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Action Comics 1

Action Comics #1 é a edição de estreia da revista em quadrinhos americana Action Comics, publicada originalmente nos Estados Unidos em 18 de Abril de 1938 pela "Detective Comics, Inc", uma empresa que posteriormente seria incorporada à DC Comics, uma subsidiária do grupo Time-Warner. Apresentando em sua capa uma famosa imagem de Superman carregando com as mãos um automóvel, a revista é considerada o "marco zero" das histórias em quadrinhos americanas de super-herói e é um dos, se não "o" mais valioso item colecionável de todo o mercado, sendo uma das edições mais procuradas e valorizadas por aficcionados. Um exemplar original em bom estado dessa primeira edição já chegou a ser leiloado por 1,5 milhões de dólares em 2010 — e sua capa já foi alvo tanto de homenagens quanto de debate.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Antecedentes e contexto

No início da década de 1930, os estudantes Jerry Siegel e Joe Shuster se aproximaram e começaram a desenvolver uma amizade motivada pelo interesse mútuo em ficção científica. À época, Siegel trocava correspondências com outros fãs de ficção científica, como Julius Schwartz e Mort Weisinger e havia criado em 1929, aos 14 anos, um dos candidatos a primeiro fanzine de ficção científica dos Estados Unidos, Cosmic Stories, uma publicação produzida de forma amadora pelo próprio Siegel usando uma máquina de escrever e um hectógrafo. Como os demais fanzines, a revista era distribuída através dos correios, para outros fãs de ficção científica, numa época em que essas histórias ainda eram consideradas um gênero inferior e marginalizado da literatura. Em 1932, ele e Shuster produziriam a revista amadora Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization, que trazia em seu interior várias histórias produzidas por Siegel, sempre acompanhadas por ilustrações de Shuster. No início de 1933 seria publicada a terceira edição de Science Fiction, e fazendo parte do conteúdo dessa edição, uma história curta, intitulada The Reign of the Superman. A história marca a primeira vez que uma publicação, ainda que não uma publicação profissional, trazia um personagem com nome "Superman". Alguns dos elementos que posteriormente seriam associados à mitologia do personagem já se faziam presentes: o vilão era careca, como Lex Luthor seria; uma rocha alienígena com propriedades extraordinárias alterava a fisiologia das pessoas, como a kryptonita faria; e o papel do herói era desempenhado por um repórter, o personagem "Forrest Ackerman", que aparecia brevemente na história para confrontar um cada vez mais poderoso Dunn. Ackerman era um repórter aparentemente pacato, mas que não era tão indefeso quanto parecia - características que seriam posteriormente associadas a Clark Kent - e seu nome era uma homenagem ao autor de mesmo nome, na época, ainda um fã de histórias de ficção científica como Siegel.

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Produção

O lançamento da revista Detective Comics em 1937 se mostrou uma decisão acertada comercialmente, mas a National ainda possuía muitos débitos a serem quitados. Donenfeld era um dos maiores credores da editora, e objetivava que esta se tornasse um negócio lucrativo. Jerry Siegel e Joe Shuster já vinham tentando por seis anos encontrar uma editora para seu personagem, originalmente concebido para ser publicado como uma tira de jornal. Existem divergências quanto à ordem dos eventos que levaram Superman a figurar dentre as histórias publicadas em Action Comics #1. Em seu livro History of Comics, o renomado autor e desenhista Jim Steranko apresentaria uma pesquisa que mostraria que Siegel e Shuster tiveram as histórias de Superman rejeitadas por diferentes editores, incluindo M.C. Gaines, que à época trabalhava para a empresa McClure Syndicate. Gaines teria sido contatado por Donenfeld, que planejando uma nova publicação, buscava sugestões de tiras de jornal que poderia aproveitar no formato de histórias em quadrinhos, ao que Gaines sugeriria Superman, de uma dupla conhecida de Donenfeld: Siegel e Shuster

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Histórias publicadas

Além da história protagonizada por Superman, a revista possuía outras oito histórias:

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Impacto cultural

Ainda em 1939 já se percebia o impacto do sucesso de Action Comics com Superman: Bob Kane foi contratado pela editora para criar "um novo combatente do crime", que veio a ser publicado na 27ª edição de Detective Comics. Batman, inicialmente chamado de "Bat-Man", posteriormente viria a se tornar o herói mais popular da revista, e de forma similar ao que ocorria com Superman em Action, passaria a figurar na maioria das capas da publicação. Se no final da década de 1930 a revista já vendia cerca de 500 mil exemplares, na década de 1940 esse número já havia quase dobrado, com cada exemplar vendendo 900 mil cópias, uma tiragem à época superada apenas pela revista Superman, lançada em 1939. Action passaria a focar-se majoritariamente nas histórias de Superman, e as tramas iriam evoluindo, refletindo o cotidiano dos Estados Unidos: Se nas suas primeiras aparições Superman enfrentava criminosos comuns e políticos corruptos, com o tempo suas histórias passariam a ganhar um viés mais "extraordinário" com o surgimento dos primeiros "supervilões" a enfrentar o personagem. O Ultra-Humanoide já havia aparecido numa história isolada em 1939, mas seria na década seguinte que personagens dessa categoria se tornariam mais populares: Lex Luthor, o Galhofeiro e o Homem dos Brinquedos surgiriam nos anos seguintes.

Valor da primeira edição

Estima-se que, da tiragem inicial, existam somente cerca de cem exemplares restantes. Um exemplar de Action Comics #1 em boas condições de conservação é, ao lado de Detective Comics #27 (a primeira aparição de Batman) e Superman vol. 1 #1 (a primeira revista dedicada exclusivamente à Superman, lançada em 1939), um dos mais valiosos itens colecionáveis do mundo, quando se trata de histórias em quadrinhos. O site norte-americano Nostomania, especializado na avaliação de exemplares clássicos, atribui à uma hipotética edição em impecável estado de conservação, tanto da 27ª edição de Detective quando da 1ª de Action um valor de mercado superior à 3 milhões de dólares.

Ilustração de capa da primeira edição

Em seu livro Our Gods Wear Spandex, o escritor Christopher Knowles, conhecido por seu trabalho como editor da revista Comic Book Artist, apontaria o surgimento de Superman como tendo características messiânicas, por por seu atos de altruísmo e sacríficio. Posteriormente, em artigos publicados no site Comic Book Resources, Knowles estabeleceria uma série de semelhanças entre a capa da edição e a pintura "Hércules e a Hidra", do pintor italiano Antonio del Pollaiolo: O posicionamento dos personagens seria utilizado como comparação - tanto Hércules quanto Superman estão com seus braços e joelhos levantados, e posicionados de forma angular em ambas as imagens - mas imaginando que poderia ser questionado sobre como dois jovens moradores de Cleveland poderiam ter tido acesso à pinturas italianas para utilizar como referência, Knowles apontaria que a imagem já estaria disponível em bibliotecas, em livros impressos antes da publicação de Action Comics #1, e sendo Siegel historicamente um fã da figuras mitológicas, ele poderia ter sugerido à Shuster que se inspirasse em imagens de Hércules. Durante a exposição de sua teoria, Knowles não apenas estabeleceria a semelhança entre as duas imagens, como também entre as histórias de Superman publicadas à época e o mito de Hércules e entre outras capas de Action e os feitos do semideus: a capa de Action Comics #27, utilizada como exemplo dessa tendência, retrata Superman enfrentando um leão, em pose similar à de figuras retratando Hércules durante seu confronto com o Leão da Nemeia. Mesmo que a pintura de Pollaiuolo não tenha sido uma influência direta, Knowles argumenta, a capa de Action Comics #1 poderia estar retratando Superman naquela pose específica por causa da pose sugerida pela constelação de Hércules.

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Fontes consultadas

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