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Número primo

Um número primo é um número natural maior que 1 que não pode ser formado pela multiplicação de outros dois naturais menores. Um número natural maior que 1 que não é primo é chamado de número composto. Por exemplo, 5 é primo porque as únicas maneiras de escrevê-lo como um produto, 1 × 5 ou 5 × 1, envolvem o próprio 5. No entanto, 4 é composto porque é um produto (2 × 2) no qual ambos os números são menores que 4. Os primos são centrais na teoria dos números devido ao teorema fundamental da aritmética: todo número natural maior que 1 ou é um primo, ou pode ser fatorado como um produto de primos de maneira única, salvo pela ordem dos fatores.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/07/2026
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Definição e exemplos

Um número natural (1, 2, 3, 4, 5, 6 etc.) é chamado de número primo se é maior que 1 e não pode ser escrito como o produto de dois números naturais menores. Os números maiores que 1 que não são primos são chamados de números compostos. Noutras palavras, n é primo se n elementos não podem ser divididos em grupos menores, porém maior que apenas um, de mesma quantidade, ou não é possível organizar n pontos em uma grade retangular que possui mais de um ponto de altura ou largura. Por exemplo, entre os números de 1 a 6, os números 2, 3 e 5 são primos, visto que não há nenhum outro número que os divida igualmente (sem deixar resto). 1 não é primo, visto que é especificadamente excluído da definição. 4 = 2 × 2 e 6 = 2 × 3 são ambos compostos. Os divisores de um número natural n são os números naturais que dividem igualmente n. Todo número natural tem tanto 1 quanto ele mesmo como divisores. Se ele possuir qualquer outro divisor além desses dois, então não será primo. Isso leva a uma definição equivalente de número primo: são os números que possuem exatamente dois divisores positivos. Esses dois números são justamente 1 e ele mesmo. Como 1 possui apenas um único divisor, ele mesmo, não é primo por definição. Ainda, outra maneira de expressar a mesma coisa, é que um número n é primo se é maior que um e nenhum dos números 2, 3, ... , n − 1 divide igualmente n.

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História

A origem do conceito número primo é incerta, todavia, há um indício de consciência desses números demonstrado pelo osso de Ishango, um achado ósseo datado do Paleolítico Superior, no qual aparecem sinais representando os números primos entre 10 e 20, mas isso pode ser apenas uma coincidência. Outro indício pode ser observado na mesopotâmia no segundo milênio a.C., onde há tábuas contendo soluções para alguns problemas aritméticos relativos que, para serem solucionados, requerem um conhecimento de fatoração em números primos. No mesmo milênio, datado de aproximadamente 1550 a.C., o Papiro de Rhind tem expansões de frações egípcias de diferentes formas para números primos e compostos. As expansões de números que compartilham o menor dos seus fatores são semelhantes, sugerindo que os egípcios estavam pelo menos cientes da diferença entre números primos e compostos. No mesmo período, há indícios de que os chineses também possuíam um entendimento desses números. Aproximadamente no ano 1000 a.C., associavam características femininas aos números pares e características masculinas aos ímpares, considerando ímpares não primos, como 15, "efeminados". Eles utilizavam um método físico para a identificação de números primos: ao tentar dispor uma certa quantidade de grãos em retângulos, percebiam que números primos, como 17, somente permitiam uma disposição em linha única, enquanto números compostos, como 15, podiam ser arranjados em retângulos menores.

Primalidade do um

A maioria dos antigos gregos nem consideravam 1 ser um número, então eles nem consideravam a sua primalidade. Alguns estudiosos da tradição grega e da romana, incluindo Nicômaco, Jâmblico, Boécio e Cassiodoro, consideravam os números primos como uma subdivisão dos números ímpares, então também não consideravam o 2 ser primo. No entanto, Euclides e a maioria dos outros matemáticos gregos consideravam 2 um número primo. Os matemáticos islâmicos medievais seguiram em grande parte os gregos ao considerar que 1 não era um número. Na Idade Média e Renascença, matemáticos começaram a tratar o 1 como um número, e por volta do século XVII alguns deles incluia-o como o primeiro número primo. Em meados do século XVIII, Christian Goldbach listou 1 sendo primo em sua correspondência com Leonhard Euler; porém, o próprio Euler não considerava 1 como primo. Ainda no século XIX, diversos matemáticos ainda consideravam 1 ser primo, e listas de números primos que incluíam 1 continuaram a ser publicadas até 1956. Entretanto, por volta dessa época, no início do século XX, os matemáticos começaram a concordar que 1 não deveria ser classificado como um número primo.

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Propriedades elementares

Unicidade da decomposição

Escrever um número como um produto de números primos é chamado de decomposição em fatores primos de um número. Por exemplo: 50 = 2 × 5 × 5 = 2 × 5 2 . {\displaystyle {\begin{aligned}50&=2\times 5\times 5\\&=2\times 5^{2}.\end{aligned}}} Os termos do produto são chamados de fatores primos. O mesmo fator primo pode aparecer mais de uma vez; nesse exemplo, há duas cópias do fator primo 5. Quando um primo aparece mais de uma vez, pode ser utilizado a exponenciação para agrupar as múltiplas cópias do mesmo número: para esse exemplo, na segunda maneira de escrita do produto acima, 52 indica o quadrado de 5. A principal importância dos números primos para a teoria dos números e a matemática em geral deriva do teorema fundamental da aritmética. Este teorema afirma que todo número inteiro maior que 1 pode ser escrito como o produto de um ou mais primos. Mais fortemente, este produto é único no sentido que quaisquer duas decomposições de um mesmo número terão os mesmos números de cópias dos mesmos primos, apesar de que a ordem dos fatores pode alterar. Então, embora existam diferentes formas de encontrar a decomposição usando um algoritmo de fatoração de inteiros, todos eles deverão produzir o mesmo resultado. Os números primos podem ser considerados os "blocos fundamentais de construção" dos números naturais.

Infinitude

Existem infinitos números primos. Outra maneira de dizer isto é que a sequência de números primos nunca acaba. Esta afirmação é referida como o teorema de Euclides, em homenagem ao antigo matemático grego Euclides, já que a primeira prova conhecida para esta afirmação é atribuída a ele. Diversas outras provas da infinitude dos números primos são conhecidas, incluindo uma prova analítica de Euler, uma prova de Goldbach baseada nos números de Fermat, a prova de Furstenberg usando topologia geral e a elegante prova de Kummer. O teorema de Euclides mostra que toda lista finita de primos é incompleta. A ideia-chave é multiplicar todos os primos da dada lista e somar 1. A lista consiste de primos p1, p2, ..., pn, o que dá o número N = p 1 ⋅ p 2 ⋯ p n + 1. {\displaystyle N=p_{1}\cdot p_{2}\cdots p_{n}+1.}

Fórmulas para números primos

Às vezes, a "resposta" é apresentada como uma fórmula tão confusa e longa, e tão cheia de fatoriais e alternâncias de sinais e outras coisas, que podemos sentir que a doença é preferível à cura. Nenhuma fórmula eficiente para encontrar números primos é conhecida. Por exemplo, não há nenhum polinômio não constante, mesmo em várias variáveis, que resulte em apenas valores primos. Porém, existem diversas expressões que codificam todos os primos, ou apenas primos. Uma possível fórmula é baseado no teorema de Wilson e gera o número 2 diversas vezes e todos os outros números primos exatamente uma vez. Outra fórmula, publicada por Willans em 1964, é p n = 1 + ∑ i = 1 2 n ⌊ ( n ∑ j = 1 i ⌊ ( cos ⁡ ( j − 1 ) ! + 1 j π ) 2 ⌋ ) 1 / n ⌋ , {\displaystyle p_{n}=1+\sum _{i=1}^{2^{n}}\left\lfloor \left({\frac {n}{\sum _{j=1}^{i}\left\lfloor \left(\cos {\frac {(j-1)!+1}{j}}\pi \right)^{2}\right\rfloor }}\right)^{1/n}\right\rfloor ,} que computa o n-ésimo número primo pn. Essa fórmula também é ineficaz, pois, além de conter o termo ( j − 1 ) ! {\displaystyle (j-1)!} , ela calcula o valor pn somando pn vezes o número 1; por exemplo, p 5 = 1 + 1 + 1 + 1 + 1 + 1 + 1 + 1 + 1 + 1 + 1 + 0 + 0 + ⋯ + 0 = 11. {\displaystyle p_{5}=1+1+1+1+1+1+1+1+1+1+1+0+0+\dots +0=11.} Os artigos What is an Answer? de Herbert Wilf (1982) e Formulas for Primes de Underwood Dudley (1983) discutem mais sobre a inutilidade de tais fórmulas.

Questões em aberto

Diversas conjecturas sobre números primos foram propostas. Muitas dessas conjecturas, geralmente com uma formulação elementar, têm resistido à prova durante décadas: todas os quatro problemas de Landau de 1912 continuam em aberto. Um desses problemas é a conjectura de Goldbach, que afirma que todo número inteiro n maior que 2 pode ser escrito como a soma de dois primos Em 2014[update], essa conjectura foi verificada para todos os números até n = 4×1018. Afirmações mais fracas que essa já foram provadas, como, por exemplo, o teorema de Vinogradov, que diz que todo ímpar suficientemente grande pode ser escrito como a soma de três primos. O teorema de Chen diz que todo par suficientemente grande pode ser escrito como a soma de um primo e um semiprimo (produto de dois primos). Também, qualquer par maior que 10 pode ser escrito como a soma de seis primos. O ramo da teoria dos números que estuda tais questões se chama teoria aditiva dos números.

Teoria dos números

Sabe-se que, à medida que avançamos na sequência dos números inteiros, os primos tornam-se cada vez mais raros. Isto levanta duas questões: O conjunto dos números primos seria finito ou infinito? Dado um número natural n , {\displaystyle n,} qual é a proporção de números primos entre os números menores que n {\displaystyle n} ? P {\displaystyle P} = ∏ i = 1 n p i + 1 , {\displaystyle \prod _{i=1}^{n}p_{i}+1,} onde ∏ {\displaystyle \prod } denota o produtório.

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Grupos e sequências de números primos

Pierre de Fermat (1601-1665) descobriu que todo número primo da forma 4 n + 1 , {\displaystyle 4n+1,} tal como 5 , 13 , 17 , 29 , 37 , 41 , {\displaystyle 5,13,17,29,37,41,} etc., é a soma de dois quadrados. Por exemplo: 5 = 1 2 + 2 2 , {\displaystyle 5=1^{2}+2^{2},} 13 = 2 2 + 3 2 , {\displaystyle 13=2^{2}+3^{2},} 17 = 1 2 + 4 2 , {\displaystyle 17=1^{2}+4^{2},} 29 = 2 2 + 5 2 , {\displaystyle 29=2^{2}+5^{2},} 37 = 1 2 + 6 2 , {\displaystyle 37=1^{2}+6^{2},} 41 = 4 2 + 5 2 . {\displaystyle 41=4^{2}+5^{2}.} Hoje são conhecidos dois grupos de números primos: Tratando-se de números primos é perigoso fazer uma generalização apenas com base numa observação, não solidamente comprovada matematicamente. Vejamos o exemplo: 31 {\displaystyle 31} , 331 , 3.331 , 33.331 , 333.331 , 3.333.331 {\displaystyle 331,3.331,33.331,333.331,3.333.331} e 33.333.331 {\displaystyle 33.333.331} são primos mas 333.333.331 {\displaystyle 333.333.331} não é, pois 333.333.331 = 17 × 19.607.843. {\displaystyle 333.333.331=17\times 19.607.843.}

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Aproximações para o n-ésimo primo

Imagem: Jashir · BY-NC-ND · Openverse

Como consequência do teorema do número primo, uma expressão assintótica para o n-ésimo primo p n {\displaystyle p_{n}} é: p n ∼ n ln ⁡ n . {\displaystyle p_{n}\sim n\ln n.} Uma aproximação melhor é: p n = n ln ⁡ n + n ln ⁡ ln ⁡ n − n + n ln ⁡ n ( ln ⁡ ln ⁡ n − 2 ) − n ln ⁡ ln ⁡ n 2 ( ln ⁡ n ) 2 ( ln ⁡ ln ⁡ n − 6 ) + O ( n ( ln ⁡ n ) 2 ) . {\displaystyle {p_{n}=n\ln n+n\ln \ln n-n+{\frac {n}{\ln n}}\left(\ln \ln n-2\right)-{\frac {n\ln \ln n}{2(\ln n)^{2}}}\left(\ln \ln n-6\right)+O\left({\frac {n}{(\ln n)^{2}}}\right).}} O teorema de Rosser mostra que p n {\displaystyle p_{n}} é maior que n ln ⁡ n . {\displaystyle n\ln n.} É possível melhorar esta aproximação com os limites: n ln ⁡ n + n ( ln ⁡ ln ⁡ n − 1 ) < p n < n ln ⁡ n + n ln ⁡ ln ⁡ n {\displaystyle n\ln n+n(\ln \ln n-1)<p_{n}<n\ln n+n\ln \ln n} , para n ≥ 6. {\displaystyle n\geq 6.}

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Métodos computacionais

Por muito tempo, a teoria dos números, em geral, e o estudo dos números primos, em particular, foram vistos como o exemplo canônico da matemática pura, sem aplicações fora da matemática[nota 2] além do uso de dentes de engrenagens com números primos para distribuir o desgaste uniformemente. Em particular, os teóricos dos números, como o matemático britânico G. H. Hardy, orgulhavam-se de fazer um trabalho que não tinha absolutamente nenhum significado militar. Essa visão da pureza da teoria dos números foi abalada na década de 1970, quando foi anunciado publicamente que os números primos poderiam ser usados como base para a criação de algoritmos de criptografia de chave pública. Esses aplicativos levaram a um estudo significativo de algoritmos para computação com números primos e, em particular, de testes de primalidade, métodos para determinar se um determinado número é primo. A rotina mais básica de teste de primalidade, a divisão por tentativa, é muito lenta para ser útil para números grandes. Um grupo de testes de primalidade modernos é aplicável a números arbitrários, enquanto testes mais eficientes estão disponíveis para números de tipos especiais. A maioria dos testes de primalidade apenas informa se o argumento é primo ou não. As rotinas que também fornecem um fator primo de argumentos compostos (ou todos os seus fatores primos) são chamadas de algoritmos de fatoração. Os números primos também são usados na computação para somas de verificação, tabelas de dispersão e geradores de números pseudoaleatórios.

Divisão por tentativa

O método mais básico para verificar a primalidade de um determinado número inteiro é chamado de divisão por tentativa. Esse método divide cada número inteiro n de 2 até a raiz quadrada de n. Qualquer número inteiro que se divida igualmente é considerado composto; caso contrário, é primo. Os números inteiros maiores que a raiz quadrada não precisam ser verificados porque, sempre que n = a · b, um dos dois fatores e é menor ou igual à raiz quadrada de n. Outra otimização é verificar apenas os números primos como fatores nesse intervalo. Por exemplo, para verificar se 37 é primo, esse método o divide pelos números primos no intervalo de 2 a 37 {\displaystyle {\sqrt {37}}} , que são 2, 3 e 5. Cada divisão gera um resto diferente de zero e, portanto, 37 é, de fato, primo.

Crivos

Antes dos computadores, as tabelas matemáticas que listavam todos os primos ou decomposições em números primos até um determinado limite eram comumente impressas. O método mais antigo conhecido para gerar uma lista de primos é chamado de crivo de Eratóstenes. A animação mostra uma variante otimizada desse método. Outro crivo assintoticamente mais eficiente para o mesmo problema é o crivo de Atkin. Na matemática avançada, a teoria dos crivos aplica métodos semelhantes a outros problemas.

Teste de primalidade versus prova de primalidade

Alguns dos testes modernos mais rápidos para verificar se um dado número n arbitrário é primo são algoritmos probabilísticos (ou de Monte Carlo), o que significa que eles possuem uma pequena chance aleatória de gerar uma resposta errada. Por exemplo, o teste de primalidade de Solovay–Strassen em um dado número p escolhe um número aleatório a de 2 a p − 2 e usa exponenciação modular para verificar se a(p − 1) ± 1 é divisível por p.[nota 3] Se for divisível, então a resposta é sim, caso contrário, é não. Se p realmente for primo, então a resposta sempre será sim, mas se for composto, então a resposta é sim com a probabilidade de no máximo 1/2 e não com a probabilidade de no mínimo 1/2. Se esse teste é repetido n vezes no mesmo número, a probabilidade de um número composto passar em todos os testes é de no máximo 1/2n. Como essa probabilidade decresce exponencialmente conforme o número de testes aumenta, ele produz uma alta confiança (porém não seja certeza) de que um número que passe por repetidos testes seja primo. Por outro lado, se algum dos testes falhar, então o número é certamente composto. Um número composto que passa por tal teste é chamado de pseudoprimo.

Algoritmos para tipos específicos e o maior primo conhecido

Além dos testes mencionados acima, que se aplicam a qualquer número natural, alguns números de formato especial podem ser testados quanto à primalidade mais rapidamente. Por exemplo, o teste de primalidade de Lucas–Lehmer pode determinar se um número de Mersenne (um a menos que uma potência de dois) é primo, deterministicamente, usando o mesmo tempo que uma única iteração do teste de Miller-Rabin. É por isso que desde 1992 (até outubro de 2024[update]) o maior primo conhecido sempre foi um primo de Mersenne. Conjectura-se que existam infinitos primos de Mersenne. A tabela a seguir apresenta os maiores números primos conhecidos de vários tipos. Alguns desses primos foram encontrados usando processamento distribuído. Em 2009, o projeto Great Internet Mersenne Prime Search recebeu um prêmio de 100 mil dólares pela primeira descoberta de um primo com pelo menos 10 milhões de dígitos. A Electronic Frontier Foundation também oferece 150 mil e 250 mil dólares para quem encontrar primos com pelo menos 100 milhões e 1 bilhão de dígitos, respectivamente.

Fatoração de inteiros

Dado um número inteiro composto n, a tarefa de fornecer um um ou mais de seus fatores primos é chamada de fatoração de n. É significativamente mais difícil do que o teste de primalidade, e, embora muitos algoritmos de fatoração sejam conhecidos, eles são mais lentos do que os métodos mais rápidos de teste de primalidade. A divisão por tentativa e o algoritmo rho de Pollard podem ser usados para encontrar fatores muito pequenos de n, e a fatoração de curva elíptica pode ser eficaz quando n tem fatores de tamanho moderado. Os métodos adequados para números arbitrariamente grandes que não dependem do tamanho de seus fatores incluem o crivo quadrático e o crivo do corpo de números generalizado. Assim como no teste de primalidade, há também algoritmos de fatoração que exigem que sua entrada tenha uma forma específica, incluindo o crivo do corpo de números específico. Em dezembro de 2019[update], o maior número conhecido por ter sido fatorado por um algoritmo de uso geral é o RSA-240, que tem 240 dígitos decimais (795 bits) e é o produto de dois primos grandes.

Outras aplicações computacionais

Vários algoritmos de criptografia de chave pública, como RSA e a troca de chaves de Diffie–Hellman, são baseados em grandes números primos (primos de 2048 bits são comuns). O RSA se baseia na suposição de que é muito mais fácil (ou seja, mais eficiente) realizar a multiplicação de dois números (grandes) x e y do que calcular x e y (assumindo que são coprimos) se apenas o produto xy for conhecido. A troca de chaves Diffie–Hellman se baseia no fato de que existem algoritmos eficientes para exponenciação modular (computando ab mod c), enquanto a operação reversa (o logaritmo discreto) é considerada um problema difícil. Os números primos são usados com frequência em tabelas de dispersão. Por exemplo, o método original de Carter e Wegman para hashing universal baseava-se em funções hash de computação escolhendo funções lineares aleatórias no módulo de grandes números primos. Carter e Wegman generalizaram esse método para o hashing k-independente usando polinômios de grau mais alto, novamente no módulo de grandes números primos. Assim como na função de hash, os números primos são usados para definir o tamanho da tabela de dispersão em tabelas de dispersão baseadas em sondagem quadrática para garantir que a sequência de sondagem cubra toda a tabela.

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Outras aplicações

Os números primos são de importância central para a teoria dos números, mas também têm muitas aplicações em outras áreas da matemática, incluindo álgebra abstrata e geometria elementar. Por exemplo, é possível colocar um número primo de pontos em uma malha bidimensional de modo que não haja três pontos alinhados, ou de modo que cada triângulo formado por três dos pontos tenha uma área não nula. Outro exemplo é o critério de Eisenstein, um teste para saber se um polinômio é irredutível com base na divisibilidade de seus coeficientes por um número primo e seu quadrado. O conceito de um número primo é tão importante que foi generalizado de diferentes maneiras em vários ramos da matemática. Em geral, "primo" indica minimalidade ou indecomponibilidade, em um sentido apropriado. Por exemplo, o corpo primo de um determinado corpo é seu menor subcorpo que contém 0 e 1. É o corpo dos números racionais ou um corpo finito com um número primo de elementos (daí o nome). Muitas vezes, um segundo significado adicional é pretendido com o uso da palavra primo: qualquer objeto pode ser decomposto, essencialmente de forma única, em seus componentes primos. Por exemplo, na teoria dos nós, um nó primo é um nó que não podem ser decompostos, no sentido de que não pode ser escrito como a soma conectada de dois nós não triviais. Qualquer nó pode ser expresso exclusivamente como uma soma conectada de nós primos. A decomposição prima de 3-variedades é outro exemplo desse tipo.

Polígonos construtíveis e partições de polígonos

Os primos de Fermat são aqueles da forma F k = 2 2 k + 1 , {\displaystyle F_{k}=2^{2^{k}}+1,} com k inteiro não negativo.[nota 6] Eles receberam esse nome em homenagem a Pierre de Fermat, que conjecturou que todos esses números são primos. Os primeiros cinco desses números — 3, 5, 17, 257 e 65 537 — são primos, mas F5 é composto, assim como todos os outros números de Fermat que foram verificados até 2017. Um n-ágono regular é construtível usando régua e compasso se, e somente se, os fatores primos ímpares de n (se houver) forem primos de Fermat distintos. Da mesma forma, um n-ágono regular pode ser construído usando régua, compasso e uma trissecção do ângulo se, e somente se, os fatores primos de n forem qualquer número de cópias de 2 ou 3, juntamente com um conjunto (possivelmente vazio) de primos de Pierpont [en] distintos, que são primos da forma 2a ⋅ 3b + 1.

Mecânica quântica

Começando com o trabalho de Hugh Montgomery e Freeman Dyson na década de 1970, matemáticos e físicos especularam que as raízes da função zeta de Riemann estão conectados aos níveis de energia dos sistemas quânticos. Os números primos também são importantes na ciência da informação quântica, graças a estruturas matemáticas como bases mutuamente imparciais e medidas simétricas de valor positivo com operador positivo e informativamente completas.

Biologia

A estratégia evolutiva usada pelas cigarras do gênero Magicicada faz uso de números primos. Esses insetos passam a maior parte de suas vidas como larvas subterrâneas. Eles só se tornam pupas e emergem de suas tocas depois de 7, 13 ou 17 anos, quando voam, se reproduzem e morrem depois de no máximo algumas semanas. Os biólogos teorizam que essas durações de ciclos de reprodução com números primos evoluíram para evitar que os predadores se sincronizem com esses ciclos. Por outro lado, os períodos de vários anos entre a floração das plantas de bambu são considerados números suaves, tendo apenas pequenos números primos em suas fatorações.

Artes e literatura

Os números primos influenciaram muitos artistas e escritores. O compositor francês Olivier Messiaen usou os números primos para criar música amétrica por meio de "fenômenos naturais". Em obras como La Nativité du Seigneur (1935) e Quatre études de rythme (1949-1950), ele emprega simultaneamente temas com comprimentos dados por diferentes números primos para criar ritmos imprevisíveis: os primos 41, 43, 47 e 53 aparecem no terceiro estudo, "Neumes rythmiques". De acordo com Messiaen, essa maneira de compor foi "inspirada pelos movimentos da natureza, movimentos de durações livres e desiguais". Em seu romance de ficção científica Contact, o cientista Carl Sagan sugeriu que a decomposição em números primos poderia ser usada como um meio de estabelecer planos de imagem bidimensionais em comunicações com alienígenas, uma ideia que ele havia desenvolvido informalmente com o astrônomo americano Frank Drake, em 1975. No romance The Curious Incident of the Dog in the Night-Time, de Mark Haddon, o narrador organiza as seções da história por números primos consecutivos como forma de transmitir o estado mental de seu personagem principal, um adolescente matematicamente talentoso com síndrome de Asperger. Os números primos são usados como metáfora para solidão e isolamento no romance The Solitude of Prime Numbers, de Paolo Giordano, no qual são retratados como "forasteiros" entre os números inteiros.

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Fontes consultadas

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