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Povo romano

O povo romano era a etnia e o corpo de cidadãos romanos durante o Reino Romano, a República Romana e o Império Romano. Este conceito sofreu mudanças consideráveis ao longo da longa história da civilização romana, à medida que as suas fronteiras se expandiam e contraíam. Originalmente incluindo apenas os latinos da própria Roma, a cidadania romana foi estendida ao resto dos povos itálicos no século I a.C. e a quase todos os súbditos do Império Romano no final da Antiguidade. No seu auge, os romanos governaram grandes partes da Europa, do Oriente Próximo e do Norte da África por meio de conquistas feitas durante a República Romana e o subsequente Império Romano. Embora definida principalmente como uma cidadania, a "romanidade" também foi descrita de várias formas como uma identidade cultural, uma nacionalidade ou uma multietnia que eventualmente abrangeu uma vasta diversidade regional.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/10/2026
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Romanidade

Imagem: Portuguese_eyes · BY-SA · Openverse

A visão romana sobre os fenícios e, em particular, sobre os cartagineses, pode ser analisada como o resultado de um longo processo de construção literária e ideológica, herdada de uma tradição grega que remonta a Homero, que descreve os fenícios como “marinheiros honestos que fazem o que podem para cumprir sua parte de um acordo”, enquanto também os retrata como mercadores enganadores e gananciosos, e a Platão, que acusa os fenícios de terem “uma abordagem em relação à riqueza e à vida em geral muito estreita” e por serem gananciosos. Ele também usa o termo “história fenícia” como provérbio para uma mentira persuasiva. Os primeiros testemunhos romanos sobre os cartagineses são produzidos influenciados pelo período de intensa disputa militar e comercial, principalmente durante o período das Guerras Púnicas, conforme visto na obra Poenulus, do dramaturgo romano Plauto, publicada entre 195 a.C. e 189 a.C., onde ele aplica aos cartagineses os mesmos atributos negativos que a tradição grega reservava aos fenícios, especialmente a dissimulação linguística e a falsidade: “Esse sujeito conhece todas as línguas, mas finge astutamente que não: ele é um verdadeiro cartaginês (Poenus)?”. Essa percepção do cartaginês como alguém que oculta intencionalmente seu conhecimento para enganar o interlocutor será um topos recorrente na literatura romana. De forma semelhante, Lucílio, satirista romano ativo no último terço do século II a.C., se refere a um siro-fenício como agiota, reverberando visões romanas aristocráticas sobre os fenícios residentes da Roma republicana, muito antes da incorporação da região ao império.

Não-romanos

Muitos estudiosos consideram inadequado aplicar o conceito moderno de racismo à Roma Antiga sob a justificativa de que suas hierarquias eram fundamentadas em critérios culturais e não biológicos, porém a historiografia recente demonstra que os romanos elaboraram representações hierarquizadas dos povos estrangeiros e subjugados. Mais do que preconceitos, eram discursos que atribuíam características morais, políticas e culturais, contribuindo para reforçar a identidade romana como superior e legitimar sua expansão imperial. Autores como Benjamin Isaac defendem que, embora não existisse um racismo biológico nos moldes modernos, eram formas de pensamento proto-racial e etnocêntrico que naturalizavam a inferioridade de determinados povos.

Gregos

A relação entre romanos e gregos foi marcada por profunda ambivalência. Após a conquista da Macedônia (consolidada entre 168 e 148 a.C., com sua anexação oficial em 148 a.C.) e, posteriormente, da Grécia (146 a.C.), Roma incorporou intensamente elementos da cultura grega, como a filosofia, a literatura, a retórica e a educação, que se tornaram referências para as elites romanas. A conhecida expressão de Horácio, “Graecia capta ferum victorem cepit” ("A Grécia conquistada conquistou seu feroz vencedor"), resume a percepção de que, embora Roma tenha submetido a Grécia militarmente, acabou por assimilar grande parte de sua cultura. Essa admiração, contudo, coexistia com críticas aos gregos contemporâneos. Muitos autores distinguiam o prestígio da Grécia clássica do comportamento atribuído aos gregos de sua própria época. Enquanto atenienses e espartanos do período clássico eram frequentemente lembrados como modelos de excelência intelectual, política e, em certa medida, militar, os gregos contemporâneos aos romanos eram retratados como menos virtuosos, mais inclinados ao luxo, à retórica excessiva e à instabilidade política.

Germânicos

Os povos germânicos ocupavam um lugar distinto na visão romana sobre os povos não romanos. Enquanto os gregos eram frequentemente associados à cultura e ao refinamento, os germânicos eram descritos principalmente por suas características físicas e militares. Nas fontes romanas, aparecem como povos de grande estatura, ferozes em combate e situados em um estágio de civilização considerado inferior ao do mundo greco-romano. Essa percepção era fortemente influenciada pela teoria ambiental, segundo a qual o clima e o território determinavam o caráter dos povos. Em contraste com os habitantes do Oriente, frequentemente retratados como "efeminados", "moles" e enfraquecidos pelo clima ameno, os germânicos eram apresentados como homens robustos, vigorosos e naturalmente inclinados à guerra em razão das condições rigorosas do norte da Europa. Tácito, um dos principais autores romanos a descrever os povos germânicos, retratou-os como um povo fisicamente robusto, adaptado ao clima rigoroso da Germânia e caracterizado pela coragem e pela simplicidade de seus costumes. Sua elevada estatura física também era frequentemente destacada por autores romanos como Vegécio, que a contrastava com a menor estatura dos próprios romanos. Ao mesmo tempo, acreditava-se que o ambiente hostil tornava esses povos resistentes e inclinados à guerra, mas também selvagens e desprovidos das qualidades intelectuais, artísticas e políticas que os romanos atribuíam aos gregos.

Gauleses

Os gauleses figuram entre os principais povos não romanos descritos pelas fontes clássicas e constituem um exemplo privilegiado de como Roma construiu representações sobre aqueles que estavam além de suas fronteiras. Conforme trabalhado por Benjamin Isaac, figuras como Políbio, Cícero e Júlio César descreveram os gauleses como guerreiros corajosos e fisicamente vigorosos, mas também impulsivos. Longe de serem descrições neutras, essas caracterizações integravam uma tradição etnográfica que opunha as virtudes romanas aos supostos vícios dos povos conquistados, contribuindo para legitimar a expansão imperial. Apesar de sua diversidade interna, os gauleses eram formados por diferentes comunidades distribuídas pela Gália, compartilhando práticas culturais, religiosas e linguísticas que os aproximavam entre si. Para os autores romanos, contudo, essa diversidade foi frequentemente reduzida à categoria genérica de “gauleses”, apresentada como um povo homogêneo e definido por traços como a bravura, a impulsividade e a instabilidade. Essa caracterização, entretanto, não se restringe à literatura latina, sendo também reiterada por autores gregos como Diodoro Sículo e Estrabão, conforme demonstra Benjamin Isaac. Mais do que descrever os gauleses, essas narrativas ajudavam a construir uma fronteira simbólica entre romanos e não romanos, transformando a alteridade em um elemento essencial para justificar a conquista e afirmar a superioridade política e cultural de Roma.

Judeus

Os judeus habitavam diversas regiões sob domínio romano com destaque para a Judeia, anexada a Roma em 63 a.C. A visão dos romanos sobre os judeus era, de modo geral, negativa e estereotipada quanto ao seu estilo de vida e à sua religiosidade. Os judeus, mesmo não vivendo geograficamente isolados, eram acusados de serem antissociais e misantrópicos, por não terem solidariedade com outros povos, como no compartilhamento de alimentos. Tal comportamento era considerado bárbaro. Tácito escreveu que os judeus sentem hostilidade e ódio de todos os outros povos e instituíram a circuncisão como forma de diferenciá-los dos demais. A aversão ao judaísmo existia porque, além de sua propagação ser considerada uma ameaça à religião romana, havia reprovação de suas práticas, como a circuncisão, considerada marca dos judeus, e o shabat (descanso de sábado) que, para alguns autores, evidenciava a ociosidade do povo judaico. No século V, Rutilius Namatianus escreveu que o deus judaico era fraco ou efeminado por ter descansado no sétimo dia. No entanto, o judaísmo era permitido no Império romano e essa concessão existia por uma política realista dos próprios romanos, sendo consequência da resistência dos judeus, que prefeririam morrer a venerar o imperador como um deus. Uma evidência de prática permitida do judaísmo está em um decreto do século II de Antonino Pio, que determinou que somente os judeus poderiam circuncidar seus filhos; se um não judeu fizesse, seria punido com castração. Com a cristianização do Império no século IV, as hostilidades em relação aos judeus aumentaram. Em carta, o imperador Constantino (ou algum conselheiro) dizia que os judeus “haviam manchados as mãos com os crimes mais terríveis e cujas mentes estavam cegadas”.

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