Rodésia
Rodésia, a partir de 1970 oficialmente República da Rodésia, foi um Estado não reconhecido situado no sul da África durante a Guerra Fria. De 1965 a 1979, compreendeu a região atualmente conhecida como Zimbábue. O país, com sua capital em Salisbúria, foi considerado um estado sucessor de facto da ex-colônia britânica da Rodésia do Sul após uma declaração unilateral de independência emitida pelo governo governante de minoria branca. Durante esse período de quatorze anos, a Rodésia enfrentou conflitos internos e agitação política. Após o Acordo de Lancaster House em 1979, o território retornou ao controle político britânico e, posteriormente, conquistou independência internacionalmente reconhecida como Zimbábue em 1980.
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O nome oficial do país, de acordo com a constituição adotada simultaneamente com a Declaração Unilateral de Independência da Rodésia em novembro de 1965, era Rodésia, derivado de Cecil Rhodes. No entanto, isso não ocorreu sob a lei britânica, que considerava o nome legal do território como Rodésia do Sul, nome dado ao país em 1898 durante a administração da Companhia Britânica da África do Sul nas Rodésias, e mantido pela colônia autônoma da Rodésia do Sul após o fim do domínio da companhia em 1923. Essa disputa sobre nomes remonta a outubro de 1964, quando a Rodésia do Norte se tornou independente do Reino Unido e, simultaneamente, mudou seu nome para Zâmbia. O governo colonial da Rodésia do Sul em Salisbúria sentia que, na ausência de uma Rodésia do Norte, o uso contínuo de "Sul" era supérfluo. Aprovou legislação para se tornar simplesmente Rodésia, mas o governo britânico recusou-se a aprovar isso sob o argumento de que o nome do país era definido pela legislação britânica, portanto não poderia ser alterado pelo governo colonial. Salisbúria continuou usando o nome abreviado de forma oficial, mesmo assim, enquanto o governo britânico continuou se referindo ao país como Rodésia do Sul. Essa situação continuou durante todo o período da Declaração Unilateral de Independência da Rodésia. O nome abreviado, ainda assim, era utilizado pelo governo britânico na Câmara dos Comuns.
O território da Rodésia, oficialmente Rodésia do Sul,[a] foi um caso único dentro do Império Britânico e da Commonwealth: embora denominada colônia, ela era internamente autogovernada e constitucionalmente não se diferenciava muito de um domínio. Esta situação datava de 1923, quando lhe foi concedido um governo responsável dentro do Império Britânico como uma colônia autogovernada, após três décadas de administração colonial realizados pela Companhia Britânica da África do Sul, e lhe foi dado poderes para arbitrar sobre assuntos internos em quase todos os campos, inclusive a defesa.[b] A intenção original dos britânicos era integrar a Rodésia do Sul à União Sul-Africana como uma nova província, mas esta proposta foi rejeitada pelos eleitores em um referendo realizado em 1922, e o território foi moldado como um novo domínio. O poder de Whitehall sobre a Rodésia do Sul nos termos da constituição de 1923 era, no papel, considerável; a Coroa Britânia poderia teoricamente anular qualquer projeto de lei aprovado dentro de um ano, ou mesmo alterar a constituição. Porém, como observa o constitucionalista sul-africano Claire Palley, seria extremamente difícil para Whitehall impor tais atos, e tentar fazê-lo provavelmente provocaria uma crise. De fato, este poder nunca foi exercido na prática. No lugar, uma relação em geral cooperativa desenvolveu-se entre Whitehall e o governo colonial em Salisbúria, sendo raras as ocasiões de disputa.
Declaração Unilateral de Independência (1965)
Embora disposto a conceder independência formal à Rodésia do Sul (atual Rodésia), o governo britânico adotou uma política de "nenhuma independência antes do governo majoritário" (NIAGM), ditando que colônias com uma população significativa de colonos europeus não receberiam independência exceto sob condições de governo maioritário e multiétnico. A população branca, historicamente beneficiada pelas políticas segregacionistas, rejeitou fortemente a premissa do NIAGM. Um segmento minoritário da população branca na Rodésia estava aberta, pelo menos na teoria, a incorporar gradualmente a população negra na estrutura social e política, embora não sem reservas, condicionantes obscuras e ambiguidades. O grupo branco majoritário não estava disposto a ceder na teoria, e muito menos na prática, às propostas de igualdade à população negra. Portanto, na prática, ambos os grupos continuaram contra um governo majoritário e multiétnico. No entanto, uma vez que a Rodésia foi apresentada como tema de discussão em órgãos internacionais, a extensão do status quo tornou-se uma preocupação para o governo britânico, que percebeu o escrutínio como um sério constrangimento para o Reino Unido.


