A próxima geração de consoles pode ser uma armadilha mortal para as marcas. A crise de memória RAM pode forçar o lançamento de novos consoles a preços exorbitantes, e nenhuma das duas grandes empresas tem um histórico de fazer as escolhas mais populares entre os consumidores. Não se trata de descartar a Sony ou a Microsoft, mas sim de reconhecer que o hipotético PlayStation 6 e o Project Helix do Xbox enfrentarão o ecossistema mais hostil em décadas. Essa análise é compartilhada por duas das vozes mais influentes da indústria.
PlayStation e Xbox estão em grandes apuros
Shawn Layden, ex-chefe da PlayStation Studios, concedeu uma entrevista ao Kotaku, na qual expressou considerável pessimismo em relação à nova geração de consoles. Ele acredita que a batalha tecnológica entre Sony e Microsoft pode terminar mal para ambas as empresas. "Todos deveriam se preocupar com o preço de US$ 1.000. É muito dinheiro, especialmente quando o console está sendo lançado; não haverá muitos jogos prontos para ele. Talvez haja de seis a doze no lançamento. Se você colocar um preço de quatro dígitos nisso... acho que a taxa de adoção do novo hardware será incrivelmente lenta", afirmou o ex-executivo. Shuhei Yoshida, outro veterano da Sony, também acredita que a empresa deveria parar de se concentrar apenas no poder bruto.
Ao longo de toda essa discussão, Layden também leva em consideração os benefícios cada vez menores oferecidos pelas novas tecnologias. Os dias em que adquirir um novo console significava dar o salto para o tridimensional ou a alta definição já se foram, e os usuários podem não estar tão interessados em atualizar seus sistemas, a menos que as empresas decidam deixá-los para trás com títulos exclusivos. "Quer dizer... quanto mais ray tracing dá para colocar nisso? Meus olhos realmente conseguirão notar a diferença entre 120 quadros por segundo?", ponderou o ex-executivo da PlayStation Studios.
"Acho que a velocidade com que o novo hardware será adotado será incrivelmente lenta
Outro problema para o ex-executivo da PlayStation tem a ver com o software. Na opinião dele, os jogos para console estão se tornando cada vez menos variados, e isso impede que as marcas expandam seu público potencial. "Os videogames são enormes em termos de receita, mas há um grupo muito seleto de pessoas gerando essa receita. Estamos extraindo mais dinheiro dessas pessoas o tempo todo sem atrair novas. (...) Se simplesmente fecharmos fileiras, continuarmos fazendo o mesmo tipo de jogo de tiro de sempre e satisfazermos nossa base de usuários atual, tudo bem, mas não cresceremos. Não atrairemos mais pessoas, e isso provavelmente é ruim", concluiu.
Peter Moore, ex-vice-presidente executivo do Xbox, ecoou os sentimentos de Shawn Layden. Ele também acredita que a próxima geração de consoles poderá enfrentar sérias dificuldades e questiona se a Sony e a Microsoft não estariam confiantes demais. "Acho que [a próxima geração] será um teste decisivo para saber se os consoles são necessários", disse ele ao Kotaku. "Ou a tecnologia resolve o problema, ou os jogadores resolvem o problema dizendo: 'Não posso gastar 800 euros em um console, vou jogar no meu PC' (...) Os fãs de videogame sempre darão um jeito de jogar", continuou.
Para ele, a solução reside em encontrar um modelo de negócios que torne mais fácil para os usuários justificarem a compra de um console, especialmente se os preços forem tão altos quanto o esperado na próxima geração. Caso contrário, o ex-executivo da Microsoft acredita que as empresas podem acabar eliminando o hardware por completo e caminhando para um futuro sem esses sistemas. "A cada uma das últimas duas ou três gerações, nos perguntamos se seria a última. Precisamos mesmo de um dispositivo entre nós, a TV e o controle? Até agora, a resposta sempre foi sim. Eu, no entanto, venho dizendo desde os meus tempos na Sega que, em algum momento, acabaremos jogando por meio de um chip na TV que nos permitirá escolher jogos no estilo Netflix", concluiu.
Aparentemente, os novos consoles não chegarão antes de 2028. Nesse sentido, teremos que esperar para ver se as previsões de Shawn Layden e Peter Moore se concretizam. O que é certo é que a situação será realmente desafiadora para as grandes marcas, e será preciso algo muito poderoso para convencer os usuários a migrarem para os novos consoles. Isso parece improvável se a Sony e a Microsoft repetirem a estratégia da geração atual.
*Texto traduzido e adaptado do site parceiro 3D Juegos


