Poligamia
Poligamia é a união reprodutiva entre três ou mais indivíduos de uma espécie. Na maioria dos países do mundo ocidental, a poligamia é um crime onde uma pessoa no casamento civil está casada com mais de uma pessoa ao mesmo tempo, sem antes ter passado pelo divórcio. Exemplo: quando um homem tem duas esposas em papel e não se divorciou de uma delas para poder se casar legalmente com a outra e acaba mantendo um casamento com as duas mulheres ao mesmo tempo.
Quando um macho se reproduz com várias fêmeas em uma temporada ou estação reprodutiva (ex: leões - defesa feminina; defesa de recursos - peixe ciclídeo africano; lek - iguanas marinhas de Galápagos). Existem três subtipos principais de poliginia: Poliginia de defesa das fêmeas: quando fêmeas receptivas ocorrem em grupos defensáveis, os machos competem diretamente por esse grupo. Um exemplo são os leões (Panthera leo), onde os machos competem por bandos de fêmeas organizadas em torno de territórios estáveis. Isso favorece machos com habilidades de combate superiores, especialmente devido à ameaça de infanticídio. Poliginia de defesa de recursos: quando os recursos estão agrupados, eles atraem várias fêmeas e são facilmente defensáveis, fazendo com que os machos protejam os recursos e por extensão, as fêmeas, estabelecendo um território. Um exemplo é o peixe ciclídeo africano (Lamprologus callipterus): nessa espécie, as fêmeas depositam uma ninhada de ovos em uma concha vazia de caracol e então nadam para dentro dela para permanecer com os ovos e filhotes até que estejam prontos para deixar o ninho. Os machos territoriais, que são muito maiores que as fêmeas, não apenas defendem locais adequados para nidificação, mas também coletam conchas do fundo do lago e as roubam dos ninhos de machos rivais para criar monturos de até 86 conchas. O macho pode acumular montes de conchas com até 14 fêmeas nidificando simultaneamente.
Este sistema reprodutrivo ocorre quando uma fêmea se reproduz com vários machos (ex: abelhas-melíferas). Muitas vezes, a poliandria parece estar relacionada à escassez de territórios adequados, o que leva a uma proporção sexual operacional (relação entre machos e fêmeas sexualmente disponíveis em uma população em um determinado momento) altamente enviesada para os machos, uma vez que os machos superam em número a quantidade de fêmeas reprodutoras territoriais. Um exemplo muito comum são algumas espécies do gênero Apis, as quais são altamente poliândricas, com fêmeas de A. florea aceitando e utilizando esperma de cerca de 10 machos em média e fêmeas de A. dorsata adquirindo esperma de uma média de 63 machos.
Imagem: Salomé Bielsa · BY-NC-SA · Openverse
Quando vários machos e várias fêmeas formam relacionamentos reprodutivos simultâneos dentro de um mesmo grupo social, onde há relações sociais relativamente estáveis e, na maioria das vezes, os machos e as fêmeas dividem responsabilidades como defesa de território e cuidado parental. Dois exemplos para ilustrar esse sistema de acasalamento são: o ferrão-comum, que apresenta alta plasticidade no comportamento de acasalamento e, dependendo das circunstâncias sociais ou ecológicas pode exibir poliandria, poliginia, monogamia e poliginandria; outro exemplo é o do marreco-comum na Nova Zelândia, que também apresenta diversificação no comportamento reprodutivo, exibindo os 4 tipos citados anteriormente, sendo que essa variação é resultado de conflitos sexuais, onde a monogamia e poliginandria acontecem quando nenhum dos sexos consegue obter vantagem em relação ao outro. Na África, nas Américas e no Sudeste Asiático na Era Pré-moderna, cerca de 1600 a.C. a 600 a.C.; Tanto a monogamia quanto a poligamia ocorriam. A poligamia ocorria mesmo em áreas onde a monogamia era prevalente. A riqueza desempenhava um papel fundamental no desenvolvimento da vida familiar durante esses tempos. Riqueza significava que os homens mais poderosos tinham uma esposa principal e várias esposas secundárias, o que era conhecido como poliginia de recursos. Os governantes locais das aldeias geralmente tinham a maioria das esposas como sinal de poder e status. Os conquistadores das aldeias frequentemente se casariam com as filhas dos ex-líderes como símbolo da conquista. A prática da poliginia de recursos continuou com a disseminação e expansão do islamismo na África e no Sudeste Asiático. As crianças nascidas nessas famílias foram consideradas livres. As crianças nascidas de concubinas livres ou escravas eram livres, mas tinham menor status do que aquelas nascidos das esposas. Os arranjamentos variaram entre as áreas. Na África, cada esposa geralmente tinha sua própria casa, bem como propriedade e animais. A ideia de que toda propriedade era de propriedade do marido originou-se no Antigo Oriente Próximo e não foi reconhecida na África. Em muitas outras partes do mundo, as esposas viviam juntas em reclusão, sob uma casa. Um harém (também conhecido como uma área proibida) era uma parte especial da casa para as esposas.
África
A poligamia é uma prática frequente na África e no Médio Oriente, uma vez que a segunda religião no continente africano mais praticada é a muçulmana, sendo esta religião forte propagadora da prática, devido o livro sagrado dessa fé, o Alcorão, prever que um homem pode possuir até quatro mulheres, contando que ele consiga dar atenção e boas condições a cada uma delas. Nesse sentido, a religião entende ser melhor a sinceridade com as parceiras do que a mentira na relação. Embora a poliginia seja mais comum, a poliandria também existe. Estas práticas não estão associadas ao patriarcado ou à sociedade matriarcal, ainda existentes em África, mas às condições de vida na zona rural e principalmente a cultura muçulmana lá existente, embora possam verificar-se casos isolados na zona urbana. Em 2013, a antiga oposição líbia aboliu a obrigatoriedade da monogamia, argumentando que a lei de Muammar al-Gaddafi violava a xaria.
Ásia
Na República da Chechênia, a poligamia foi tornada uma forma legal de casamento. Por outro lado, no norte da Índia e no Uzbequistão, foram registados casos de poliandria, que também poderiam ser consideradas uniões múltiplas entre membros de duas famílias.
Brasil
No Brasil a poligamia é considerada crime pelo Código Penal Brasileiro,com pena máxima de 3 anos (para quem compartilha o cônjuge) a 6 anos (para quem tem vários cônjuges) e o casamento poligâmico não é válido para o nosso Direito de Família, sendo esta escritura nula, nos termos do artigo 166, por motivo evidentemente ilícito (contra o direito) e por fraudar norma imperativa que proíbe uniões formais ou informais poligâmicas. Em recentes casos o judiciário brasileiro reconheceu a união estável de mais de duas pessoas, embora a bigamia seja proibida por lei. No território onde hoje chamam de Brasil, existem povos em que não é incomum a prática da poligamia. No modelo de poliginia (um homem com duas ou mais mulheres), é conhecido que ocorre atualmente entre os povos indígenas Xavante, Nambikuára e Tenetehára. Também já foi comum entre os antigos Tupinambás. Já entre os Xókleng, os modelos de poliandria (uma mulher com dois ou mais homens) ou de poliginandria (duas ou mais mulheres com dois ou mais homens) são comuns.


