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Supergirl combina ação e emoção na dose certa, mas deveria confiar ainda mais no potencial da heroína

Baseado na HQ Supergirl: Mulher do Amanhã, o segundo filme do novo DCU chega em 25 de junho

Supergirl combina ação e emoção na dose certa, mas deveria confiar ainda mais no potencial da heroína
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Quando Superman chegou para abrir o novo DCU de James Gunn e Peter Safran nos cinemas em 2025, ficou claro que os padrões para o que quer que viesse em seguida estariam bem altos. A trama estrelada por David Corenswet chegou com força total: um protagonista carismático, uma história tocante e cheia de ação e uma impressionante bilheteria mundial de quase US$ 620 milhões. E, ao escolherem a prima de Kal-El para o segundo longa da nova fase do estúdio, Gunn e Safran não só mostraram ousadia, mas também confiança no potencial da personagem. Depois de assistir a Supergirl, digo com tranquilidade que eles acertaram em cheio com essa escolha — mesmo que pudessem ter ido muito além.

O que faz o filme funcionar tão bem não é apenas a personagem icônica: do elenco à direção e ao roteiro, temos uma combinação maravilhosa que extrai o potencial de Supergirl: Mulher do Amanhã, minissérie em quadrinhos escolhida como base para contar essa história. A trama escrita por Tom King foi ilustrada e colorida, respectivamente, pelos brasileiros Bilquis Evely e Mat Lopes, que dão um show ao representar visualmente a dualidade de Kara Zor-El como uma lenda absoluta e uma figura vulnerável marcada pelos traumas de seu passado.

Uma história de vingança e vulnerabilidade

No filme, a jovem Ruthye Marie Knoll (Eve Ridley) presencia o assassinato brutal de sua família por Krem das Colinas Amarelas (Matthias Schoenaerts), líder da terrível Brigada de Barbond. Buscando vingança, ela tenta contratar um mercenário para ceifar a vida do vilão, e acaba conhecendo Kara (Milly Alcock), que só queria encher a cara para celebrar seu aniversário. Por obra do destino, Kara se vê ligada à menina depois que Krypto, seu fiel cãozinho, é atingido por uma flecha envenenada. Obrigada a perseguir Krem e o restante da Brigada para recuperar a cura, nossa Supergirl se une a Ruthye em sua jornada — enquanto tenta, desesperadamente, evitar que a garota tome um caminho sem volta.

Se você leu a HQ original, deve ter percebido algumas mudanças na história. Na versão para as telonas, Krem já está envolvido com os bandoleiros desde o início — aliás, como líder do grupo, o vilão está muito mais sádico e insano do que nos quadrinhos (e Schoenaerts é excelente). Além disso, não é só o pai de Ruthye que é assassinado aqui: a garota perde absolutamente tudo, e a performance de Ridley deixa sempre evidente o sentimento de ódio, desespero e solidão da personagem. Considerando que a história original jamais caberia por completo em um filme de cerca de 2 horas, essas mudanças são bem-vindas para adaptar o ritmo da história sem torná-la menos urgente, sensível e ameaçadora do que os quadrinhos.

Se você tem animais de estimação, as chances de se emocionar com o longa são altíssimas. Ao sair da cabine do filme, brinquei dizendo que nunca chorei tanto com um cachorro de CGI — mas, para além do óbvio ponto fraco que o longa atinge, a performance de Milly também é avassaladora. Muitos conheceram a atriz por seu papel como a jovem Rhaenyra Targaryen em House of the Dragon — que já tinha certo peso emocional, mas é em Supergirl que a atriz explode em todo seu talento. Alcock sabe ser cômica quando a cena exige e entregar a pose de heroína invulnerável que conhecemos, mas, para além da glória, ela também nos mostra uma faceta muito menos conhecida da Supergirl: sua vulnerabilidade.

Kal-El pode ter tido a sorte de deixar Krypton antes da ruína do planeta, mas Kara permaneceu como espectadora enquanto tudo o que ela mais amava morria lentamente diante de seus olhos. Sua nação, sua família — até mesmo seu idioma nativo — foram tirados à força, e ela ainda precisou encontrar a determinação para recomeçar a vida em um planeta estranho (a Terra) ao lado de um primo que pouco conhecia. Qualquer atriz poderia interpretar Supergirl (muitas já o fizeram, é claro), mas pouquíssimas alcançariam uma performance tão sensível, e, ao mesmo tempo, tão poderosa quanto Alcock. Os sentimentos que me atingiram ao ler a HQ voltaram, um a um, ao vê-la em cada cena do filme.

Não era só a performance de Milly que estava cercada de expectativa: Jason Momoa disse mais de uma vez que interpretar Lobo era um grande sonho, e ele definitivamente se divertiu na pele do anti-herói. Quando atores vivem personagens tão icônicos, é difícil imaginá-los em qualquer outro papel — quem dirá no caso de Momoa, que já fazia parte da família DC —, mas é um alívio dizer que não há nenhum resquício de Aquaman aqui. Momoa é tão seguro de sua performance que, em nenhum momento, me peguei comparando os dois personagens (até porque os dois são completamente diferentes). Lobo é cativante e divertido, servindo como um contraponto ao tom mais sensível que Kara e Ruthye trazem à história.

Dito isso, Lobo me fez perceber uma problemática. O personagem não está na HQ — apesar de Tom King ter, originalmente, planejado trazê-lo. Mesmo assim, Ana Nogueira, roteirista do filme, recebeu a missão de colocá-lo na história de qualquer jeito (como me contou em uma entrevista realizada recentemente no Rio de Janeiro). E embora permaneça equilibrada na maior parte da história, a participação de Lobo aumenta na reta final do filme — e isso acontece de tal forma que, em determinado momento, cheguei a pensar: “não acredito que escolheram fazer um filme da Supergirl para, no fim das contas, um homem salvar o dia”.

O que nos leva a outro ponto: Superman. É fato que o Homem de Aço tem um papel muito importante na vida de Kara, mas essa ainda é, essencialmente, uma história voltada à emancipação da heroína. A sensação é de que, mesmo escolhendo Supergirl como o foco do filme, Gunn e Safran não confiam plenamente que o público vá aos cinemas para ver sua história — e isso não é um problema: sabemos que, naturalmente, alguns heróis possuem mais apelo do que outros. O problema começa ao escolher alterar — e até excluir — certos eventos da HQ só para introduzir personagens que vão assumir ações originalmente desempenhadas pelas próprias protagonistas.

E, com isso, é inevitável chegar à conclusão de que Supergirl é, sim, um ótimo filme — mas, assim como a história que o inspira, tinha potencial para ser muito mais.

Esta notícia é um resumo. Os créditos e o conteúdo completo são da fonte original.

Fonte: IGN Brasil

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