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Turquia

Turquia, cujo nome oficial é República da Turquia ), é um país transcontinental, com a maior parte de seu território localizada na Ásia Ocidental e uma parte menor na Europa Oriental, estendendo-se pela península da Anatólia e pela Trácia Oriental na região dos Bálcãs. É um dos seis estados independentes cuja população é maioritariamente turca. Faz fronteira com oito países: a noroeste com a Bulgária, a oeste com a Grécia, a nordeste com a Geórgia, a Arménia e o enclave de Naquichevão do Azerbaijão, a leste com o Irão e a sudeste com o Iraque e a Síria. O mar Mediterrâneo e o Chipre situam-se a sul, o mar Egeu a sudoeste-oeste e o mar Negro a norte. O mar de Mármara, o Bósforo e o Dardanelos demarcam a fronteira entre a Trácia e a Anatólia e separam a Europa da Ásia.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Etimologia

O nome da Turquia nas línguas europeias latinas provém do latim medieval Turchia, cuja primeira referência conhecida é de cerca de 1369, e é muito semelhante ao termo Τουρκία do grego medieval.[a] O nome da Turquia em turco (Türkiye) é composto de duas partes: türk e o sufixo iye. Türk significa "ser humano" ou "forte" nas antigas línguas turcomanas, e geralmente aplica-se aos habitantes da Turquia ou aos membros de povos turcos ou turcomanos. O sufixo iye significa "proprietário" ou "relacionado com" e é derivado do árabe iyya, mas também pode estar associado ao sufixo ia de Turchia do latim medieval e ao sufixo ία (de Τουρκία) do grego medieval. As primeiras referências escritas ao termo türk ou türük, datadas do século VIII, encontram-se nas inscrições de Orcom, encontradas no vale do mesmo nome, na Mongólia, produzidas pelos Goturcos (turcos celestes ou azuis).[b] O termo está ainda relacionado com tu–kin ou tu-jue, nome dado pelos chineses aos povos que viviam a sul das Montanhas Altai, que aparece em documentos de 177 a.C.[c]

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História

Antiguidade e impérios romano e bizantino

A Península da Anatólia, que constitui a maior parte do que é hoje a Turquia, é uma das regiões continuamente habitadas desde há mais tempo. Os assentamentos neolíticos mais antigos, como Pınarbaşı, Aşıklı Höyük, Kaletepe Deresi, Çatalhüyük, Çayönü, Nevalı Çori, Hacılar, Göbekli Tepe e Yumuktepe (esta última dentro da atual cidade de Mersin), encontram-se entre os mais antigos do mundo.[a] O assentamento de Troia foi fundado no Neolítico e foi habitado até à Idade do Ferro. Ao longo da história, os anatólios falaram línguas indo-europeias, semíticas e caucasianas meridionais, além de outras de filiação incerta. A antiguidade da língua hitita indo-europeia e das línguas luvitas levou alguns estudiosos a pôr a hipótese de a Anatólia ter sido o centro a partir do qual as línguas indo-europeias se difundiram.

Reinos turcos e Império Otomano

Os seljúcidas eram um ramo dos turcos oguzes (Kınık Oğuz ou Oğuzlar) que no século X viviam na periferia dos domínios muçulmanos dos Abássidas, a norte dos mares Cáspio e de Aral, num dos iabegus grão-cãs da confederação oguz. No século XI os seljúcidas começaram a emigrar para as regiões orientais da Anatólia, que se tornariam a pátria dos oguzes após a Batalha de Manzicerta, em 1071, na qual os turcos derrotaram os bizantinos. Esta vitória foi determinante para a formação do Sultanato seljúcida da Anatólia (ou Sultanato de Rum), que começou como um ramo separado do Império Seljúcida que dominava partes da Ásia Central, Irão, Anatólia e Sudoeste Asiático.[a]

Guerra de independência

A ocupação de Istambul pelos Aliados e de Esmirna pelos gregos, com o apoio tácito dos restantes Aliados, despoletou a criação do Movimento Nacional Turco, criado em 19 de maio de 1919 sob a liderança de Mustafa Kemal. O movimento opunha-se à divisão e ocupação do país e a sua fundação é geralmente apontada como o primeiro evento da Guerra de independência turca. Aos confrontos políticos somaram-se os militares, um pouco por toda a parte e envolvendo todos os lados, embora em diferentes graus. A nordeste travou-se a Guerra Turco-Arménia, que terminou em dezembro de 1920 com os tratados de Alexandropol e de Carse. A Guerra Franco-Turca teve como palco o sudeste e sul — aí as hostilidades terminaram em março de 1921, com a assinatura do Tratado de Paz da Cilícia e posteriormente com o Tratado de Ancara, assinado em outubro.

República

O Império Otomano terminou oficialmente em 1 de novembro de 1922, quando a Grande Assembleia Nacional aboliu o cargo de sultão, destituindo Mehmed VI. O primo deste, Abdulmecide II, foi nomeado (apenas simbolicamente) califa. A República da Turquia foi oficialmente proclamada a 29 de outubro de 1923. A 3 de março de 1924 foi decretada a expulsão da família real otomana e abolição do califado, o que constituiu um claro sinal da laicidade e irreversibilidade do regime. Mustafa Kemal tornou-se o primeiro presidente da república e empreendeu um vasto programa de reformas que tinha como objetivo tornar a Turquia um estado secular moderno, baseado na ideologia que é conhecida como kemalismo. As mulheres passaram a ter os mesmos direitos legais que os homens, inclusivamente de voto, algo que não existia então em muitos países europeus. Foi publicado um código civil baseado no suíço e um código penal baseado no italiano. A educação passou para as mãos do estado, sendo encerradas as escolas islâmicas. Em 1928 foi adotado o alfabeto turco, de grafia latina, em substituição dos alfabetos árabe e persa.

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Geografia

A Turquia é um país transcontinental situado na Eurásia cujo território é aproximadamente um retângulo, localizado entre as coordenadas 36° a 42° norte e 26° a 45° leste, com cerca de 1 500 km na direção leste-oeste, 1 650 km na direção sudeste-noroeste e entre 450 e 650 km na direção norte-sul. A oeste do mar de Mármara e dos Estreitos Turcos situa-se a parte europeia, a Trácia Oriental, que constitui 3% (23 764 km²) da área do país. A leste situa-se a parte asiática, a península da Anatólia, a qual constitui 97% (755 688 km²) da Turquia. A área total, incluindo lagos, é de 779 452 km², o que faz do país o 36.º do mundo em superfície. As variadas paisagens da Turquia são o produto de complexos movimentos telúricos que deram forma à região ao longo de milhões de anos e ainda se manifestam em sismos relativamente frequentes. As últimas erupções vulcânicas ocorreram em tempos históricos, nomeadamente no monte Argeu, próximo da atual Kayseri. O Bósforo, os Dardanelos e o mar Negro devem a sua existência às falhas geológicas que atravessam o território turco. Os sismos na Turquia são provocados principalmente pela Falha Setentrional da Anatólia e à Falha Oriental da Anatólia.

Topografia

As montanhas tendem a ser mais altas a leste — tipicamente, os cumes mais altos a oeste não ultrapassam os 1 500 m, embora haja picos acima dos 2 000 m, como por exemplo o Uludağ, perto de Bursa e do mar de Mármara, cujo ponto mais alto se situa a 2 543 m. Nas montanhas que rodeiam a Anatólia Central são comuns os cumes com mais de 2 000 m e existem diversos bastante mais altos. De forma semelhante, o terreno do chamado planalto da Anatólia, um termo que alguns aplicam a uma faixa a oeste do Lago Tuz e outros a praticamente toda a Anatólia Central, é progressivamente mais acidentado, variando a altitude média entre os 600 e os 1 200 m. Nas regiões mais a leste, onde o planalto é substituído por terrenos mais montanhosos, as altitudes médias mais comuns situam-se entre os 1 500 e os 2 000 m.

Clima

Embora a maior parte do território da Turquia tenha um clima que se pode considerar mediterrânico, a variedade da topografia e principalmente a existência de cadeias de montanhas que correm paralelamente a quase todas as regiões costeiras, que impedem que a influência marítima avance para o interior, criam grandes variações climáticas regionais. O clima das áreas litorais do Egeu e do Mediterrâneo é do tipo mediterrânico, com invernos chuvosos e verões quentes e relativamente secos, embora com elevada humidade relativa. As temperaturas no inverno podem ser bastante baixas, principalmente a ocidente, mas geralmente são relativamente amenas, sobretudo a leste de Antália.

Fauna e flora

A fauna e a flora turcas estão sob proteção do Estado em parques nacionais e reservas, locais estes estabelecidos para preservar plantas e animais da devastação agrícola e industrial. A vegetação típica da Turquia reflete a variedade exibida no seu território. Como exemplo, vê-se na costa do Mediterrâneo a predominância do verde, com a presença da Podocytisus e de plantações comuns na área, como a de oliveiras e parreiras. Já na região central, predominam as estepes donas de uma variedade diferente de flores, como os grandes narcisos amarelos, enquanto na parte montanhosa prevalecem raras tulipas e jacintos azuis. Existem ainda densas florestas coníferas na cadeia do Tauro, lar de peónias e orquídeas; e vales verdes de vegetação silvestre e pinheiros ao longo da costa do mar Negro.

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Demografia

Segundo dados de 2021, a Turquia tinha 84 680 273 habitantes, 50,1% do sexo masculino e 49,9% do sexo feminino. A taxa de crescimento populacional foi, nesse mesmo ano, em relação ao ano anterior, 1,27 ‰. No entanto, a evolução demográfica varia bastante conforme as regiões — por exemplo, em 2009, quando o crescimento populacional era bastante mais elevado, 14 das 67 províncias registaram uma diminuição de população. Ainda em 2021, o número de imigrantes aumentou 458 626, atingindo 1 792 036 de pessoas. A densidade populacional nesse ano era 108,1 hab./km²; em 2009 era 92,6 hab./km², variando entre 2 486 na província de Istambul e 11 na província de Tunceli. Em 2009, a faixa etária entre os 15 os 64 anos correspondia a 67% da população; 26% da população tinha menos de 15 anos e 7% mais de 64 anos; metade da população tinha menos de 28,8 anos. Cerca de 93,2% da população (78,9 milhões de habitantes) residia em capitais de distrito ou de província no fim de 2021. Nessa data, 18,7% dos habitantes residiam em Istambul e 6,8% em Ancara, as duas maiores cidades. O conjunto dessas cidades com Esmirna, Bursa e Antália tinham 37,5% da população do país. Segundo dados de 2006, a esperança de vida era de 73,2 anos (71,1 para os homens e 75,3 para as mulheres). A taxa de mortalidade infantil era 17,5 ‰, a taxa de fertilidade 2,2 e a taxa de mortalidade 6,3 ‰. A taxa de alfabetização era de 88,1% (96% para os homens e 80,4% para as mulheres). A diferença destes números deve-se sobretudo aos hábitos dos grupos mais tradicionalistas árabes e curdos que vivem nas províncias do sudeste de não enviarem as suas meninas para escola.

Grupos étnicos

É frequente considerar-se que a maior parte da população da Turquia é de "etnia turca" (entre 70 e 88%, conforme as fontes). No entanto, atendendo à grande diversidade de povos que habitaram o que é hoje a Turquia desde há milhares de anos, à inevitável miscigenação, ao carácter multiétnico e multicultural do Império Otomano e ao facto de oficialmente todos os cidadãos nacionais serem turcos, não há certezas quanto à verdadeira origem étnica da maioria da população dita "turca", sendo que é provável que uma parte considerável não seja diretamente aparentada com os povos turcomanos asiáticos aos quais se associa historicamente o termo "turco".

Línguas

O turco é a única língua oficial da Turquia. Contrariamente às línguas mais faladas na região do mundo onde se insere, é uma língua não indo-europeia, da família das línguas túrquicas, que é falada não só pelos naturais da Turquia ou seus descendentes, nomeadamente na Europa Ocidental, onde há muitos imigrantes turcos, mas também por diversas populações de outras regiões relativamente próximas da Turquia na Europa e da Ásia. Segundo algumas fontes, em 1996 era a 15ª língua mais falada do mundo. Além de ser a língua oficial e língua materna de mais de 84% ou 90% da população, estima-se que praticamente toda a população use o turco como segunda língua. Embora um artigo da constituição turca de 1982 proíba a discriminação com base na língua, contraditoriamente, o uso público e o ensino de outras línguas que não o turco são proibidas noutros artigos. As únicas exceções, resultantes do Tratado de Lausana, são o grego, arménio e as línguas hebraicas, nomeadamente o ladino, apesar de em alguns estabelecimentos privados se ministrarem aulas em inglês, francês e alemão, em certos casos em escolas fundadas no século XIX.

Religiões

A Turquia é um estado secular, sem religião oficial; a constituição consagra a liberdade religiosa e de consciência. O Islão é a religião dominante no país em número de seguidores — 97% ou 98% da população é muçulmana "praticante", um número que segundo algumas fontes sobe para mais de 99% (alguns referem 99,8%) se os "não praticantes" forem contabilizados. No entanto há estudos que apontam para que a percentagem de muçulmanos que observam a generalidade dos preceitos islâmicos, como o de rezar todos os dias e ir à mesquita pelo menos na sexta-feira, não ultrapasse os 66%. A maioria da população não muçulmana (entre 0,2% e 1%) é cristã (140 000; 0,2%), mas também há judeus (c. 35 000), iazidis (c. 2 500), iarsanistas (50 000) e bahá'ís (c. 15 000). Os cristãos são sobretudo apostólicos ou ortodoxos arménios (50 000), católicos romanos de rito arménio (2 500), protestantes arménios (500) e ortodoxos sírios (15 000), mas também há católicos romanos de rito latino (5 000), católicos romanos de rito caldeu (5 000), ortodoxos gregos (entre 3 000 e 4 000) e protestantes (3 000). Os restantes credos cristãos têm cerca de 3 000 seguidores. Segundo um estudo de 2007, cerca de 3% da população turca é ateia ou agnóstica. O papel da religião tem originado alguma controvérsia desde que surgiram os primeiros partidos islamistas. A República da Turquia foi fundada sobre uma constituição estritamente secular que proíbe a influência de qualquer religião, incluindo o Islão, e há algumas questões sensíveis que são fonte de incessantes polémicas e debates, nomeadamente a proibição de algumas peças de vestuário em escolas, universidades e edifícios públicos, como o hijab (lenço ou peça de pano para cobrir a cabeça das mulheres), que os setores mais fiéis ao kemalismo veem como símbolos muçulmanos. Tem havido diversas tentativas para acabar com essas proibições por parte das forças políticas islamistas que desde os anos 1990 têm estado no governo.

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Governo

Política

Entre 1923 e 2018, a Turquia foi uma democracia representativa parlamentar. O sistema presidencialista foi adotado através de um referendo em 2017; o novo regime político entrou em vigor com a eleição presidencial em 2018 e deu ao presidente o controle completo do executivo, incluindo o poder de emitir decretos, nomear o seu próprio gabinete, elaborar o orçamento, dissolver o parlamento convocando eleições antecipadas e aparelhar a burocracia e os tribunais com nomeações políticas. O gabinete do primeiro-ministro foi abolido e os seus poderes (juntamente com os do gabinete) foram transferidos para o presidente, que é o chefe de Estado e é eleito para um mandato de cinco anos por eleições diretas. Recep Tayyip Erdoğan é o primeiro presidente eleito pelo voto direto. A constituição da Turquia rege o quadro legal do país. Estabelece os princípios principais do governo e estabelece a Turquia como um estado centralizado unitário.

Eleições e partidos

O sufrágio universal para ambos os sexos têm sido aplicado em toda a Turquia desde 1933, antes da maioria dos países, e todo cidadão turco que completar 18 anos de idade tem o direito de votar. Há 600 membros no parlamento que são eleitos para um mandato de quatro anos por um sistema de representação proporcional de lista partidária de 85 distritos eleitorais. O Tribunal Constitucional pode privar o financiamento público de partidos políticos que ele considerar antisseculares ou separatistas, ou banir sua existência completamente. O limiar eleitoral é de 10% dos votos. Os defensores das reformas de Atatürk são chamados kemalistas, distintos dos islamistas, representando as duas visões divergentes sobre o papel da religião na legislação, na educação e na vida pública. A visão kemalista apoia uma forma de democracia com uma constituição laica e um estilo de vida secular ocidentalizado, enquanto mantém a necessidade de intervenção estatal na economia, na educação e em outros serviços públicos. Desde a sua fundação como uma república em 1923, a Turquia desenvolveu uma forte tradição de secularismo.

Relações internacionais

A Turquia é membro fundador da Organização das Nações Unidas (1945), da OCDE (1961), da OIC (1969), da OSCE (1973), do ECO (1985), da BSEC (1992) e do G20 (1999). Em 17 de outubro de 2008, a Turquia foi eleita como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o que já tinha acontecido em 1951–1952, 1954–1955 e 1961. Em consonância com sua orientação ocidental tradicional, as relações com a Europa sempre foram um elemento central da política externa turca. Em 1949 a Turquia tornou-se membro do Conselho da Europa e em 1963 tornou-se membro associado da Comunidade Económica Europeia (CEE), a antecessora da União Europeia (UE), um estatuto a que se tinha candidatado em 1959. Depois de décadas de negociações, o país candidatou-se à adesão plena da CEE em 1987. Em 1992 foi assinado o Acordo de Ancara, que admitiu a Turquia como membro da União da Europa Ocidental (UEO). Em 1995 concluiu um acordo de união aduaneira com a UE e em 2005 foram finalmente iniciadas as negociações formais para a adesão plena à UE. Em julho de 2014 foi admitida como observador associado na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Direitos humanos

Os direitos humanos na Turquia têm sido objeto de controvérsia e de condenação internacional. Entre 1959 e 2011, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos fez mais de 2 400 julgamentos contra o governo turco por violações aos direitos humanos, particularmente em relação ao direito à vida e à liberdade e a tortura. Outras questões, como direitos dos curdos, direitos das mulheres, direitos LGBT e liberdade de imprensa, também atraíram polêmica. O registo dos direitos humanos no país continua a ser um obstáculo significativo à futura adesão à União Europeia. De acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), o governo do AKP travou uma das maiores repressões mundiais contra a liberdade de imprensa. Um grande número de jornalistas foi preso através de acusações como "terrorismo" e "atividades antiestatais", como os casos de Ergenekon e Balyoz, enquanto milhares foram investigados sob acusações de "denegrir a condição turca" ou "insultar o Islã", em um esforço para semear a autocensura. Em 2017, o CPJ identificou 81 jornalistas presos na Turquia (incluindo a equipe editorial do Cumhuriyet, o jornal mais antigo do país ainda em circulação), todos diretamente por causa do seu trabalho publicado (mais que qualquer país no mundo, inclusive Irã, Eritreia ou China), enquanto nove músicos foram presos por seu trabalho (o 3.º lugar no planeta, depois da Rússia e da China). Um ex-porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Philip J. Crowley, disse que os Estados Unidos tinham "amplas preocupações sobre tendências que envolviam a intimidação a jornalistas na Turquia". A mídia turca é classificada como "não livre" pela Freedom House, que diz em sua resolução de 22 de junho de 2016, intitulada "O funcionamento das instituições democráticas na Turquia", que a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa advertiu que "os recentes desenvolvimentos na Turquia em matéria de liberdade dos meios de comunicação e de expressão, erosão do Estado de direito e as violações dos direitos humanos em relação às operações de segurança antiterrorismo no sudeste do país levantaram sérias questões sobre o funcionamento de suas instituições democráticas".

Forças armadas

As Forças Armadas da Turquia são formadas pelo Exército, Marinha e Força Aérea. A Gendarmaria e a Guarda Costeira operam como parte do Ministério da Administração Interna em tempo de paz, apesar de serem subordinados, respectivamente, aos Comandos do Exército e Marinha em tempos de guerra, durante os quais ambos têm funções militares além da de aplicação da lei interna. As forças armadas turcas são a segunda maior força armada permanente da OTAN, após as Forças Armadas dos Estados Unidos, com uma força combinada de pouco mais de um milhão de pessoal uniformizado servindo nos seus cinco ramos. Todos os cidadãos do sexo masculino são obrigados a servir nas Forças Armadas por um período que varia de três semanas a quinze meses, dependente da educação e do local de trabalho.

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Divisões administrativas

O território da Turquia está dividido em 81 províncias para fins administrativos. As províncias estão organizadas em sete regiões para efeitos estatísticos, não tendo estas quaisquer fins administrativos. Cada província está dividida em distritos, que totalizam 923 a nível nacional. A capital do país é Ancara. As províncias geralmente possuem o mesmo nome das respetivas capitais, exceto as províncias de Hatay (capital: Antáquia), Cocaeli (capital: İzmit) e Sakarya (capital: Adapazarı). As províncias mais populosas são Istambul (13 milhões de habitantes), Ancara (5 milhões), Esmirna (4 milhões), Bursa (3 milhões) e Adana (2 milhões). A maior cidade e capital pré-republicana é Istambul, que é o centro financeiro, económico e cultural do país. Estima-se que 75,5% da população da Turquia vive em centros urbanos. No total, 19 províncias têm população superior a um milhão de habitantes e 20 províncias têm população entre um milhão e 500 mil habitantes. Somente duas províncias são as que têm uma população inferior a 100 mil habitantes.

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Economia

A Turquia tem o 15.º maior PIB PPC (Paridade do Poder de Compra) do mundo e o 17.º o maior PIB nominal. O país é membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do G20. Durante as primeiras seis décadas da República, entre 1923 e 1983, na economia predominou uma abordagem quase-estatal, com planeamento governamental rigoroso, com limitações sobre a participação do setor privado, comércio externo, fluxo de moeda estrangeira e investimento direto estrangeiro. Em 1983, o primeiro-ministro Turgut Özal iniciou uma série de reformas destinadas a abrir a economia, substituindo o sistema estatista isolado por uma economia de mercado. As reformas que promoveram o crescimento rápido, um processo que foi marcado por fortes recessões e crises financeiras em 1994, 1999 (após o terremoto daquele ano), e 2001. Entre 1981 e 2003 a média de crescimento anual do PIB foi de 4% por ano. A falta de reformas fiscais adicionais, combinada défices do setor público elevados e crescentes e a corrupção política generalizada resultaram em inflação alta, um setor bancário fraco e aumento da volatilidade macroeconómica.

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Infraestruturas

Educação, ciência e tecnologia

O sistema educativo da Turquia foi implementado de acordo com as reformas de Atatürk, ocorridas após da Guerra de Independência. É um sistema supervisionado pelo Estado, projetado para formar mão de obra capacitada para o desenvolvimento socioeconómico do país. Em 2009, o orçamento do ministério da educação foi de 27 883,7 milhões de liras turcas (cerca de 19 000 milhões US$), a que se somaram 8 772,7 milhões de liras para o ensino superior (cerca de 5 500 mihões US$). A percentagem do orçamento de estado com educação foi 14%, correspondente a 3,3% do PIB; em 1997 as mesmas percentagens foram de, respetivamente, 11,2% e 2,4%. A taxa de alfabetização em 2006 era de 88,1% e em 1998 o número médio de anos de escolarização completados era 5,97. No ano letivo de 2008/2009 as percentagens de jovens que frequentavam o nível de ensino correspondente à sua faixa etária eram as seguintes: 96,5% (ensino básico), 58,5% (ensino secundário) e 27,7% (ensino superior); considerando as faixas etárias subjacentes, esses números subiam para, respetivamente, 103,8%, 76,6% e 44,3%.

Saúde

Até ao início do século XXI, a assistência médica na Turquia baseava-se num sistema estatal centralizado administrado pelo Ministério da Saúde. Em 2003, o governo introduziu um vasto programa de reformas destinado a aumentar a proporção de serviços de saúde privados e governamentais, além de disponibilizar assistência médica a uma parte maior da população. Segundo o Instituto de Estatística da Turquia, em 2012 foram gastos em saúde 76,3 mil milhões * de liras turcas, dos quais 79,6% foram cobertos pela segurança social estatal e 15,4% foram pagos diretamente pelos pacientes. Em 2015, existiam 30 449 instituições médicas na Turquia e 2,66 camas de hospital por mil habitantes. Em 2015, a esperança de vida era de 72,6 anos para os homens e 78,9 para as mulheres, com uma média de 75,8 anos.

Transportes

Na Turquia, 95% do tráfego de passageiros e 93% do tráfego doméstico de carga é feito por estrada.[f] Em 2008 a rede rodoviária turca contava com 181 870 km de estradas asfaltadas e 2 010 km de autoestradas. Em 2010 estavam registados na Turquia 15 095 603 de veículos automóveis, cerca de metade deles ligeiros de passageiros. A rede ferroviária turca é administrada pela empresa estatal Caminhos de Ferro da República da Turquia (Türkiye Cumhuriyeti Devlet Demiryolları, TCDD). Em 2008 a TCCD administrava 10 991 de linhas férreas e empregava 24 774 funcionários. À exceção de Antália, a generalidade das maiores cidades são servidas por ferrovia, mas há extensas partes do território turco onde isso não acontece, nomeadamente nas costas mediterrânica e do Mar Negro, em muitas das regiões orientais.

Comunicações

A Turquia tem uma grande variedade de meios de comunicação social, alguns em línguas estrangeiras, os quais têm muita influência sobre a opinião pública. Há uma grande variedade de pontos de vista, apesar do controlo estatal e do facto da maior parte dos média estarem na posse de grandes grupos económicos serem fatores adversos a essa situação. As empresas estrangeiras podem ser acionistas de empresas de comunicação social turca, mas as suas participações não podem ultrapassar 25% do capital. As mídias são fortemente controlados pelo governo através do Conselho de Radiodifusão Nacional, um organismo nomeado pelo parlamento, desencorajando o debate de assunto controversos. Em 2008 a compra do KanalTurk, uma estação de televisão nacional fortemente antigoverno, foi comprada por um empresário próximo do primeiro-ministro Erdoğan, provocando uma mudança significativa do panorama televisivo da Turquia a favor do governo.

Energia

Em 2021, a Turquia tinha, em energia elétrica renovável instalada, 31 493 MW em energia hidroelétrica (9.º maior do mundo), 10 607 MW em energia eólica (12.º maior do mundo), 7 817 MW em energia solar (16.º maior do mundo), e 622 MW em biomassa, além de 1 676 MW em energia geotérmica (4° maior do mundo).

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Cultura

A diversidade da cultura turca reflete a mistura de vários elementos das culturas e tradições dos povos turcos, especialmente de raiz oguz, que ocuparam o território que constitui atualmente o país desde o século XI, da cultura otomana (que por sua vez é uma continuação da cultura greco-romana e da cultura islâmica) e da cultura ocidental moderna. A influência ocidental começou a ser mais notória a partir do Tanzimat, o período de reformas de modernização levadas a cabo entre 1839 e 1876, teve um grande impulso com as reformas de Atatürk no início do século XX e continua ainda hoje. Esta mistura de culturas começou em resultado do encontro dos turcos ancestrais com os povos que encontraram na sua rota de migração desde a Ásia Central até ao Ocidente. À medida que a Turquia evoluiu do Império Otomano, muito baseado na religião (não só muçulmana, já que as restantes igrejas, com destaque para a ortodoxa grega tinham um papel importante no império), para um estado-nação moderno com uma forte separação entre o estado e a religião, assistiu-se a um aumento nas formas de expressão artística.

Arquitetura, música e literatura

Os elementos arquitetónicos encontrados na Turquia também atestam a fusão única de tradições que influenciaram a região ao longo da História. Aos elementos de tradição bizantina presentes em numerosas partes do país, somam-se muitos artefactos da arquitetura otomana posterior, com a sua requintada combinação de tradições locais e islâmicas. As obras da arquitetura otomana estão presentes não só em toda a Turquia, mas também em muitos dos territórios que integraram o império. Mimar Sinan (1490–1588) é considerado quase unanimemente o mais genial arquiteto do período clássico otomano. A partir do século XVIII, a arquitetura turca começa a ser cada vez mais influenciada por estilos ocidentais, o que pode ser observado principalmente em Istambul, onde edifícios como os palácios imperiais de Dolmabahçe e de Çırağan se encontram ao lado de numerosos arranha-céus modernos, todos eles representando diferentes tradições.

Desporto

O futebol é o desporto mais popular na Turquia e é praticado em todo o país.[g] Entre os clubes com maior sucesso e mais famosos internacionalmente podem enumerar-se os Beşiktaş, fundado em 1902, o Galatasaray, fundado em 1905, e o Fenerbahçe, fundado oficialmente em 1908, todos de Istambul. Entre os feitos mais relevantes do futebol turco nos últimos anos estão a conquista da Taça UEFA e da Supertaça Europeia pelo Galatasaray em 2000; a seleção turca alcançou o terceiro lugar no Campeonato do Mundo de 2002 e o terceiro lugar no Euro 2008. A final da Liga dos Campeões da UEFA de 2005 decorreu no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul, o maior da Turquia, e o final da Taça UEFA de 2009 realizou-se no Estádio Şükrü Saraçoğlu da mesma cidade.

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Fontes consultadas

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