Santos
Santos é um município brasileiro no litoral do estado de São Paulo, Região Sudeste do país. Abriga o maior porto da América Latina, que é o principal responsável pela dinâmica econômica da cidade ao lado do turismo, da pesca e do comércio. Ocupa a 5.ª colocação entre as não capitais mais importantes para a economia brasileira e 10.ª colocada segundo a qualidade de vida. A cidade é sede do poder executivo paulista todo dia 13 de junho e não apenas sede de diversas instituições de ensino superior como também da mais antiga entidade geral estudantil do Brasil, o Centro dos Estudantes de Santos.
Colonização portuguesa
Verificam-se relatos a respeito da Ilha de São Vicente apenas dois anos após o descobrimento oficial do Brasil, em 1502, com a expedição de Américo Vespúcio para o reconhecimento da costa brasileira. Ao passar pela ilha dantes conhecida pelos indígenas sob o nome de Goiaó (ou Guaiaó), a expedição decidiu dar-lhe o nome do santo do dia, São Vicente. A coroa portuguesa interessou-se pouco pela região nos trinta anos que se seguiram à expedição. Durante este tempo, vários corsários e piratas acudiam à região em busca do pau-brasil, madeira nobre que era objeto de cobiça na época, largamente explorada pelos portugueses na Mata Atlântica abundante da região.
Desenvolvimento colonial
A segunda metade do século XVI foi significativa para Santos: criaram-se a Alfândega de Santos em 1550 — o mesmo ano da chegada dos padres jesuítas para a catequização dos índios tupis que ali moravam em núcleo, o arsenal de defesa em 1552, e instalou-se a ordem dos carmelitas em 1589. Mas também foi uma época em que Santos sofreu com a invasão e com os saques dos corsários, por ser um porto relativamente próspero. O saque do pirata Thomas Cavendish, em 1591, deu origem em Santos à lenda do milagre de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira da cidade. Conta a lenda que a população santista se refugiou num dos morros da cidade, o morro de São Jerônimo, para escapar aos piratas. Neste morro havia uma capela à qual um fidalgo espanhol trouxera uma imagem de Nossa Senhora de Montserrat (daí o nome dado ao morro, Monte Serrat). A população orava na capela de Montserrat quando os piratas começaram a subir para atacá-los e um deslizamento de terra, atribuído à Santa, os fez fugir. Desde então, Nossa Senhora do Monte Serrat é celebrada como padroeira da cidade, e seu dia é comemorado no dia 8 de setembro. Cavendish também destruiu o Outeiro de Santa Catarina e o Engenho dos Erasmos, sendo um dos responsáveis pelo declínio da incipiente economia canavieira da Capitania de São Vicente.
Século XIX
Santos foi elevada à categoria de cidade em 26 de janeiro de 1839 quando a Assembleia Provincial (que hoje equivale a Assembleia Legislativa Estadual) resolveu aprovar uma Lei que elevou a Vila de Santos à condição de Cidade, assinada por Venâncio José Lisboa, presidente da Assembleia. Logo, comemora-se a cada dia 26 de janeiro o aniversário da cidade - não apenas o de sua elevação à categoria de Cidade, mas também o da sua fundação por Brás Cubas. Abaixo segue transcrita a lei de elevação. Era curiosa a metodologia da escrita na forma de fazer e sancionar as leis na época: existia um cabeçalho realmente grande, além do fato de a Lei ser específica (e não como ocorre atualmente, com nuances):
Século XX
Santos se tornou definitivamente uma cidade turística a partir dos anos 1910, com a construção dos hotéis Internacional e Parque Balneário e com a construção dos jardins da orla de Santos a partir de 1935. Até hoje, o turismo em Santos é uma das atividades econômicas principais, ligado principalmente às praias e ao patrimônio histórico. Durante a ditadura militar brasileira, Santos teve a sua autonomia política suspensa: por abrigar o maior porto do Brasil, a cidade foi designada área de segurança nacional pelo governo, perdendo, assim, o direito de eleger prefeito. O prefeito eleito democraticamente Esmeraldo Tarquínio, foi cassado em 1968, o que representou um duro golpe para a cidade.
Século XXI
A partir do início do século XXI, ocorreram projetos de revitalização da área central da cidade, reconhecida como Centro Histórico. Foram oferecidos incentivos fiscais às empresas em troca de restaurações de prédios depredados, o que melhorou consideravelmente seu aspecto e trouxe empresas para a região. Programações culturais e artísticas atraíram restaurantes e clubes, como a reativação do Teatro Coliseu Santista e a implantação do Bonde Turístico. Nos últimos anos, a cidade contou com grandes empreendimentos principalmente voltados a intervenções logísticas no porto e imobiliárias por prédios voltados à indústria de logística, do petróleo e gás, além de obras para implantação de trecho ferroviário do VLT da Baixada Santista.
Divide-se principalmente em duas áreas geográficas distintas: a área continental e a área insular. As duas áreas diferem tanto em termos demográficos, quanto em termos econômicos e geográficos. A área continental estende-se por 231,6 quilômetros quadrados, representando a maior parte do território do município. Quase 70% dessa área é classificada como Área de Proteção Ambiental por estar situada dentro dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar e por abrigar uma grande área de Mata Atlântica nativa sobre as escarpas da Serra do Mar. A área insular estende-se sobre a Ilha de São Vicente, cujo território é dividido com o município vizinho de São Vicente. Com uma área de 39 quilômetros quadrados, densamente urbanizada, abriga quase a totalidade dos habitantes da cidade. A orla santista é composto por 6 praias em oito quilômetros de extensão. A orla é urbanizada com 218 800 metros quadrados de jardim urbano à beira-mar. Na Zona Intermediária são identificados os seguintes bairros (entre a orla e o centro) da cidade: Campo Grande, Encruzilhada, Estuário, Jabaquara, Macuco, Marapé, Vila Belmiro, Vila Hayden e Vila Mathias. Foi instituído, ainda, o bairro Chinês a partir da Lei de Uso do Solo de 2011 na área.
Clima
Santos possui clima tropical litorâneo úmido. Os verões são quentes e úmidos (com pluviosidade média acima dos 250 mm no mês de janeiro), enquanto os invernos têm como característica temperaturas mais amenas e menor incidência de chuvas (pluviosidade média em torno dos 55 mm em agosto). Primavera e outono se caracterizam como estações de transição. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), de 1931 a 1996, e do Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas (CIIAGRO), de 1996 a 2017, a menor temperatura registrada em Santos foi de 4,2 °C em 13 de junho de 2016 e a maior atingiu 40,7 °C em 9 de setembro de 1997. Fora da série do INMET, foi registrada uma temperatura de 41,7 °C em 27 de janeiro de 2022. O maior acumulado de precipitação em 24 horas, medido pela série do INMET, foi de 368,8 milímetros (mm) em 18 de fevereiro de 1934. Acumulados iguais ou superiores a 200 mm também foram registrados em 17 de dezembro de 1934 (239,5 mm), 11 de janeiro de 1966 (203,8 mm) e 12 de março de 1998 (201,8 mm).
Segundo os dados do Censo de 2010, Santos possuía naquele ano, 419 400 moradores: 419 086 deles moravam na zona urbana (99,93%) e 314 na zona rural (0,07%). De acordo os mesmos dados, 191 912 eram homens e 227 488 mulheres. Naquele ano havia 38 159 pessoas morando em aglomerados subnormais, o que correspondia a 9,13% de sua população. Dos moradores com 10 anos ou mais, 97,8% eram alfabetizados e 11% tinham rendimento nominal mensal abaixo de um salário mínimo. Em 2022, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 418,608 habitantes, sendo o décimo mais populoso do estado, apresentando uma densidade populacional de 1 489,53 habitantes por quilômetro quadrado. Em 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano era de 0,840, o terceiro maior do estado. Naquele ano, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população santista era composta por 71,67% de brancos; 22,33% de pardos; 4,71% de pretos; 1,10% de amarelos; 0,14% ameríndios; além de 0,05% sem declaração. A cidade recebeu imigrantes principalmente durante o século XX.
Região metropolitana
O intenso processo de conurbação atualmente em curso na região vem criando uma metrópole cujo centro está em Santos e atinge vários municípios, como São Vicente, Praia Grande e Guarujá. A Região Metropolitana da Baixada Santista foi criada mediante Lei Complementar Estadual 815, em 30 de julho de 1996, tornando-se a primeira região metropolitana brasileira sem status de capital estadual. Estende-se sobre municípios pertencentes tanto à Mesorregião de Santos (sobreposta à Microrregião de Santos) quanto à Mesorregião do Litoral Sul Paulista (mais precisamente, à Microrregião de Itanhaém). Todos os municípios da Região Metropolitana integram o litoral de São Paulo.
Religião
Tal qual a variedade cultural verificável em Santos, são diversas as manifestações religiosas presentes na cidade. Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, tanto devido à colonização quanto à imigração — e ainda hoje a maioria dos santistas declara-se católica —, é possível encontrar atualmente na cidade dezenas de denominações protestantes diferentes, assim como a prática do budismo, do islamismo, espiritismo, entre outras. De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população santista era composta naquele ano por: 276 590 católicos (65,05%); 56 370 protestantes (13,44%), 34 380 pessoas sem religião (8,20%), 31 876 espíritas (2,31%), 1 657 umbandistas (0,40%), 1 471 budistas (0,35%) e 471 judeus (0,11%). Segundo o censo brasileiro de 2022, a composição religiosa da cidade era de 58,98% católicos, 14,39% evangélicos ou protestantes, 7,67% espíritas, 2,13% umbandistas ou candomblecistas, 0,03% religião tradicional, 6,23% outra religião, 10,45% irreligiosos, 0,06% desconhecidos e 0,05% não declarados.
A administração municipal se dá pelo poder executivo e pelo poder legislativo. O primeiro prefeito de Santos foi o Coronel Carlos Augusto Vasconcelos Tavares. Ao longo de vários mandatos, diferentes pessoas já passaram pela prefeitura. O eleito nas eleições municipais de Santos em 2020 foi Rogério Santos, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que tomou posse no ano seguinte. O poder legislativo da cidade de Santos é constituído pela câmara municipal, composta por 21 vereadores eleitos para mandatos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição) e está composta da seguinte forma: três do PSDB; três do Progressistas (PP); três do Partido Liberal (PL); dois do Democratas (DEM); dois do Partido Socialista Brasileiro (PSB); dois do Partido dos Trabalhadores (PT); dois do Podemos (PODE); dois do Republicanos; 1 do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e 1 do Partido Social Liberal (PSL).
O Produto Interno Bruto (PIB) é o maior da Região Metropolitana da Baixada Santista, o 13º do estado de São Paulo e o 33º de todo o país, em 2016. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística relativos a 2016, o PIB do município era de 21.954.556,74 bilhões de reais e o PIB per capita era de 50 544,73 reais. O montante de riquezas gerado na cidade supera o de outros estados brasileiros, como Alagoas, Sergipe e Tocantins. O setor de turismo e serviços em geral têm importante peso na economia local, mas o Porto de Santos é o maior gerador de receita e renda para a cidade, sendo que o município é a segunda cidade que mais arrecada impostos no estado de São Paulo. Santos possui o maior porto da América Latina, o Porto de Santos. Suas obras começaram em 1888 e o primeiro trecho de cais foi inaugurado em 1892. O porto de Santos é responsável por escoar boa parte das exportações brasileiras e cerca de 70% das exportações de café.
Turismo
Entre os principais pontos turísticos de Santos além de suas praias, podemos citar os Jardins da orla de Santos que é o maior jardim frontal de praia em extensão do mundo. Em 2023, Santos arrecadou 13,7 milhões de reais em Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS) no setor de turismo, um aumento de 171% em relação ao ano anterior e o maior valor desde o início das medições em 2018. O ISS do turismo engloba atividades como hospedagem, agenciamento, guias, parques de diversão, feiras, congressos, eventos esportivos, museologia e serviços portuários. Santos ocupa a 13ª posição no ranking nacional de arrecadação de ISS, superando várias capitais brasileiras.
Planejamento urbano
Basicamente, a rede urbana de Santos é composta de uma malha urbana em formato de tabuleiro de xadrez, fruto do projeto desenvolvido pelo engenheiro Saturnino de Brito. A maioria das grandes vias de circulação estendem-se no sentido norte-sul: são as avenidas arborizadas que margeiam os canais e as avenidas Ana Costa e Conselheiro Nébias (antiga ligação do Centro da Cidade às praias). Elas conectam as praias, ao sul, com o Centro da Cidade, ao norte. O Centro faz face ao braço de mar conhecido por Largo do Caneú. A avenida Ana Costa pode ser considerada a avenida símbolo da cidade, onde se situam edifícios comerciais, cinemas, bancos e escolas. Suas palmeiras imperiais remontam à década de 1920, e no coração do bairro do Gonzaga (cruzado por essa avenida) ela atravessa a Praça Independência, local tradicional de comemorações da cidade, onde está o Monumento à Independência (com o patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva no alto) inaugurado em 1922.
Recalque de edifícios
Pelo seu caráter litorâneo e pelo fato de ter sido construída em parte sobre antigos terrenos de manguezais, a cidade de Santos tem um perfil de solos dos mais difíceis no país para a construção de fundações. Por este motivo, uma série de edifícios foram erigidos ao longo do século XX (especialmente a partir da década de 1960) com fundações executadas a partir de equívocos de sondagem ou de projeto. A especulação imobiliária surgida com a explosão do veraneio em Santos foi a responsável por tais erros, já que os edifícios eram construídos rapidamente para abrigar muitos veranistas. Com o tempo, tais edifícios passaram a sofrer acentuados recalques diferenciais: tornam-se "tortos" (ou seja, perdem o prumo) aos olhos dos pedestres situados na praia. Recentemente os "prédios tortos" da orla de Santos estão virando atração turística: são cerca de 90 prédios com esta característica. Estão concentrados na orla do Boqueirão, Embaré e Aparecida. O reaprumo ou a implosão e reconstrução são soluções possíveis. A primeira opção, menos impactante que a segunda, já foi executada com sucesso no edifício que era considerado o mais inclinado da orla (o denominado 'Núncio Malzoni', no bairro do Boqueirão), o qual tinha mais de 2 metros de inclinação do topo em relação à base.
Educação
Santos faz parte da rede mundial de municípios que priorizam a educação, desde 30 de outubro de 2008, quando a cidade foi incluída oficialmente na Associação Internacional das Cidades Educadoras (AICE). Entre as instituições de ensino superior encontra-se a Universidade de São Paulo campus USP Mar, a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), a Universidade Santa Cecília (UNISANTA), a Faculdade de Ciências Médicas de Santos, a Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES), a Universidade Católica de Santos (UNISANTOS), a Universidade Paulista (UNIP), a Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação (ESAMC), o Centro Universitário São Judas Tadeu (UNIMONTE) e a Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo Rubens Lara (FATECRL). Santos também dispõe da mais antiga entidade geral estudantil do Brasil, o Centro dos Estudantes de Santos, fundado em 1932.
Transportes
Em 27 de dezembro de 2003 foi inaugurada a ciclovia na orla da praia de Santos e atualmente cobre toda a área com mais de 7,8 km de extensão e 2,5 metros de largura desde a divisa com São Vicente à Ponta da Praia, possibilitando ainda ligação com a ciclovia da avenida Portuária e o Ferry Boat, ponto de atracação das balsas que fazem a Travessia Santos-Guarujá. A cidade é favorecida pela predominância de ruas planas sem ladeiras e, tendo em vista a alta densidade de veículos automotores competir com a fluidez de tráfego e regiões verticalizadas, implantou ciclovias nas avenidas Francisco Glicério, Afonso Pena, Rangel Pestana, Ana Costa, Martins Fontes e Nossa Senhora de Fátima; na extensão dos canais 1 a 6; a que liga o centro aos bairros passando pelo Túnel Rubens Ferreira Martins; e na Ponta da Praia. Foram implantados, ainda, vários bicicletários pela cidade que funcionam como estação para um serviço municipal de aluguel de bicicletas operados pela empresa Samba.
Comunicações
O sistema de telefones automáticos foi inaugurado na cidade pela Companhia Telefônica Brasileira (CTB) em 1934, sendo a 4ª cidade do estado a receber esse melhoramento, e que construiu as primeiras centrais telefônicas da cidade (Rua Brás Cubas, Rua Tocantins e Av. Washington Luís), com as duas primeiras já desativadas há algumas décadas. Já o sistema de discagem direta à distância (DDD) foi implantado em 1973 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), com o código de área (0132). Na década de 90 o código DDD da cidade foi alterado para (013), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado. O serviço telefônico móvel, por telefone celular, é oferecido por diversas operadoras. O código de área (DDD) de Santos é 013 e o Código de Endereçamento Postal (CEP) da cidade vai de 11000-001 a 11249-999. Ainda há serviços de internet como serviços de banda larga (ADSL) ou fibra ótica, sendo oferecidos pelas principais empresas provedoras de acesso.
O esporte em Santos talvez seja um dos temas de maior projeção da cidade. Possui uma grande tradição nos mais variados esportes com constante auxílio de projetos sociais e educacionais. A começar pelo mar, temos o surfe santista que, apesar das ondas calmas da praia, possui um papel particular na história do surfe brasileiro e mundial: foi em Santos que o esporte começou a se desenvolver no país. Desde a década de 1930, os surfistas utilizavam pranchas de madeira oca e surfavam na praia do Gonzaga. A carreira dos pioneiros da modalidade no Brasil, os irmãos Thomas Rittscher Júnior e Margot Rittscher, está exclusivamente ligada a Santos e aos nomes de santistas como Osmar Gonçalves e João Roberto Suplicy Hafers, que formam, juntos, o que o jornalismo de hoje diz ser os primeiros surfistas do Brasil. Mais tarde, o surfe santista foi aprimorado e melhor divulgado por parte de escolas (como a Escolinha Radical, no Posto 2, liderado pelo primeiro surfista profissional brasileiro, Cisco Aranha) e de universidades, revelando nomes como Picuruta Salazar, que tornou-se o "maior" símbolo do esporte na cidade, e Renata Agondi, pessoas que renderam influência à posterioridade. Picuruta, além de criar escolinhas para crianças, também desenvolve projetos paralelos em lugares como o Havaí, oportunidade pela qual jovens talentos da cidade podem assumir responsabilidades internacionais.
Museus
Santos possui vários museus, entre eles o Museu do Café Brasileiro onde funcionava a Bolsa do Café até a década de 1970. Outros museus da cidade são o Museu de Arte Sacra de Santos, o Museu de Pesca de Santos, o Museu De Vaney, o Museu Oceanográfico, o Memorial das Conquistas, o Museu Pelé, o Museu do Porto e o Museu do Mar.
Mídia
A cidade de Santos possui 3 jornais diários, 4 emissoras de televisão comerciais e 10 emissoras de rádio, sendo 4 em FM e 6 em AM. A tradição cinematográfica pela qual a cidade se especializou foi a de curtas metragens, abrigando grandes e importantes festivais da área. Quanto às produções cinematográficas de Santos, podemos citar as de diretores como Chico Botelho (cuja morte não o deixou concluir os longas Janete e Cidade Oculta), Icaro Martins, José Roberto Eliezer, Tânia Savietto, Aloysio Raulino, José Roberto Torero, Renato Neiva Moreira, Hélcio Nagamine, entre outros. Quanto às produções recentes com maior repercussão na cidade podemos citar O Magnata (2007), escrito pelo Chorão da banda Charlie Brown Jr., e Querô (2007), que promoveu testes de jovens atores pela cidade e que legou consequências que refletem até hoje.
Música e dança
A cidade possui nomes de renome no cenário musical brasileiro, como a banda Charlie Brown Jr.. Santos também é considerada celeiro de bons bateristas e berço de bandas de rock como Balara, Garage Fuzz, Bula e Zimbra. Dentre os músicos nascidos na cidade estão artistas como Leny Eversong, Gilberto Mendes, Haroldo Lara, Almeida Prado, Renato Teixeira e Tulipa Ruiz. A dança também é muito renomada na cidade de Santos. Ela é sede de alguns festivais renomados de dança como o Fidifest, o Fesadan e o Santos Dance Festival. Algumas escolas renomadas são a Balé Jovem de São Vicente e a Escola de Bailado de Santos. Esse último é especializado em "ballet adulto" e a única escola da cidade de Santos que oferece a modalidade "Dança Contemporânea de Salão."
Cinema
Santos é uma cidade relativamente cinematográfica. Zé do Periquito (1960), de Mazzaropi, possui algumas cenas de entrada e saída de navio da Ponta da Praia. Estas cenas foram as primeiras filmagens vistas pelo crítico santista Rubens Ewald Filho, aos quinze anos, e que ele tentou retomar num ângulo parecido no seu primeiro e único curta-metragem intitulado José Bonifácio que Ninguém Conhece, hoje perdido nos "meandros" da produtora Faculdade de Comunicação da Católica. Antes e depois do filme de Mazzaropi, Santos já havia sido e continuou sendo palco cinematográfico. Outros exemplos notórios inclui a versão original com Vera Nunes de Presença de Anita (1951), de Ruggero Jacobbi, Asa Branca - Um Sonho Brasileiro (1981), de Djalma Batista, com Walmor Chagas e Edson Celulari numa sequência no Gonzaga na fonte luminosa, O Rei Pelé, de Carlos H. Christensen, na cena em que o garoto que interpreta Pelé vê o mar pela primeira vez ao lado de Lima Duarte, o curta Domingo no Parque, de Isaías Almada, que logo depois da música homônima de Gilberto Gil utilizou uma roda-gigante que existia no Itararé.
Literatura
Santos tem sido uma fonte de inspiração para muitos autores, conterrâneos ou estrangeiros, e possui uma longa tradição de publicação poética importante na literatura brasileira. Talvez dois dos seus mais famosos poetas sejam Vicente de Carvalho e Martins Fontes. O primeiro, embora tenha se dedicado a um complexo de atividades, é mais conhecido por ter sido chamado de "O Poeta do Mar" dada à sua dedicação a escrever poemas dedicados à praia de Santos, e foi membro da Academia Brasileira de Letras, deixando uma prolífica obra literária e jurídica. Sua magnum opus, Poemas e Canções (cujo prefácio foi escrito por Euclides da Cunha), publicada primeiramente em 1908, chegou modernamente à sua 17ª edição - fato raro na literatura nacional.
Teatro
Provavelmente Santos seja a cidade do interior paulista mais profundamente ligada ao movimento teatral. O teatro em Santos se desenvolve e se desenvolveu dentro dos principais locais para a arte dramática: Teatro Municipal Brás Cubas, Teatro de Arena Rosinha Mastrângelo, Teatro do SESC, Teatro do SESI e, curiosamente, nas praças públicas. Patrícia Galvão, mais conhecida como Pagu, foi a primeira presidente da União de Teatro Amador de Santos que no ano de 1958 iniciou a organização do movimento na cidade. Pagu foi uma grande pioneira do teatro na cidade; escrevendo para o A Tribuna, conseguiu patrocínios e realizou os primeiros festivais de teatro de Santos. Os festivais continuaram suas atividades pela Federação Santista de Teatro Amador com o nome FESTA - Festival Santista de Teatro Amador. A partir de 2009 a Federação Santista de Teatro Amador já estava extinta mas o festival continuou com o mesmo nome FESTA, porém agora como Festival Santista de Teatro, abolindo a palavra "Amador" e tornando-se um festival nacional de teatro. Hoje o FESTA - Festival Santista de Teatro é o festival em atividade mais antigo do Brasil, recebendo a Ordem do Mérito Cultural 2011 pelo Ministério da Cultura. O festival continua sendo realizado e produzido pelo Movimento Teatral de Santos, formado por diversos grupos da cidade, tendo como seu representante jurídico a Associação dos Artistas do Litoral Paulista. Alguns grupos da cidade se destacam como Trupe Olho da Rua, Os Pernilongos Insolentes, Teatro Widia, Cia Own, Os Phantanas. Pagu era conhecida como a "musa" da Semana de Arte Moderna e escolheu Santos como a última cidade em que viveu. Estreitou relações com José Greghi Filho (ator e dramaturgo santista) e promoveu a campanha para a construção do Teatro Municipal que hoje leva seu nome.


