Ridley Scott
Sir Ridley Leighton Scott, Kt é um renomado diretor e produtor de cinema britânico, notório por realizar grandes produções de ficção científica, suspense e épico mesclando ocasionalmente os três gêneros em uma mesma obra. Ao longo de uma extensa e aclamada carreira cinematográfica, Scott dirigiu alguns dos filmes mais bem-sucedidos de sua geração, como o suspense Alien (1979), o distópico Blade Runner (1982), o filme de aventura Thelma and Louise (1991) e os épicos Gladiator (2000), Black Hawk Down (2001) e Kingdom of Heaven (2005). É irmão do também cineasta Tony Scott.
Imagem: Gage Skidmore · BY-SA · Openverse
Scott nasceu em 30 de novembro de 1937 em South Shields, no condado inglês de Durham; sendo filho de Elizabeth Williams e Francis Percy Scott. Seu tio-avô Dixon Scott foi um pioneiro da cadeia de cinemas locais e possuía diversas salas de cinema nos arredores de Tyneside. Um de seus cinemas, o Tyneside Cinema, ainda está em funcionamento em Newcastle e é um dos cinejornais remanescentes no país. Nascido pouco antes da Segunda Guerra Mundial, Scott cresceu em família militar. Seu pai era oficial na Royal Engineers e esteve ausente por serviço durante a maior parte de sua infância. Seu irmão mais velho, Frank, ingressou na Marinha mercante britânica e acabou afastando-se do convívio familiar. Neste período, a família mudou-se diversas vezes; viveram em Cumberland, País de Gales e até na Alemanha. Seu irmão mais novo, Tony, também ingressou na carreira cinematográfica. Após a guerra, a família retornou a Durham e estabeleceu-se em Hartburn, uma área intensamente industrial que mais tarde seria citada por Scott como sua inspiração para os cenários de Blade Runner. Seu interesse por ficção científica teve início com suas leituras dos romances de H. G. Wells. Também foi influenciado por filmes de ficção científica como It! The Terror from Beyond Space, The Day the Earth Stood Still e Them! Scott afirmou anos mais tarde que tais filmes "o levaram a fazer um pouco do mesmo", mas cita como sua grande inspiração o clássico 2001: A Space Odyssey. "Assim que eu vi aquilo, soube que poderia fazer igual", disse Scott sobre o filme de Stanley Kubrick.
Imagem: Gage Skidmore · BY-SA · Openverse
Anos 70: The Duellists e Alien
The Duellists, lançado em 1977, marcou o primeiro grande filme de Scott como diretor. Rodado na Europa das Guerras Napoleônicas, o filme foi indicado ao prêmio principal do Festival de Cannes e recebeu um prêmio de Melhor Estreia. The Duellists teve um limitado impacto comercial, no entanto. O filme narra os oficiais hussardos D'Hubert e Feraud (Keith Carradine e Harvey Keitel, respectivamente) cuja discordância sobre um pequeno incidente se torna uma forte disputa por mais de quinze anos. O filme foi aclamado por sua fidelidade histórica aos cenários e figurino da época retratada. Em 2013, o filme foi relançado em Blu-ray e recebeu uma nota dissertativa sobre sua realização.
Anos 80: O sucesso de Blade Runner
Após um ano trabalhando na adaptação cinematográfica de Dune e após a morte precoce de seu irmão Frank, Scott fechou contrato para dirigir a versão do romance de ficção científica Do Androids Dream of Electric Sheep?, de Philip K. Dick. O projeto rebatizado como Blade Runner e estrelado por Harrison Ford (que encontrava-se no auge de seu reconhecimento internacional após sua performance bem-sucedida nos dois primeiros filmes da franquia Star Wars) foi uma decepção comercial na época de seu lançamento, porém nos anos recentes têm sido considerado uma das maiores realizações do cinema do gênero e da carreira de Scott. Em 1991, comentários de Scott foram utilizados pela Warner Bros. para criar uma versão especial com cortes do diretor que removeu as vozes dos personagens originais e inseriu uma série de outras mudanças, incluindo no desfecho da trama. Posteriormente, Scott liderou pessoalmente uma restauração digital do filme e lançou-o como Blade Runner: The Final Cut em Los Angeles, Nova Iorque e Toronto em 5 de outubro de 2007.
Anos 90
O filme de aventura familiar Thelma & Louise (1991), estrelando Geena Davis como Thelma, Susan Sarandon como Louise e o então estreante Brad Pitt em seu primeiro papel de destaque no cinema, é considerado um dos filmes mais aclamados criticamente já dirigidos por Scott. O filme é creditado como responsável por reviver a reputação do diretor além de ter acarretado em sua primeira indicação ao Oscar de melhor diretor. Logo no ano seguinte, no entanto, o diretor investiu no drama histórico 1492: Conquest of Paradise. Apesar de contar com grandes atores no elenco - como Sigourney Weaver em sua segunda colaboração com Scott e Gérard Depardieu no papel principal - o filme que narra as expedições de Cristóvão Colombo foi uma decepção comercial. Nos quatro anos seguintes, Scott não se envolveu em nenhum outro projeto.
Anos 2000: Consolidação no cinema épico
A década de 2000 foi marcada pelo renascimento de Scott como um dos maiores cineastas de sua geração e, especialmente, por sua guinada ao cinema épico. Vários de seus filmes deste período são notórios por inserir o teor de produções épicas ao gênero do respectivo enredo. O drama épico Gladiator (2000) tornou-se um dos mais bem-sucedidos filmes do período, sendo indicado a 12 categorias dos Prêmios da Academia e vencedor nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Figurino. Scott trabalhou em parceria com a empresa britânica The Mill para a criação do cenário em realidade virtual avançada, incluindo cenas de batalhas dentro do Coliseu e vistas completas da Roma antiga. O filme foi dedicado ao veterano ator Oliver Reed, que veio a falecer durante as filmagens e teve sua expressão facial recriada digitalmente para conclusão de suas cenas. Gladiator conta com Russell Crowe no papel de um deserdado general romano que adentra o universo dos gladiadores romanos em busca de vingança pela morte de sua família. Grande parte da crítica de cinema credita o filme pelo renascimento do gênero peplum.


