Muito antes de chegar aos cinemas, Supergirl já ocupava um lugar importante no DCU de James Gunn e Peter Safran. Afinal, o sucesso de Superman em 2025 estabeleceu padrões elevados, e seria preciso uma trama igualmente poderosa para fazer brilhar o segundo longa-metragem da nova fase do estúdio. Felizmente, os fãs da heroína já conheciam o potencial de Supergirl: Mulher do Amanhã, HQ escolhida como base para o filme — mas, para o público brasileiro, a expectativa era ainda maior.
Escrita por Tom King, a minissérie em quadrinhos também é fruto do trabalho de dois artistas brasileiros: Bilquis Evely, ilustradora, e Mat Lopes, colorista. Juntos, eles cumpriram com maestria a missão de completar e traduzir visualmente a história de King, entregando uma das HQs mais amadas e impactantes da heroína. Durante a turnê de divulgação do novo filme, que passou pelo Rio de Janeiro, o IGN Brasil teve a oportunidade de conversar com a dupla sobre a adaptação de Mulher do Amanhã para as telonas.
Os artistas receberam a notícia da adaptação junto com os fãs, em janeiro de 2023. “Foi uma surpresa e tanto. Descobrimos na internet junto com todo mundo”, relembra Bilquis. “Foi difícil até de acreditar, porque foi uma HQ que tinha sido publicada recentemente [em 2021]. Então, foi uma surpresa dupla, mas foi incrível”, completa.
A minissérie trouxe uma versão mais complexa de Kara Zor-El — interpretada por Milly Alcock no filme —, unindo a força já conhecida da heroína a uma montanha-russa de emoções e traumas. Para a ilustradora, foi justamente trabalhar essa dualidade que lhe trouxe mais orgulho. “Uma das minhas partes favoritas em criar um quadrinho é justamente criar essa complexidade dos sentimentos da personagem”, explica. “Quando ela está com raiva, mas você sabe que ela também está com medo ou até traumatizada. Você consegue sentir esses sentimentos duplos”.
Evely ainda diz que o cuidado em transmitir essas emoções foi fundamental para aproximar Supergirl do público. “É o que traz a humanidade para a personagem. Ela é super durona, mas ao mesmo tempo cuida de uma menina que mal conhece”.
Para Mat, a força da trama está na abordagem de um lado da heroína que, até então, havia sido pouco explorado. “O quadrinho passou uma mensagem clara de quem ela é. Mostrar essa vulnerabilidade, apesar de ela ser uma personagem tão forte”. Na visão do colorista, isso pode ter sido decisivo para despertar o interesse em adaptar a HQ. “Eu acho que isso foi um dos motivos que fez o James Gunn se interessar para fazer o filme junto com o Craig [Gillespie, diretor de Supergirl]”.
Tendo trabalhado, além de Supergirl, com personagens como Mulher-Maravilha, Batman e Sandman, a dupla também falou sobre as escolhas que moldaram sua trajetória na DC Comics até aqui. Bilquis, aliás, tem uma história muito especial com Kara. “Comecei a me interessar por quadrinhos quando vi uma revista da Supergirl na banca. Foi minha porta de entrada. Então, quando eu recebi a ideia de Supergirl, falei: ‘Perfeito, é aventura no espaço, uma personagem que significa tanto para mim’".
Quanto ao que o futuro reserva, se depender de Mat, há outro personagem icônico que poderia muito bem ganhar uma versão pelas mãos da dupla. “Eu gosto muito do Super Choque, eu assistia ao desenho, era o meu personagem preferido. Eu adoraria trabalhar com ele, mas tem que ser num projeto certo, tem que ser com um time certo”.
Supergirl chega em 25 de junho aos cinemas de todo o Brasil.


