Petróleo
Petróleo é uma mistura inflamável de substâncias oleosas, geralmente menos densa que a água, com cheiro característico e coloração que pode variar desde o incolor ou castanho claro até ao preto, passando por verde e marrom (castanho).
Antiguidade
Registros históricos da utilização do petróleo remontam a 4 000 a.C. devido a exsudações e afloramentos frequentes no Oriente Médio. Os povos da Mesopotâmia, do Egito, da Pérsia e da Judeia já utilizavam o betume para pavimentação de estradas, calafetação de grandes construções, aquecimento e iluminação de casas, bem como lubrificantes e até laxativo. Os chineses já perfuravam poços, usando hastes de bambu, pelo menos desde 347 a.C. Heródoto citou na sua obra Histórias processos de obtenção do petróleo e do betume no Oriente Médio (século V a.C.). Amiano Marcelino, historiador do período final do Império Romano, menciona o óleo da Media, usado em flechas incendiárias, e que não era apagado com água, apenas com areia; um outro óleo, mais viscoso, era produzido na Pérsia, e chamado nafta em língua persa.
Origens da indústria petrolífera
A moderna indústria petrolífera data de meados do século XIX. Em 1850, James Young, na Escócia, descobriu que o petróleo podia ser extraído do carvão e xisto betuminoso, e criou processos de refinação. O primeiro poço moderno foi perfurado em Bibiheybət (Bibi-Heybat), próximo a Bacu, no Azerbaijão, no ano de 1846. O Azerbaijão foi o maior produtor de petróleo no século XIX e no final desse sua produção era de mais da metade da produção mundial. O primeiro poço comercial da Romênia foi perfurado em 1857. O primeiro poço nas Américas foi perfurado no Canadá, em 1858. Em agosto de 1859 o norte-americano Edwin Laurentine Drake perfurou o primeiro poço nos Estados Unidos para a procura do petróleo (a uma profundidade de 21 metros), no estado da Pensilvânia. O poço revelou-se produtor e a data passou a ser considerada, pelos norte-americanos, a do nascimento da moderna indústria petrolífera. A produção de óleo cru nos Estados Unidos, de dois mil barris em 1859, aumentou para aproximadamente três milhões em 1863, e para dez milhões de barris em 1874.
O Médio Oriente
A história da exploração petrolífera no Médio Oriente nasceu da rivalidade entre a Grã-Bretanha e o Império Russo. O barão Paul Julius Reuter (fundador da Reuters) negociara acordos com a Pérsia desde 1872, renovados em 1889, que previam a exploração de petróleo, de maneira a neutralizar os interesses russos na região. Uma vez que o regime czarista temia a aproximação britânica da sua fronteira sul, as suas pressões diplomáticas levaram à anulação destes acordos. Sem desistência britânica, as negociações com Teerã foram retomadas por William Knox d'Arcy. Uma vez que o Xá necessitava de recursos financeiros, acabou sendo assinado um novo contrato, em 28 de maio de 1901. Pelos seus termos, mediante o pagamento de 20 mil libras esterlinas líquidas à vista, idêntico montante em ações e uma percentagem de 16% sobre os eventuais lucros, era garantida a concessão da exploração por 60 anos, sobre dois terços do território do país. Para explorá-la, d'Arcy contratou o engenheiro George Reynolds, que priorizou uma região entre a Pérsia (atual Irã) e a Mesopotâmia (atual Iraque), a cerca de 500 quilômetros do golfo Pérsico. A primeira perfuração iniciou-se em 1902, sob temperaturas de até 50° Celsius à sombra, numa área desértica e inóspita, habitada por tribos nômades hostis. Finalmente, em abril de 1904, uma das perfurações começou a produzir, demonstrando, mesmo em quantidade insuficiente, a existência de petróleo na região.
O pós-segunda guerra e a criação da OPEP
Após a Segunda Guerra Mundial, o movimento pela descolonização foi seguido pelo direito das nações disporem livremente dos próprios recursos naturais. Nesse contexto, os países do Golfo Pérsico passaram a manifestar o desejo de libertar-se das companhias petrolíferas ocidentais. Assim, em 1948, com o apoio dos Estados Unidos enquanto superpotência, obtiveram o fim do "acordo da Linha Vermelha". Empresas recém-chegadas, como a estadunidense Getty Oil Company, ofereceram melhores condições à Arábia Saudita, obrigando as companhias petrolíferas, determinadas a manter as suas posições, a conceder a este país, em 1950, uma fatia dos lucros da exploração petrolífera na base de 50/50. Essa concessão foi estendida ao Barém e, posteriormente, ao Cuaite e ao Iraque.
Brasil
No Brasil, a primeira sondagem foi realizada no município de Bofete no estado de São Paulo, entre 1892 e 1896, por iniciativa de Eugênio Ferreira de Camargo. Foi responsável pela primeira perfuração, até à profundidade de 488 metros, que teve como resultado apenas água sulfurosa. Em 1932 foi instalada a primeira refinaria de petróleo do país, a Refinaria Rio-grandense de Petróleo, em Uruguaiana, a qual utilizava petróleo importado do Chile, entre outros países. Foi somente no ano de 1939 que foi descoberto óleo no bairro do Lobato, em Salvador. Desde os anos 1930 o tema do petróleo foi amplamente discutido no Brasil, polarizado entre os que defendiam o monopólio da União e os que defendiam a participação da iniciativa privada na exploração petrolífera. Entretanto, naquele período, o país ainda dependia das empresas privadas multinacionais para todas as etapas da exploração petrolífera, desde a extração, refino até a distribuição de combustíveis.
O petróleo está associado a grandes estruturas que comunicam a crosta e o manto da Terra, sobretudo nos limites entre placas tectônicas. O petróleo e gás natural são encontrados tanto em terra quanto no mar, principalmente nas bacias sedimentares (onde se encontram meios mais porosos - reservatórios), mas também em rochas do embasamento cristalino. Os hidrocarbonetos, portanto, ocupam espaços porosos nas rochas, sejam eles entre grãos ou fraturas. São efetuados estudos das potencialidades das estruturas acumuladoras (armadilhas ou trapas), principalmente através de sísmica que é o principal método geofísico para a pesquisa dos hidrocarbonetos. Durante a perfuração de um poço, as rochas atravessadas são descritas, pesquisando-se a ocorrência de indícios de hidrocarbonetos. Logo após a perfuração são investigadas as propriedades radioativas, elétricas, magnéticas e elásticas das rochas da parede do poço através de ferramentas especiais (perfilagem) as quais permitem ler as propriedades físicas das rochas, identificar e avaliar a ocorrência de hidrocarbonetos.
Origem
A hipótese mais aceita leva em conta que, com o aumento da temperatura, as moléculas do querogênio começariam a ser quebradas, gerando compostos orgânicos líquidos e gasosos, num processo denominado catagênese. Para se ter uma acumulação de petróleo seria necessário que, após o processo de geração (cozinha de geração) e expulsão, ocorresse a migração do óleo e/ou gás através das camadas de rochas adjacentes e porosas, até encontrar uma rocha selante e uma estrutura geológica que detenha seu caminho, sobre a qual ocorrerá a acumulação do óleo e/ou gás em uma rocha porosa chamada rocha reservatório. É de aceitação para a maioria dos geólogos e geoquímicos, que ele se forme a partir de substâncias orgânicas procedentes da superfície terrestre (detritos orgânicos), mas esta não é a única teoria sobre a sua formação.
A indústria é geralmente dividida em três grandes segmentos, denominados cadeia produtiva inicial (upstream), cadeia produtiva intermediária (midstream) e cadeia produtiva final (downstream). No entanto, o Instituto Americano de Petróleo divide a indústria do petróleo em cinco setores: cadeia produtiva inicial, cadeia produtiva final, oleodutos, marinas e fornecimento de serviços. Quanto à propriedade, as companhias petrolíferas se subdividem em dois grupos principais:
Uso
Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), em 2013, 63,8% do petróleo produzido foi destinado ao setor de transporte, o que inclui o seguimento aéreo, marítimo e rodoviário. Aproximadamente 25% do petróleo é utilizado pelo setor industrial, sendo que 16,2% é utilizado como subproduto ou matéria-prima.
Refino
Ao chegar nas refinarias, o produto extraído dos reservatórios é submetido a uma separação gás-óleo-água livre e desidratação do óleo para retirada de água e sais presentes no petróleo. O óleo bruto resultante é bombeado a um forno e em seguida, é encaminhado a uma torre de destilação atmosférica, também conhecida como destilação fracionada, onde ocorrerá a primeira etapa de separação de seus derivados. Ao longo da torre de destilação fracionada, há uma série de pratos (cerca de 30), onde é efetuada a separação dos derivados do petróleo de acordo com seus pontos de ebulição. Como o petróleo é composto por hidrocarbonetos, as frações mais pesadas dele são destiladas na parte inferior da torre e as frações mais leves na parte superior. Nesta etapa, são obtidos derivados como:
Principais países produtores
Fonte: Departamento de Estatística dos E.U.A..
Maiores exportadores de petróleo
Ordenados por milhões de barris exportados por dia em 2018: 1 Países que já ultrapassaram o pico de produção Fonte: Departamento de Estatística dos E.U.A..
Maiores consumidores de petróleo
Valores de consumo em 2019, em milhões de barris por dia: Fonte: Statistical Review of World Energy, June 2020
Maiores importadores de petróleo
Valores de Importação em 2018, em milhões de barris por dia: Fonte: Departamento de Estatística dos E.U.A..
15 maiores reservas de petróleo
Valores de Reservas em 2011, em bilhões de barris de óleo equivalente:
Como o petróleo é uma substância que ocorre naturalmente, a sua presença no ambiente não é necessariamente resultado de intervenção humana, tais como acidentes e extração, refino e combustão. Fenômenos como exsudações e poços de piche são exemplos de áreas que o petróleo afeta o ambiente sem o envolvimento do homem. Independentemente da fonte, os efeitos do petróleo, quando liberado no ambiente, são semelhantes.
Acidificação dos oceanos
A acidificação do oceano é o aumento da acidez dos oceanos da Terra causado pela absorção de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Este aumento da acidez inibe toda a vida marinha - tem um impacto maior sobre organismos menores e depois afeta organismos maiores.
Aquecimento global
Quando queimado, o petróleo libera dióxido de carbono, um gás de efeito estufa. Junto com a queima de carvão, a combustão de petróleo pode ser o maior contribuinte para o aumento do CO2 atmosférico, que tem aumentado ao longo dos últimos 150 anos para os níveis actuais de mais de 390 ppmv, a partir dos 180 - 300 ppmv dos últimos 800 mil anos. Este aumento da temperatura pode ter reduzido a área da calota de gelo do Ártico para 2,8 milhões km², a menor do que já registrada. Devido ao derretimentos, mais reservas de petróleo foram reveladas. A Agência Internacional de Energia estima que cerca de 13 por cento do petróleo não descoberto do mundo está no Ártico.
Extração
A extração do petróleo é simplesmente a remoção do recurso a partir da reserva. O petróleo é frequentemente recuperado como uma emulsão de água e óleo. Produtos químicos especiais, chamados demulsificadores, são utilizados para separar o petróleo da água. A extração é cara e, por vezes, prejudicial ao ambiente, embora, de acordo com dados de 1981 do Instituto Oceanográfico de Woods Hole, mais de 70 por cento das reservas do mundo estão associadas com sinais visíveis e muitos campos de petróleo são encontrados devido à exsudações naturais. A exploração offshore e a extração de petróleo perturbam o ambiente marinho circundante.
Derramamentos de petróleo
A quantidade de petróleo derramado durante acidentes varia de algumas centenas de toneladas a várias centenas de milhares de toneladas (por exemplo, a explosão da plataforma Deepwater Horizon e o Amoco Cadiz). Mesmo os derramamentos menores já demonstraram ter um grande impacto nos ecossistemas, como o derramamento de petróleo do Exxon Valdez. Os derrames de petróleo no mar são geralmente muito mais prejudicial do que aqueles em terra, uma vez que eles podem se espalhar por centenas de milhas náuticas em uma mancha de óleo que pode cobrir praias com uma fina camada de óleo. Isso pode matar aves marinhas, mamíferos, moluscos e outros organismos c. Os derramamentos de petróleo em terra são mais facilmente controláveis se uma barragem de terra improvisada ser rapidamente construída em torno do local do derramamento antes que a maioria do petróleo escape. Além disso, os animais terrestres podem evitar o óleo com mais facilidade.
Bola de petróleo
A bola de petróleo é uma gota de petróleo bruto (que não deve ser confundido com o alcatrão, que é um produto sintético derivado de refinos a partir do petróleo) que resistiu depois de flutuar no oceano. Esses aglomerados de petróleo são um poluente aquático na maioria dos ambientes, embora possam ocorrer naturalmente, como por exemplo no Canal de Santa Bárbara, na Califórnia, ou no Golfo do México, no Texas. A sua concentração e características têm sido utilizadas para avaliar a extensão de derramamentos de óleo. A sua composição pode ser utilizada para identificar as suas fontes de origem, e elas podem ser dispersas ao longo de grandes distâncias por correntes de profundidade. Elas são lentamente decomposto por bactérias, como Chromobacterium violaceum, Cladosporium resinae, Bacillus submarinus, Micrococcus varians, Pseudomonas aeruginosa, Candida marina e Saccharomyces estuari.
Baleias
James S. Robbins argumenta que o advento do querosene refinado do petróleo salvou algumas espécies de grandes baleias da extinção, fornecendo um substituto barato para o óleo de baleia e eliminando assim o imperativo econômico da baleação.
Muitos microrganismos (bactérias, fungos e algumas microalgas) expostos a derrames de óleo, têm a capacidade de desenvolver mecanismos necessários para a degradação de hidrocarbonetos . As bactérias, por exemplo, adaptam-se muito rapidamente através de mutações ou transferência horizontal de genes, adquirindo assim a maquinaria catabólica responsável pela degradação dos hidrocarbonetos. O grande objetivo da remediação de locais contaminados por petróleo é permitir a restauração de ecossistemas biológicos Contrariamente à remediação através de processos químicos e físicos, a remediação através de microrganismos (biorremediação) não é invasiva e tem uma relação custo-benefício bastante elevada, tornando-se assim uma estratégia ecologicamente sustentada para uma limpeza eficaz de locais contaminados. Nos últimos anos tem-se intensificado a investigação nesta área através da optimização de inóculos de bactérias nomeadamente do género Pseudomonas, Aeromonas e Bacillus de forma a melhorar as taxas de eficiência da bioremediação. Os fungos, Coriolopsis rigida e Marasmius quercophilus são algumas das espécies mais utilizadas com este fim.


