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Medicina veterinária

A medicina veterinária é uma das muitas áreas do conhecimento ligada à manutenção e restauração da saúde. Ela trabalha, num sentido amplo, com a prevenção e cura das doenças das demais espécies e dos humanos num contexto médico. Sendo a área de atuação do profissional de saúde animal/pública formado em uma Faculdade de Medicina Veterinária.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Conceito

A medicina veterinária é a "arte da cura de animais". No entanto este ramo da medicina encontra-se em constante dinamismo, tanto em termos de investigação e avanço científico como em termos de controle e erradicação de doenças. O conceito de medicina tradicional refere-se a práticas, abordagens e conhecimentos, - incorporando conceitos materiais e espirituais -, técnicas manuais e exercícios, aplicados individualmente ou combinados, a indivíduos ou a coletividades, de maneira a tratar, diagnosticar e prevenir doenças, ou visando a manter o bem-estar. A atual prática da medicina utiliza em seu favor conhecimentos obtidos por diversas ciências, por exemplo, biologia, química, física, microbiologia, epidemiologia, anatomia, fisiologia etc. Trata-se, na verdade, de várias ligações das ciências relacionadas à saúde. Em um conceito restrito, a Medicina Veterinária busca a saúde animal pública e humana por meio de estudos, diagnósticos e tratamentos, e no conceito mais amplo, aliviar o sofrimento e manter o bem-estar global. De modo geral, a Medicina Veterinária engloba os campos de Clínica Médico-Veterinária, Cirurgia, Ginecologia e obstetrícia e Saúde pública.

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Símbolo heráldico da Ordem dos Médicos Veterinários

A Ordem adotou para símbolo um brasão de Armas, com os elementos construtivos que se discriminam: Brasão ovalado, circundado por listel ovalado, de prata, com a seguinte inscrição em letras gregas maiúsculas, de tipo Ellzevir: ORDEM DOS MÉDICOS VETERINÁRIOS.

Leitura simbólica

Identificação Nacional: O Escudo de cinco quinas Nobreza da Profissão: O elmo com virol e paquife Caracterização Profissional: Inserção de atuação

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História

A medicina veterinária é tão antiga quanto a ligação que os seres humanos realizaram com os animais. A ars veterinaria estava registrada no Papiro de Kahoun, de cerca de 4000 a.C.. Os códigos Eshn Unna (1900 a.C.) e de Hamurabi (c. 1700 a.C.), na Babilônia, trazem referências ao pagamento e atribuições dos médicos dos animais. A fundação das primeiras escolas de medicina veterinária no Ocidente, é considerado o marco da profissão, os profissionais que se dedicam a ela receberam vários nomes ao longo da história, por exemplo, na Grécia Antiga, a profissão, então chamada de hipiátrica, data do século VI a.C.; já em Roma alguns tratados foram dedicados às doenças animais, como os de Catão, o Velho e de Columela.

Apsirtos

Apsirtos, considerado o "Pai da Medicina Veterinária" no Ocidente, nasceu em Clazômenas, em 300, foi autor de 121 dos 420 artigos do tratado publicado no século VI, no Império Bizantino, chamado Hippiatrika. Formado em Medicina, em Alexandria, foi o Médico Veterinário chefe no exército de Constantino.

Sistematização do estudo

Foi durante o reinado de Afonso V de Aragão, na Espanha, que o estudo básico teve início; no governo de Fernando e Isabel, foi disciplinado o cargo de albeitar - palavra derivada do nome de um grande médico de animais, de origem árabe (cujo nome era Eb-Ebb-Beithar), e que foi traduzido para o português como alveitar. Podemos dizer que o início do ensino formal da Medicina Veterinária se deu no período após a Guerra dos 30 anos onde houve um aperfeiçoamento da Medicina, inclusive da Veterinária, resultando na necessidade de ensinar os serviçais a tratarem dos animais feridos ou enfermos. As duas primeiras escolas de medicina veterinária, Lyon, em 4 de agosto de 1761, e a de Alfort (Paris), em 1765, foram criadas pelo francês Claude Bourgelat, advogado e amante de cavalos, que não se conformava com a ineficiência no tratamento empírico ( uso inicial de antimicrobianos baseado nos agentes mais prováveis da infecção) em seus cavalos de raça, e usou sua influência para convencer o Rei Luiz XV a criar a Escola Veterinária de Lyon, que passou a funcionar em 1762., tendo seus alunos recrutados em meio a ferradores, especialistas em cuidar de cascos de equinos, sendo então a ferradura uma das matéria estudadas. Se seguiram o surgimento, na Europa de vários outros cursos, tais como as escolas de Viena, em 1768, Turim (1769) e Gôttingen (1771).

No Brasil

Com a chegada da família real ao Brasil, em 1808, a cultura científica e literária brasileira recebeu novo alento, pois até então não havia bibliotecas, imprensa e ensino superior no Brasil Colônia. São fundadas, inicialmente, as Faculdades de Medicina (1815), Direito (1827) e a de Engenharia Politécnica (1874). Quanto ao ensino das Ciências Agrárias, seu interesse só foi despertado quando o Imperador D. Pedro II, ao viajar para França, em 1875, visitou a Escola de Medicina Veterinária de Alfort, impressionou-se com uma Conferência ministrada pelo Médico Veterinário e Fisiologista Dr. Collin. Ao regressar ao Brasil, tentou propiciar condições para a criação de entidade semelhante no País.

Modernidade

Recentemente a aplicação da medicina veterinária tem se expandido por causa da disponibilidade de técnicas avançadas de diagnóstico e de terapia para a maioria das espécies animais, bem como pelos avanços científicos em outras áreas, como a genética, a biotecnologia, a fisiologia, que proporcionam melhoramentos nos sistemas de produção animal. Em 1946, a Organização Mundial de Saúde (OMS), reconhecendo a necessidade de se conciliar, definitivamente, os inseparáveis preceitos da saúde humana com a saúde dos animais, recomendou que se criasse a uma seção de saúde veterinária, que foi estabelecida no ano de 1949; assim define a OMS, em 1951, a Saúde Pública Veterinária:

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Medicina Veterinária e a Saúde Pública

Com a compreensão pela ciência da origem e propagação de diversas doenças, tendo como vetores animais domésticos ou silvestres, bem como para assegurar a própria integridade física dos animais, a medicina veterinária passou a ser importante coadjuvante nas políticas de saúde pública dos países. A propagação de doenças epidêmicas, humanas ou animais, encontra na instalação de barreiras veterinárias que evitam sua propagação um meio eficaz de controle. Aliado a isso, um dos campos da Medicina Veterinária que está em grande ascensão é o da Defesa Sanitária Animal, cujos objetivos são justamente prevenir a ocorrência de doenças exóticas, que podem ter graves impactos em saúde pública ou econômicos nos animais, e controlar ou erradicar doenças endêmicas. Algumas destas doenças, que podem ser citadas são, entre outras, a brucelose, tuberculose, teníase, toxoplasmose, salmonelose, colibacilose, clostridioses, leptospirose, campilobacteriose, Raiva canina,listeriose, raiva, scrapie, encefalopatia espongiforme bovina ("Mal da Vaca Louca") e a influenza aviária ("gripe aviária") - todas elas potenciais zoonoses - doenças dos animais passíveis de transmissão ao ser humano -, além da febre aftosa, pestes suínas clássica e africana, anemia infecciosa equina, doença de Newcastle, doença de Aujezski, que são doenças de alto impacto econômico e poder restritivo de mercado.

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Medicina Veterinária e Nutrição

A medicina veterinária trabalha na formulação de dietas de animais, entre os quais o gado bovino, ovino, caprino, suíno e aves cuja importância destaca-se na produção de alimentos ao ser humano. Neste campo, o médico veterinário, que também possui formação na área de zootecnia, mergulha em setores do conhecimento como nutrição, genética e melhoramento animal, estatística e técnicas de manejo geral, contribuindo fortemente para o desenvolvimento agrícola. O médico veterinário não é apenas necessário em controles de zoonoses, cabendo a ele também intervenção nos processos produtivos e de melhoramento animal. O melhoramento animal tem por finalidade aperfeiçoar a produção dos animais que apresentam interesse para o Homem. Sabe-se que o fenótipo de um indivíduo nada mais é que o produto da interação genótipo e meio ambiente, que apesar de ter fundamentação teórica desenvolvida há muitos anos, tem recentemente, recebido grandes contribuições por parte de médicos veterinários, zootécnicos e genéticos, que com a necessidade de melhoria genética imposta pelo mercado, desenvolvem progressos genéticos que têm sido observados nas mais diversas espécies animais explorados comercialmente.

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Medicina Veterinária e o meio ambiente

Imagem: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian · BY-NC-ND · Openverse

O médico veterinário destaca-se, ainda, na área de estudos do meio ambiente e na proteção ambiental. Neste campo, ele trabalha em conjunto com outros profissionais, biólogos ecologistas, com o intuito de estudar o comportamento dos animais silvestres, realizando pesquisas e tomando notas, tendo relevância sobretudo em animais mantidos em cativeiro para fins reprodutivos, assistindo em sua reprodução, na tranquilização, anestesia e nas intervenções cirúrgicas, na prescrição dos diversos tratamentos e na definição da dieta mais adequada para tais espécies.

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Animais domésticos

Imagem: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian · BY-NC-ND · Openverse

Animais de companhia, particularmente cães e gatos, frequentemente recebem cuidado médico avançado (próteses de quadril, cirurgias de catarata, marca-passos cardíacos, enfim, muitos procedimentos avançados que supõe-se serem aplicados somente na medicina humana). Tudo depende da disponibilidade da tecnologia e também do domínio do procedimento por parte do médico veterinário, uma vez que hoje em dia a medicina veterinária já está subdividida em diversas especialidades, assim como na medicina humana (oftalmologia, ortopedia, oncologia, endocrinologia, dermatologia, acupuntura, etc), e muitos veterinários não são mais apenas generalistas, e sim especialistas em determinadas áreas.

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Educação

Muitas universidades têm cursos de graduação que conferem grau ou título de bacharel em medicina veterinária. No Brasil seus praticantes são registrados e tem sua atuação regulada em nível nacional e estadual pelos conselhos federal e regionais de medicina veterinária, respectivamente. Em Portugal as universidades conferem o grau de licenciado em medicina veterinária. A inscrição na Ordem dos Médicos Veterinários é obrigatória para o exercício da profissão de médico veterinário. A duração e o conteúdo dos cursos varia muito. Geralmente estão entre 5 e 7 anos de duração. No Brasil, a duração do curso é de 5 anos. Em Portugal os cursos de medicina veterinária têm a duração de 6 anos, com o estágio curricular integrado no plano de curso. Alguns anos introdutórios (com disciplinas de anatomia, bioquímica, genética, histologia, biofísica, fisiologia, farmacologia, patologia, parasitologia, virologia, microbiologia médica, estatística e treinamento em pensamento científico) são seguidos por disciplinas profissionais (produção e nutrição animal, radiologia, clínica cirúrgica, clínica médica, moléstias infecciosas, saúde pública, inspeção de alimentos de origem animal, entre outras). Após regulamentação que ocorreu recentemente, algumas escolas fornecem a possibilidade de residência médica em diversas áreas, nas quais o trabalho prático é supervisionado por docentes da faculdade.

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Medicina Veterinária e sua Estrutura Curricular

Imagem: Brasil de Fato · BY-NC-SA · Openverse

No Brasil, o curso de bacharel em medicina veterinária geralmente compreende um período de 5 anos, e em algumas faculdades e universidades 6 anos. Os dois primeiros anos curriculares, em medicina veterinária, é o chamado “ciclo básico” que é semelhante na maior parte dos cursos de ciências da saúde. Incluem bioquímica, fisiologia, histologia, anatomia, farmacologia, microbiologia, epidemiologia, patologia, hematologia, entre outros. A medicina veterinária também engloba a espécie humana no que diz respeito as zoonoses. Pois é de responsabilidade do médico veterinário prevê-las, preveni-las e combatê-las. No entanto, naturalmente, o conteúdo de medicina veterinária, quanto ao seu foco, é relativamente menos abrangente no que diz respeito ao ser humano e muito mais abrangente no que se refere a doenças das demais espécies, fora o homem, com os seus tratamentos. A medicina veterinária no sentido farmacológico estudam componentes químicos e seus efeitos no organismo animal, contudo, com a utilização de manuais e referências específicas para medicina veterinária. Quanto à fisiologia veterinária, esta é relativamente mais abrangente, pois não se foca tanto no organismo humano e compreende uma variedade de mecanismos os quais não estão presentes no homem, como por exemplo a fisiologia digestiva de ruminantes que compreende a fisiologia do rúmen; ou mecanismos que funcionam de forma muito diferente que no homem, como a fisiologia renal (especialmente mamíferos, peixes, répteis e aves) e, claro, a fisiologia cardio-pulmonar, a qual detém uma complexidade magnifica e variada. A histologia segue a mesma linha de diferenças.

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Profissionais paraveterinários

Imagem: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian · BY-NC-ND · Openverse

No Brasil os trabalhadores paraveterinários formalmente ainda correspondem a uma prática recente e pouco conhecida. Os trabalhadores paraveterinários brasileiros correspondem a dois: o auxiliar de veterinária, uma função classificada como uma área de ocupação desde 2002 pela Classificação Brasileira de Ocupações, e cujo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) se pronunciou sobre, primeiramente citando que não trata-se de uma profissão regulamentada; e o técnico em veterinária, cujo CFMV ainda não se pronunciou especificamente sobre. Ambas funções ainda não possuem regulamentação no Brasil, porém, recentemente em 2019 o Conselho Federal de Medicina Veterinária anunciou a adoção de regulamentações para os auxiliares de veterinária apenas. Em 2017 o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Minas Gerais publicou uma resolução que dispõe sobre os requisitos para funcionamento de estabelecimentos que ministram cursos de trabalhadores paraveterinários. Já o CRMV do Estado do Rio de Janeiro ofereceu em 2015 esclarecimentos à população sobre cursos e a função de um auxiliar de veterinária.

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