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Intentona Comunista

Intentona Comunista, também conhecida como Revolta Comunista de 35, Levante Comunista ou Revolta Vermelha de 35, foi uma tentativa de golpe contra o governo de Getúlio Vargas realizado entre 23 e 27 de novembro de 1935 por militares, em nome da Aliança Nacional Libertadora (A.N.L.), com apoio do Partido Comunista do Brasil e da Internacional Comunista. O levante ocorreu em Natal, Recife e no Rio de Janeiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Contexto histórico

A Intentona Comunista de 1935, conspiração de natureza político-militar, inscreve-se, pelas suas reivindicações políticas imediatas (de protesto político-institucional contra um governo autoritário), dentro do quadro dos movimentos tenentistas realizados no Brasil desde a década de 1920. No entanto, articularam-se estas reivindicações, sob influência comunista, à ideia de uma revolução "nacional-popular" contra as oligarquias, o imperialismo e o autoritarismo, possuindo, nas suas reivindicações menos imediatas, aspectos como a abolição da dívida externa, a reforma agrária e o estabelecimento de um governo de base popular — em outras palavras, uma revolução "nacional-libertadora", que, embora estabelecida por um movimento armado, não se propunha a ultrapassar o quadro da ordem social burguesa (como afirmado, à época, por um dos líderes do movimento, o capitão Agildo Barata). Esta confluência de influências corporificou-se na pessoa de seu principal líder, Luís Carlos Prestes, capitão do Exército Brasileiro e líder tenentista convertido ao comunismo, que dirigiu o levante — à revelia da liderança formal do Partido Comunista Brasileiro, e em articulação direta com a direção da Internacional Comunista, que mantinha junto a Prestes um grupo de militantes comunistas internacionais, composto pela companheira de Prestes, a alemã Olga Benário, além do argentino Rodolfo Ghioldi, o alemão Arthur Ernest Ewert, Ranieri Gonzales e alguns outros militantes ligados ao Comitê Executivo da Internacional Comunista (CEIC).

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Eclosão

Prestes estabelecera que a rebelião deveria começar na madrugada do dia 27 de novembro de 1935. Contudo, por motivos locais, ela teve de começar mais cedo no Rio Grande do Norte e em Pernambuco. O levante eclodiu em pontos esparsos do território nacional, a saber:

Em Natal

A insurreição comunista começou no Rio Grande do Norte. Ela derrubou o governador Rafael Fernandes Gurjão, que teve de se asilar no Chile. O estado ficou por três dias com o comitê popular revolucionário no poder. Pode-se dizer que foi esse o primeiro governo comunista que conseguiu se instalar no país, e o primeiro na América do Sul. A revolta teve fim quando constatou-se que 1) nenhuma guarnição importante havia aderido à insurreição, 2) que em Pernambuco o movimento havia sido sufocado e 3) que o 20º batalhão de caçadores de Alagoas e a polícia paraibana se preparavam para invadir o Rio Grande do Norte. Os rebelados, então, fugiram de Natal rumo ao Seridó potiguar, mas foram interceptados por forças legalistas no que ficou conhecido como a Batalha da Serra do Doutor e acabaram sendo capturados pela polícia. O total de mortos não chegou a 20.

Em Pernambuco

Dos três levantes, o de Pernambuco foi o mais violento. No dia 24, registraram-se movimentações em algumas cidades do estado. Civis armados fizeram ataques contra delegacias de polícia de Olinda e no Recife. Parte da guarnição do 29º batalhão de caçadores se revoltava, junto com uma tentativa de levante na 7ª. Parte dos comunistas foram para Jaboatão, onde libertaram os presos de uma cadeia. No Largo da Paz, em Recife, rebeldes instalaram metralhadoras no topo da torre da igreja, a fim de atirar contra os legalistas. Tinham por objetivo conquistar o centro da capital. O ataque aos rebeldes foi comandado pelos capitães Malvino Reis Neto e Afonso de Albuquerque Lima, com o apoio do 20º e do 22º batalhão de caçadores. O tiroteio no Largo da Paz durou 28 horas. Os comunistas, depois disso, começaram a recuar, fugindo para o interior do estado. Somente nos combates do Recife, 720 pessoas morreram.

No Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o movimento foi deflagrado, simultaneamente, no 3.º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha; no 2º Regimento de Infantaria e no Batalhão de Comunicações, na Vila Militar; e na Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos. Os amotinados, companheiros de véspera, teriam, de acordo com a versão legalista, ferido e matado indiscriminada e covardemente seus companheiros que dormiam -versão esta que até hoje gera margem a dúvidas, já que os quartéis do Rio estavam em prontidão após os levantamentos revolucionários no Norte do País, e em tais circunstâncias seria extremamente difícil encontrar oponentes inermes a serem massacrados de tal forma. Seja como for, a luta foi atroz e sem quartel, com os insurretos tentando expandir a rebelião a todo custo, esbarrando na mais férrea resistência das forças legalistas, e, finalmente, perdendo a luta.

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Resultados

O historiador Rodrigo Trespach salientou a falta de apoio popular do movimento e a forte presença dos militares (e não, como se poderia esperar de um movimento comunista, dos operários): Os comunistas não conseguiram apoio popular, reunindo menos de 2 500 pessoas nas três cidades [em que ocorreram os levantes]. Ainda que o número possa ser maior, já que outras 1 420 foram presas em outros estados por estrarem supostamente relacionadas ao levante, o movimento de novembro nem de longe mobilizou "as grandes massas proletárias" que formariam a revolução socialista no Brasil. O que de fato aconteceu foi mais uma quartelada na história brasileira. No Rio de Janeiro, dos 838 indiciados, 65% eram militares e apenas 9%, operários. Uma vez reprimido e derrotado, o movimento foi submetido a intensa desmoralização — a começar pelo nome pejorativo e desqualificante que recebeu ("Intentona", ou "intento louco") — por parte das cúpulas militares; como lembra o militar esquerdista Nelson Werneck Sodré nas suas memórias, a participação intensa de oficiais e suboficiais nas fileiras dos insurretos alertou o exército para a necessidade de cerrar fileiras ideológicas, e de expurgar "influências exógenas" no interior da oficialidade militar nas três décadas seguintes. Tal cisão ideológica viria a expressar-se nas disputas políticas no interior do Clube Militar da década de 1950, na Revolta dos Sargentos da década de 1960, e daí até o Golpe de 1964, após o qual quaisquer traços de esquerdismo organizado foram eliminados das fileiras militares.

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Relação dos mortos

Não se tem um balanço completo das vítimas, juntando-se legalistas e insurgentes em todos os eventos ocorridos. Entre os insurgentes é difícil encontrar uma lista completa com os nomes das vítimas, mas estima-se que pelo menos uma centena tenha falecido só no levante de Recife e outros vinte no levante da Praia Vermelha no Rio de Janeiro, sendo ainda necessário contabilizar as mortes ocorridas em Natal e demais quartéis do Rio de Janeiro. Entre as tropas legalistas envolvidas nos combates ocorreram 22 baixas fatais. O Exército Brasileiro lista um total de 30 vítimas sem porém divulgar se eram legalistas ou insurgentes. A historiadora Marly Vianna faz algumas considerações sobre as vítimas entre os militares insurgentes.

Controvérsia a respeito das versões sobre as mortes durante a revolta

Segundo a professora Marly Vianna, doutora em história pela USP e professora da Universidade Federal de São Carlos além de autora do livro Revolucionários de 35, apenas duas mortes ocorreram no episódio que envolve o levante do 3ºRI e estas seriam do major Misael Mendonça (legalista) e o segundo-tenente Tomás Meireles (revolucionário). Segundo ela, a versão de que os militares revolucionários teriam assassinado covardemente oficiais legalistas enquanto dormiam é mentirosa, tendo sido inclusive tema de um discurso do então senador Jarbas Passarinho no Congresso Nacional para, em nome de famílias de oficiais mortos, declarar que não estavam dormindo, pois esta versão seria prejudicial para sua imagem e memória. Segundo a mesma ainda, essa versão falsa teria sido plantada pela polícia de Filinto Müller. O historiador Hélio Silva diz o mesmo em seu livro O Ciclo de Vargas: 1935 - A Revolta Vermelha. Segundo o historiador Glauco Carneiro, esta ação fez centenas de vítimas.

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Fontes consultadas

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