Pesquisa · Mapa mental

República Romana

República Romana foi um período da antiga civilização romana no qual o governo operou como uma república. Começou com a queda da monarquia, tradicionalmente datada cerca de 509 a.C., e sua substituição pelo governo chefiado por dois cônsules, eleitos anualmente pelos cidadãos e aconselhados pelo senado. Uma complexa constituição gradualmente foi desenvolvida, centrada nos princípios de uma separação dos poderes e de freios e contrapesos. Exceto em tempos de terrível emergência nacional, ofícios públicos foram limitados por um ano, de modo que, em teoria ao menos, nenhum indivíduo exercesse poder absoluto sobre seus concidadãos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
01

História política

Era patrícia (509–367 a.C.)

De acordo com a lenda, Tarquínio, o Soberbo foi derrubado em 509 a.C. por um grupo de nobres liderado por Lúcio Júnio Bruto. Diz-se que Tarquínio fez uma série de tentativas para retomar o trono, incluindo a Conspiração Tarquiniana, a guerra com Veios e Tarquinia e finalmente a guerra entre Roma e Clúsio,[nt 1] todas infrutíferas. A monarquia histórica, como a lenda sugere, foi provavelmente derrubada rapidamente, mas as mudanças constitucionais que ocorreram imediatamente após possivelmente não foram tão extensas como sugerido. A mais importante mudança talvez seja do chefe executivo. Antes, um rei era eleito pelos senadores para um mandato vitalício. Agora, dois cônsules eram eleitos pelos cidadãos para um mandato anual. Cada cônsul verificaria seu colega, e o mandato limitado deles possibilitava que fossem acusados se abusassem dos poderes de seu ofício. Os poderes políticos consulares, quando exercidos conjuntamente, não foram diferentes daqueles do antigo rei.

Conflitos das ordens (367–287 a.C.)

Os plebeus viviam uma crise em decorrência do endividamento. De acordo com Tito Lívio, essa crise foi acelerada após o saque de Roma pelos gauleses (ca. 390−387 a.C.). Contínuos protestos eclodiram, dentro os quais o liderado por Marco Mânlio Capitolino que, embora patrício, aliou-se aos plebeus, cujas dívidas ajudou a pagar com sua fortuna. Ao longo do século os distúrbios sociais tornaram-se frequentes e desencadearam desordens, como aquelas de 378 a.C., e a anarquia de 370 a.C. Em decorrência do crescente descontentamento da classe plebeia, uma série de leis foram promulgadas com a finalidade de tratar a situação. A lei Licínia Sêxtia de 367 a.C. serviu para acelerar o pagamento de dívidas e impôs um limite à acumulação de terras públicas (ager publicus) por cada pater familias, bem como o número e ovelhas e gado que podia pastar nelas enquanto outras, promulgadas em 357, 352 e 347 a.C., tentaram reduzir e regularizar os tipos de juros. Pouco depois, em 342 a.C., a lei Genúcia determinou a ilegalidade de empréstimos a juros e em 326 a.C., a escravidão por dívidas (nexo), foi suprimida.

Supremacia da nova nobreza (287−133 a.C.)

A lei Hortênsia foi a solução da última grande questão política desta época. Nenhuma mudança política importante ocorreu entre 287 a.C. e 133 a.C.. As importantes leis deste momento foram promulgadas pelo senado. De fato, os plebeus estavam satisfeitos com a posse do poder, mas não se preocuparam em usá-lo. O senado foi supremo durante este momento porque o período foi dominado por questões de política estrangeira e militar. Nas décadas finais desta era, muitos plebeus ficaram mais pobres. As longas campanhas militares forçaram os cidadãos a deixarem suas fazendas para lutar, enquanto suas propriedades caíram em desuso. A aristocracia rural começou a comprar fazendas falidas a preços promocionais. Como os preços das commodities caíram, muitos fazendeiros já não podiam mais operar suas fazendas com lucro. O resultado foi a falência total de muitos agricultores. Massas de plebeus desempregados logo começaram a inundar Roma e, assim, as fileiras das assembleias legislativas. A pobreza deles geralmente levou-os a votar para a candidato que lhes oferecesse mais. Uma nova cultura de dependência estava emergindo, na qual cidadãos olhariam por qualquer líder populista por auxílio.

Dos Gracos a Júlio César (133–49 a.C.)

Tibério Graco foi eleito tribuno em 133 a.C. Ele tentou aprovar uma lei que limitaria a quantidade de terra que qualquer indivíduo poderia possuir. Os aristocratas, que estavam a perder uma grande quantia em dinheiro, foram opositores ferrenhos a esta proposta. Tibério apresentou esta lei a assembleia popular, mas a lei foi vetada por um tribuno chamado Marco Otávio. Tibério então usou a assembleia popular para contestar Otávio. A ideia que um representante do povo deixaria de sê-lo quando agisse contra os desejos do povo era contra a teoria constitucional romana. Se levada à sua conclusão lógica, esta teoria removeria todas as restrições constitucionais sobre a vontade popular, e colocaria o Estado sob o controle absoluto de uma temporária maioria popular. Sua lei foi promulgada, mas Tibério foi assassinado com 300 de seus associados, quando pôs-se à reeleição para o tribunato.

O período de transição (49−29 a.C.)

Com Pompeu derrotado e a ordem restaurada, Júlio César queria conseguir o controle incontestável sobre o governo. Os poderes que deu a si mesmo foram mais tarde assumidos por seus sucessores imperadores. César manteve a ditadura e o tribunato, e alternou entre o consulado e o proconsulado. Em 48 a.C., César recebeu poderes tribunícios perpétuos. Isto fez sua pessoa sacrossanta, deu a ele o poder do veto no senado, e permitiu-lhe dominar a assembleia popular. Em 46 a.C., recebeu poderes censoriais, que usou para preencher o senado com seus próprios partidários. César então elevou a composição do senado para 900. Isto roubou o prestígio da aristocracia senatorial, e tornou-a cada vez mais subserviente a ele. Enquanto as assembleias continuaram a se encontrar, ele apresentou todos os candidatos para eleição e todas as leis para promulgação. Assim, as assembleias tornaram-se impotentes e foram incapazes de opor-se a ele.

02

História militar

Antecedentes

Durante o período real, Roma se caracterizava como uma reduzida povoação cujas relações exteriores limitavam-se a guerras locais e pequenas disputas com seus vizinhos. Nos primeiros anos de sua existência, seu território se estendia por cerca de 7 quilômetros em todas as direções e media por volta de 150 quilômetros quadrados. Porém, ainda durante o período monárquico, seus domínios foram substancialmente expandidos: sob Túlio Hostílio (r. 673–642) Alba Longa foi subjugada e sob Anco Márcio (r. 640–616) as fronteiras foram expandidas em direção a costa. Pelo reinado de Sérvio Túlio (r. 578–535), Roma já havia se tornado a principal cidade do Lácio, econômica e militarmente. Abrangia uma área aproximada de 285 hectares e possuía uma população estimada de 30 000 habitantes. Estima-se que por 500 a.C., já como uma república, teria uma área de 822 quilômetros quadrados sob seu controle. Estudos estatísticos acerca do nível provável de produtividade apontam que tal área poderia abrigar uma população entre 30 000 e 45 000 habitantes, o que confirma as suposições acerca da população durante o reinado de Sérvio Túlio.

República Precoce (509–274 a.C.)

As primeiras guerras da República Romana foram de expansão e defesa, no sentido de defendê-la de cidades e nações vizinhas e estabelecer seu território na região. Inicialmente, os vizinhos imediatos de Roma foram cidades e vilas latinas, ou mesmo tribos sabinas das colinas Apeninas e além. De acordo com um tratado entre Roma e Cartago datado de 509 a.C. e preservado pelo historiador grego Políbio, nos primeiros anos da república, os romanos não só mantinham várias possessões no Lácio como intercediam pelos latinos. Tudo indica que tal tratado represente uma tentativa do novo regime romano de conseguir ser reconhecido e, ao mesmo tempo, reafirmar a hegemonia romana no Lácio. Porém, os latinos, se aproveitando da temporária fragilidade de Roma, uniram-se em torno de uma renovada Liga Latina, na qual os romanos foram excluídos. Logo isso levaria-os a um conflito que culminou na batalha do Lago Regilo de 499 a.C. ou 496 a.C., na qual os latinos foram derrotados. Essa vitória resultou no Tratado de Cássio (Foedus Cassianum) de 494/493 a.C., redigido pelo cônsul Espúrio Cássio.

República Média (274−146 a.C.)

A expansão fora do território da península Itálica teve início com as Guerras Púnicas contra Cartago, cidade-Estado fenícia localizada no Norte da África, que por volta do século III a.C. dominava o comércio do Mediterrâneo. A partir deste momento, começa a fase verdadeiramente histórica de Roma, cujos acontecimentos possuem registros documentados pelo historiador grego Políbio, que conviveu com os protagonistas romanos do conflito. A Primeira Guerra Púnica começou em 264 a.C., quando assentamentos na Sicília começaram a apelar aos dois poderes - Roma e Cartago - de modo a resolver conflitos internos. A guerra se iniciou com batalhas campais na Sicília, mas o teatro mudou para batalhas navais em torno da Sicília e África. Antes da Primeira Guerra Púnica, os romanos não possuíam uma marinha. A nova guerra na Sicília contra Cartago, um grande poder naval, forçou Roma a rapidamente construir uma frota e treinar marinheiros.

República Tardia (146−27 a.C.)

Entre 135−71 a.C., houve três revoltas contra o Estado romano, conhecidas como Guerras Servis, a última das quais com possível envolvimento de 120 000 a 150 000 escravos. Além disso, em 91 a.C., a Guerra Social eclodiu entre Roma e seus antigos aliados na Itália, coletivamente conhecidos como sócios (em latim: socii), sob a queixa de que compartilharam os riscos das campanhas militares, mas não suas recompensas. Apesar de algumas derrotas como aquela na batalha do Lago Fucino, as tropas romanas derrotaram as milícias itálicas em combates decisivos, notadamente a batalha de Ásculo. Embora perderam militarmente, os sócios conseguiram seus objetivos com as proclamações da Lei Júlia e da Lei Pláucia Papíria, que garantiram a cidadania romana a mais de 500 000 itálicos. A inquietação interna alcançou seu estágio mais sério nas duas guerras civis ou marchas sobre Roma lideradas pelo cônsul Sula no começo de 82 a.C.. Na batalha da Porta Colina, às portas de Roma, um exército comandado por Sula superou um exército do senado romano e seus aliados samnitas.

03

Religião

As práticas religiosas da Roma republicana remontam à história quase mítica de Roma. Rômulo, um filho de Marte, fundou Roma depois que Júpiter lhe concedeu sinais favoráveis de pássaros em relação ao local. Numa Pompílio, o segundo rei de Roma, estabeleceu suas instituições religiosas e políticas básicas após instruções diretas dos deuses, dadas por meio de augúrios, sonhos e oráculos. Cada rei subsequente foi creditado com alguma forma de inovação, adaptação ou reforma aprovada divinamente.[a] Uma fonte da era imperial afirma que o primeiro cônsul da República, Bruto, efetivamente aboliu o sacrifício humano à deusa Mânia (Mãe dos Lares), instituído pelo último rei, Tarquínio.[b] Os romanos reconheciam a existência de inúmeras divindades que controlavam o mundo natural e os assuntos humanos. O bem-estar do estado romano dependia de suas divindades estatais, cujas opiniões e vontades podiam ser discernidas por sacerdotes e magistrados, treinados em augúrios, aruspício, oráculos e na interpretação de presságios. Acreditava-se que os deuses comunicavam sua ira (ira deorum) por meio de prodígios (fenômenos não naturais ou aberrantes).

Sacerdócios

Com a abolição da monarquia, alguns dos seus deveres sagrados foram compartilhados pelos cônsules, enquanto outros passaram para um "rei das coisas sagradas" republicano , um "rei" patrício, eleito de forma vitalícia, com grande prestígio, mas sem poderes executivos ou reais. Roma não tinha uma classe ou casta especificamente sacerdotal. Como o pater familias de cada família era responsável pelas atividades de culto de sua família, ele era efetivamente o sacerdote sênior de sua própria casa. No início da República, os patrícios, como "pais" do povo romano, reivindicavam o direito de antiguidade para liderar e controlar a relação do estado com o divino. Famílias patrícias, em particular as gentes Cornelia, Postumia e Valeria, monopolizaram os principais sacerdócios estatais. O patrício flâmine dial empregava os "auspícios maiores" (auspicia maiora) para consultar Júpiter sobre assuntos significativos de estado.

Templos e festivais

Os principais templos públicos de Roma ficavam dentro do limite sagrado e augural da cidade (pomério), que supostamente havia sido demarcado por Rômulo, com a aprovação de Júpiter. O Templo de Júpiter Ótimo Máximo ("Júpiter, o Melhor e o Maior") ficava no Monte Capitolino. Entre as áreas colonizadas fora do pomério estava o vizinho Monte Aventino. Ele era tradicionalmente associado ao infeliz gêmeo de Rômulo, Remo, e, na história posterior, aos latinos e à plebe (plebs) romana. O Aventino parece ter funcionado como um local para a introdução de divindades "estrangeiras". Em 392 a.C., Camilo estabeleceu um templo ali para Juno Regina, a deusa protetora da cidade etrusca de Veios. Introduções posteriores incluem Sumano, c. 278 a.C., Vertumno c. 264 a.C., e em algum momento antes do final do século III a.C., Minerva.[d] Enquanto o templo de Ceres no Aventino foi muito provavelmente construído às custas dos patrícios, para apaziguar a plebe, os patrícios trouxeram a Magna Mater ("Grande Mãe dos Deuses") para Roma como sua própria deusa ancestral "troiana" e a instalaram no Palatino.

No âmbito militar

Antes de qualquer campanha ou batalha, os comandantes romanos tiravam auspícios ou consultavam os arúspices para buscar a opinião dos deuses sobre o provável desfecho. O sucesso militar era alcançado por meio de uma combinação de virtus (grosseiramente, "virtude viril") pessoal e coletiva e da vontade divina. Os generais que celebravam o triunfo vestiam-se como Júpiter Capitolino e depositavam seus louros de vencedor aos pés dele. A negligência religiosa, ou a falta de virtus, provocava a ira divina e levava ao desastre militar. Os juramentos militares dedicavam a vida de quem os prestava aos deuses e ao povo de Roma; esperava-se que os soldados derrotados tirassem suas próprias vidas, em vez de sobreviverem como cativos. Exemplos de devotio, como os realizados pelos Décio Mure (Decii Mures), nos quais os soldados ofereciam e davam suas vidas aos Di inferi (deuses do submundo) em troca da vitória romana, eram celebrados como o bem supremo.

04

Povo e economia

A economia da República Romana era predominantemente agrária, mas também altamente complexa. À medida que os romanos continuaram a conquistar a bacia do Mediterrâneo, ela se tornou totalmente integrada com a economia mediterrânea mais ampla, um processo que foi concluído durante o século I a.C. A população da república expandiu-se consideravelmente durante os séculos de sua existência; de fato, a vastidão da população de cidadãos romanos era parte de como ela era capaz de mobilizar um poder militar tão expansivo. A produção agrícola durante a república era altamente regional. As evidências literárias de escritores da antiga elite eram altamente simplificadoras e não são totalmente consistentes com as diferenças regionais reveladas pela arqueologia moderna. Tais diferenças eram impulsionadas não apenas pela produtividade do solo, mas também pelo acesso ao mercado, mediado principalmente pela distância de grandes centros urbanos como Roma, e mudanças na posse de terras.

Demografia

As evidências da população da república vêm em grande parte de trinta e nove censos republicanos e do início do período imperial. A população relatada aumentou substancialmente desde o primeiro, relatando 130.000 romanos em 509 a.C., até o último, relatando 4.937.000 em 14 d.C. Acredita-se geralmente que os censos anteriores aos de Augusto, iniciados em 28 a.C., relataram apenas homens adultos livres. Também não está claro até que ponto esses números do censo incluem (ou não) a expansão da cidadania através da conquista romana da Itália e a extensão da cidadania no final da república à Gália Transpadana a partir de 49 a.C., a alforria de escravos (escravos recebiam cidadania quando alforriados), perdas de guerra e perdas para cidades de não cidadãos.

Agricultura

A produção agrícola da Itália na era republicana estava concentrada em cereais (cevada, trigo e milheto), videiras e azeitonas. Gramíneas e leguminosas exigiam irrigação; a decadência localizada de tal infraestrutura pode explicar em parte o despovoamento. O pastoreio de animais era possível nos Apeninos e nas planícies baixas durante as estações de inverno. Grande parte da península ainda não havia sido desmatada para a agricultura; as florestas antigas forneciam pasto para porcos, serviam como habitat para outras caças selvagens e eram uma fonte de madeira. Áreas da Itália eram especializadas em termos de suas exportações agrícolas: a Campânia era notável por seu vinho e azeitonas; outras áreas, como o Vale do Pó, Sâmnio e as terras altas dos Apeninos em geral, eram conhecidas pela criação de ovelhas e porcos. O surgimento de grandes elites urbanas no final da república também catalisou a criação de vilas (villas) próximas às cidades para criar e cultivar itens de luxo para o consumo local.

Indústria

A mineração e o processamento de metais eram uma parte essencial da indústria romana. Durante o início da república, a própria Itália era geralmente considerada rica em cobre e ferro, mas no final da república essas jazidas estavam em grande parte esgotadas. No segundo século a.C., a mineração havia se transferido para a ilha de Elba e para a Gália Cisalpina. Mas a tomada da Espanha de Cartago durante a Segunda Guerra Púnica abriu enormes e lucrativas minas na Península Ibérica. As técnicas de mineração eram sofisticadas, com mecanismos complexos para bombear e mover água para fins industriais. A fabricação de têxteis era, em parte, doméstica, com notável produção em Roma e na Sicília. A produção provavelmente era organizada por meio de redes de subcontratação que dividiam o trabalho entre um grande número de pequenas oficinas.

Comércio, dinheiro e finanças

O comércio em Roma já estava bem encaminhado no segundo século a.C., com o desenvolvimento de um grande distrito portuário (que acabou se estendendo por dois quilômetros) às margens do rio Tibre, no centro de Roma. Grandes armazéns também foram erguidos na área. O período republicano também viu, após a instituição da hegemonia romana sobre a península, o surgimento de Brundísio e Puteoli como grandes portos no lugar de Taranto e Nápoles. Com os portos, surgiram sociedades (parcerias) para despachar, enviar e lucrar com o comércio marítimo. Tais sociedades, chamadas de societates, também permitiam, sob leis formais, o agrupamento de capital dos parceiros para fins produtivos, como a administração de minas e a produção.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando