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Pinacoteca de São Paulo

Pinacoteca de São Paulo é um dos mais importantes museus de arte do Brasil e o mais antigo do estado de São Paulo, fundado em 1905 e regulamentado como museu público estadual desde 1911. A instituição está localizada na cidade de São Paulo e é voltada para a produção brasileira entre o século XIX e a contemporaneidade.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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Logotipo e designação

Desde janeiro de 2016, a Pinacoteca usa um logo apresentando somente o "apelido" Pina. Segundo o então diretor de relações institucionais do museu, Paulo Vicelli, a mudança oficializa o nome que os frequentadores do museu já utilizavam. A Estação Pinacoteca passou a ser designada por “Pina Estação”, e o museu do Jardim da Luz por “Pina Luz”. A nova identidade visual foi criada pela agência de publicidade F/Nazca Saatchi & Saatchi. Os elementos marcantes da arquitetura do museu, como as colunas, os tijolos e a escadaria, fazem parte do sistema de identidade visual.

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História

A gestão do artista plástico Emanoel Araújo, diretor da pinacoteca entre 1992 e 2001, estabeleceria um ponto de inflexão na história da instituição, conferindo-lhe visibilidade e prestígio internacional. Araújo criou a Associação dos Amigos da Pinacoteca, entidade civil responsável por auxiliar a captação de recursos e a organização de atividades culturais no museu. No segundo semestre de 1992, a pinacoteca sediou o programa Música nos Museus e conquistou o prêmio da APCA para o conjunto de exposições denominado Vozes da Diáspora, voltado à valorização da cultura afro-brasileira. Em 1993, a Pinacoteca comemorou o centenário de nascimento de Mário de Andrade e os 150 anos do fotógrafo Marc Ferrez. Entre 1994 e 1998, a Pinacoteca do Estado passou por uma grande reforma, orçada em aproximadamente dez milhões de reais, para adaptar-se aos padrões museológicos internacionais. O projeto da reforma foi concebido por Paulo Mendes da Rocha, com o qual o arquiteto ganhou o Prêmio Internacional Mies van der Rohe para a América Latina, em junho de 2000. Mendes da Rocha optou por cobrir os vazios internos do edifício com claraboias de aço e vidro laminado e interligou os pátios laterais com passarelas metálicas. O edifício ganhou uma nova reserva técnica e sistemas adequados de climatização, controle e segurança. Entre 1995, ano do centenário do museu, e meados de 1997, com parte do edifício ainda em reformas, a pinacoteca sediou uma série de mostras vindas da Espanha, França, Itália, Holanda, Dinamarca e Portugal, integrando-se definitivamente ao calendário de exposições internacionais e incrementando de maneira expressiva a visitação, que chegou a 183 mil pessoas ao término desse período. Em junho de 1997, para acelerar a conclusão da reforma, o museu foi fechado à visitação. A pinacoteca passou a funcionar temporariamente no Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega, no Parque do Ibirapuera, onde foram sediadas as mostras de Camille Claudel e de 100 anos da Guerra de Canudos.

Antecedentes

As origens da Pinacoteca de São Paulo remetem à criação do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Este, por sua vez, é fruto de um contexto de profundas modificações sociais, políticas e econômicas que operavam em São Paulo na segunda metade do século XIX. A então província, que se mantivera de pouca expressão até a década 1870, metamorfoseava-se, alavancada pela expansão cafeeira e pela consolidação da rede ferroviária. Recebia um grande fluxo de imigrantes (intensificado após a abolição da escravatura), que conferiam transformações significativas, abarcando desde a cultura material e hábitos alimentares até as novas formas de sociabilização. Os núcleos urbanos adensavam-se e modernizavam-se. Na cidade de São Paulo, os capitais acumulados pelos cafeicultores eram reinvestidos na incipiente indústria, realimentando o ciclo de prosperidade. Novos edifícios eram construídos e a técnica da taipa cedia espaço à alvenaria de tijolos. Bairros nobres eram construídos para abrigar os solares e palacetes dos barões do café, sempre seguindo os padrões arquitetônicos europeus, marcados pelo ecletismo. Ainda mais numerosos eram os bairros operários que surgiam, expandindo de forma acelerada o núcleo urbano.

A fundação e os primeiros anos

Além da necessidade de profissionais habilitados a trabalhar com as novas técnicas industriais, o progresso material havia criado em São Paulo, conforme mencionado, uma nova classe abastada, que demandava também a dinamização e modernização da vida cultural. Para a elite paulista que se formava na virada do século XIX para o século XX, a cultura erudita, além de um indício de civilização, era também a afirmação do crescimento econômico e um fator relevante para a construção de uma identidade nacional em sentido amplo. O aristocratismo paulista ora justificava essa necessidade de modernização cultural tomando a arte como uma espécie de atributo social, exclusivo de seus pares, ora por meio de um discurso paternalista, pregando a necessidade de elevar o nível educacional das camadas populares. No que tange às artes visuais, os investimentos concentravam-se sobretudo na escultura e na estatuária, com a abertura de concursos públicos para construção de monumentos comemorativos, além das encomendas de monumentos funerários para decorar os aristocráticos cemitérios da Consolação e do Araçá. A pintura, de certa forma, ficava relegada a um segundo plano, embora ocorressem periodicamente exposições de artistas brasileiros e estrangeiros nas extintas livrarias Laemmert e Garraux. A vida cultural era permeada ainda pela existência de diversos jornais e revistas (como O Estado de S. Paulo, o Correio Paulistano, O Commercio de São Paulo, Diário Popular, Platéa, Fanfulla, etc.), teatros como o Frontão Boa Vista e o Sant'Ana, clubes como o Recreativo Seis de Janeiro. Mas se esta nova elite tinha por objetivo aproximar a cultura brasileira dos padrões da burguesia europeia, faltava-lhe ainda um museu artístico.

De 1911 à Revolução de 1930

No começo da década de 1910, as críticas à gestão da pinacoteca intensificaram-se. Um editorial de primeira página do Commercio de São Paulo, publicado em 2 de novembro de 1911, acusava o poder público de "um lamentável e propalado descuro", argumentado sobre o contrassenso da utilização de dinheiro público para adquirir obras que não estavam à disposição dos interessados e apontando para a falta de verbas de custeio e funcionários qualificados, sem os quais "a Pinacoteca nunca chegaria a corresponder aos intuitos que determinaram a sua criação". Em resposta às críticas, Freitas Valle, então deputado pelo Partido Republicano Paulista, redigiu o projeto da lei nº 1 271, aprovada com o respaldo de Sampaio Vianna, de Ramos de Azevedo e de Adolpho Pinto, dando a pinacoteca o status de órgão autônomo e a definindo como museu estatal, subordinado à Secretaria do Interior e da Justiça. A lei estabelecia ainda que a instituição deveria continuar a funcionar como núcleo de aprendizado, nos moldes que haviam sido estabelecidos pelo Liceu.

Mudança de endereço e reunião do acervo (1930-1947)

Ainda em 1930, o edifício voltou a ser danificado, desta vez por um incêndio que destruiu, em grande parte, os registros históricos do Liceu de Artes e Ofícios. Após o reparo do prédio, o governo paulista requisitou a cessão de toda a ala direita do edifício para abrigar o Grupo Escolar Prudente de Moraes, passando a ocupar dezesseis salas e duas galerias. Com a diminuição da área expositiva, a direção da pinacoteca realocou parte do acervo, transferindo diversas obras para outros edifícios governamentais, aprofundando o processo de dispersão da coleção que já se iniciara durante o uso do edifício como abrigo militar. Em 1931, a pinacoteca passou a ser subordinada à Secretaria da Educação e da Saúde Pública. Nessa mesma ocasião foi criado o Conselho de Orientação Artística (COA), para desenvolver uma política de aquisições e um plano de defesa do patrimônio artístico.

A Pinacoteca Circulante (1947-1966)

Em 1947, Túlio Mugnaini substituiu Lopes de Leão na direção da pinacoteca, ao mesmo tempo em que o Conselho de Orientação Artística foi extinto. Entre as suas realizações, destacaria-se a criação das “Conferências Passeios”, em que nomes consagrados no meio artístico, como Anita Malfatti, Quirino Campofiorito e Georgina de Albuquerque, conduziam os visitantes ao contato com o acervo. Em 1950, em comemoração ao centenário de nascimento de Almeida Júnior, a pinacoteca organizou com uma grande retrospectiva da obra pintor. Dois anos depois, a pinacoteca recebeu uma importante doação de 130 peças deixadas em testamento por José Manuel de Azevedo Marques. Apesar das atividades e dos esforços de Mugnaini para incrementar a visitação, o público ainda era escasso quando comparado aos outros museus de arte da cidade.

Fase de transformações (1967-1991)

Em 1967, Delmiro Gonçalves assumiu a direção. Durante sua gestão, esforçou-se para incorporar obras de artistas atuantes em São Paulo desde a década de 1930, como Flávio de Carvalho e Ernesto de Fiori. Delmiro foi o primeiro diretor da pinacoteca a entender a instituição como um núcleo voltado à arte de seu tempo. Assim, ampliou também o núcleo de obras de artistas contemporâneos, adquirindo peças de Tomie Ohtake, Manabu Mabe e um conjunto de 387 gravuras de Marcelo Grassmann. O espaço permaneceria escasso, dividido entre o Serviço de Fiscalização Artística, a Escola de Belas-Artes, a Escola de Arte Dramática e o Conservatório Estadual de Canto Orfeônico.

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Edifício-sede

Após a criação do Liceu de Artes e Ofícios em 1873, os mantenedores da instituição negociam com o governo provincial a doação de um terreno para a escola, ao lado do Jardim Público da Luz – o que ocorre em 1896 -, além da concessão de recursos para a edificação da sede, cujas obras se iniciam em 1897. O prédio, projetado por Ramos de Azevedo e Domiciano Rossi, seu principal colaborador, tem estilo monumental em forte consonância com os princípios do ecletismo italiano, formado por três pavimentos, com dois pátios internos de modo a garantir ventilação e iluminação. No centro, primeiro piso, localiza-se o saguão central, com altíssimo pé-direito e janelas voltadas para o interior, que prevê uma cúpula, nunca concluída. Na construção foram empregados materiais importados como pinho-de-riga e cerâmica francesa. No projeto, os engenheiros idealizaram a integração entre o edifício e o Jardim da Luz, pelo recurso às varandas laterais e às janelas que dão para o parque. O prédio foi parcialmente inaugurado em 1900, quando começaram a funcionar alguns cursos de instrução primária e artística. O edifício, no entanto, nunca foi concluído, como atestam os tijolos expostos na fachada e nos pátios internos e na ausência da já referida cúpula, que constava do projeto original.

Pinacoteca Estação

Em 2003, a Pinacoteca do Estado passou a administrar também prédio onde funcionou, por mais de meio século, o DOPS (Departamento de Ordem e Política Social), no centro de São Paulo. Inaugurado em 1914, e projetado por Ramos de Azevedo para servir de armazém da Companhia Sorocabana, o prédio foi totalmente restaurado de acordo com projeto do arquiteto Haron Cohen. Hoje, denominado Estação Pinacoteca, o espaço de oito mil metros quadrados apresenta condições técnicas ideais para as atividades museológicas que comporta.

Pinacoteca Contemporânea

Em 2021, o escritório Arquitetos Associados adaptou os espaços que serviram à Escola Estadual Prudente de Moraes (realocada em 2015) e que se localizam em terreno conectado ao Parque da Luz. Foram mantidos um edifício mais antigo, atribuído a Ramos de Azevedo (remanescente da primeira escola) e outro da década de 1950 de Hélio Duarte. O terreno foi oficialmente cedido ao Estado de São Paulo em 2018. A Pina Contemporânea foi inaugurada em 2023 e conta com praça pública onde acontecem atividades artísticas e culturais, auditório, mirante, duas galerias para grandes formatos e vários ateliês para atividades educativas. Além disso, a Biblioteca e Centro de Documentação e Pesquisa foi logo transferida para o novo edifício e recebeu em 2024 o nome de Biblioteca de Artes Visuais, responsável pela gestão, guarda e difusão dos acervos bibliográfico e arquivístico.

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Acervo

A pinacoteca do Estado mantém um expressivo e variado acervo de arte brasileira, principalmente dos séculos XIX e XX. Entre as mais de sete mil obras mantidas pela instituição, estão pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, fotografias, tapeçarias, objetos de arte decorativa e um seleto conjunto de imaginária do período colonial, capazes de fornecer um amplo panorama da arte nacional. No segmento referente ao século XIX, certamente o núcleo mais consistente e importante da instituição, é possível entrar em contato com a maior coleção de obras de Almeida Júnior. Entre paisagens, retratos e cenas de interior, sobressaem as célebres obras Caipira Picando Fumo, Saudade e Leitura. As naturezas-mortas de Pedro Alexandrino ocupam uma sala inteira, onde se destacam Cozinha na Roça, Peru Depenado e Aspargos. Há ainda paisagens de Antônio Parreiras e Benedito Calixto, como a Baía de São Vicente; pinturas históricas e cenas de gênero de Oscar Pereira da Silva (Hora de Música e Infância de Giotto), retratos de Bertha Worms e Henrique Bernardelli, a tela Maternidade, de Eliseu Visconti, obras de Castagneto, João Batista da Costa e Pedro Weingärtner, entre muitos outros. A coleção tem especial importância ainda pelo destacado número obras de pintores acadêmicos paulistas.

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Fontes consultadas

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