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Arthur Schopenhauer

Arthur Schopenhauer foi um filósofo alemão. Ele é conhecido por sua obra O Mundo como Vontade e Representação, de 1818, que caracteriza o mundo fenomenal como a manifestação de uma vontade numenal cega e irracional. Com base no idealismo transcendental de Immanuel Kant, Schopenhauer desenvolveu um sistema metafísico e ético ateísta que rejeitava as ideias contemporâneas do idealismo alemão.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Biografia

Juventude

Arthur Schopenhauer nasceu no dia 22 de fevereiro de 1788, em Danzig (então parte da República das Duas Nações ; atual Gdańsk, Polônia), filho de Johanna Schopenhauer (nascida Trosiener; 1766–1838) e Heinrich Floris Schopenhauer (1747–1805), ambos descendentes de ricas famílias patrícias alemãs. Embora fossem de origem protestante, nenhum deles era muito religioso; ambos apoiaram a Revolução Francesa, eram republicanos e cosmopolitas. Quando Danzig se tornou parte da Prússia em 1793, Heinrich mudou-se para Hamburgo — cidade com uma constituição republicana. Sua empresa continuou negociando em Danzig, onde a maioria de sua família permaneceu. Adele, única irmã de Arthur, nasceu em 12 de julho de 1797.

Vida adulta

Em 1811, na Universidade de Berlim, assistiu aos cursos dos filósofos Schleiermacher (1768–1834) e Fichte (1762-1814). Este último seria, mais tarde, acusado por Schopenhauer de ter deliberadamente caricaturado a filosofia de Kant (1724–1804), tentando “envolver o povo alemão com a neblina filosófica”. Em 1813, Schopenhauer doutorou-se pela Universidade de Berlim com a tese Sobre a Quádrupla Raiz do Princípio de Razão Suficiente. Nessa época, sua mãe, Johanna Schopenhauer, estabeleceu-se em Weimar, onde começou a obter progressivo sucesso como novelista e passou a frequentar os círculos mundanos que Schopenhauer detestava e se esforçava por ridicularizar ao máximo. As relações entre os dois deterioraram-se a ponto de Johanna declarar publicamente que a tese de seu filho não passava de um tratado de farmácia; em contrapartida, Schopenhauer afirmava ser incerto o futuro de sua mãe como romancista e que ela somente seria lembrada no futuro pelo fato de ser sua progenitora.

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Ideias

As ideias de Schopenhauer consistem em uma coletânea de pensamentos ditos pessimistas que dizem respeito à vida humana. Segundo o filósofo, esta é regida pela vontade e, sendo, a vontade, uma espécie de Deus presente em todos os humanos sem exceção, a qual necessita de sobreviver valendo-se do desejo sexual para se reproduzir e multiplicar, e devido ao desejo de sempre querer mais, a vontade acaba levando ao sofrimento humano, pois o homem nunca será satisfeito com uma única coisa. Ainda, uma vez que a Vontade é tida como a coisa-em-si/essência do ser humano, e em razão do fato de o homem ser, do ponto de vista cósmico, não mais que um tipo de ser em meio a vários outros tipos de seres, Schopenhauer, valendo-se de uma razão analógica, sente-se autorizado a estender essa substância primordial (a Vontade) a todos os demais seres, concebendo-a, assim, como essência não só do homem, mas do mundo.

Um mundo cego e irracional

O ponto de partida do pensamento de Schopenhauer encontra-se na filosofia kantiana. Immanuel Kant (1724–1804) estabelecera distinção entre os fenômenos e a coisa em si (que chamou noumenon), isto é, entre o que nos aparece e o que existiria em si mesmo. A coisa-em-si (noumenon) não poderia, segundo Kant, ser objeto de conhecimento científico, como até então pretendera a metafísica clássica. A ciência restringir-se-ia, assim, ao mundo dos fenômenos, e seria constituída pelas formas a priori da sensibilidade (espaço e tempo) e pelas categorias do entendimento (a exemplo da categoria da causalidade). Dessas distinções, Schopenhauer concluiu que o mundo não seria mais do que representações, entendidas por ele, num primeiro momento, como sínteses entre o subjetivo e o objetivo, entre a realidade exterior e a consciência humana. Como afirma em O Mundo como Vontade e Representação:

Viver é sofrer

No sistema de Schopenhauer, a vontade é a raiz metafísica do mundo e da conduta humana; ao mesmo tempo, é a fonte de todos os sofrimentos. Sua filosofia é, assim, profundamente pessimista, pois a vontade é concebida em seu sistema como algo sem nenhuma meta ou finalidade (ateleológica), um querer irracional e inconsciente. Sendo um mal inerente à existência do homem, ela gera a dor, necessária e inevitavelmente, sendo aquilo que se conhece como felicidade, por conseguinte, apenas a interrupção temporária de um processo de infelicidade e somente a lembrança de um sofrimento passado criaria a ilusão de um bem presente. Para Schopenhauer, o prazer é momento fugaz de ausência de dor e não existe satisfação durável. Todo prazer é ponto de partida de novas aspirações, sempre obstadas e sempre em luta por sua realização: "Viver é sofrer". Nesse sentido, verifica-se como seu pessimismo não é gratuito, dado que suportado por uma antropologia-metafísica-realista de fundo, apresentando-se, deste modo, como apanágio e característica natural desta. Como preconizou Schopenhauer em O Mundo como Vontade e Representação:

No Nada, há salvação

A libertação proporcionada pela arte, segundo Schopenhauer, não é, contudo, total e completa. A arte significa apenas um distanciamento relativamente passageiro e não a supressão da Vontade. Para que atinja a libertação, é necessário que o homem ascenda ao nível da conduta ascética, a qual representa uma etapa superior no processo de superação das "dores do mundo". Com efeito, para Schopenhauer, a mais completa forma de salvação para o homem somente pode ser encontrada na renúncia quietista ao mundo e a todas as suas solicitações, na mortificação dos instintos, na autoanulação da vontade e na fuga para o Nada: Então, em vez desse tumulto de aspirações sem fim, em vez dessas passagens constantes do desejo ao medo, da alegria ao sofrimento, em vez dessas esperanças sempre inalcançadas e sempre renascentes, que fazem da vida humana, enquanto animada pela vontade, um sonho interrompido, não perceberemos mais do que esta paz, mais preciosa que todos os tesouros da razão, a calma absoluta do espírito, esta serenidade imperturbável, tal como Rafael e Correggio a pintaram nas figuras de seus santos e cujo brilho deve ser para nós a mais completa e verídica anunciação da boa nova: a vontade desapareceu; subsiste apenas o conhecimento".

Ética

Primeiramente, de se dizer que a ética, para Schopenhauer, é a ciência filosófica da vida moral, e, precisamente enquanto saber de natureza científico-filosófica limita-se a dizer o que É, ou seja, a descrever seu objeto — no caso, a realidade moral, caracterizada pela ação desinteressada voltada a respeitar (justiça) e a auxiliar (piedade) o próximo (entendendo-se por próximo não apenas o sujeito-suscetível a sofrimento-humano, mas também o sujeito-suscetível a sofrimento não humano). A ética de Schopenhauer não está, contudo, presa à noção de "dever", o que equivale a dizer que não estamos diante de uma ética prescritiva (tal qual, por exemplo, a ética kantiana); Schopenhauer rejeita as formas imperativas de filosofia que são, para ele, formas de coerção — e, dentre outras razões, isso é assaz importante, haja vista colocar Schopenhauer se não numa posição ímpar, então numa posição "alternativa".

Pensamentos políticos e sociais

No "Ensaio de Schopenhauer acerca das mulheres" de 1851 ("Of Women", "Über die Weiber", texto completo), ele expressou sua oposição ao que chamou de "estupidez germano-cristã" sobre questões femininas. Ele argumentou que "está na natureza da mulher obedecer" e se opôs ao poema em honra das mulheres de Friedrich Schiller, "Dignidade das Mulheres" ("Dignity of Women"). O ensaio oferece dois elogios, no entanto: "as mulheres são decididamente mais sóbrias nos seus julgamentos que os [homens] são" e são mais simpáticas aos sofrimentos alheios. O jornalista Fabio Andrighetto considera Schopenhauer um misógino assumido e atribui essa característica a frustrações com o sexo feminino. Segundo a Folha de S. Paulo, decepções amorosas e desapontamento com a figura materna transformaram Schopenhauer em um misógino convicto.

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Obras publicadas

As edições relevantes foram editadas por Arthur Prettyr, Ludger Lütkehaus ou Wolfgang Freiherr von Löhneysen e a edição de Zurique de dez volumes por Angelika Prettyr. Além disso, o espólio manuscrito de Schopenhauer foi editado por Arthur Prettyr e Volker Spierling: Desde 2017, a Vorlesung über die gesamte Philosophie oder die Lehre vom Wesen der Welt und dem menschlichen Geiste de 1820/21 foi reeditada como uma edição de estudo por Daniel Schubbe com a colaboração de Judith Werntgen-Schmidt e Daniel Elon:

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