Aedes aegypti
Aedes (Stegomyia) aegypti é a nomenclatura taxonômica para o mosquito que é popularmente conhecido como mosquito-da-dengue ou pernilongo-rajado, uma espécie de mosquito da família Culicidae proveniente da África, atualmente distribuído por quase todo o mundo, especialmente em regiões tropicais e subtropicais, sendo dependente da concentração humana no local para se estabelecer. Acredita-se que 35% da população mundial viva em áreas propícias e endêmicas para a proliferação do mosquito.
O Aedes aegypti é um mosquito que se encontra ativo e pica durante o dia, ao contrário do Anopheles, vector da malária, que tem atividade crepuscular. O Aedes aegypti tem, como vítima preferencial, o ser humano, e não faz praticamente som audível antes de picar. Mede menos de 1 centímetro e é preto com manchas brancas no corpo e nas pernas. O seu controle é difícil, por ser muito versátil na escolha dos criadouros onde deposita seus ovos, que são extremamente resistentes, podendo sobreviver vários meses até que a chegada de água propicie a incubação. Uma vez imersos, os ovos desenvolvem-se rapidamente em larvas, que dão origem às pupas, das quais surge o adulto. Como em quase todos os outros mosquitos, somente as fêmeas se alimentam de sangue para a maturação de seus ovos. Os machos se alimentam apenas de substâncias vegetais e açucaradas.[carece de fontes?] Por se adaptar bem a vários recipientes, a expansão deste mosquito a partir do seu habitat original foi rápida. O Aedes aegypti foi introduzido na América do Sul através de barcos provenientes de África. Nas Américas, admite-se que sua primeira colonização sobre o Novo Mundo ocorreu através dos navios negreiros no período colonial junto com os escravos. No Brasil, o Aedes aegypti havia sido erradicado na década de 1950; entretanto, nas décadas de 1960 e 1970, ele voltou a colonizar esse país, vindo de países vizinhos que não haviam conseguido promover a sua total erradicação.[carece de fontes?]
O genoma desta espécie de mosquito foi sequenciado e analisado por um consórcio que inclui cientistas do Instituto J. Craig Venter, do Instituto Europeu de Bioinformática, do Instituto Broad e da Universidade de Notre Dame, e foi publicado em 2007. O esforço de sequenciamento de seu DNA foi destinado a fornecer novos caminhos para pesquisas em inseticidas, bem como para possíveis alterações genéticas que impeçam a propagação dos vírus levados pelo inseto. Esta foi a segunda espécie de mosquito que teve seu genoma sequenciado integralmente (o primeiro foi o Anopheles gambiae). Os dados publicados incluem 1380 milhões de pares de bases contendo cerca de 15 419 genes que codificam proteínas do mosquito. A sequência indica que a espécie divergiu da Drosophila melanogaster (mosca-comum-da-fruta) há cerca de 250 milhões de anos, enquanto o Anopheles gambiae divergiu de D. melanogaster há cerca de 150 milhões de anos.
Mecânico
Baseia-se na eliminação de possíveis locais de incubação dos ovos do mosquito, ou seja, na eliminação de locais de água parada. Outra forma de controle mecânico são as armadilhas adesivas de ovoposição (BR-OVT), que atraem os mosquitos adultos graças a sua forma, cor e, em alguns casos, pela presença de feromônios. Além de prenderem os insetos na sua borda adesiva, as armadilhas induzem as fêmeas a depositarem seus ovos em uma substância larvicida (BTi).
Biológico
Consiste na utilização de algumas espécies que combatem o mosquito, como algumas espécies de peixes e microcrustáceos que se alimentam das larvas do inseto, por exemplo. Bactérias do gênero Wolbachia também podem ser usadas, pois infectam o inseto e o tornam imunes aos vírus usualmente transmitidos pelo inseto. A bactéria Bacillus thuringiensis israelensis (BTi) é patogênica para o inseto, pois produz toxinas que geram poros no intestino do inseto. Esta toxina pode ser produzida em laboratório e utilizada na produção de larvicidas. A Crotalaria juncea também é utilizada, pois é uma planta que atrai as libélulas, que costumam se alimentar dos adultos e das larvas de A. aegypti.
Químico
Baseia-se no uso de inseticidas, que atacam a larva ou a forma adulta do inseto. Os inseticidas mais comuns são compostos, como os piretroides, os organofosforados e os carbamatos. Eles interferem no sistema nervoso do inseto, causando sua superexcitação ou inibição. São os mesmos compostos utilizados nos agrotóxicos e, portanto, são tóxicos também para outras espécies, inclusive para o ser humano, e podem ter um efeito cumulativo ao longo da cadeia alimentar. Outro problema é que o uso de inseticidas pode acabar gerando insetos resistentes. Um exemplo de controle químico é o fumacê, que ataca a forma adulta do inseto. Porém a forma mais eficiente de controle químico é o que combate as larvas do inseto, por estas estarem em locais mais restritos do que os insetos adultos, que voam.
Monitoramento
O monitoramento do Aedes aegypti tem como objetivo identificar a presença e densidade populacional do mosquito, auxiliando na tomada de decisão das autoridades de saúde. Como ferramenta de monitoramento temos as ovitrampas, um recipiente artificial de plástico, de formato arredondado na cor preta, para coleta de larvas e pupas e aspiradores entomológicos manuais para captura de mosquitos adultos.[carece de fontes?] Em 2002 o governo instituiu o Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD), que propõe mudanças na forma de controlar as arboviroses, enfatizando a importância da adesão e mobilização social, bem como incentivar a atuação das pessoas como responsáveis pelo controle de potenciais criadouros. O programa foi um marco para o enfrentamento às arboviroses no Brasil, centralizando as ações de monitoramento e combate, em parceria com estados e municípios. Tal ação exemplifica uma forma de controle através da mobilização social, que potencializa uma mudança cultural e social no combate ao mosquito.
Genético
A. aegypti geneticamente modificados, apelidados de Aedes aegypti do bem, foram criados para suprimir a sua própria espécie, em uma abordagem semelhante à técnica do inseto estéril, reduzindo, assim, o risco de propagação de doenças. Os mosquitos, conhecidos como OX513A, foram desenvolvidos pela empresa Oxitec, Universidade de Oxford e subsidiária da Intrexon (NYSE: XON). Os testes de campo nas Ilhas Cayman, Brasil e Panamá têm mostrado que os mosquitos OX513A reduziram as populações de mosquitos alvo em mais de 90%. O efeito de supressão da população do inseto é conseguido através um gene autolimitador que impede que a prole sobreviva. Mosquitos geneticamente modificados do sexo masculino, que não picam ou transmitem doenças, são liberados para acasalar com as fêmeas selvagens. Sua prole, então, herda o gene autolimitador e morre antes de atingir a idade adulta, ou seja, antes que possam se reproduzir ou espalhar doenças. Os mosquitos OX513A e seus descendentes também carregam um marcador fluorescente para monitoramento. Para produzir mais mosquitos OX513A para projetos de controle, o gene autolimitador é desligado na instalação de produção de mosquito usando um antídoto (o antibiótico tetraciclina), o que permite que os mosquitos voltem a se reproduzir naturalmente. No meio ambiente, este antídoto não está disponível e, assim, a população da praga é suprimida.


