Sistema Aarne-Thompson-Uther
O sistema de classificação de Aarne-Thompson-Uther é um sistema utilizado para classificar contos. Primeiramente desenvolvido por Antti Aarne e publicado em 1910, o sistema foi traduzido e ampliado por Stith Thompson, e posteriormente revisado e ampliado pelo folclorista alemão Hans-Jörg Uther (2004). O Índice ATU, juntamente com o Motif-Index of Folk-Literature de Thompson (1932) - com o qual é usado em conjunto - é uma ferramenta essencial para folcloristas.
Antti Aarne foi aluno de Júlio Krohn e de seu filho Kaarle Krohn. Ele desenvolveu o seu método histórico-geográfica de comparação folclórica, e desenvolveu ainda a versão inicial do que se tornou o Sistema de classificação de Aarne-Thompson, publicado pela primeira vez em 1910. O norte-americano folclorista Stith Thompson, ao traduzir o sistema de classificação de Aarne em 1928 ampliou o seu escopo, e com sua segunda adição ao catálogo Aarne em 1961 criou o sistema AT-número (também conhecido como sistema AaTh) frequentemente usado hoje.
O sistema numérico AT foi atualizado e ampliado em 2004 com a publicação de The Types of International Folktales: A Classification and Bibliography, do folclorista alemão Hans-Jörg Uther. Uther observou que muitas das descrições anteriores eram superficiais e muitas vezes imprecisas, que muitos "tipos irregulares" são na verdade antigos e difundidos e que a "ênfase na tradição oral" muitas vezes obscurecia "versões escritas mais antigas dos contos-tipos". Para remediar essas deficiências, Uther desenvolveu o sistema de classificação Aarne-Thompson-Uther (ATU) e incluiu mais contos do leste e do sul da Europa, bem como "formas narrativas menores" nesta lista expandida. Ele também colocou a ênfase da coleção de forma mais explícita nos contos populares internacionais, removendo exemplos cuja atestação era limitada a um grupo étnico.
A classificação foi criticada por Vladimir Propp, por ignorar as funções pelas quais os temas são classificados. Além disso, uma análise macro mostra que as histórias que repetem temas não podem ser classificadas em conjunto, enquanto histórias com grandes divergências podem ser, porque a classificação tem de seleccionar algumas características relevantes. Ele também observou que, embora a distinção entre os contos de animais (Contos de animais) e os contos fantásticos (contos fantásticos) eram basicamente corretos - ninguém iria classificar Tsarevitch Ivan, the Fire Bird and the Gray Wolf como um conto de animais por causa do lobo. O que fez gerar questões, pois muitas vezes os contos de animais contém elementos fantásticos, e os contos fantásticos, muitas vezes contém animais. Realmente um conto poderia mudar de categoria se um camponês enganasse um urso em vez de um diabo. Ao descrever a motivação para seu trabalho em 2000, Uther apresenta várias críticas ao índice original. Ele ressalta que o foco de Thompson na tradição oral, por vezes negligencia as versões mais antigas das histórias, mesmo quando existem registros escritos. A distribuição de histórias é desigual, com o leste e o sul da Europa sendo sub-representados, e algumas histórias incluídas terem importância duvidosa.
Ainda sob a denominação Índice Aarne-Thompson (AT), o Sistema foi utilizado, no Brasil, pela primeira vez, em 1946, por Luís da Câmara Cascudo, em notas ao final das histórias do livro Contos Tradicionais do Brasil (1946). Braulio do Nascimento utilizou a estrutura como base para o Catálogo do conto popular brasileiro, ainda usando o acrônimo AT. Mais recentemente, Marco Haurélio, em parceria com Paulo Correia, da Universidade do Algarve, tem classificado todos os contos recolhidos por ele de acordo com o Sistema ATU ou índices correlatos. Haurélio também utilizou o Índice para classificar centenas de folhetos de cordel, tema de sua dissertação de mestrado, O fio e a meada, defendida na Universidade de Campinas em 2024.
O catálogo Aarne-Thompson divide os contos em seções com um número "AT" de entrada. Os nomes indicados são típicos, mas o seu uso varia, o mesmo tipo de número pode ser referido por seu tema central, ou por um conto popular variante desse, o que pode diferir, especialmente quando usado em diferentes países, onde as diferentes variantes são bem conhecidas . Não precisando ser precisas para todos os contos; Cat as Helper (545B), inclui contos, onde uma raposa ajuda o herói. Tipos intimamente relacionados são freqüentemente agrupados dentro de um mesmo modelo: 510 - Persecuted Heroine (Heroina Perseguida), tem 510A, como Cinderela e 510B como Catskin, e 400 - The Quest for a Lost Bride (A busca pela noiva perdida), tem como subtipo de 401* - Swan Maiden.


