Pesquisa · Mapa mental

Os Lusíadas

Os Lusíadas é uma obra de poesia épica do escritor português Luís Vaz de Camões, a primeira epopeia portuguesa publicada em versão impressa. Provavelmente iniciada em 1556 e concluída em 1571, foi publicada em Lisboa a 12 de março de 1572, no período literário do Classicismo, ou Renascimento tardio, três anos após o regresso do autor do Oriente, via Moçambique.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
01

Estrutura

“As armas e os barões assinalados AQue, da ocidental praia lusitana, BPor mares nunca de antes navegados APassaram ainda além da Taprobana, BEm perigos e guerras esforçados, AMais do que prometia a força humana, BE entre gente remota edificaram CNovo reino, que tanto sublimaram. C” A estrutura externa refere-se à análise formal do poema: número de estrofes, número de versos por estrofe, número de sílabas métricas, tipos de rimas, ritmo, figuras de estilo, etc. Assim: Sendo Os Lusíadas um texto renascentista, não poderia deixar de seguir a estética grega que dava particular importância ao número de ouro. Assim, o clímax da narrativa, a chegada à Índia, foi colocada no ponto que divide a obra na proporção áurea (início do Canto VII). A estrutura interna relaciona-se com o conteúdo do texto. Esta obra mostra ser uma epopeia clássica ao dividir-se em quatro partes: Por fim, há um epílogo a concluir a obra (estrofes 145 a 156 do Canto X).

02

Impressão

Da edição impressa pela primeira vez em 1572 em Lisboa, ou de outras apresentadas com a mesma data mas que podem ter sido impressas nos anos seguintes ainda ao abrigo da mesma licença, subsistem apenas 34 exemplares conservados em três Continentes.

03

Parecer do Santo Ofício

O poema épico mais genuíno é o canto da construção duma nação com a ajuda de Deus ou dos deuses. Os Lusíadas, como já a Eneida, é uma epopeia moderna, em que o maravilhoso não passa dum artifício necessário, mas só literário. A fé única no Deus cristão é defendida por toda a obra. Não se pode pensar em heresia porque não fazia sentido, em tempos de Contrarreforma, acreditar nos deuses do panteão greco-romano, e a prova é a não censura dos inquisidores aos «Deoses dos Gentios». No episódio da Máquina do Mundo (estrofe 82 do Canto X), é a própria personagem da deusa Tétis que afirma: «eu, Saturno e Jano, Júpiter, Juno, fomos fabulosos, Fingidos de mortal e cego engano. Só para fazer versos deleitosos Servimos». No entanto, críticos defendem que esta fala de Tétis foi introduzida a pedido dos Censores, e que várias outras Oitavas foram ou alteradas, ou mesmo cortadas, para que o Poema pudesse ser publicado.

04

Temáticas

O herói

“Eternos moradores do luzenteEstelífero polo, e claro assento,Se do grande valor da forte genteDe Luso não perdeis o pensamento,Deveis de ter sabido claramente,Como é dos fados grandes certo intento,Que por ela se esqueçam os humanosDe Assírios, Persas, Gregos e Romanos.” — Início do discurso de Júpiter no concílio dos deuses. Canto I, estrofe 24. Como o título indica, o herói desta epopeia é colectivo, os Lusíadas, ou os filhos de Luso, os portugueses. Nas estrofes iniciais do discurso de Júpiter no concílio dos deuses olímpicos, que abre a parte narrativa, surge a orientação laudatória do autor. O rei dos deuses afirma que desde Viriato e Sertório, o destino (fado) dos valentes portugueses (forte gente de Luso) é realizar feitos tão gloriosos que façam esquecer os dos impérios anteriores (assírios, persas, gregos e romanos).

A cruzada contra o mouro

O poema pode ser lido numa perspetiva que já era antiga, mas a que factos recentes haviam dado acrescida atualidade, a da cruzada contra o mouro. As lutas no Oriente seriam a continuação das que já se haviam travado em Portugal e no Norte de África, dominando ou abatendo o poder do Islão. O próprio "movimento" dos descobrimentos surgiu numa lógica de combate ao poderoso Império Otomano que ameaçava a Europa cristã, incapaz de vencer o inimigo em guerra aberta. Os objetivos passavam por fazer uma concorrência comercial aos muçulmanos, ao mesmo tempo ganhando proveitos e debilitando a economia dos rivais. Mas também se ambicionava encontrar aliados dos europeus nas novas terras, que poderiam ser eles mesmos cristãos, ou passíveis de conversão.

Narradores e os seus discursos

Cada um dos tipos de discurso neste poema evidencia particularidades estilísticas concretas. Dependendo do assunto que tratam, o estilo pode ser heroico e exaltado, empolgante, lamentoso e melancólico, humorístico, admirador. Os Lusíadas é uma obra narrativa, mas os seus narradores são quase sempre oradores que fazem discursos grandiloquentes: o narrador principal, Camões, que abre em grande estilo e retoma a palavra em várias ocasiões; Vasco da Gama, reconhecido como «facundo capitão» (eloquente); Júpiter, que também toma a palavra em diversas ocasiões; Paulo da Gama (Canto VIII, estrofes 2 a 42); o Velho do Restelo (Canto IV, estrofes 95 a 104); Tétis; a Sirena que profetiza ao som de música (Canto X, estrofes 10 a 74), etc.

05

Descrição da narrativa

Este canto inicia com a comparação dos feitos dos portugueses contra os muçulmanos, expandindo o cristianismo e fazendo a guerra santa, com os conflitos internos da Europa (estrofes 2 a 15). Segundo o ponto de vista de Camões, os reis e os nobres das outras nações europeias perdem-se em guerras intestinas, inglórias e injustas. Os alemães, franceses e ingleses renegaram a verdadeira fé e enfraquecem o poder cristão. Os italianos são corruptos, lutando uns contra os outros com o único objetivo do ganho pessoal. Pelo contrário, só os portugueses, com as mais nobres intenções, lutam contra os mouros e turcos. Assim que aporta em Calecute, Vasco da Gama envia um mensageiro ao soberano indiano. No meio deste novo povo, com quem não consegue falar, o marinheiro encontra Monçaide, um mouro hispânico falante de castelhano, que o acolhe e lhe serve de tradutor. Monçaide acompanha-o até à frota e explica aos portugueses um pouco da geografia, história, política, religiões e costumes da Índia.

Canto I

Depois da Proposição, da Invocação e da Dedicatória, a ação começa in medias res com a frota de Vasco da Gama já no Oceano Índico, mas antes de chegar à Índia (estrofe 19). Neste momento, é convocado o Consílio dos Deuses (estrofes 20 a 41) para decidir se os portugueses devem ou não conseguir alcançar o seu destino. Júpiter afirma que sim, porque isso lhes está predestinado. Baco discorda porque, se isto for permitido, as suas próprias conquistas no Oriente serão esquecidas, ultrapassadas por este povo. Mas Vénus vê os portugueses como herdeiros dos seus amados romanos e sabe que será celebrada por eles. Camões era um homem de paixões, que também celebrava o amor na sua lírica, e talvez por isso tivesse escolhido a deusa romana desse sentimento para patrona do seu povo.

Canto II

O rei de Mombaça envia um mensageiro com promessas de bom acolhimento e pede que a armada entre no porto da cidade, mas com a intenção de armar uma emboscada. Vasco da Gama envia primeiro dois degredados à cidade para passarem a noite e avaliarem a situação. Enganados pelos mouros e por Baco, estes aconselham a entrada em Mombaça. Mas Vénus interfere mais uma vez, e com a ajuda das Nereidas impede a entrada dos navios portugueses. Vénus sai então em direção aos céus (estrofe 33). Comove Júpiter com a sua beleza e carisma e queixa-se dos perigos que a expedição está a correr. O rei dos deuses reafirma que os fados já destinaram sucesso para os portugueses e envia Mercúrio para avisar Vasco da Gama da existência de Melinde, onde encontrará um rei justo e bondoso, que fornecerá tudo o que procura.

Canto III

“Golpes se dão medonhos e forçosos;Por toda a parte andava acesa a guerra:Mas o de Luso arnês, couraça e malhaRompe, corta, desfaz, abola e talha.” — Batalha de Ourique. Canto III, estrofe 51 Após uma invocação do poeta a Calíope, Vasco da Gama começa por explicar a geografia da Europa e a situação de Portugal no continente (estrofes 6 a 20), «quase cume da cabeça De Europa toda». Inicia então a narrativa da história de Portugal. De Luso a Viriato, passa para o rei D. Afonso VI de Leão e Castela, D. Teresa e o conde D. Henrique. Segue-se a luta de D. Afonso Henriques pela formação da nacionalidade e a enumeração dos feitos guerreiros do primeiro rei de Portugal contra castelhanos, leoneses e mouros.

Canto IV

Vasco da Gama prossegue a narrativa da história de Portugal. Fala agora da 2.ª Dinastia, desde a Revolução de 1383-85, até ao momento, do reinado de D. Manuel I, em que a sua armada parte para a Índia. “Eis ali seus irmãos contra ele vão,(Caso feio e cruel!) mas não se espanta,Que menos é querer matar o irmão,Quem contra o Rei e a Pátria se alevanta:” — Sobre D. Nuno Álvares Pereira na Batalha de Aljubarrota, Canto IV, estrofe 32 A narrativa da revolução de 1383-85 é dividida em duas partes: o levantamento do povo para apoiar o pretendente português (estrofes 1 a 23), e a batalha de Aljubarrota (estrofes 24 a 44). Dois heróis partilham as glórias destes episódios: o régio D. João e o guerreiro D. Nuno Álvares Pereira.

Canto V

Vasco da Gama conta agora como foi a viagem da armada, de Lisboa a Melinde. É a narrativa da grande aventura marítima, em que os marinheiros observaram maravilhados ou inquietos a costa de África, o Cruzeiro do Sul nos céus desconhecidos do novo hemisfério, o Fogo de Santelmo e a Tromba Marítima, e enfrentaram perigos e obstáculos enormes como a hostilidade dos nativos, no episódio de Fernão Veloso, a fúria de um monstro, no episódio do Gigante Adamastor, a doença e a morte provocadas pelo escorbuto. “Disse então a Veloso um companheiro(Começando-se todos a sorrir)-"Ó lá, Veloso amigo, aquele outeiroÉ melhor de descer que de subir."- "Sim, é, (responde o ousado aventureiro)Mas quando eu para cá vi tantos virDaqueles cães, depressa um pouco vim,Por me lembrar que estáveis cá sem mim”

Canto VI

Finda a narrativa de Vasco da Gama, e os festejos dos melindanos, a armada sai, guiada por um piloto que deverá guiá-la até Calecute. Baco, vendo que os portugueses estão prestes a chegar à Índia, resolve pedir ajuda a Neptuno, que convoca um concílio dos deuses marinhos. A decisão destes é oposta à dos olímpicos, e assim ordenam a Éolo que solte os ventos para fazer afundar a frota. Entretanto, os marinheiros matam despreocupadamente o tempo ouvindo Fernão Veloso contar o episódio lendário e cavaleiresco d'Os Doze de Inglaterra (estrofes 43 a 69): Nos tempos de D. João I, doze cavaleiros ingleses teriam ofendido a honra de doze damas inglesas, e lançado o desafio a quem quisesse defendê-las em um torneio. Uma vez que estes eram homens poderosos da Inglaterra, não havia compatriotas que se atrevessem a enfrentá-los. Assim, o duque de Lencastre João de Gante lançou um apelo ao seu genro rei de Portugal.

06

Traduções

Os Lusíadas foi editado pela primeira vez em França em 1735, numa tradução de Duperron de Castéra. Estima-se que antes desta edição impressa já uma manuscrita tenha estado em circulação em França, mas perdeu-se.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando