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Moda de viola

A moda de viola é uma expressão da música caipira brasileira caracterizada por canções narrativas, geralmente acompanhadas apenas pela viola, sendo formado a partir de diferentes ritmos, desde toadas, cantigas, viras, canas-verdes, valsinhas e modinhas, união de influências europeias, ameríndias e africanas. No Brasil tomou a significação de um tipo de canção rural, com vocais em intervalos de terça e acompanhamento instrumental centrado na viola.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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História e origem no Brasil

A viola foi trazida ao Brasil pelos colonizadores europeus e difundida por diversos veículos de sociabilidade rural, tornando-se instrumento central nas práticas musicais do interior. A moda de viola como gênero reconhecível só foi registrada e difundida a partir do início do século XX, tendo Cornélio Pires um papel de destaque na divulgação e sistematização das modas e do caipira como categoria cultural. As primeiras gravações de modas de viola datam de 1929, resultado da atividade de difusão de Cornélio Pires e de duplas pioneiras do gênero. A moda de viola, comercialmente e culturalmente, foi incorporada ao mercado musical e ao rádio nas décadas seguintes, mantendo suas raízes em práticas orais e comunitárias no campo. Estudos documentam tanto a historicidade da viola quanto seu papel como mediador de identidades rurais e processos de escolarização musical da viola. As primeiras modas de viola foram gravadas a partir de 1929 ("Jorginho do Sertão", adaptação do folclore paulista), após o pioneiro trabalho de Cornélio Pires.

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Estrutura musical

Imagem: paisagens poéticas · BY-NC-SA · Openverse

As modas de viola é tipicamente uma canção de caráter lírico-narrativo, com entoação que remete à fala (melodia “solta”). A temática dominante nas modas de viola estão ligadas a três aspectos básicos: 1. a saga dos boiadeiros e lavradores, 2. o anedotário caipira e 3. as histórias trágicas de amor e morte. A moda de viola é uma narração feita em ritmo recitativo, onde o cantador tem que contar uma história. A melodia é solta, como se fosse uma poesia falada com acompanhamento musical. É caracterizada pela viola solada acompanhando a melodia das vozes. A canção O Rei do Gado, de Teddy Vieira, é um bom exemplo. Há descrição de costumes caipiras, sátiras de costumes e histórias de bichos e mais raramente uma narrativa meio surrealista chamada de moda-de-patacoada, sem qualquer ligação com a inteligibilidade lógica. Normalmente, as modas de viola são cantadas em dupla, sendo uma voz principal e voz de segunda, com um intervalo musical de terça e acompanhamento de viola. A métrica geralmente é de sete sílabas (redondilha maior), aparecendo por vezes a de cinco sílabas (redondilha menor). As formas estróficas mais utilizadas são a sextilha, a oitava e a quadra e, de forma mais rara, a décima.

Variações regionais

No Nordeste, os cantadores lançam mão de sextilhas, moirão, martelo, quadrão e galope. Com grande capacidade de improvisação, os cantadores nordestinos utilizam-se da redondilha maior e de sete sílabas, onde cantadores apresentam-se em pares, realizando desafios que terminam quando um dos cantadores consegue derrotar o adversário. Os cantadores do Centro-oeste e Sudeste, entretanto, limitam-se a apresentar suas modas sem que haja um aspecto de desafio entre os músicos. Em São Paulo, os modistas, como também são conhecidos os cantadores nesse estado, chamam, segundo nos diz o pesquisador Cornélio Pires, a quadra de "verso-de-dois-pés"; a sextilha é chamada de verso-de-três-pés e a oitava é conhecida como versos dobrados ou moda-dobrada. A palavra pé, muito utilizada no Brasil para designar verso, recebe portanto em São Paulo a designação de dístico ou número de rimas. As rimas são em geral fixas, com as modas cantadas em carreira. O cantador, para chamar a atenção para si, canta uma quadra qualquer, o que se chama levante ou encabeçar a moda. Ao final canta-se o "arto" ou alto ou baixão, que também recebe o nome de suspender a moda. Com a chegada da música rural ao mundo das gravações, as modas de viola foram incorporando novas temáticas, retratando mais o cotidiano das grandes cidades.

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Influências culturais

Imagem: Marcelo Nava · BY-NC-ND · Openverse

A moda de viola deriva de uma mistura de elementos das tradições poético-musicais ibéricas (romances e modas), misturados a matrizes indígenas e africanas presentes no Brasil rural. Tematicamente prioriza relatos de boiadeiros e lavradores, anedotário caipira e histórias de amor e morte, às vezes com tom satírico ou moralista. Pesquisas em etnomusicologia e folclore situam a moda de viola como forma de transmissão de normas e memórias comunitárias.

Principais artistas

Duplas e violeiros que marcaram o gênero incluem Mandi e Sorocabinha, Zico Dias e Ferrinho, Caçula e Marinheiro, Laureano e Soares, Tonico e Tinoco, Torres e Florêncio, entre dezenas de outras. Muitos desses nomes participaram das primeiras gravações e da difusão do gênero. Cornélio Pires, além de pesquisador e divulgador, gravou e publicou modas, contribuindo para a construção do repertório canônico.

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Fontes consultadas

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