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A Grande Transformação

A Grande Transformação é a obra mais importante do filósofo e historiador da economia húngaro Karl Polanyi. Foi publicada pela primeira vez em 1944, nos Estados Unidos, e na Inglaterra, em 1945, com o subtítulo As Origens do Nosso Tempo. O livro foi reeditado em 1957, pela Beacon Press; em 2001, foi republicado, com prefácio de Joseph Stiglitz. O livro trata das convulsões sociais e políticas que ocorreram em Inglaterra durante a ascensão da economia de mercado. Polanyi afirma que a moderna economia de mercado e o moderno Estado-nação devem ser entendidos não como elementos distintos, mas como uma invenção humana única — a sociedade de mercado.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/07/2026
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Argumento geral

Imagem: Marinelson Almeida Silva · BY · Openverse

Segundo Polanyi, o desenvolvimento do Estado moderno andou de mãos dadas com o desenvolvimento das modernas economias de mercado, e esses dois processos de transformação estiveram inextricavelmente ligados ao longo da história. Essencial para a transformação de uma economia pré-moderna em uma economia de mercado foi a alteração das mentalidades econômicas humanas que deixaram de se basear em relações e instituições sociais locais e passaram a ser transações idealizadas como "racionais" e separadas de seu contexto social anterior. Antes da grande transformação, os mercados tiveram um papel muito limitado na sociedade e foram confinados quase exclusivamente ao comércio de longa distância. Como Polanyi escreveu "o mesmo viés que levou a geração de Adam Smith a ver o homem primitivo como inclinado à troca e ao comércio induziu seus sucessores a rejeitar todo o interesse pelo homem primitivo, já que agora se sabia que ele não havia se envolvido nessas paixões louváveis."

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Antes da sociedade de mercado

Imagem: Arquivo Nacional do Brasil · PDM · Openverse

Baseado no trabalho etnológico de Bronislaw Malinowski sobre a Kula nas Ilhas Trobriand, Polanyi faz a distinção entre os mercados como uma ferramenta auxiliar para facilitar a troca de bens e sociedades de mercado. Sociedades de mercado são aquelas em que os mercados estão a instituição fundamental para a troca de bens por meio de mecanismos de preços. Polanyi argumenta que existem três tipos de sistemas econômicos que existiam antes do surgimento de uma sociedade baseada em uma economia de livre mercado: redistribuição, da reciprocidade e economia doméstica (agregado familiar). Estas três formas não eram mutuamente exclusivas, nem eram mutuamente exclusivas de mercados para a troca de mercadorias. A principal diferença é que estas três formas de organização econômica foram baseados em torno dos aspectos sociais da sociedade em que operava e que foram explicitamente vinculado a essas relações sociais. Polanyi argumentou que essas formas econômicas dependiam dos princípios sociais da centralidade, simetria, e autarquia (auto-suficiência). Mercados existia como uma avenida auxiliar para a troca de bens que de outra forma não foram obtidos. [carece de fontes?]

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Economia de mercado e a categoria embeddedness

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

O intercâmbio e o mercado constituem uma forma de integração baseada no direito de propriedade, nos deveres relacionados a esse direito, e no livre-contrato entre as partes envolvidas. O ato de comprar e vender é o modo de distribuição dos bens e serviços. A compra se realiza com base no sistema de preços e através do dinheiro, como expressão do poder de compra. Instituições culturais regulam essas práticas e a vida econômica e política da sociedade. As condutas e suas motivações só fazem sentido em instituições culturais. Essa tese de Polanyi contraria o argumento de Hayek que concebia a economia de mercado como resultado espontâneo da livre interação de indivíduos, sendo a moldura institucional um mero formalismo sobre uma realidade já existente. A contribuição teórica fundamental de Karl Polanyi é a categoria embeddedness/ 'imersão', em outras palavras, indivíduos e suas relações encontram-se imersos em instituições culturais historicamente constituídas que os condicionam. Segundo Polanyi, antes do surgimento da economia de mercado, o sistema econômico estava imerso em relações sociais gerais. O mercado, ou o ato de comprar e vender, era apenas parte das instituições globais existentes naquela sociedade. Com o crescimento do padrão mercantil, esse mercado se pretende separado das instituições gerais, se autorregulando, sem influência de fatores externos. A economia de mercado se torna como uma relação natural, englobando todo o processo produtivo. Tudo se torna mercadoria, terra, trabalho e dinheiro, e pode se tornar objeto de compra e venda no mercado. A economia de mercado só pode vigorar numa sociedade estruturada sob as instituições de mercado, em uma sociedade de mercado. A emergência do mercado só é possível com a remoção de uma série de obstáculos que vigoravam na sociedade anterior e que impediam ou dificultavam a transação mercantil em relação ao trabalho humano, terra e dinheiro, as "mercadorias fictícias". O que era apenas uma parte da sociedade e de suas instituições se torna o regulador geral da sociedade.

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Suporte

Imagem: Arquivo Nacional do Brasil · PDM · Openverse

Os sociólogos Fred L. Block e Margaret Somers argumentam que a análise de Karl Polanyi pode ajudar a explicar por que o ressurgimento das ideias de livre mercado resultaram em "tais falhas se manifestam como a persistência do desemprego, a desigualdade crescente, e as crises financeiras graves que têm enfatizado economias ocidentais ao longo dos últimos 40 anos. Eles sugerem que "a ideologia de que o livre mercado pode substituir o governo é tão utópica e perigosa", como a ideia de que o comunismo irá resultar no desaparecimento do Estado.

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Crítica

Imagem: Philipe Li · BY-NC-SA · Openverse

Ideias de Polanyi têm sido criticado por historiadores econômicos, em especial as alegações de que as mentalidades econômicas da humanidade foram menos racional e utilitário maximizando na era pré-moderna. Praticamente todos os exemplos que Polanyi dá de uma sociedade pré-moderna operando sem um mercado foi examinado, com muitos achando o argumento de Polanyi querendo Prêmio Nobel Douglass North argumentou que Polanyi confundido reciprocidade e redistribuição, com pagamentos laterais que existiriam racionalmente como explica o teorema de Coase. North argumentou ainda que toda sociedade usa reciprocidade, redistribuição e mercados para alocar recursos em North chamados outros historiadores econômicos para investigar alegações de Polanyi que os seres humanos tinham diferentes mentalidades econômicas antes da economia moderna ter sido criada.

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Índice

Imagem: Tiago S Costa · BY-NC-SA · Openverse

Capítulo 6 ** A auto-regulação do mercado e as mercadorias fictícias: trabalho, terra e dinheiro Capítulo 10 ** Economia Política ea descoberta da sociedade Capítulo 11 ** Homem, Natureza e Organização Produtiva Capítulo 19 ** Governo Popular e Economia de Mercado Capítulo 20 ** História na engrenagem da mudança social Capítulo 21 ** Liberdade em uma sociedade complexa

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