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Cristiano IX da Dinamarca

Cristiano IX, nascido príncipe Cristiano de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo, foi o Rei da Dinamarca de 1863 até 1906.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Início de vida

Nascimento e família

O príncipe Cristiano nasceu em 8 de abril de 1818, na residência de seus avós, o Castelo de Gottorf, próximo à cidade de Eslésvico, no Ducado de Eslésvico, então parte do Reino da Dinamarca. Era o sexto filho, o quarto menino, do duque Frederico Guilherme de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Beck e de sua esposa, a princesa Luísa Carolina de Hesse-Cassel. Recebeu o nome em homenagem ao primo de sua mãe, Cristiano Frederico da Dinamarca, que ascendeu ao trono como rei Cristiano VIII da Dinamarca em 1839 e também foi seu padrinho. O pai de Cristiano era o chefe da Casa de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Beck, um ramo cadete distante e de pouca relevância da Casa de Oldemburgo, a família real da Dinamarca. A linhagem descendia de um filho mais novo do rei Cristiano III da Dinamarca, o duque João de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo. João e seus descendentes receberam o título e o estatuto de duques, mas possuíam apenas direitos hereditários sobre Eslésvico e Holsácia, sem exercer soberania territorial. Devido ao grande número de filhos de João, o Ducado de Sonderburgo foi dividido, após sua morte, em vários pequenos ducados apenas nominais, formados por poucas propriedades e paróquias, o que gerava rendimentos insuficientes para sustentar um estilo de vida compatível com a posição social de seus titulares. A linhagem de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Beck foi fundada pelo duque Augusto Filipe, neto de João, e recebeu essa denominação a partir da propriedade do senhorio de Beck, pertencente ao primeiro duque. Os filhos de Augusto Filipe e seus descendentes ingressaram nos serviços militares prussiano, polonês e russo, até que seu bisneto, o pai do príncipe Cristiano, retornou ao Exército Real Dinamarquês e foi designado para à Holsácia. Foi nesse contexto que conheceu a princesa Luísa Carolina, filha do conde Carlos de Hesse-Cassel, que havia sido criada na corte dinamarquesa e se casado com a filha mais nova do rei Frederico V, a princesa Luísa. O conde Carlos construiu sua carreira na Dinamarca, onde alcançou o posto de marechal de campo e exerceu o cargo de governador dos ducados de Eslésvico e Holsácia.

Juventude e educação

O jovem príncipe passou os primeiros anos de sua infância com seus numerosos irmãos na residência de seus avós, o Castelo de Gottorf, tradicional sede dos governadores de Eslésvico e Holsácia. Em 6 de julho de 1825, o duque Guilherme foi nomeado Duque de Glucksburgo por seu cunhado, o rei Frederico VI da Dinamarca, uma vez que a antiga linhagem de Glucksburgo havia sido extinta em 1779 e o castelo homônimo encontrava-se desocupado. Em decorrência disso, Guilherme alterou seu título de Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Beck para Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo, dando origem à posteriormente célebre Casa de Glucksburgo. A família transferiu-se então para o Castelo de Glucksburgo, onde Cristiano cresceu com seus irmãos sob a supervisão direta dos pais. O duque Guilherme escreveu certa vez a um amigo: "Educo os meus filhos de forma rigorosa, para que aprendam a obedecer, sem deixar de os preparar para as exigências e necessidades do presente". Contudo, o duque faleceu prematuramente em 17 de fevereiro de 1831, aos 46 anos de idade, em consequência de um resfriado que evoluiu para pneumonia e, segundo sua própria avaliação, também de escarlatina, doença que já havia acometido dois de seus filhos. Sua morte deixou a esposa viúva, sem recursos financeiros e responsável por dez filhos. À época, Cristiano tinha apenas doze anos.

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Casamento

Na coroação da Rainha Vitória, realizada em 28 de junho de 1838, na Abadia de Westminster, em Londres, Frederico VI foi representado por Cristiano. Durante sua permanência na capital britânica, Cristiano cortejou a jovem rainha, então solteira, porém sem êxito. Atendendo aos desejos de sua família, Vitória optou por se casar com seu primo, Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. Ainda assim, a jovem soberana formou uma impressão favorável do Príncipe Cristiano, que tinha a mesma idade que ela e que, vinte e cinco anos mais tarde, viria a tornar-se sogro de seu filho mais velho, Alberto Eduardo, Príncipe de Gales. Cristiano, por sua vez, contraiu um casamento que teria consequências significativas para o seu futuro. No outono de 1841, ficou noivo de sua prima em segundo grau, Luísa de Hesse. Ela era filha do conde Guilherme de Hesse-Cassel-Rumpenheim, que serviu como general dinamarquês e exerceu o cargo de governador de Copenhague. O conde Guilherme era casado com a princesa Luísa Carlota da Dinamarca, irmã do rei Cristiano VIII, sendo Luísa, portanto, sobrinha do novo monarca. Ambos compartilhavam um bisavô em comum, o rei Frederico V. O casamento foi celebrado em 26 de maio de 1842, na residência dos pais da princesa, o Palácio de Amalienborg. Os recém-casados passaram a lua de mel em Kiel, onde visitaram o irmão mais velho de Cristiano, Carlos, e sua esposa, Guilhermina.

"Sogro da Europa"

Cristiano e Luísa tiveram um casamento bem sucedido, e os seus seis filhos realizaram casamentos notáveis em várias casas reais europeias, sendo pais, tios e avós de cinco monarcas europeus, Nicolau II da Rússia, Constantino I da Grécia, Jorge V do Reino Unido e Cristiano X da Dinamarca, afirmando a nova linhagem dinástica de Glucksburgo, como uma das mais mais proeminentes do continente. Atualmente, a maioria das casas reais reinantes e depostas descendem de Cristiano IX e sua esposa. Entre seus descendentes estão os atuais reis Frederico X da Dinamarca, Haroldo V da Noruega, Filipe da Bélgica, Carlos III do Reino Unido e Filipe VI da Espanha, bem como o atual grão-duque Guilherme V de Luxemburgo.

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Herdeiro presuntivo da Dinamarca

A linha de sucessão dinamarquesa

Na década de 1840, tornou-se cada vez mais evidente que o Reino da Dinamarca enfrentava uma grave crise sucessória. Quando o rei Cristiano VIII ascendeu ao trono, em 1839, nem seu filho, o príncipe herdeiro Frederico, nem o irmão mais novo do monarca, o príncipe herdeiro Fernando, possuíam descendentes, tornando progressivamente improvável o nascimento de um herdeiro legítimo. Com isso, a casa real dinamarquesa reinante, o ramo principal da Casa de Oldemburgo, corria o risco de extinção. A crise sucessória apresentava um dilema particularmente complexo, uma vez que as normas de sucessão não eram uniformes em todas as partes do Estado dinamarquês, composto pelo Reino da Dinamarca e pelos ducados de Eslésvico, Holsácia e Lauemburgo.

Nomeação como herdeiro do trono

Um acordo definitivo sobre a sucessão dinástica somente foi alcançado com a assinatura do Protocolo de Londres de 1852, que designou Cristiano como herdeiro da monarquia dinamarquesa. Com isso, a Casa de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo foi elevada ao trono, com base nos direitos sucessórios derivados de Luísa de Hesse, esposa de Cristiano. O Protocolo foi implementado por meio de uma emenda à Lei de Sucessão Dinamarquesa, aprovada pelo Parlamento da Dinamarca e sancionada pelo rei Frederico VII em 31 de julho de 1853, tornando o príncipe Cristiano herdeiro do trono de toda a monarquia dinamarquesa. Na condição de herdeiro, recebeu o título de Príncipe da Dinamarca, com o tratamento de Alteza.

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Reinado

Ascensão ao trono

Nos últimos anos de vida do rei Frederico VII, sua saúde deteriorou-se progressivamente. No outono de 1863, durante uma visita às fortificações fronteiriças de Danevirke, contraiu uma forte constipação que evoluiu para erisipela após seu retorno ao Castelo de Glucksburgo. Quando faleceu, em 15 de novembro, após uma breve doença, o príncipe Cristiano sucedeu-lhe no trono como rei Cristiano IX, conforme estabelecido pelo Protocolo de Londres. Seu título oficial era: Rei da Dinamarca, dos Vendos e dos Godos; Duque de Eslésvico, Holsácia, Stormarn, Dithmarschen, Lauemburgo e Oldemburgo.

Guerra Dano-Prussiana

No Protocolo de Londres de 1852, a Dinamarca obteve o reconhecimento de um Estado unificado e a aprovação de uma sucessão comum para o reino e para os ducados. Em contrapartida, comprometeu-se, perante as duas potências alemãs, Prússia e Áustria, a não integrar o ducado de Eslésvico, enquanto feudo dinamarquês. Contudo, a adoção, em novembro de 1863, pelo Parlamento da Dinamarca, de uma constituição que incorporava Eslésvico ao Reino da Dinamarca provocou a reação de Otto von Bismarck, chanceler da Confederação Germânica, criando as condições políticas que levaram à declaração de guerra contra a Dinamarca. Como rei recém-empossado, Cristiano IX, de fato, hesitou em sancionar a constituição, antevendo possíveis conflitos com Bismarck. Contudo, acabou confrontado por intensa pressão popular. Paralelamente, a imprensa diária manifestou dúvidas quanto à disposição do novo monarca em assinar o texto constitucional, enquanto o Conselho Real e o Conselho Representativo dos Cidadãos de Copenhague também exerceram pressão por meio de comunicações que enfatizavam a importância da constituição para "a liberdade e a independência do Reino da Dinamarca". Na primeira reunião do Conselho de Estado após sua ascensão ao trono, o rei assinou a constituição em 18 de novembro de 1863. Na ocasião, ressaltou que a responsabilidade pela medida recaía sobre o ministério, afirmando, contudo, que a sancionava por dever, ainda que temesse que tal decisão pudesse trazer um desastre ao país.

A luta constitucional

Após a derrota na Guerra Dano-Prussiana, a confiança nos Liberais Nacionais, responsabilizados pelo desfecho do conflito, dissipou-se, levando o partido à perda de prestígio e de seus cargos ministeriais. Em 1865, o conde conservador C. E. Frijs de Frijsenborg formou um novo governo e, a partir de então, o cargo de presidente do Conselho passou a ser ocupado, por várias décadas, por representantes do grupo dos grandes proprietários rurais. Em 1866, uma emenda constitucional, conhecida como "constituição revisada", conferiu a esses latifundiários influência decisiva na câmara alta do Parlamento. A partir desse momento, a chamada luta constitucional passou a dominar um longo período do reinado de Cristiano IX, durante o qual o monarca manteve-se firme na defesa do direito real de nomear livremente seus governos, em vez de fazê-lo com base na maioria da câmara baixa do Parlamento. Ao longo desse processo, o rei nomeou sucessivos governos conservadores minoritários e, por um período prolongado, apoiou de forma incondicional o presidente do Conselho da direita, J. B. S. Estrup, em sua oposição à democracia parlamentar e ao Partido Liberal. Essa política de repressão, contudo, acabou gerando sérios problemas para o país.

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Últimos anos e morte

Apesar da impopularidade inicial do rei e dos muitos anos de hostilidades políticas, em que o rei estava em conflito com grandes partes da população, sua popularidade se recuperou no final de seu reinado e ele se tornou um ícone nacional devido à duração de seu reinado e aos altos padrões de moralidade pessoal com os quais ele foi identificado. A celebração das bodas de ouro do rei Cristiano e da rainha Luísa em 1892 tornou-se assim uma grande e autêntica homenagem do povo ao rei e à rainha, que contrastava profundamente com a sóbria comemoração de suas bodas de prata em 1867. Em 1904, o rei tomou conhecimento dos esforços de Einar Holbøll, um funcionário dos correios na Dinamarca, em vender selos de Natal nas agências de correios da Dinamarca para levantar fundos muito necessários para ajudar os afetados pela tuberculose, que estava ocorrendo em proporções alarmantes na Dinamarca. O rei aprovou a ideia de Holbøll e, posteriormente, os correios dinamarqueses produziram o primeiro selo de Natal do mundo, que gerou mais de US$ 40.000 em financiamento. O selo de Natal retratava uma imagem de sua esposa, a rainha Luísa.

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Títulos, estilos e honras

Títulos e estilos

Sua Majestade Cristiano IX, Pela graça de Deus, Rei da Dinamarca, dos Vendos e dos Godos; Duque de Eslésvico, Holsácia, Stormarn, Dithmarschen, Lauemburgo e Oldemburgo.

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