Raduan Nassar
Raduan Nassar, é um escritor brasileiro galardoado com o Prêmio Camões em 2016.
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Filho de comerciantes libaneses que migraram para o Brasil em 1920, Raduan Nassar nasceu em Pindorama, cidade do interior do Estado de São Paulo, assim como seus 9 irmãos. Iniciou os estudos no Grupo Escolar de Pindorama e cursou o então chamado ginasial na cidade de Catanduva, para onde a família mudou-se, em 1949. Graves problemas de saúde o obrigaram a interromper seus estudos, retomados em casa, com a ajuda de uma das irmãs. Em 1953 a família mudou-se para São Paulo, onde João Nassar, pai de Raduan, abriu o armarinho Bazar 13, que se tornaria uma empresa importante na cidade. Em 1955 ingressou ao mesmo tempo na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e no curso de Letras Clássicas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP). No segundo semestre abandonou o curso de Letras. No curso noturno de Direito, conhece Hamilton Trevisan, procedente de Sorocaba, e com aspirações literárias. No segundo ano, Trevisan apresenta Nassar a Modesto Carone, outro sorocabano que acabara de ingressar na Faculdade de Direito. Modesto também tinha projetos definidos no terreno da literatura. Como Raduan já começasse a manifestar suas primeiras preocupações nesta área, as conversas entre os três passam a ser dominadas por temas literários.
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Em maio de 2016, o Prêmio Camões, instituído pelos governos do Brasil e de Portugal e tido como o mais importante prêmio literário da língua portuguesa, foi atribuído pelo juri a Raduan Nassar. Em fevereiro de 2017, durante cerimônia de entrega do prêmio, o escritor confessou, em seu discurso, ter "dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri"; agradeceu a Portugal pelo prêmio e, em seguida, fez de sua fala um manifesto contra o governo de Michel Temer (iniciado em agosto de 2016), acusando-o de repressor - "contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva de Celso Amorim" - e de ser "atrelado ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza, o que vem desgraçando os pobres do mundo inteiro". Em resposta, o ministro da Cultura do Brasil, Roberto Freire, abandonou o discurso preparado para a ocasião e passou a rebater as críticas do escritor, ao som de aplausos, vaias e gritos de "fora, Temer". O ministro disse que Raduan recebia o prêmio, apesar de ser adversário do governo, e que "quem dá prêmio a adversário político não é a ditadura". Diante da declaração do ministro, escritores presentes ao evento lembraram que o Prêmio Camões 2016 foi concedido em maio daquele ano. "É preciso ressaltar que ele aceitou o prêmio em maio do ano passado, quando o governo ainda era o de Dilma Rousseff”, destacou Milton Hatoum, autor do premiado romance Dois irmãos.


