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Sagrado Coração de Jesus

Sagrado Coração de Jesus é uma das três solenidades do Tempo Comum, dentro da Liturgia da Igreja Católica, comemorada na Segunda Sexta-feira após a solenidade de Corpus Christi. Além disso, essa devoção também é cultivada pela Igreja Católica ao longo de todas as primeiras sextas-feiras de cada mês do ano. Consiste na veneração do Coração de Jesus, do mais íntimo de Seu Amor. É seguido pelas devoções ao Imaculado Coração de Maria e ao Castíssimo Coração de José.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/07/2026
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História da devoção

Devoção inicial

Historicamente, a devoção ao Sagrado Coração é uma consequência da devoção ao que se acredita ser a humanidade sagrada de Cristo. Durante os primeiros dez séculos do cristianismo, não há nada que indique que qualquer culto foi prestado ao coração ferido de Jesus. O renascimento da vida religiosa e a zelosa atividade de São Bernardo de Claraval e Francisco de Assis nos séculos XII e XIII, juntamente com o entusiasmo dos cruzados que retornavam da Terra Santa, deram origem à devoção à Paixão de Jesus Cristo e, particularmente, às práticas em homenagem às feridas sagradas. A devoção ao Sagrado Coração se desenvolveu a partir da devoção às feridas sagradas, em particular à ferida sagrada no lado de Jesus. As primeiras indicações de devoção ao Sagrado Coração são encontradas nos séculos XI e XII, na atmosfera fervorosa dos mosteiros beneditinos ou cistercienses. É impossível dizer com certeza quais foram seus primeiros textos ou quem foram seus primeiros devotos.

Santa Lutgarde

Segundo Thomas Merton, Santa Lutgarde (m. 1246), uma mística cisterciense de Aywieres, na Bélgica, foi um dos grandes precursores da devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Contemporânea de São Francisco, ela «[…] entrou na vida mística com uma visão do Coração trespassado d'O Salvador e concluiu seus apelos místicos com o Verbo Encarnado através de uma troca de corações com Ele». Fontes dizem que Cristo veio em uma visita a Lutgarde, oferecendo a ela qualquer dom de graça que ela desejasse; ela pediu uma melhor compreensão do latim, para entender melhor a palavra de Deus e cantar o louvor de Deus. Cristo atendeu a seu pedido e a mente de Lutgarde foi inundada com as riquezas de salmos, antífonas, leituras e responsórios. No entanto, um vazio doloroso persistiu. Ela voltou a Cristo, pedindo para devolver o presente d'Ele, e se perguntou se poderia, possivelmente, trocá-lo por outro. "E pelo que tu trocarias isto?" Perguntou Cristo. "Senhor, disse Lutgarde, eu trocaria por Vosso coração." Cristo então alcançou Lutgarde e, removendo o coração dela, substituiu-o pelo d'Ele, ao mesmo tempo escondendo o coração dela dentro do peito d'Ele.

Santa Gertrudes

Santa Gertrude, a Grande, foi uma das primeiras devotas do Sagrado Coração de Jesus. O livro 2 do Arauto do Divino Amor descreve vividamente as visões de Gertrude, que mostram uma elaboração considerável da veneração até então mal definida do coração de Cristo. São Bernardo articulou isso em seu comentário sobre o Cântico dos Cânticos. As mulheres de Helfta, Gertrude acima de tudo, que certamente conheciam os comentários de Bernardo e, em menor grau, os dois Mechthildes, experimentaram essa devoção centralmente em suas visões místicas. No século XVI, a devoção passou do domínio do misticismo para o do ascetismo cristão. Foi estabelecido como uma devoção com orações já formuladas e exercícios especiais, encontrados nos escritos de Johannes Justus von Landsbergde mais conhecido como Lanspergius (m. 1539) dos cartuxos de Colônia, o beneditino Louis de Blois (m. 1566) abade de Liessies em Hainaut, São João de Ávila (m. 1569) e São Francisco de Sales (m. 1622).

Santa Margarida Maria Alacoque

A fonte mais significativa para a devoção ao Sagrado Coração, na forma que é conhecida hoje, foi Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), freira da Ordem da Visitação de Santa Maria, que alegou ter recebido aparições de Jesus Cristo na aldeia francesa de Borgonha de Paray-le-Monial, a primeira em 27 de dezembro de 1673, festa de São João Evangelista e a final, 18 meses depois, revelando a forma da devoção, sendo a principal a recepção da Comunhão na primeira sexta-feira de cada mês, a adoração eucarística durante uma "hora santa" às quintas-feiras e a celebração da Festa do Sagrado Coração. Ela disse que em sua visão era instruída a passar uma hora toda quinta-feira à noite para meditar na agonia de Jesus no jardim do Getsêmani.

Beata Maria do Divino Coração

Outra fonte para a devoção ao Sagrado Coração de Jesus foi a Irmã Maria do Divino Coração (1863 a 1899), condessa de Droste zu Vischering e freira da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, que relatou ter recebido várias locuções e visões interiores de Jesus Cristo. A primeira locução interior relatada por Maria Droste zu Vischering foi durante a juventude que passou com a família no castelo de Darfeld, perto de Münster, na Alemanha, e a última visão e revelação particular foi relatada durante sua presença já como Madre Superiora no Convento do Bom Pastor no Porto, em Portugal. Com base nas mensagens que ela disse ter recebido em suas revelações de Cristo, em 10 de junho de 1898, o seu confessor no convento do Bom Pastor escreveu ao Papa Leão XIII, afirmando que a Irmã Maria do Divino Coração havia recebido uma mensagem de Cristo solicitando que o Santo Padre consagrasse o mundo inteiro ao Sagrado Coração de Jesus. O Papa inicialmente não deu credibilidade a ele e não tomou nenhuma ação. No entanto, em 6 de janeiro de 1899, ela enviou outra carta pedindo que, além da consagração, fossem observadas as primeiras sextas-feiras do mês em homenagem ao Sagrado Coração e que, em agradecimento, se divulgariam suas graças.

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As origens da devoção

A origem desta devoção se deve a Santa Margarida Maria de Alacoque, uma freira da Ordem da Visitação de Santa Maria, ordem religiosa fundada por São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca Frémyot de Chantal em 1610. Santa Margarida Maria teve extraordinárias revelações por parte de Jesus Cristo, que a incumbiu pessoalmente de divulgar e propagar no mundo esta piedosa devoção. Foram três as aparições de Jesus: A primeira, deu-se a 27 de dezembro de 1673, a segunda em 1674 e, a terceira, em 1675. Mais tarde, outra religiosa, a Beata Maria do Divino Coração Droste zu Vischering, religiosa da Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor, a partir de Portugal estendeu a esta devoção a todo o Mundo por meio de um acto de consagração solene pedido ao Papa Leão XIII. Jesus deixou doze grandes promessas às pessoas que participassem das comunhões reparadoras das primeiras sextas-feiras. Disse Ele, numa dessas ocasiões a Santa Margarida Maria de Alacoque: "Prometo-te, pela Minha excessiva misericórdia e pelo amor todo-poderoso do meu Coração, conceder a todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, a graça da penitência final; não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os sacramentos, e Meu Divino Coração lhes será seguro refúgio nessa última hora".

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Os Papas que recomendaram esta devoção

Papa Pio XII – “Todas as Bênçãos que, do Céu, a Devoção ao Sagrado Coração de Jesus derrama sobre as almas dos Fiéis, purificando-os, trazendo-lhes uma grata consolação celeste e exortando-os a alcançar todas as virtudes, são verdadeiramente inumeráveis.” Papa Pio XII – “A Igreja teve sempre em tal estima a Devoção ao Sagrado Coração de Jesus, e de tal modo continua a considerá-la, que se empenha totalmente no sentido de a manter florescente em todo o mundo, e de a promover por todos os meios possíveis.” Papa Leão XIII disse que a Devoção ao Sagrado Coração de Jesus era “uma forma por excelência de religiosidade (…) Esta devoção, que recomendamos a todos, será para todos proveitosa.” – “No Sagrado Coração está o símbolo e a imagem expressa do Amor Infinito de Jesus Cristo, que nos leva a retribuir-Lhe esse Amor.” Papa Pio XII – “O Seu Coração é o sinal natural e o símbolo do Seu Amor sem limites para com a humanidade.”

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Os Santos que recomendaram esta devoção

O exemplo dos Santos, ao mesmo tempo que é um poderoso incentivo que nos incita à prática de uma devoção que eles próprios praticaram, é também, para nós, um guia modelar que nos mostra como a devemos praticar. O espaço de que dispomos não nos permite anotar todos os Santos que promoveram a Devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que a viveram e que sentiram o sagrado impulso que dela provinha para amar Jesus mais ardentemente. Recordemos aqui a doutrina e o exemplo dos Santos: São João Eudes, no século XVI, na França, fundador da Congregação de Jesus e Maria, padres eudistas, foi quem iniciou a implantação da festa litúrgica do Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria. Para ele, os Corações de Jesus e Maria eram um só, unidos pela fornalha ardente do Espírito Santo. Santa Margarida Maria de Alacoque foi a primeira pessoa a quem Jesus revelou o Seu Sagrado Coração (por meio de diversas aparições) e foi a primeira responsável pela divulgação do Seu culto e devoção ao Mundo.

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Fontes consultadas

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