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O Terrível Homem dos Brinquedos

O Terrível Homem dos Brinquedos é um one-shot publicado em maio de 2008 pela DC Comics, uma empresa ligada ao grupo Time Warner, na 865ª edição da revista Action Comics, protagonizada por Superman. Escrita por Geoff Johns e desenhada por Jesus Merino, a trama retrata um confronto entre o herói e Winslow Schott, o vilão "Homem dos Brinquedos". Schott sequestra o personagem Jimmy Olsen, e no cativeiro revela que na maioria dos confrontos anteriores, Superman estava enfrentado, na verdade, impostores que se apropriaram de sua identidade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/07/2026
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Antecedentes

A "Era de Ouro" e os super-vilões

A publicação de Action Comics #1 marca o início da "Era de Ouro" das histórias em quadrinhos americanas. A "Era de Ouro" compreenderia o material produzido entre o final da década de 1930 e o final da década seguinte, aproximadamente. Alguns dos mais conhecidos super-heróis foram criados nesse período — além de Superman, Batman, Mulher Maravilha, Capitão Marvel e Capitão América. Posteriormente, as revistas tornaram-se um divertimento barato, quase descartável, que se tornaria bastante popular entre a população, particularmente com as tropas durante a Segunda Guerra Mundial. As primeiras histórias de Superman refletiam os costumes da sociedade da época. Superman enfrentava políticos corruptos, ladrões e criminosos "comuns" com muita violência. Seus poderes eram reduzidos, pois a origem vigente estabelecia que os habitantes do planeta Krypton haviam evoluído para a perfeição física, e essa seria a origem "científica" de suas habilidades, ampliadas pela gravidade menor da Terra, permitindo-lhe dar grandes saltos, mas não voar, e ter uma força muito maior que um homem comum. Ao criar o personagem, Siegel e Shuster o firmaram como "a representação das máximas aspirações humanas naquele momento", um ser mitologicamente comparável a Hércules e "uma síntese mais perfeita da noção de herói" e com forte apelo político, pois se dedicava a combater injustiças sociais. O próprio Superman era identificado repetidamente nas histórias como um "defensor dos oprimidos".

Revisionismo

Seguido a uma expressiva queda nas vendas durante a década de 1970 e a primeira metade da década de 1980, o editor Andrew Helfer recebeu da DC Comics a incumbência de escolher os escritores que trabalhariam nas revistas de Superman após a conclusão do evento Crise nas Infinitas Terras. Para as revistas de Superman, o crossover representaria o término de toda a continuidade estabelecida desde 1938. Essa reformulação, promovida a partir de 1986, realizou profundas modificações em toda a mitologia do personagem a partir de 1986. O vilão Lex Luthor, por exemplo, deixou de ser caracterizado como um "cientista louco" e passou a ser apresentados nas histórias como um empresário corrupto dono de diversas empresas na cidade de Metrópolis. A heroína Supergirl, por sua vez, foi completamente ignorada pela nova continuidade uma vez que a intenção era determinar que Superman era o único sobrevivente da destruição do planeta Krypton. No processo, uma nova origem e caracterização para Superman foi elaborada a partir da minissérie The Man of Steel e das histórias publicadas entre 1986 e 1988.

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Contexto

Histórico de produção

As histórias de Geoff Johns em Action Comics eram marcadas pela inserção de retcons, e dentre as alterações na continuidade prévia escritas por ele destacou-se a história apresenta em Action Comics #865, quando desconsiderou todas as versões até então estabelecidas do personagem Homem dos Brinquedos em favor da versão apresentada na história. Na trama, Winslow Schott é retratado como um homem mentalmente doente e internado no Asilo Arkham que escapa do manicômio para sequestrar Jimmy Olsen e forçar o fotojornalista a publicar uma matéria que esclarecesse que ele não havia sido o responsável pelo assassinato de Adam Grant, filho de Cat Grant, anos antes. Schott narra para Olsen a história de sua vida, e conta a sua versão dos fatos acerca do assassinato: quem teria matado o garoto teria sido um robô descontrolado que havia sido anteriormente construído por Schott e desativado pelo inventor após a tragédia. Dentre os robôs mostrados por Schott estão todas as versões anteriores do personagem, incluindo a apresentada em Up, Up and Away!, escrita pelo próprio Johns.

Retorno à "Era de Prata"

A partir de O Último Filho, Johns e o cineasta Richard Donner, co-autor, introduziriam novamente na mitologia do personagens diversos elementos da continuidade "pré-crise", em particular do período correspondente à "Era de Prata", que haviam sido abandonados após 1986. Um dos principais exemplos desse "retorno à Era de Prata" é a edição especial Action Comics Annual #10, que adotou um modelo bastante similar ao utilizado pela editora durante a década de 1960, todas relacionadas aos personagens envolvidos na saga O Último Filho, então publicada em Action Comics. Outro personagem que é reintroduzido na mitologia moderna de Superman durante a trama é o alienígena Mon-El. Em Action Comics Annual #10, Mon-El protagoniza a principal história e tem uma nova versão da sua origem publicada, apresentando-o na continuidade estabelecida após Crise Infinita como um amigo de infância de Clark Kent. A história, "Quem É o Irmão Mais Velho de Clark Kent?", tem arte de Eric Wright e Lee Loughridge.

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Planejamento e publicação

Na lista dos "maiores inimigos" de Superman publicada em Action Comics Annual #10, o Homem dos Brinquedos fora incluído. Quase dois anos foram necessários para que as cinco edições que completavam a história de O Último Filho fossem publicadas. O desenhista Adam Kubert somente concluiria a arte da última história em março de 2008. O editor-chefe da DC Comics apontaria os atrasos no cronograma de publicação como uma quebra do compromisso com os leitores, e que não pretendia permitir que situações semelhantes acontecessem novamente. Em uma postagem no fórum de discussão do site "Newsarama", o próprio Johns esclareceria que os atrasos não se davam em razão de Donner, negando que a agenda do cineasta em Hollywood estaria atrasando os roteiros. Pedindo desculpas pelos atrasos, ele declararia que Kubert está demorando muito mais do que o esperado para concluir seu trabalho. Em outra postagem no mesmo site, Johns esclareceria que apenas a conversão da arte da quarta parte da história para o formato 3-D teria levado seis semanas. À época, foi anunciado a publicação de um Action Comics Annual em 2008 e também que Kubert não seria o desenhista de "Escape from the Bizarro World", a história seguinte a ser produzida por Johns e Donner, mas sim o artista Eric Powell. A publicação dessa segunda trama começaria em Action Comics #854 e Johns afirmaria que ele e Donner já planejavam após dessa segunda trama a produção de outras três histórias: The Prison that Held Doomsday, The Auspicious Autobiography of the Toyman e The Madness of Mr. Mxyzptlk.

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Enredo e continuidade

O enredo transcorre da seguinte forma[nota 5]:

O sequestro de Jimmy Olsen

A história começa em Gotham City, com Winslow Schott, o Homem dos Brinquedos fugindo do Asilo Arkham após assassinar alguns funcionários. O vilão se recusava a permanecer ali, "sob a sombra de Batman", e após escapar do manicômio, invade uma loja de brinquedos recheada de bonecos de Superman. Depois, em Metropólis, Schott usa uma série de bonecos modificados para sequestrar o fotojornalista Jimmy Olsen e levá-lo até um esconderijo, com o objetivo de lhe contar "a verdade" a respeito de sua história, para que Olsen pudesse produzir uma matéria para o Planeta Diário mostrando que o vilão nunca havia "machucado nenhuma criança". Schott narra para Olsen como era um artesão dedicado a elaboração de brinquedos que eram bem populares entre crianças. Criar brinquedos era um negócio de família - seu pai e seu avó haviam tido a mesma ocupação - e o ofício era algo que muito lhe agradava, pois sua esposa, Mary, era incapaz de ter filhos, então produzir brinquedos lhe permitia se aproximar de várias crianças. Um empresário de nome Walter Dunhill se aproxima de Schott, e lhe oferece uma grande quantia de dinheiro para se tornar um investidor, e tornar a empresa um negócio global. Inicialmente, Mary se recusa a ceder os direitos sobre a empresa, mas após sua esposa falecer ao ser atropelada, Schott aceita a oferta de Dunhill, e logo descobre que havia sido enganado: Dunhill não tinha nenhuma intenção de expandir a empresa de Schott, mas sim adquirir o negócio para fechá-lo e forçar o artesão a se aposentar. Indignado, Schott envia um urso de pelúcia modificado para o empresário inescrupuloso - e dentro do brinquedo, uma bomba que explode matando-o. Schott buscava se vingar de todos os empresários que o haviam engando, quando foi capturado por Superman.

O retorno de Cat Grant

A trama da história seguinte, Brainiac, começaria em Action Comics #866. Numa sequência de flashback, é retratado como Brainiac "sequestrou" a cidade de Kandor anos antes. No presente, uma reunião ocorre no Planeta Diário. Perry White reúne sua equipe principal, formada por Lois Lane, Clark Kent, Jimmy Olsen e Ron Troupe, bem como os novos membros do staff, Cat Grant e Steve Lombard. Quando Clark escuta, graças à sua super-audição um ruído cuja origem desconhece, decide partir para investigá-lo como Superman. Os eventos de O Terrível Homem dos Brinquedos se passam cronologicamente duas semanas antes, e mostram as circunstâncias que levaram Grant a retornar para Metrópolis, servindo como prelúdio para a trama seguinte.

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Repercussão

Segundo estimativas da Diamond Comic Distributors, empresa responsável pela distribuição de revistas em quadrinhos nos Estados Unidos, Action Comics #865 vendeu cerca de 46 mil exemplares, inclusive superando a edição da revista Superman lançada naquele mês em quantidade de exemplares vendidos. Apesar disso, representava uma significativa redução em relação aos resultados obtidos por Johns tanto no início de seu trabalho na revista, em 2006 - quando as edições 844 a 846 venderam entre 64 a 79 mil exemplares quando do seu lançamento - quanto do trabalho que Johns produziria na história seguinte, Brainiac. A publicação de Brainiac a partir de junho de 2008 teria um impacto positivo na revista: a edição 866 vendeu 50 139 exemplares em seu mês de lançamento, cerca de 4 mil a mais que no mês anterior. A revista manteria uma média de 49 mil exemplares nos meses seguintes e a edição 866, após ter sua tiragem esgotada, venderia mais de 3 mil exemplares adicionais quando uma segunda tiragem foi publicada. A conclusão da história em Action Comics #870 foi ainda mais bem-sucedida, vendendo 57 400 exemplares em outubro de 2010. New Krypton Special, um epílogo publicado no mesmo mês, venderia, por sua vez, cerca de 53 mil exemplares.

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Fontes consultadas

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