Arrocha
O arrocha, por vezes chamado de seresta ou sofrência, é um gênero musical e dança brasileira originário da cidade de Candeias, na Bahia.
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Surgido no começo do século XXI da mistura de estilos musicais românticos tradicionais das serestas baianas, como o bolero, seresta e sobretudo o brega, tem como característica um instrumental básico de teclado, bateria eletrônica e saxofone, com letras falando de amor e uma dança "agarradinha" que deu origem ao nome: "arrochar" significa "apertar" e se consagrou porque os primeiros artistas, em suas apresentações, gritavam aos casais que dançavam: "arrocha, arrocha" (ou seja, "aperta, aperta"). Segundo o especialista da Universidade Federal da Bahia Aaron Lopes, "o arrocha é um estilo musical descendente do bolero, ritmo de origem hispânica muito popular no Brasil desde o início do século XX e muito executado, na Bahia, nas festas de seresta e boemia. O arrocha surge como uma variação de estilização do bolero, a partir de variação rítmica, novas sonoridades e repertório fundamentalmente romântico" e que deixou de "ser uma manifestação cultural exclusivamente baiana para se tornar também um elemento da cultura nacional". Hoje em dia, o arrocha pode ser considerado um tipo de gênero musical de alcance massivo – também chamado de gênero "superpopular" – e atrai públicos das mais diferentes origens, gêneros e classes sociais a partir da década de 2020, através de artistas e grupos como Nenho, Tayrone e Latitude 10.
Arrochadeira
A arrochadeira é um gênero de fusão resultante da mistura de arrocha e swingueira. O gênero surgiu no início da década de 2010 no estado da Bahia, tendo como principais influências a instrumentação e a percussão eletrônica originadas a partir do ritmo do Pagodão Beat e a composição com letras de duplo sentido do arrocha, com forte presença do forró eletrônico. O sucesso regional acabou atraindo vários artistas do pagode baiano, mas a primeira música de repercussão nacional do gênero foi "Metralhadora", da Banda Vingadora.
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A crítica especializada brasileira se mostra hostil diante do arrocha, assim como do brega em geral. Por exemplo, Marco Antonio Marcondes, em sua obra Enciclopédia da Música Brasileira, escreveu: “a música mais banal, óbvia, direta, sentimental e rotineira possível, que não consegue evitar o uso de clichês na criatividade musical”. No entanto, alguns especialistas não concordam com o rótulo de “cursi” e “de mau gosto” que tem sido atribuído a esse gênero musical. Para o historiador Paulo Cesar de Araújo: “todas as produções com as quais o público não se identifica com a tradição da classe média ou com a modernidade são rotuladas como brega”. O autor Fernando Fontanella complementa ao dizer que, dentro de um jogo de “hierarquias culturais”: “sempre a bela imagética é considerada pelas instituições da hegemonia dentro de uma legitimação dos grupos dominantes.” o que explicaria a associação de “música brega” ou “de mau gosto” a algo derivado de um processo de estruturação de classes que tende a beneficiar certos grupos em particular.


