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União Soviética

União Soviética, oficialmente União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), foi um Estado socialista localizado no norte da Eurásia que se estendeu desde os mares Báltico e Negro até o Oceano Pacífico, criada em 30 de dezembro de 1922 e durou até o seu desmantelamento em 26 dezembro de 1991. Uma união de várias repúblicas soviéticas subnacionais, a URSS era­­­­­­­­­­­­­­­ governada num regime unipartidário comandado pelo Partido Comunista da União Soviética e tinha como sua capital a cidade de Moscou.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Nomes

A União Soviética também era conhecida como СССР, um acrônimo para União das Repúblicas Socialistas Soviéticas de acordo com seu nome em russo, Союз Советских Социалистических Республик (Soyuz Soviétskikh Sotsialistítchieskikh Respúblik). Apesar de originalmente escrita no alfabeto cirílico, o mundo ocidental acabou por adotá-la como CCCP, "latinizando" as letras. A sigla ficou bastante conhecida no mundo ocidental, devido ao uso do acrônimo em uniformes em competições esportivas e outros objetos, em eventos culturais e tecnológicos ocorridos na URSS, como por exemplo navios, automóveis ou chapéus e capacetes de cosmonautas. Isto também se deve pelo destacamento da União Soviética em tais eventos, o que a fez mais conhecida em todo o mundo. Devido à grande simbologia e a fama que esta sigla trouxe; após a abolição de seu uso, junto com o fim da URSS, a Rússia, durante a gestão de Vladimir Putin, retomou o uso do nome do país, mas desta vez descrito como "Россия" (Rossiya), acompanhando a restauração do hino soviético, da águia bicéfala da Rússia czarista e da reutilização da bandeira com a foice e martelo como símbolo do exército russo.

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História

Em 19 de agosto de 1991, um dia antes de Gorbachev e um grupo de dirigentes das Repúblicas assinarem o novo Tratado da União, um grupo chamado Comité Estatal para o Estado de Emergência (Государственный Комитет по Чрезвычайному Положению, ГКЧП, pronunciado GeKaTchePe) tentou tomar o poder em Moscou. Anunciou-se que Gorbachev estava doente e tinha sido afastado de seu posto como presidente. Gorbachev foi, então, em férias à Crimeia, onde a tomada do poder foi desencadeada e lá permaneceu durante todo o seu curso. O vice-presidente da União Soviética, Gennady Yanayev, foi nomeado presidente interino. A comissão de 8 membros, incluindo o chefe da KGB Vladimir Krioutchkov e o Ministro das Relações Exteriores, Boris Pogo, o ministro da Defesa, Dmitri Iazov, todos os que concordaram em trabalhar sob Gorbachev. Em 21 de agosto de 1991, a grande maioria das tropas que foram enviadas a Moscou se colocam abertamente ao lado dos manifestantes ou são desertores. O golpe falhou e Gorbachev, que tinha atribuído à sua residência dacha na Crimeia, regressou a Moscou.

Antecedentes

O final do século XIX viu o surgimento de vários movimentos socialistas na Rússia czarista. Alexandre II foi assassinado em 1881 por terroristas revolucionários e o reinado de seu filho, Alexandre III (1881–1894), foi menos liberal, porém mais tranquilo. O último imperador russo, Nicolau II (1894–1917), foi incapaz de evitar os acontecimentos da Revolução Russa de 1905, desencadeada pela mal-sucedida Guerra Russo-Japonesa e pelo incidente conhecido como Domingo Sangrento. O levante foi controlado, mas o governo foi forçado a admitir grandes reformas, incluindo a concessão das liberdades de expressão e de reunião, a legalização dos partidos políticos, bem como a criação de um órgão legislativo eleito, a Duma do Império Russo. Essas medidas surtiram escasso efeito, visto que os partidos eram sistematicamente vigiados e a Duma era controlada pela aristocracia e pelo czar, que podia dissolvê-la a qualquer momento. Até 1905, o sistema político da Rússia czarista não possuía partidos políticos, com todo o poder concentrado nas mãos do imperador. Destaca-se que estas mudanças, embora significativas sob o ponto de vista político, não alteravam o quadro social da maior parte da população russa. A migração para a Sibéria aumentou rapidamente no início do século XX, particularmente durante a reforma agrária Stolypin. Entre 1906 e 1914, mais de quatro milhões de colonos chegaram àquela região.

Revolução e fundação

Apesar da Rússia, na época, ser um dos países mais poderosos do mundo em termos militares, apenas uma fina parte da população, os nobres, tinham boas condições de vida. Os camponeses eram terrivelmente pobres e trabalhavam de sol-a-sol os seus terrenos sem poder possuí-los. As sucessivas derrotas em várias guerras e batalhas durante a Primeira Guerra Mundial e o descontentamento geral da população fizeram com que a economia interna começasse a deteriorar-se. Nesta ocasião, emergem com força os sovietes e o Partido Operário Social-Democrata Russo, fundado em 1898, e posteriormente dividido entre os mencheviques e os bolcheviques, dois termos análogos a minoria (меньше) e maioria (больше), em russo.

Era Stalin

A União Soviética entre os anos de 1927 e 1953 foi governada por Josef Stalin (a chamada era Stalin). Muitas vezes a URSS foi descrita como um estado totalitário, modelado por um líder que tinha todos os poderes, e que buscava reformar a sociedade soviética, com planejamento econômico agressivo, em especial, com uma varredura da coletivização da agricultura e do desenvolvimento do poder industrial. Ele também construiu uma enorme burocracia, o que sem dúvida foi responsável por milhões de mortes como resultado de vários expurgos e esforços de coletivização. Durante seu tempo como líder da URSS, Stalin fez uso frequente de sua polícia secreta, gulags e poder quase ilimitado, para remodelar a sociedade soviética, isso demonstra o total desconhecido, por parte de muitos, sobre a URSS e seu líder, visto que a constituição de 1936 foi a mais democrática da história do país e os gulags possuíam trabalho remunerado. A subida ao poder definitivo de Joseph Stalin, como secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética ou Gensek entre 1927 e 1929, marcou o início de uma transformação radical da sociedade soviética. Em alguns anos, a face da União Soviética mudou radicalmente pela coletivização de terras e pela rápida industrialização realizada pelos muitos ambiciosos planos quinquenais.

Era Khrushchov

Stalin morreu em 5 de março de 1953, deixando um vazio de poder que levou a uma disputa interna no PCUS (Partido Comunista da União Soviética) pela liderança, entre Malenkov, Beria, Molotov e Khrushchov — este último vencedor. Como sucessor de Stalin, Khrushchov empreendeu uma política de denunciar os abusos do seu antecessor. Durante o Congresso de 1956 do PCUS, Khrushchov divulgou uma série de crimes de Stalin (ver: Discurso secreto), renegando a herança do estalinismo, estabelecendo, assim, uma nova postura e criando um novo paradigma liberal para o comunismo internacional. A propaganda capitalista se utilizou muito dos argumentos engendrados por Khrushchov para fazer frente à URSS.

Era Brejnev

Leonid Brejnev toma a União Soviética em uma difícil situação após a gestão contraditória de Khrushchov, com os países mais próximos em meio à instabilidade, uma situação tensa com a República Popular da China, relações inconstantes, ora apocalípticas, ora amistosas com os Estados Unidos, a resistência da Iugoslávia ao Pacto de Varsóvia e uma divisão política dentro do partido. A deposição de Khrushchov e a posse de Leonid Brejnev representaram a volta do poder mais conservador no poder do partido, incluindo a burocracia que controlava a União Soviética na época de Josef Stalin, mas que rachou-se por Khrushchov, em meio às suas medidas revisionistas.

Era Gorbachev

A partir do final dos anos 1970 começam a ficar claras as limitações do modelo soviético de economia planificada. A Crise do Petróleo dos anos 1970 elevou a economia soviética, podendo o povo, em pleno regime socialista, consumir mais. Muitas famílias puderam comprar novas tecnologias. Automóveis, fornos micro-ondas e aparelhos eletrônicos, não eram novidade para muitos, mas mais de um automóvel e diversos aparelhos eletrônicos eram um sonho que dependiam de muita economia, e que agora tornava-se realidade para muitas pessoas, dando um conforto material bem maior, sem ferir os princípios socialistas. O bem-estar foi tanto que as autoridades soviéticas chegavam a dizer que os países capitalistas estavam em crise.

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Geografia

A União Soviética localizava-se nas latitudes médias e do norte do Hemisfério Norte. Quase duas vezes e meia maior do que o território dos Estados Unidos, era um país de tamanho continental, apenas ligeiramente menor do que toda a América do Norte. O território soviético tinha uma área total de 22 402 200 km2, o que representava um sexto da superfície terrestre da Terra. Três quartos do país estava a norte do paralelo 50; a URSS era, no geral, muito mais próxima do Pólo Norte do que do equador. Estendendo para sobre 62 710 km, a fronteira soviética era não somente a maior do mundo, como também a mais larga. Ao longo da fronteira terra quase 20 000 km, a União Soviética fazia fronteira com doze países, seis em cada continente. Na Ásia, seus vizinhos eram a Coreia do Norte, China, Mongólia, Afeganistão, Irã, e Turquia. Na Europa, limitou-se a Romênia, Hungria, Tchecoslováquia, Polônia, Noruega, e Finlândia. À exceção dos quilômetros gelados do Estreito de Bering, teria um décimo terceiro vizinho: os Estados Unidos. O restante dos 60 000 km de fronteira eram com o Oceano Ártico.

Problemas ambientais

A política ambiental oficial soviética sempre atribuiu grande importância às ações nas quais os seres humanos melhoram ativamente a natureza. A citação de Lenin "O comunismo é o poder soviético e a eletrificação do país!" em muitos aspectos, resume o foco na modernização e no desenvolvimento industrial. Durante o primeiro plano de cinco anos em 1928, Stalin prosseguiu industrializando o país a todo custo. Valores como proteção ambiental e da natureza foram completamente ignorados na luta para criar uma sociedade industrial moderna. Após a morte de Stalin, o governo soviético concentrou mais nas questões ambientais, mas a percepção básica do valor da proteção ambiental permaneceu a mesma.

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Demografia

Os primeiros cinquenta anos do século XX da Rússia czarista e da União Soviética foram marcados por uma sucessão de desastres, cada um acompanhado por grandes perdas populacionais. Mortes em excesso no decorrer da Primeira Guerra Mundial e da Guerra Civil Russa (incluindo a fome pós-guerra) ascenderam a um total combinado de 18 milhões, cerca de 10 milhões em 1930 e mais de 26 milhões entre 1941 e 1945. A população do pós-guerra soviético era 45 e 50 milhões menor do que teria sido se o crescimento demográfico pré-guerra tivesse continuado. A taxa de natalidade bruta da URSS diminuiu de 44,0‰ habitantes em 1926 para 18,0 em 1974, em grande parte devido à crescente urbanização e ao aumento da idade média dos casamentos. A taxa de mortalidade bruta demonstrou um decréscimo gradual também — de 23,7‰ em 1926 para 8,7 em 1974. Em geral, as taxas de natalidade das repúblicas do sul da Transcaucásia e da Ásia Central eram consideravelmente maiores que as do norte da União Soviética e, em alguns casos, até mesmo aumentaram no período pós-II Guerra, um fenômeno atribuído em parte as lentas taxas de urbanização e de casamentos, que tradicionalmente se realizavam mais cedo nas repúblicas do sul. A Europa soviética mudou-se para a sub-fertilidade de substituição populacional, enquanto a Ásia Central Soviética continuou a apresentar crescimento populacional bem acima do nível de fertilidade de substituição.

Grupos étnicos

O estado extensa multinacionais que os comunistas herdaram após a sua Revolução, que foi criado pela expansão czarista por quase quatro séculos. Alguns grupos de nações aderiram voluntariamente ao Estado, mas a maioria foram anexados à força. Os antagonismos nacionais desenvolvidos ao longo dos anos não se dirigiam só contra os russos, mas algumas vezes surgiram entre outras nações da União Soviética. Por quase setenta anos, os líderes soviéticos tinham mantido que o atrito entre as muitas nacionalidades da União Soviética tinha sido erradicado e que a União Soviética era uma família de nações que vivem harmoniosamente (ver: Commissariado do Povo para as Nacionalidades). No entanto, o fermento nacional que abalou todos os cantos da União Soviética, na década de 1980 provou que setenta anos de regime comunista haviam falhado na erradicação das diferenças étnicas e nacionais e que as culturas e as religiões tradicionais reemergiriam à menor oportunidade. Esta realidade enfrentada por Gorbachev e seus colegas significava que, dada a baixa confiança no uso tradicional da força, teve de encontrar soluções alternativas para evitar o colapso da União Soviética.

Mulheres e fertilidade

Sob Lenin, o Estado assumiu compromissos explícitos para promover a igualdade entre homens e mulheres. Muitas das primeiras feministas russas e mulheres trabalhadoras russas comuns participaram ativamente da Revolução, e muitas mais foram afetadas pelos eventos daquele período e pelas novas políticas. A partir de outubro de 1918, o governo de Lenin liberou as leis de divórcio e aborto, descriminalizou a homossexualidade (recriminalizada, porém, na década de 1930), permitiu a coabitação e deu início a uma série de reformas. No entanto, sem controle de natalidade, o novo sistema produziu muitos casamentos desfeitos, bem como incontáveis ​​filhos fora do casamento. A epidemia de divórcios e casos extraconjugais criou dificuldades sociais quando os líderes soviéticos queriam que as pessoas concentrassem seus esforços no crescimento da economia. Dar às mulheres controle sobre sua fertilidade também levou a uma queda vertiginosa na taxa de natalidade, vista como uma ameaça ao poder militar de seu país. Em 1936, Stalin reverteu a maioria das leis liberais, dando início a uma era pró-natalista que durou décadas.

Religião

A URSS desde 1922 tornou-se um Estado ateísta. Em 1934, 28% das igrejas ortodoxas cristãs, 42% das mesquitas muçulmanas e 52% das sinagogas judaicas foram fechadas na URSS. O ateísmo na URSS era baseado na ideologia marxista-leninista. Tal como o fundador do Estado soviético, Lenin falou o seguinte sobre a URSS e as religiões: A religião é o ópio do povo: este ditado de Marx é a pedra angular de toda a ideologia do marxismo sobre religião. Todas as modernas religiões e igrejas, todos (…) os tipos de organizações religiosas são sempre considerados pelo marxismo como órgãos de reação burguesa, usados para a proteção da exploração e o assombro da classe trabalhadora.

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Política

Havia três hierarquias de poder na União Soviética: o Poder Legislativo, representado pelo Soviete Supremo da União Soviética; o governo, representado pelo Conselho de Ministros e o Partido Comunista da União Soviética (PCUS), o único partido legal no país. Segundo os ideólogos comunistas, o sistema político soviético era uma verdadeira democracia, onde os conselhos operários ("sovietes") representavam a vontade da classe trabalhadora. Em particular, a Constituição Soviética de 1936 garantiu o sufrágio universal e o voto secreto. A prática, no entanto, afastava-se dos princípios da lei. Por exemplo, todos os candidatos eram selecionados pelas organizações do Partido Comunista antes da democratização e das eleições de março de 1989. O historiador Robert Conquest descreveu o sistema eleitoral soviético como "um conjunto de instituições dirigidas por camponeses e trabalhadores para camponeses e trabalhadores: uma constituição modelo adotada em um período de terror garantindo direitos humanos; eleições nas quais havia apenas um candidato que recebia 99% dos votos; um parlamento no qual nenhuma mão foi levantada em oposição ou abstenção".

Partido Comunista

No topo do Partido Comunista estava o Comitê Central, eleito em Conferências e Congressos do Partido. O Comitê Central, por sua vez votava para o Politburo (o chamado Presidium entre 1952 e 1966), o Secretariado e o Secretário-Geral (Primeiro Secretário de 1953 a 1966), o mais alto cargo na URSS. Dependendo do grau de consolidação de poder, ou era o Politburo como um corpo coletivo ou o Secretário-Geral, que sempre era um dos membros do Politburo, que efetivamente comandava o partido e o país (exceto no período da autoridade altamente personalizada de Josef Stalin, exercida diretamente através de sua posição no Conselho de Ministros). Eles não eram controladas pelos membros geral do partido, visto que o princípio fundamental da organização do partido era o centralismo democrático, o que exigia estrita subordinação aos órgãos superiores e as eleições eram incontestáveis, endossando os candidatos propostos a partir de cima.

Governo

O Soviete Supremo (sucessor do Congresso dos Sovietes e do Comitê Executivo Central) foi nominalmente o mais alto órgão de Estado durante a maior parte da história soviética, em primeira atuação como instituição fantoche, para aprovar e implementar todas as decisões tomadas pelo partido. No entanto, os poderes e funções do Soviete Supremo foram prorrogadas nos anos 1950, 1960 e 1970, incluindo a criação de novas comissões estaduais e comitês. Ele ganhou poderes adicionais com a aprovação dos planos quinquenais e do orçamento do Estado soviético. O Soviete Supremo elegia um Presidium para exercer o seu poder entre as sessões plenárias, ordinariamente duas vezes por ano, e designava o Supremo Tribunal, o Procurador-Geral e o Conselho de Ministros (conhecido antes de 1946 como o Conselho do Comissariado do Povo), liderado pelo Presidente (Primeiro-ministro) e que geria a enorme burocracia responsável pela administração da economia e da sociedade. As estruturas governamentais e do partido nas repúblicas constituintes em grande parte repetiam a estrutura das instituições centrais, embora a República Socialista Federativa Soviética da Rússia, ao contrário das outras repúblicas, pela maior parte de sua história não teve uma filial republicana do PCUS, sendo governada diretamente pelo partido de toda a União até 1990. As autoridades locais eram organizadas da mesma forma em comitês do partido, sovietes locais e comitês executivos. Enquanto o sistema estatal era nominalmente federal, o partido era unitário.

Sistema judicial

O judiciário não era independente dos outros ramos do governo. O Supremo Tribunal supervisionava os tribunais inferiores (Tribunal do Povo) e aplicava a lei como estabelecido pela Constituição ou como interpretado pelo Soviete Supremo. O Comitê de Supervisão Constitucional analisava a constitucionalidade das leis. A União Soviética usava o sistema inquisitorial do direito romano, onde o juiz, procurador, advogado de defesa devem colaborar para estabelecer a verdade. O sistema legal soviético considerava a lei como um braço da política e os tribunais como agências do governo. Extensos poderes extrajudiciais foram dados às agências policiais secretas soviéticas. O regime aboliu o estado de direito ocidental, as liberdades civis, a proteção da lei e as garantias de propriedade, consideradas como exemplos de "moralidade burguesa" pelos teóricos do direito soviético, como Andrey Vyshinsky. Segundo Vladimir Lenin, o objetivo dos tribunais socialistas não era "eliminar o terror… mas substanciá-lo e legitimá-lo em princípio".

Separação de poderes e reforma

As constituições soviéticas, que foram promulgadas em 1918, 1924, 1936 e 1977, não limitavam o poder do Estado. Não havia separação de poderes formal existente entre o partido, o Soviete Supremo e o Conselho de Ministros, que representavam os poderes executivos e legislativos do governo. O sistema era regido menos pelo estatuto do que por convenções informais e nenhum mecanismo estabelecia uma sucessão da liderança. Lutas internas ocorreram no Politburo após a morte de Lenin e Joseph Stalin, bem como após a demissão de Khrushchev, devido a uma decisão tanto pelo Politburo e do Comitê Central. Todos os líderes do Partido Comunista antes de Gorbachev morreram no exercício do cargo, exceto Geórgiy Malenkov e Khrushchev, demitido da direção do partido em meio a luta interna.

Relações internacionais

Desde a sua criação em 1922, a União Soviética sempre manteve uma política agressiva com os outros países do mundo (ver: ocupações soviéticas). Após a sua criação em 1922 ela passou cerca de 20 anos isolada do mundo pelos países capitalistas ocidentais. Após a Segunda Guerra Mundial a URSS emerge como superpotência mundial e controla um poderoso bloco socialista (ver: Império Soviético). Durante a Guerra Fria as relações entre Estados Unidos e União Soviética se deterioram e somente a partir de 1985 é que começam as iniciativas eficazes de paz entre as duas superpotências. As relações entre a URSS e os seus países satélites na maioria das vezes foram de paz, mas houve países socialistas que acabaram saindo da área de influência de Moscou como China e Iugoslávia (ver: ruptura Tito-Stalin).

Forças armadas

A URSS sempre foi uma potência militar, seu Exército, foi o responsável pelo suicídio de Adolf Hitler e por grande parte das exterminações dos nazistas na Segunda Guerra Mundial. Depois da Segunda Guerra Mundial, o Exército Vermelho foi o eixo do Pacto de Varsóvia, a organização militar de defesa mútua integrada pelos países do Bloco Socialista no Leste Europeu. O armamento nuclear soviético aumentou proporcionalmente ao dos norte-americanos. Depois de derrubado o regime soviético, em 1991, o Exército Vermelho foi desmantelado e desapareceu como tal. No entanto, o atual Exército da Federação Russa ainda utiliza muitos dos símbolos da organização do Exército Vermelho da União Soviética.

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Subdivisões

Repúblicas

Constitucionalmente, a União Soviética era uma federação das Repúblicas Socialistas Soviéticas (RSSs) e da República Socialista Federativa Soviética Russa (RSFSR), embora a regra do altamente centralizado Partido Comunista soviético fez federalismo meramente nominal. O tratado sobre a criação de a URSS foi assinado em dezembro de 1922 por quatro repúblicas fundadoras: Em 1924, durante a delimitação nacional na Ásia Central, o Uzbequistão e o Turcomenistão formaram repúblicas soviéticas a partir de partes do Turquestão e de duas dependências soviética, o Khorezm e o Bukharan. Em 1929, o Tajiquistão foi dividido a partir da República Socialista Soviética Uzbeque. Com a constituição de 1936, os constituintes da República Socialista Federativa Soviética Transcaucasiana, ou seja, da Geórgia, República Socialista Soviética da Armênia e República Socialista Soviética do Azerbaijão, foram elevadas a repúblicas da União, enquanto a República Socialista Soviética Cazaque e República Socialista Soviética Quirguiz foram separados da República Socialista Federativa Soviética da Rússia.

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Economia

A União Soviética tornou-se o primeiro país a adotar uma economia planificada, em que a produção e distribuição de bens eram centralizados e dirigidos pelo governo. A primeira experiência bolchevique no comando de uma economia foi a política do comunismo de guerra, que envolveu a nacionalização da indústria, a distribuição centralizada de produção, a requisição coercitiva da produção agrícola e a tentativa de eliminar a circulação de dinheiro, empresas privadas e livre comércio. Após o grave colapso econômico causado pela guerra, em 1921, Lenin substituiu o comunismo de guerra pela Nova Política Econômica (NEP), com a legalização do livre comércio e da propriedade privada para empresas de pequeno porte. A economia se recuperou rapidamente. Após um longo debate entre os membros do Politburo sobre o campo do desenvolvimento econômico, entre 1928 e 1929, após conquistar o controle do país, Josef Stalin abandonou a NEP e levou a economia soviética para o planejamento central completo, começando com a coletivização forçada da agricultura e a promulgação de uma legislação trabalhista draconiana. Os recursos foram mobilizados para a rápida industrialização, o que muito se expandiu a capacidade soviética na indústria e bens de capital pesados ​​durante a década de 1930.

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Infraestrutura

Energia

A necessidade de combustível diminuiu na União Soviética entre os anos 1970 e a década de 1980. No início, este declínio cresceu muito rapidamente, mas gradualmente diminuiu entre 1970 e 1975. De 1975 e 1980, cresceu de maneira ainda mais lenta, apenas 2,6 por cento. David Wilson, um historiador, acredita que a indústria de gás seria responsável ​​por 40 por cento da produção soviética de combustíveis até o final do século. Sua teoria não veio a ser concretizadas por conta do colapso da URSS. A União Soviética, em teoria, teria continuado a ter uma taxa de crescimento econômico entre 2 e 2,5 por cento durante a década de 1990 por causa da área energética soviética. No entanto, o setor de energia enfrentou muitas dificuldades, entre elas a alta despesa militar do país e as relações hostis com os países do Primeiro Mundo (era pré-Gorbachev).

Ciência e tecnologia

A União Soviética colocava grande ênfase na área de ciência e tecnologia no âmbito da sua economia; Lenin acreditava que a URSS nunca iria dominar o mundo desenvolvido se permanecesse como um país tecnologicamente atrasado, como era quando a URSS foi fundada. As autoridades soviéticas mostraram seu compromisso com a crença de Lenin, desenvolvendo enormes organizações e redes de pesquisa e desenvolvimento. Todavia, os mais notáveis ​​sucessos soviéticos em tecnologia, como a produção do Sputnik 1, primeiro satélite espacial do mundo, normalmente eram da responsabilidade dos militares. No entanto, durante a Era Stalin e após, pesquisas sobre determinadas teorias científicas foram reprimidas. Cientistas soviéticos sofreram perseguições e ramos das ciências exatas, sociais e humanas foram rotulados como "pseudociência burguesa." Áreas como cibernética, astronomia, linguística, física (especificamente, mecânica quântica e relatividade), estatística e história sofriam oposição e/ou manipulações. O sociólogo Pitirim Sorokin foi exilado em 1922, a sociologia foi stalinizada e, entre as décadas de 1930 e 1950, esta disciplina praticamente desapareceu, sendo substituída no bloco comunista pela sociologia marxista. A sociologia só foi reabilitada após o 23.º Congresso do Partido Comunista da União Soviética (Março-Abril de 1966).

Transportes

O transporte era um componente chave da economia do país. A centralização econômica do final dos anos 1920 e 1930, levou ao desenvolvimento de infraestruturas em grande escala, principalmente com a criação da Aeroflot, uma empresa de aviação. O país tinha uma grande variedade de meios de transporte por terra, água e ar. No entanto, devido à má manutenção, grande parte dos transportes soviéticos por estradas, água e pela aviação civil estavam ultrapassados e tecnologicamente atrasados em relação ao Primeiro Mundo. O transporte ferroviário soviética era o maior e mais intensamente utilizada no mundo; também era melhor desenvolvida do que na maioria de seus colegas ocidentais. No final dos anos 1970 e início da década de 1980, os economistas soviéticos clamavam pela construção de mais estradas para aliviar um pouco a carga das ferrovias e melhorar o orçamento do Estado soviético. A rede de estradas e a indústria automobilística permaneceram subdesenvolvidas e estradas de terra eram comuns fora das grandes cidades. Os projetos de manutenção das redes de transportes soviéticas mostraram-se incapazes de cuidar das poucas estradas que o país tinha. Nos anos 1980, as autoridades soviéticas tentaram resolver o problema das estradas, ordenando a construção de novas rodovias. Enquanto isso, a indústria automobilística estava crescendo a uma taxa mais rápida do que a construção de estradas. O subdesenvolvido da rede rodoviária levou a uma crescente demanda por transporte público.

Educação

Antes de 1917, a educação não era livre e só era disponível à nobreza. Estimativas de 1917 eram de que 75–85% da população russa era analfabeta. Anatoly Lunacharsky tornou-se o primeiro Narkompros (Comissariado do Povo para a Educação da Rússia Soviética). As autoridades soviéticas colocaram grande ênfase na eliminação do analfabetismo e pessoas com alguma educação eram automaticamente contratadas como professores. Por um curto período de tempo, a qualidade foi sacrificada pela quantidade. Em se livrar do analfabetismo, as autoridades soviéticas foram bem-sucedidos, e por volta de 1940, Josef Stalin podia anunciar que o analfabetismo tinha sido eliminado. No rescaldo da Grande Guerra Patriótica do sistema educacional do país expandiu-se dramaticamente. Essa expansão teve um efeito tremendo na década de 1960 quase todas as crianças soviéticas tinham acesso à educação, sendo a única excepção as crianças que viviam em áreas remotas. Nikita Khrushchev tentou melhorar a educação, tornando-a mais acessível e deixando claro aos filhos que a educação era intimamente ligado às necessidades da sociedade. A educação também se tornou uma característica importante na criação do Novo homem soviético (ver também: Homo sovieticus e Novo Homem).

Saúde

Em 1917, antes da revolução, as condições de saúde eram significativamente piores do que a dos países desenvolvidos. Como Lenin mais tarde observou: "Ou o piolho vai derrotar o socialismo, ou socialismo vai derrotar os piolhos". O princípio soviético de assistência médica foi concebido pelo Comissariado do Povo para a Saúde em 1918. O sistema de saúde era controlado pelo Estado e era fornecido aos seus cidadãos de forma gratuita, como um conceito revolucionário. O artigo 42 da Constituição Soviética de 1977 deu a todos os cidadãos o direito à assistência médica e acesso gratuito a todas as instituições de saúde na URSS. Antes de Leonid Brezhnev tornar-se chefe de Estado, o sistema de saúde da União Soviética era considerado de qualidade por muitos especialistas estrangeiros. Isso mudou no entanto, a partir da adesão de Brezhnev e do mandato de Mikhail Gorbachev como líder, o sistema de saúde soviético passou então a ser duramente criticado por muitas falhas básicas, tais como a qualidade do serviço e a desigualdade na sua prestação. O ministro da saúde Yevgeniy Chazov, durante o 19º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, apesar de destacar os sucessos soviéticos pelo fato do país ter o maior número de médicos e hospitais em todo o mundo, reconheceu que algumas áreas do sistema precisavam de melhorias e disse que bilhões de rublos soviéticos foram desperdiçadas.

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Cultura

A cultura da União Soviética passou por diversas fases durante a sua existência de 70 anos. Durante os primeiros onze anos depois da Revolução (1918–1929), houve uma relativa liberdade e artistas experimentaram vários estilos diferentes, em um esforço para encontrar um estilo distinto soviética da arte. Lenin queria que a arte fosse acessível ao povo russo. O governo incentivou uma série de tendências. Na arte e literatura, numerosas escolas, algumas tradicionais e outras radicalmente experimentais, proliferaram. Comunistas escritores como Máximo Gorki e Vladimir Mayakovsky eram ativos durante este tempo. Filmes, como um meio de influenciar uma sociedade iletrada, receberam o incentivo do Estado; muito das melhores datas diretor Serguei Eisenstein de trabalho deste período. Mais tarde, durante o governo de Josef Stalin, a cultura soviética foi caracterizada pela ascensão e dominação do governo que impôs o estilo do realismo socialista, com todas as outras tendências a ser duramente reprimidas, com raras exceções (por exemplo, obras de Mikhail Bulgákov). Muitos autores foram presos e mortos. Além disso, os religiosos foram perseguidos e enviados para gulags ou foram assassinados aos milhares. A proibição da Igreja Ortodoxa foi temporariamente suspensa em 1940, a fim de conseguir apoio para a guerra soviética contra as forças invasoras da Alemanha. Sob Stalin, símbolos de destaque, que não estavam em conformidade com a ideologia comunista foram destruídos, tais como igrejas ortodoxas e edifícios czarista.

Esportes

Fundado em 20 de julho de 1924 em Moscou, o Sovetsky Sport foi o primeiro jornal esportivo da União Soviética. O Comitê Olímpico Soviético formou-se em 21 de abril de 1951 e o COI reconheceu o novo órgão em sua 45ª sessão. No mesmo ano, quando o representante soviético Konstantin Andrianov se tornou membro do COI, a URSS se juntou oficialmente ao Movimento Olímpico. Os Jogos Olímpicos de Verão de 1952 em Helsinque tornaram-se os primeiros Jogos Olímpicos para atletas soviéticos. A equipe nacional de hóquei no gelo da União Soviética venceu quase todos os campeonatos mundiais e torneios olímpicos entre 1954 e 1991 e nunca deixou de ganhar uma medalha em torneios da Federação Internacional de Hóquei no Gelo (IIHF) em que competia.

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Legado

Nostalgia

Na Armênia, 12% dos entrevistados disseram que o colapso da URSS fez bem, enquanto 66% disseram que fez mal. No Quirguistão, 16% dos entrevistados disseram que o colapso da URSS fez bem, enquanto 61% disseram que fez mal. Desde o colapso da URSS, a pesquisa anual do Levada Center mostrou que mais de 50% da população da Rússia lamentou seu colapso, com a única exceção sendo em 2012. Uma pesquisa do Levada Center de 2018 mostrou que 66% dos russos lamentaram a queda da União Soviética. De acordo com uma pesquisa de 2014, 57% dos cidadãos da Rússia lamentaram o colapso da União Soviética, enquanto 30% disseram que não lamentavam. Os idosos tendem a ser mais nostálgicos do que os jovens russos. Cerca de 50% dos entrevistados na Ucrânia em uma pesquisa semelhante realizada em fevereiro de 2005 afirmaram lamentar a desintegração soviética. No entanto, uma pesquisa semelhante realizada em 2016 mostrou apenas 35% dos ucranianos lamentando o colapso da União Soviética e 50% não lamentando isso.

Ex-repúblicas soviéticas

Após setembro de 1991, as 15 repúblicas na União Soviética tornaram-se países independentes (ver mapa abaixo).

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Fontes consultadas

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