Junto à chegada da pré-venda, descobrimos que GTA 6 custará US$ 79,99 — acima dos US$ 69,99 padrões dessa geração — e que a edição física do jogo não terá disco, apenas um código para download. Duas mudanças que podem se tornar novos padrões do mercado e significam um retrocesso para o que conhecemos.
Essa semana os videogames já tomaram um forte golpe com o preço do Steam Machine e seus mais de US$ 1000. Apenas isso já acendeu um alerta para o preço da nova geração de consoles (PS6 e Project Helix), que pode ser anunciada em 2027. Apesar de não ser declaradamente um console, o Steam Machine se comporta como um e pode ser um novo marco de preço para a categoria.
Agora, com GTA 6 elevando o patamar de preço para jogos, a conta pode ficar ainda mais cara para os jogadores. O valor de US$ 79,99 não é novidade. Mario Kart World, título de lançamento do Nintendo Switch 2, foi lançado por esse preço, que se localizou em R$ 500 aqui no Brasil.
Após um tempo, os valores naturalmente caíram e o jogo também não ditou um novo padrão na indústria, mas então por que GTA 6 conseguiria fazer isso? Primeiramente, Mario Kart World é um título exclusivo de uma nova plataforma, ou seja, mesmo se vendesse muito, a base de jogadores é muito menor do que a do PS5 e Xbox Series X|S juntas. Outro ponto é simplesmente porque, apesar de ser Mario, GTA 6 é um fenômeno imensurável da indústria dos games e sequer foi lançado ainda.
A Nintendo disputa uma corrida contra si mesma, enquanto a Rockstar Games e as plataformas em que seu novo jogo será lançado disputam uma corrida contra o mercado. Impor um novo padrão de preço e ter sucesso nisso mostra que outras grandes empresas podem fazer o mesmo, porque a comunidade aceitaria pagar esse preço.
Com uma Steam Machine por mais de US$ 1000 e jogos AAA por US$ 80, caminhamos rumo a um futuro em que videogames se tornam ainda mais um artigo de luxo e a acessibilidade é deixada de lado em prol do lucro — mas nenhuma surpresa, porque isso é o capitalismo em sua essência.
Agora, sobre GTA 6 não ter disco: sendo otimista, vejo essa decisão da Rockstar sendo completamente focada no sigilo. O game será lançado oficialmente em 19 de novembro, mas a mídia física estará disponível a partir de 12 de novembro. Com essa antecedência, um disco incluso poderia gerar vazamentos antes da hora, e o grande foco da desenvolvedora é evitar essas situações, algo que um código de download que deixará o jogo disponível apenas quando de fato for lançado resolve.
Mas, sendo bem realista, sabemos que impressão de mídias custa dinheiro, e GTA 6 precisa ser o produto de entretenimento mais lucrativo da história, logo, a Take-Two, empresa-mãe da Rockstar, vai cortar o máximo de gastos possíveis.
Eu joguei GTA 5 no lançamento no Xbox 360 e lembro de ficar muito feliz de tirar o jogo da capae olhar o mapa de Los Santos que vinha incluso. Mas, com essa mudança de disco para código de download, tenho muitas dúvidas se a Rockstar faria uma edição física mais caprichada a ser disponibilizada após o lançamento inicial.
Tornou-se um padrão da indústria as mídias físicas serem medíocres e terem apenas discos e um folheto de propaganda ou de avisos. Além disso, a internet e lojas digitais também prejudicaram o consumo de jogos físicos por pura praticidade, o que não é um problema porque você opta pela experiência que deseja.
No entanto, em um momento em que o debate sobre o pertencimento de jogos digitais ao comprador é muito evidente, substituir um disco — que já não possui completamente o jogo em si, mas sim uma licença — por um código de uma mídia digital que não pertence a você na realidade, preocupa sobre o quão nossos são os jogos que compramos.
Obviamente, GTA 6 se tornará um sucesso quando for lançado e será um grande fenômeno do entretenimento, e não apenas dos games. Porém, o futuro da indústria de videogames e o que GTA 6 pode trazer não parece ser tão positivo assim.


