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Samora (Espanha)

Samora é um município e cidade espanhola situada na província homónima, pertencente à comunidade autónoma de Castela e Leão. Tem 149,28 km² de área e em 2021 tinha 49.275 habitantes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 31/08/2026
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Geografia

Localização

O município de Samora ocupa uma área de 149,28 km². É a capital de província situada à menor altitude da Meseta Norte e é-no também da província homónima, pertencente à Comunidade Autónoma de Castela e Leão. Localiza-se no tramo médio do rio Douro, com uma configuração longitudinal ao longo do mesmo, na extensa região que forma a Meseta Norte e a parte da Meseta Central situada a norte do Sistema Central, na zona noroeste da Península Ibérica. Apresenta uma paisagem plana, com escassa vegetação decorrente do seu clima mediterrânico com rasgos de continentalidade. A parte oriental está situada no vale do rio e atua como fronteira entre as comarcas da Terra do Pão e da Terra do Vinho, situadas a norte e a sul, respetivamente. A parte ocidental é onde o perímetro urbano se separa do rio para continuar para norte, aqui servindo de fronteira entre as comarcas de Terra de Alba e Saiago.

Relevo

No município existem duas zonas claramente diferenciadas. A primeira delas é constituída pelos vales dos rios Douro e Valderaduey, situados a leste. Não apresentam diferenças de relevo, mantendo-se na cota dos cerca de 630 msnm, à exceção da meseta rochosa conhecida como as Penhas de Santa Marta, com encostas de alguma pendente e cota superior aos 650 metros. Nesta meseta, enquadrada entre o Douro e o antigo leito do Valderaduey, foi onde se instalaram os primeiros povoadores da cidade. A outra é a constituída pelas terras altas e planícies áridas da meseta. Crescem ligeiramente em altura quanto mais a oeste, passando dos 650 msnm nos Terraços de São Lázaro aos 800 no extremo ocidental do município, nas redondezas da barragem de Ricobaio. A sul do Douro formam um contínuo desde as zonas de campo até ao Carrascal, dividido pelo vale do arroio da Fresneda. Nesta zona aparecem montes com ladeiras de pendentes pronunciadas, entre os quais se destacam Cabeça Falcão (719 m) sobre o arroio de Zape; Voo Grande (734 m), sobre o arroio da Fresneda; Tres Rayas (741 m), sobre o Douro, e o Monte das Víboras, de 825 m., na margem da barragem de Ricobaio, que constitui o ponto mais alto do município.

Hidrografia

A rede hidrográfica de Samora tem como eixo vertebrador o rio Douro, que atravessa o município de leste a oeste. A ele juntam-se os seus afluentes, Valderaduey e Esla, se bem que este apenas aparece no extremo oeste do município. Existem também vários arroios, apesar de sua importância hidrológica ser bastante reduzida. Entre estes, destacam-se o Valderrei, Fresneda, os dois da margem direita, e o Zape pela esquerda. Por esta última existem também o arroio Mourisco e o de Rabiche, ambos de percurso bastante curto e nos quais a ação antrópica alterou o seu aspeto natural, assemelhando-se a acéquias. A entrada do Douro no município é enquadrada por uma veiga de grande regadio com uma densa rede de canais e acéquias.

Flora e fauna

O município conta com várias espécies arbóreas e arbustivas, bem como cultivos de sequeiro na peneplanície e de regadio nos vales dos cursos fluviais, sendo um território pobre desde um ponto de vista produtivo. Entre as espécies arbóreas contam-se a azinheira, o pinheiro-manso e a carvalhiça. A zona de maior abundância destas espécies é na região oeste-noroeste, a de maior altitude do município e, por isso, onde estas se veem menos afetadas pela inversão térmica, bem como pela aridez menor. Aparecem também exemplares de sobreiros e carvalhos-negrais. A azinheira é a espécie mais abundante no termo municipal, especialmente na peneplanície. A sua importância económica pressupôs a sua sobrevivência ao longo do tempo, apesar da alteração do seu aspeto natural, podada em forma de candelabro (técnica referida também como olivarla) com o fim último do aproveitamento das suas bolotas e madeira. Por outro lado, o aproveitamento pecuário e o uso dos montes para o cultivo e produção de pastos gerou montes ocos e degradados.

Clima

A cidade tem um clima mediterrânico continental, com parâmetros de temperatura e precipitação que a situam dentro do tipo BSk (semiárido frio) de acordo com a classificação climática de Köppen, tendo verões quentes e invernos frios. Ao ser a cidade de menos altitude em toda a comunidade, as temperaturas são mais altas que nos restantes pontos desta. As precipitações são muito escassas e concentram-se principalmente na primavera e no outono, havendo no verão uma sequia estival bastante marcada. Como fenómeno meteorológico, são significativas as névoas abundantes durante o inverno, causadas pela presença de uma massa de água de importância como é o Douro, que podem ser persistentes durante dias e que reduzem consideravelmente a temperatura média.

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História

Idade Antiga

A cidade foi fundada nos primórdios da Idade do Bronze, sendo posteriormente ocupada durante a Idade do Ferro pelo povo celta dos váceos, que a denominaram Ocalam. O assentamento inicial produziu-se na almendra delimitada pelo Castelo e a ladeira de Santo Ildefonso, uma localização estratégica ao tratar-se de uma meseta rochosa defendida pelo Rio Douro, na qual se edificou um castro. A povoação manteve-se durante o Império Romano. Com efeito, foi frequentemente identificada com a importante mansio e civitas de «Ocelo Durii» (Olho do Douro). De acordo com algumas vozes, esta povoação seria a localidade atual de Villalazán, 12 km a leste, também na margem do Douro, e pela qual passava a Estrada da Prata.

Idade Média

O período compreendido entre os séculos X e XIII é o de maior relevância para Samora dentro do contexto hispânico. A Batalha de Simancas (939) deu a Ramiro II de Leão o controlo dos vales do Douro e do Tormes, convertendo-se a capital samorana (pela sua posição vantajosa) numa das principais praças fortes que asseguravam a fronteira. A sua importância foi diminuindo a partir da Batalha das Navas de Tolosa (1212), que abriu o sul peninsular aos reinos cristãos, perdendo assim Samora a sua transcendência estratégica. Durante a Idade Média, voltou a ser tomada e destruída pelos muçulmanos a comando do emir Mohamed, sendo depois reconquistada pelos cristãos no reinado de Afonso II das Astúrias, o Casto, sendo novamente fortificada. O rei Afonso III das Astúrias, o Magno, repovoou-a com moçárabes toledanos em 893, rodeando-a de muralhas e dotando-a inclusivamente de palácios e banhos, convertendo-se, pela sua situação e características, na cidade-fortaleza mais importante dos reinos cristãos. Samora foi descrita pelos cronistas árabes como «a capital do Reino da Galiza, rodeada de sete recintos amuralhados e grandes fossos». Foi uma das praças mais importantes do Reino de Leão, do qual formou parte. Além disso, iniciou a etapa de maior esplendor político, económico e arquitetónico. O paulatino movimento da raia para sul, do Douro ao Tormes, favoreceu tal progresso, sendo apenas quebrado pelas aceifas de Almançor. Muhammad ibn 'Abd-Allah ibn Abū 'Āmir (em árabe محمد بن عبد أبو عامر ), chamado Al-Mansūr (المنصور, Almançor), o Vitorioso, lançou em 981 um primeiro ataque contra a cidade, que foi arrasada. Em 986 decide lançar hostilidades com o rei Bermudo II, atacando Coimbra no ano seguinte (deixando-a de tal maneira que durante sete anos se manteve deserta), e dirigindo-se contra a própria cidade de Leão em 988, destruindo tudo quanto se cruzava com ele. Bermudo refugiou-se em Samora mas não pode conter o avanço do inimigo. Leão, após resistir quatro dias, foi assaltada, pilhada, incendiada e as suas muralhas destruídas. Após este acontecimento, Samora capitulou e Bermudo refugiou-se na Galiza. Em 997, a cidade voltou a sofrer as investidas do muçulmano, que no seu caminho até Santiago de Compostela arrasou de novo a cidade, juntamente com Leão e Astorga.

Idade Moderna

Depois do seu apogeu no século XII, e conforme as fronteiras da reconquista da península pelos reis cristãos se moviam para setentrião, Samora foi perdendo a sua importância estratégica e económica.

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Património cultural

A cidade de Zamora tem a maior concentração de edifícios e restos românicos da Europa, com:

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Fontes consultadas

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