Malawi
O Malawi ou Maláui, oficialmente República do Malawi, é um país da África Oriental, limitado a norte e a leste pela Tanzânia, a leste, sul e oeste por Moçambique e a oeste pela Zâmbia. Sua capital é Lilongué. Parte da região oriental do país é banhada pelo Lago Niassa. O inglês é a língua oficial.
Desde o tempo colonial que este território é conhecido por nomes relacionados com o grande lago que o limita a oriente. Os ingleses chamaram-lhe Niassalândia (Niassaland) do nome por que era conhecido o lago naquele tempo: Lago Niassa. Após a independência, o novo país adota o nome de Malaŵi e com este nome rebatiza o lago. Malaŵi significa, na língua nianja, o nascer do sol, tal como está representado na bandeira, uma vez que, para os malauianos, é sobre o lago que nasce o sol.
Aportuguesamentos e outras grafias
Devido ao fato de que, até a entrada em vigor do novo Acordo Ortográfico, a letra "w" não existia oficialmente na língua portuguesa,[carece de fontes?] o nome do país teve de ser adaptado — e o foi, de diferentes formas: certas fontes chegaram a registrar Malavi e Malávi como formas aportuguesadas (com o gentílico malaviano), seguindo a lógica de transposição do "w" por "v" que se deu historicamente, por exemplo, em vocábulos de origem alemã. Outras fontes (por exemplo o dicionário brasileiro Michaelis) assignaram à última letra do nome do país, o "i", o acento marcador da tonicidade da palavra (Malauí, ou, inclusive, Malavi). Desde logo, no entanto, entre as várias alternativas, sobressaiu a pronunciada "Maláui" — portanto, com o "w" transposto a "u", não a "v", e com o acento de tonicidade no segundo "a" — ambos refletindo adequadamente a pronúncia original do nome do país, tanto em inglês quanto em nianja.
Antes da chegada dos povos bantos vindos do norte no século X, a região do atual Malawi era habitada por pequenos grupos de caçadores-coletores conhecidos na tradição oral como Batwa. Com o estabelecimento de alguns grupos bantos na região, surgiram novos grupos étnicos. No século XVI, os Reinos Maraves dominavam uma vasta região africana, incluindo o território do atual Malawi. Já no século XVIII, o império havia se fragmentado em regiões controladas por diversos grupos étnicos independentes. No século XIX, muitos habitantes do território eram capturados e escravizados por meio de uma rede de comerciantes árabes-suaílis. Eles eram levados de Nkhotakota em caravanas até Kilwa ou Zanzibar, na costa do Oceano Índico, onde eram vendidos e transportados para diversas partes do mundo. O primeiro contato significativo com o mundo europeu foi a chegada de David Livingstone à margem norte do Lago Maláui (Lago Niassa) em 1859 e o subsequente estabelecimento de missões da igreja presbiteriana escocesa. Em 1891, estabeleceu-se o Protetorado Britânico da África Central, transformado em 1907 no Protetorado de Niassalândia. Em 1953, o governo britânico criou a Federação da Rodésia e Niassalândia, ou Federação Centro-Africana, que compreendia os territórios hoje referentes ao Malawi, Zâmbia, então Rodésia do Norte, e Zimbábue, então Rodésia do Sul. Em novembro de 1962, o governo britânico concordou em conceder à Niassalândia autonomia a partir do ano seguinte, o que marcou o fim da Federação, em 31 de dezembro de 1963. O Malawi tornou-se um membro inteiramente independente da Commonwealth em 6 de julho de 1964.
Desde 1975 a capital do Malawi é Lilongué, que é também a maior cidade do país, desde sua independência do Reino Unido, em 6 de julho de 1964, o Malawi é uma república presidencialista democrática representativa, o Malawi possui um sistema multipartidário, desde 1994, o chefe de estado e de governo é o presidente da república.
Relações internacionais
O ex-presidente Hastings Banda estabeleceu uma política externa pró-ocidental que continuou até o início de 2011. Ele incluía boas relações diplomáticas com muitos países ocidentais. A transição de um estado de partido único para uma democracia multipartidária fortaleceu os laços do Malawi com os Estados Unidos. Um número significativo de estudantes de Malawi viajam para os Estados Unidos para a obtenção de ensino superior, e os EUA tem filiais ativas do Corpo de Paz, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, do Departamento de Saúde e Serviços Humanos e a Agência para o Desenvolvimento Internacional no Malawi. Malawi manteve estreitas relações com a África do Sul durante toda a era do Apartheid, que resultaram em relações tensas entre o mesmo e outros países africanos. Após o colapso do apartheid em 1994, as relações diplomáticas foram feitas e mantidas em 2011 entre o Malawi e todos os outros países africanos. Em 2010, no entanto, a relação de Malawi com Moçambique tornou-se tensa, em parte devido a disputas sobre o uso do rio Zambeze e uma rede elétrica inter-país. Em 2007, Malawi estabeleceu relações diplomáticas com a China, e os investimentos chineses no país tem continuado a aumentar desde então, apesar das preocupações em relação ao tratamento dos trabalhadores por empresas chinesas e da concorrência de negócios chinês com empresas locais. Em 2011, as relações entre Malawi e o Reino Unido foram danificadas quando um documento foi lançado na qual o embaixador britânico em Malawi criticava o presidente Mutharika. Mutharika expulsou o embaixador do Malawi, e em julho de 2011, o Reino Unido anunciou que estava suspendendo toda a ajuda orçamentária devido à falta de resposta às críticas de seu governo e má gestão económica de Mutharika. Em 26 de julho de 2011, os Estados Unidos seguiram o exemplo, com o congelamento de uma doação de US$ 350 milhões, citando preocupações sobre a supressão do governo e intimidação dos manifestantes e grupos cívicos, bem como a restrição da imprensa e a violência da polícia.
Direitos Humanos
O Malawi foi classificado como um "país livre" pelo relatório Freedom in the World de 2026. O país promove eleições regulares e transições pacíficas de poder, além de respeitar a liberdade de expressão. A corrupção, a brutalidade policial, as más condições prisionais e a violência contra a mulher e minorias são apontadas como problemas existentes no país. Segundo o Índice Global da Paz de 2024, o Malawi é o 79.º país mais pacífico do mundo, entre 163 países avaliados. De acordo com a Constituição do país, estão garantidos “os direitos à vida, à dignidade, à igualdade e o direito à liberdade de consciência, crença, pensamento e religião e à liberdade acadêmica”, bem como “a liberdade de expressão, a liberdade de informação, a liberdade de movimento e a liberdade de reunião.”
Forças Armadas
O Malawi mantém uma pequena força militar permanente de aproximadamente 25 mil integrantes. Ela é composta por unidades do Exército, da Marinha e da Força Aérea. O Exército do Malawi teve origem em unidades coloniais britânicas formadas antes da independência e é composto por dois regimentos de infantaria e um regimento de paraquedistas. A Força Aérea do Malawi foi criada em 1976 com ajuda da Alemanha e opera um pequeno número de aeronaves de transporte e helicópteros multifunção. A Marinha do Malawi foi estabelecida no início da década de 1970 com apoio de Portugal e atualmente possui três embarcações que operam no Lago Niassa, com base em Lusumbwe. Em 2017, o Malawi assinou o Tratado sobre a Proibição das Armas Nucleares.
O Malawi é um país encravado do sudeste da África. Alongado e estreito, tem 837 km de norte a sul e largura de 8 a 160 km, com 118 484 km². Limita-se com a Tanzânia ao norte, Moçambique a sudeste, leste e sul, e com a Zâmbia a oeste. Situa-se entre as latitudes 9° e 18° S, e as longitudes 32° e 36° E. O traço mais marcante da sua geografia é o Lago Maláui, ou Niassa, terceiro mais extenso de África, que ocupa cerca de um quarto do país, com aproximadamente 31 000 km², dividindo-o com Moçambique e fazendo a fronteira com a Tanzânia. O relevo varia entre as planícies do rio Shire, que origina-se no Lago Niassa e deságua no rio Zambezi, já em território moçambicano, e planaltos desde a fronteira ocidental com a Zâmbia às proximidades da margem ocidental do Lago Niassa. Uma cadeia montanhosa estende-se de norte ao centro-oeste do país, com elevações entre 1 000 e 2 000 metros, que correspondem as montanhas que seguem o Vale do Rifte da África Oriental. Na porção sudeste do país, a leste do vale do rio Shire, ergue-se o maciço de Mulanje (também pertencente às cadeias marginais do Vale do Rift) com o pico Sapitwa que, com 3 002 m. de altitude, é o ponto mais elevado do país.
Fauna e Flora
A fauna nativa do Malawi inclui mamíferos como elefantes, hipopótamos, antílopes, búfalos, grandes felinos, macacos, rinocerontes e morcegos; uma grande variedade de aves, incluindo aves de rapina, papagaios e falcões; além de aves aquáticas, pernaltas, corujas e pássaros canoros. O Lago Niassa possui uma das mais ricas faunas de peixes de água doce do mundo. O país abriga cerca de 200 espécies de mamíferos, 650 espécies de aves, mais de 30 espécies de moluscos e mais de 5.500 espécies de plantas.
Religião
Segundo o censo de 2018, 77,3% da população é cristã e 13,8% muçulmana. Os cristãos estão divididos em católicos romanos com 17,2% da população, presbiterianos da África Central com 14,2%, adventistas do sétimo dia e os batistas do sétimo dia com 9,4%, anglicanos com 2,3% e pentecostais com 7,6%. O restante, 26,6%, enquadram-se na categoria “outros cristãos”. Pessoas que declaram não ter afiliação religiosa são 2,1% e 5,6% pertencem a outros grupos religiosos, incluindo hindus, bahá'ís, rastafáris, judeus e sikhs.
O Malawi está entre os países menos desenvolvidos do mundo. Cerca de 85% da população vive em áreas rurais. A economia é baseada na agricultura, que representa mais de um terço do PIB e 90% das receitas de exportação. No passado, a economia foi dependente de uma ajuda econômica substancial do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outros países. O PIB per capita do Malawi é de US$ 1,7 mil, o sétimo pior do mundo. As principais atividades económicas do Malawi são a agricultura e o turismo, o principal centro econômico do país é a capital.
O nome “Malawi” deriva de “Maravi”, um grupo étnico banto que migrou do sul do Congo por volta de 1400 d.C. Ao longo do último século, as distinções étnicas diminuíram a ponto de não haver conflitos interétnicos significativos, embora ainda existam divisões regionais. A nacionalidade malauiana formou-se em torno de uma população predominantemente rural e não violenta. O apelido “Coração Quente da África” foi atribuído ao país devido ao caráter afetuoso de seu povo.
Culinária
Sendo um país agrícola, o Malawi possui uma culinária variada baseada em peixes, café, milho, batatas, sorgo, gado e cabras. Peixes encontrados no Lago Niassa, como o Oreochromis lidole e o Engraulicypris sardella, são muito apreciados. As refeições costumam vir acompanhadas do nsima, uma espécie de purê feito de farinha de milho.
Esporte
O futebol é o esporte mais popular do Malawi e foi introduzido pelo britânicos na época colonial. A Seleção Malauiana de Futebol representa o país e já participou de três edições do Campeonato Africano das Nações. O netball também é um esporte popular e a seleção nacional de Malawi ocupa a nona posição do ranking da modalidade (2026).


