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Mesquita

Uma mesquita é um local de culto dos seguidores da fé islâmica. Os muçulmanos geralmente referem-se às mesquitas pelo seu nome árabe, masjid (árabe: مسجد — AFI: /ˈmas.ʤid/, no plural masājid. A palavra "mesquita" usa-se em português para falar de todo tipo de edifícios dedicados ao culto islâmico, mas em árabe existe uma diferença entre as mesquitas privadas, menores, e as maiores, de uso coletivo, que alojam uma comunidade maior e têm mais serviços sociais. Estas construções são originárias da Península Arábica, mas na atualidade podem encontrar-se nos cinco continentes.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 05/07/2026
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Etimologia

A palavra masjid significa templo ou local de culto e deriva da raiz árabe sajada (raiz s-j-d, "prostrar-se", em alusão às prostrações realizadas durante as orações islâmicas).

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A Mesquita nos textos sagrados muçulmanos

A palavras "masjid" encontra-se no Alcorão, frequentemente fazendo referência ao santuário da Caaba, na cidade da Meca. O Alcorão aplica o termo "masjid" a lugares de adoração de várias religiões, incluindo o judaísmo e o cristianismo. Com este significado geral de templo a palavra está presente nos hádices, coleções muçulmanas sobre os feitos de Maomé e dos seus companheiros.

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História

Durante muito tempo, e até na atualidade, associa-se às mesquitas com grandes entradas e torres altas, ou minaretes. Porém, as três primeiras mesquitas foram simplesmente espaços abertos na Arábia. As mesquitas evoluíram consideravelmente nos seguintes mil anos, nos quais foram adquirindo os seus traços distintivos e adaptaram-se às diferentes culturas do mundo. Hoje em dia, a maioria das mesquitas possuem cúpulas, minaretes e salas de oração que podem assumir formas elaboradas.

As primeiras mesquitas

De acordo com as crenças islâmicas, a primeira mesquita no mundo foi a Caaba, edificada por Adão seguindo um mandato divino e posteriormente reconstruída por Abraão. A mesquita mais antiga da que se tem memória é a de Quba, em Medina. Quando Maomé vivia na Meca, considerava a Caaba a sua primeira e principal mesquita e celebrava ali as suas orações junto aos seus seguidores. Até durante a época na qual os árabes pagãos realizavam os seus rituais dentro da Caaba, Maomé sempre teve-lhe muito respeito. A tribo dos Coraixitas, a responsável de proteger a Caaba, tentou excluir aos seguidores de Maomé do santuário, o que se tornou em motivo de queixa por parte dos muçulmanos, como diz-se no Alcorão. Quando Maomé conquistou Meca em 630, fez da Caaba uma mesquita, e desde então conhece-se como Grande Mesquita, ou "Mesquita sagrada". A Grande Mesquita foi ampliada e melhorada consideravelmente nos primeiros séculos do Islão para acolher ao crescente número de muçulmanos que viviam na região ou faziam o haje, a peregrinação anual à Meca. Adquiriu a sua forma atual em 1577, durante o reinado do sultão otomano Selim II.

Difusão e evolução

Pouco a pouco os muçulmanos foram expandindo-se por outras partes do mundo e construiram-se mesquitas fora da península arábica. O Egito foi conquistado pelos árabes muçulmanos em 640, e desde então apareceram tantas por todo o país que a sua capital, O Cairo, adquiriu a alcunha de "a cidade dos mil minaretes". As mesquitas egípcias variam nos seus serviços: algumas têm escolas islâmicas (madraçais), e outras, hospitais ou sepulcros. As mesquitas da África do Norte, como a Grande Mesquita de Cairuão, ilustram a relação simbiótica entre o património arquitetónico da época romana bizantina e as influência do Oriente. As mesquitas da Sicília e da Espanha não estão muito ligadas aos estilos visigodos que as precederam, mas sim ao estilo que foi introduzido pelos mouros muçulmanos. Porém, alguns elementos da arquitetura visigoda, como o arco de ferradura, originaram provavelmente os arcos califais cordoveses e de outras mesquitas do Al-Andalus.

Transformação em locais de culto

No século XIII, o cádi Abu Zakaria Mohiuddin Yahya ibn Sharaf An-Nawawi afirmou que os que não eram muçulmanos não haviam de continuar a usar os seus lugares de adoração para os seus propósitos se eram conquistados pelos muçulmanos e não havia um tratado de rendição que dissesse explicitamente o direito dos não muçulmanos a continuar a usar esses lugares. Acorde com os primeiros historiadores muçulmanos, às cidades que se rendiam sem resistência e faziam tratados autorizava-se que elas conservassem as suas igrejas ou esnogas, enquanto que nas cidades tomadas por assalto, os templos passavam a ser utilizados pelos muçulmanos. Atribui-se ao comandante árabe Anre ibne Alas ter feito o salá numa igreja. Zaíde ibne Ali disse, acerca das igrejas cristãs: "Fazede o vosso salá nelas, não nos aleijaremos", o que significava que as igrejas e esnogas capturadas podiam ser usadas como mesquitas.

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Funções religiosas

Orações

Todos os muçulmanos adultos têm a obrigação de celebrar orações, o salá, pelo menos cinco vezes por dia. Embora nalgumas mesquitas pequenas que acolhem a pequenas congregações só fazem-se alguns destas orações, na maioria realizam-se as cinco orações diárias precetivas: antes do amanhecer (fajr), ao meio-dia (zuhr), pela tarde (asr), depois do pôr do sol (maghrib), e à noite (isha). Não é obrigatório para os muçulmanos orar no interior de uma mesquita, mas nos hádices diz-se que a oração comunitária na mesquita é mais virtuosa que a oração em privado. O imame conduz a congregação em oração. Além das cinco orações diárias precetivas, as mesquitas acolhem as orações jum'ah, ou oração das sextas-feiras, que nesse dia da semana substituem à oração obrigatória do meio-dia. Enquanto as orações diárias comuns podem fazer-se em qualquer sítio, é precetivo que todos os homens adultos assistam às mesquitas para a oração das sextas.

Ritos do Ramadão

O mês mais sagrado do Islão, o ramadão, obriga ao cumprimento de diversos rituais. Enquanto dure o ramadão os muçulmanos devem jejuar durante o dia, ao pôr do sol, depois da quarta oração do dia (magrib), os fiéis reúnem-se nas mesquitas para os jantares comunitários (iftar). A própria comunidade encarrega-se de fornecer os alimentos necessários, pelo menos parcialmente. Devido que a celebração dos jantares ifṭār exige a contribuição dos membros da comunidade, algumas mesquitas com um pequeno número de fiéis não têm a capacidade suficiente para organizá-las diariamente. Algumas mesquitas também celebram as suhur antes do amanhecer, para os congregantes que assistem à primeira oração do dia, fajr. As mesquitas convidam com frequência aos membros mais pobres das suas comunidades para partilhar alimentos tanto ao começo como ao fim do jejum, porque praticar a caridade durante o ramadão é considerado especialmente honrado no Islão.

Caridade

O terceiro dos pilares do islão declara que todos os muçulmanos devem dar aproximadamente uma quadrigésima parte (1/40) dos seus bens à caridade como zacate. Como as mesquitas são o centro das comunidades muçulmanas, ali é onde os fiéis dão ou, se precisam, recebem o zacate. Antes da festa que assinala o fim do Ramadão, o Eid al-Fitr, as mesquitas recolhem um zacate especial que serve para ajudar aos muçulmanos pobres a assistir aos rezos e celebrações associadas com a festividade.

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Funções sociais

Centro da comunidade muçulmana

Muitos líderes muçulmanos, depois da morte do profeta Maomé, imitando-o, estabeleceram os seus domínios construindo primeiro uma mesquita. Da mesma maneira que a Meca e Medina foram construída arredor da Grande Mesquita e da Mesquita do Profeta, Carbala, no atual Iraque, foi construída à volta do túmulo xiita do imame Huceine. Ispaão, no Irão, é especialmente notável pela presença de mesquitas que formam o centro da cidade. No século VIII construiu-se uma mesquita dentro da cidade, que três séculos depois foi descrita pelo teólogo e filósofo Nácer Cosroes como "uma magnífica mesquita de sexta construída no centro da cidade". A começos do século XVII, Abas I, da dinastia Safávida decidiu tornar Ispaão numa das cidades mais grandes e formosas do mundo. Como parte deste plano, ordenou a construção da Mesquita do Xá e da mesquita do xeque Lotf Alá, ambas no perímetro da praça Naghsh-i Jahane, uma das maiores praças urbanas do mundo, que acolhe eventos desportivos e comerciais.

Educação

Outra função primordial das mesquitas é a de ter instalações educativas. Algumas, especialmente as situadas nos países nos quais não há escolas islâmicas estatais, têm escolas a tempo completo, dedicadas a ensinar a doutrina islâmica e conhecimentos gerais. Estas mesquitas acolhem geralmente a estudantes dos níveis de educação primária e secundária: umas poucas também oferecem educação superior. A maioria das mesquitas dispõem também de escolas a tempo parcial, nas que as aulas são realizadas nos fins de semanas ou pelas noites. Enquanto que as escolas a tempo completo estão dirigidas às crianças que dependem das mesquitas para receber educação geral, as de fim de semana e noturnas estão pensadas para proporcionar só educação islâmica a pessoas de todas as idades. As matérias dadas nas aulas islâmicas noturnas ou de fim de semana variam. A leitura do Alcorão e o ensino da língua árabe são comuns nas mesquitas situadas em países onde o uso do árabe não é comum. As aulas dirigidas a novos muçulmanos acerca dos fundamentos da fé islâmica são também frequentes, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, onde o Islão é a religião que cresce mais rápido. As mesquitas também aprofundaram mais no Islão através de aulas aos congregantes sobre a fiqh (jurisprudência islâmica). Os madraçais também estão disponíveis para que os muçulmanos tornem-se eruditos (ulemás) ou em imames. Porém, como o seu propósito primordial não é servir de lugar de culto ou de centro da comunidade, os madraçais estão normalmente separados das mesquitas de bairro.

Eventos e campanhas de recoleção

As mesquitas também organizam eventos para arrecadar verbas para suas atividades ou, simplesmente, para reunir a comunidade. Os pátios das mesquitas também são usados para realizar reuniões sociais; os bazares onde os membros da comunidade podem comprar mercadoria islâmica são comuns entre as mesquitas. As mesquitas também celebram casamentos.

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Papel político contemporâneo

Desde fins do século XX, aumentou o número de mesquitas usadas com fins políticos. Hoje em dia, diversas mesquitas do mundo ocidental promovem a participação civil. Devido à sua importância na comunidade, as mesquitas têm sido um campo para promover o ativismo político, para resolver conflitos e para ensinar as ideologias islâmicas.

Apoio

Nos países onde os muçulmanos são uma minoria da população é mais provável que sejam utilizadas mesquitas como maneira de promover a participação civil do que nos países de maioria muçulmana do Médio Oriente. Nas mesquitas dos Estados Unidos realiza-se a inscrição dos votantes, e organizam-se campanhas de participação cidadã, promovidas por muçulmanos implicados no processo político, frequentemente imigrantes de primeira ou segunda geração. Como resultado destes esforços, tal como das iniciativas das mesquitas para manter aos muçulmanos informados nos assuntos as quais se enfrenta a comunidade muçulmana, é mais provável que os assistentes regulares participem em manifestações, assinem petições, ou estejam implicado de qualquer outra maneira na política.

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Fontes consultadas

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