional (CLI). As demais igrejas luteranas estão na sua maioria filiadas à Conferência Luterana Confessional e várias outras se intitulam Comunidades Luteranas Independentes. As maiores igrejas de cunho luterano atualmente são as igrejas da Suécia (6,0 milhões); Tanzânia (6,5 milhões); e Etiópia (8 milhões). Recentemente, os luteranos veem um singelo crescimento no número de seguidores ao redor do mundo. A Igreja Luterana na América do Norte, América Latina, Caribe e Europa vem experimentando uma redução no número de membros, no entanto vem apresentando um grande crescimento no continente asiático e africano.

No Brasil

Com o princípio de difundir a teologia do luteranismo pelo mundo, uma esquadra saiu da Alemanha ao rumo do Brasil poucos anos; o primeiro indício da propagação da crença luterana no Brasil aconteceu em 1532, com a chegada de Heliodoro Heoboano, que era filho de Helius Eobano Hesse, amigo de Lutero, no porto de São Vicente, São Paulo.[carece de fontes?] No entanto, Heliodoro estava a bordo da esquadra do Governador da Índia Martim Afonso de Sousa, sendo que rapidamente teve que retornar para o seu país de origem, e o luteranismo no Brasil ficou esquecido por cerca de três séculos. O mártir Hans Staden, que ficou conhecido por ter sido aprisionado pelos índios, cantou vários hinos de Lutero, bem como deu ordens para erigir a primeira capela evangélica no Brasil neste meio-tempo, na cidade de Ubatuba, São Paulo.

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