Tinta
Tinta refere-se a vários produtos quando aplicados a um substrato como uma fina camada, se converte num filme sólido opaco, usadas para proteger e dar cor a objectos ou superfícies.
As primeiras utilizações de tintas datam de há 40 000 anos atrás quando os primeiros Homo sapiens pintaram nas paredes das cavernas figura recorrendo a pigmentos de ocre, hematita, óxido de manganês e carvão vegetal. As paredes antigas de Dendera no Egipto que estiveram expostas aos elementos durante milhares de anos, ainda possuem cores brilhantes e vivas tal quando foram pintadas 2 000 anos atrás. Os egípcios misturavam os pigmentos com uma substância pastosa e aplicavam-nas separadas umas das outras sem qualquer mistura. Eles usavam seis cores: branco, preto, vermelho, amarelo, azul e verde. Primeiramente cobriam a área com branco, depois desenhavam o esboço a negro. Eles usavam tetróxido de chumbo para a cor vermelha, geralmente com um tom bastante escuro. Plínio, o Velho menciona tetos pintados na cidade de Ardea, que teriam sido feitos antes da fundação de Roma, mencionando a sua surpresa e admiração pela sua frescura após tantos séculos passados. Nos tempos antigos, a tinta era feita a partir da gema do ovo que endurecia, ficando colada à superfície. Os pigmentos provinham de plantas, areias e outros compostos presentes no solo.
Pigmentos
Os pigmentos são sólidos granulares que numa tinta contribuem para a cor, tenacidade, textura, ou simplesmente para reduzir o custo da tinta (Neste caso é denominado de “Carga”). Em alternativa, algumas tintas possuem apenas corantes ou uma combinação de corante e pigmentos. Os pigmentos podem ser classificados em naturais ou sintéticos. Os pigmentos naturais incluem vários tipos de argilas, carbonatos de cálcio, mica, sílicas e talcos. Os pigmentos sintéticos incluem as moléculas orgânicas fabricadas pelo homem, argilas calcinadas e sílicas sintéticas. Os pigmentos opacos, para além da sua função decorativa, também conferem proteção ao substrato, ao impedirem os efeitos nocivos dos raios ultravioleta. Este tipo de pigmentos incluem o dióxido de titânio, óxido de ferro, etc.
Resina
A resina, também conhecida por ligante ou veículo, é o componente que vai formar o filme seco. É o único componente que tem de estar presente. A resina confere aderência, liga os pigmentos e influencia fortemente propriedades da tinta, como o brilho, durabilidade exterior, flexibilidade e tenacidade. As resinas podem ser sintéticas como os acrílicos, vinílicos, poliuretanos, poliésteres, epóxis, melaminas ou naturais como os óleos. As resinas são classificadas de acordo com o mecanismo de cura (erradamente chamado de secagem). Os quatro mecanismos de cura mais comuns são a evaporação de solvente, reticulação cruzada, polimerização e coalescência.
Solvente
O principal objetivo do solvente é ajustar as propriedades de cura e a viscosidade da tinta. É volátil e não se torna parte do filme seco da tinta. Também controla a reologia e as propriedades da aplicação e afecta a estabilidades da tinta enquanto esta se encontra no estado líquido. A sua função principal é funcionar como transportador dos componentes não voláteis. De modo a dispersar os óleos pesados (óleo de linhaça) é necessário usar, nas tintas para o interior de casas um óleo mais fino. Estas substâncias voláteis transmitem as suas propriedades temporariamente. Assim que o solvente se evapora os restantes componentes ficam fixados na superfície.
Aditivos
Para além das três categorias principais de ingredientes, a tinta pode possuir uma grande variedade de aditivos, que são usados em pequenas quantidades e providenciam um grande efeito no produto. Alguns exemplos incluem aditivos para modificar a tensão superficial, melhorar propriedades do fluxo, melhorar a aparência final, melhorar a estabilidades dos pigmentos, conferir propriedades anticongelantes, antiespuma, controlo da pele, etc. Outro tipo de aditivos incluem catalisadores, espessantes, estabilizadores, emulsionadores, textura, promotores de aderência, estabilizadores ultravioleta, agentes biocidas, etc. Os aditivos não alteram significativamente as percentagens dos componentes individuais numa formulação
Existem várias tecnologias que fazem com que uma tinta possa mudar de cor. Tintas termocrómicas e tintas que contêm material que muda de cor se for aplicada temperatura. Cristais líquidos têm sido usados em tais tintas, tal como em termómetros colorimétricos. Tintas fotocrómicas contêm pigmentos que mudam de conformação quando são expostas à radiação ultravioleta. Este tipo de matérias são empregues em lentes de óculos. Tintas electrocrómicas mudam a cor em resposta a uma corrente eléctrica aplicada. O fabricante de automóveis Nissan desenvolve uma tinta electrocrómica para ser usada em automóveis baseada em partículas paramagnéticas. Quando sujeitas a um campo electromagnético, estas partículas mudam o seu espaçamento, modificando a sua cor e as suas propriedades de reflexão. O campo electromagnético é formado usando o metal da própria carroçaria do automóvel Este tipo de tintas, usando uma tecnologia diferente, pode ser empregue em superfícies plásticas. Neste caso a alteração da cor envolve o uso de corrente eléctrica através do próprio filme.
Desde o tempo da Renascença que tintas à base de óleos secativos, principalmente linhaça são as mais usadas nas aplicações em Belas-Artes; as tintas de óleo continuam a ser muito comuns actualmente. No entanto no século XX, tintas à base de água como aquarela e acrílico tornaram-se muito populares com o desenvolvimento do acrilico e outras tintas de látex. Tintas à base de caseína foram muito populares no século XIX e ainda existem atualmente. Têmpera, que é uma emulsão de gema de ovo com óleo, é ainda hoje usada, tal como a cera encáustica. O guache é uma variedade de aquarela opaca que vem sendo usada desde a Idade Média e é genericamente composto por um pigmento misturado com uma resina (goma arábica ou clara do ovo).
A tinta pode ser aplicada em estado sólido, sob a forma de suspensão gasosa ou em estado líquido. As técnicas variam dependendo da prática ou dos resultados desejados. A pintura por mergulho consiste em mergulhar uma peça num banho de tinta. Foi bastante usado antigamente, mas devido a problemas de qualidade (escorridos de tinta) encontra-se hoje em dia confinado a técnicas de pintura electroforéticas. Neste tipo de pintura, existe uma diferença de potencial eléctrico entre as partículas de tinta presentes no banho e as peças a pintar (cataforese quando as partículas de tinta se dirigem para o polo negativo e anaforese quando se dirigem para o pólo positivo) que faz com que a tinta adira à superfície. A partir de uma determinada espessura de tinta, esta actua como isolante, inibindo a continuação do processo. As peças saem do banho e são lavadas e curadas numa estufa. A pintura por cortina consiste da passagem de peças através de uma cortina de tinta ou verniz. É um método de elevada produção mas encontra-se restringido a componentes de reduzidas dimensões, e que só necessitam de ser pintados de um dos lados. Exemplo: envernizamento de logótipos, marcas e modelos de automóveis
Estado Sólido
Em estado sólido (em aplicações industriais e do ramo automóvel) a tinta é aplicada sob a forma de um pó extremamente fino que depois é “cozido” a altas temperaturas (160˚C-200˚C). Esta acção funde o pó e faz com que ele adira à superfície. As razões prendem-se com a química da tinta, a superfície e a própria química do substrato. Esse tipo de tinta é comummente conhecida por tinta em pó e a sua aplicação é denominada lacagem.
Aerossol
Como suspensão gasosa, a tinta passa a alta-pressão numa pistola que a projecta sobre a superfície a pintar. A causa para esta situação prende-se com as seguintes razões:
Estado Líquido
Em meio líquido, a aplicação pode ser feita directamente através de mergulho das peças em tinta, cortina, trinchas, rolos, espátulas e outros instrumentos como bonecas (pedaços de tecido), luvas e os próprios dedos da mão.
Pincel
O pincel é o método mais comum de aplicação de tinta em arte. Industrialmente, e por ser o método menos produtivo (7–35 m²/8 h) é sobretudo usada na aplicação de pequenas áreas, bordas, cantos e zonas de difícil acesso. A trincha (pincel largo) é muito adequada para a aplicação de primários, pois a trincha força a tinta a entrar nos poros e pequenas irregularidades da superfície, sobretudo em soldaduras de estruturas metálicas onde confere uma boa penetração da tinta primária. Os pelos de um pincel/trincha podem ser naturais, de maior qualidade, ou sintéticos. Os pelos naturais têm excelente resistência aos solventes, o que não sucede com os sintéticos
Rolo
A pintura com rolo é adequada em áreas planas onde a aparência final da não é muito exigente. No entanto a penetração e molhagem de superfícies difíceis é melhor conseguida com trincha. Por esse motivo, a aplicação de primários com rolo é fortemente desaconselhada. O rolo de pintura consiste num cilindro de baquelite com um felpo colado. Este pode ser feito de lã de ovelha, mohair ou fibras sintéticas. A altura das fibras pode variar entre os 5 e os 30 mm, quanto maior for o comprimento das fibras, maior a quantidade de tinta aplicada, mas pior o aspecto final. Os rolos possuem diferentes pegas, que permitem a montagem de varas de diferentes comprimentos, permitindo assim a pintura a diferentes alturas.
Pintura por Projecção
Na pintura por projecção, a tinta líquida é transformada em aerossol e projectada sobre a superfície a pintar. Existem 3 métodos de pintura por projecção, convencional, airless e electroestática, se bem que nesse último método também seja usado para a pintura com tinta em pó. É a forma mais usada para a aplicação industrial de tinta, devido à sua qualidade de acabamento e capacidade de produção. Na projecção convencional, é usada uma pistola de pintura onde um jacto de ar comprimido é introduzido no fluxo de tinta no bico da pistola provocando a atomização da tinta líquida em finas partículas, as quais são projectadas, pelo próprio fluxo de ar até à superfície a pintar. Este tipo de método de pintura obriga a que a instalação de ar comprimido seja equipada com elementos de purificação de ar como secadores de ar e separadores de óleo.
São pequenas crateras que alcançam a superfície do substrato metálico. Esse tipo de defeito pode ocorrer conjuntamente com crateras e bolhas. CausasOs bicos de alfinete podem ter várias causas como: CorrecçãoÉ impossível tapar os bicos de alfinete apenas com uma nova camada de tinta. A única correcção possível é lixar a superfície afectada até os bicos de alfinete desaparecerem e voltar a aplicar o esquema de pintura previsto. No caso de substratos metalizados ou pintados com etilsilicato de zinco, deve-se aplicar uma demão da tinta muito diluída (> 50% de diluição) para poder penetrar nos poros e expulsar o ar neles aprisionado e só então aplicar o esquema preconizado. O sangramento é um defeito que ocorre quando se aplica uma tinta branca sobre um substrato pintado com tintas pretas à base de asfalto betuminoso, alcatrão de hulha. Ao fim de algum tempo, a cor branca passa a um tom amarelo acastanhado.
Bolhas
Também conhecido por empolamento. Aparecem na superfície da tinta imediatamente após secagem ou apenas após alguns meses.
Fissuração
A fissuração (português europeu) ou descascamento (português brasileiro)consiste na quebra do filme de tinta após secagem. Defeito também conhecido por pele de crocodilo ou gretamento.
Levantamento
Defeito que também é conhecido por enrugamento. CausasEsse defeito ocorre quando se aplica uma tinta com solventes fortes (tintas epoxídicas) sobre uma tinta alquídica ou que oxida ao ar, aplicada recentemente. Ao estar em contacto com o solvente forte começa a dissolver, “enrrugando”. Após algum tempo levanta e grandes áreas podem perder a aderência ao substrato.Esse defeito também ocorre quando a última camada é aplicada antes da anterior ter curado completamente.
Falta de Aderência
Falta de aderência (português europeu) ou descascamento (português brasileiro) consiste na separação total ou zonal da tinta do substrato ou entre camadas de tinta. Podem ser várias e com origens muito diferentes Farinação (português europeu) ou gizamento (português brasileiro) é um defeito numa tinta que se reconhece quando, ao passar o dedo pela superfície pintada este fica com um pó fino e esbranquiçado na sua superfície, pó esse que é muito parecido com farinha fina ou com o pó que se liberta quando escrevemos com giz, daí o nome farinação ou gizamento – do inglês chalking. CausasO aparecimento deste defeito indica que a resina se decompôs com o tempo devido às condições atmosféricas, nomeadamente a luz solar.É um defeito comum quando se pinta a última camada do revestimento com tintas epoxídicas. O grupo epóxi decompõe-se ao fim de algum tempo, com a acção da luz solar. Por este motivo, hoje em dia é muito raro a utilização de tintas epoxídicas na última camada do sistema de pintura nos casos em que a estrutura pintada fica localizada ao ar livre.
Crateras
Cratera é um defeito que se caracteriza por um buraco na superfície da película de tinta seca. CorrecçãoApós a secagem completa, lixar as zonas com crateras removendo todas as imperfeições repintar conforme a especificação técnica;
Olho de Peixe
Olhos-de-peixe é um pequeno defeito semelhante a uma cratera mas, ao contrário desta, existe uma aglomeração no seu centro, enquanto que nas imediações desse ponto a tinta foi repelida. CausasContaminação da superfície com óleos, silicones e outras matérias gordurosas causados por:


