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Eloy Terena

Luiz Henrique Eloy Amado, mais conhecido como Eloy Terena, é um advogado, antropólogo, pesquisador, professor universitário e uma liderança indígena brasileira, da etnia Terena, trabalhando principalmente na área da defesa dos direitos dos povos indígenas no Brasil, na qual tem reconhecimento nacional e internacional. Desde janeiro de 2023 foi secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, e em 31 de março de 2026 foi empossado ministro, substituindo Sônia Guajajara.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 31/10/2026
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Biografia

Terena nasceu na Aldeia Ipegue, Terra Indígena Taunay-Ipegue, em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, em 2 de fevereiro de 1988. É filho de Simão Amado, natural da Aldeia Colônia Nova, fundada por seu avô Manoel Amado. Sua mãe é Zenir Eloy, natural da Aldeia Ipegue. Os pais casaram em 1980 e se divorciaram em 1991. Teve as irmãs Val, Simone e Glaucinéia. Após separar-se do marido, Zenir viveu com os filhos em Campo Grande, trabalhando como empregada doméstica. Fez seus primeiros estudos na escola da aldeia, em Campo Grande estudou na Escola Municipal Frederico Soares, e concluiu o Ensino Médio na Escola Estadual Arlindo de Andrade Gomes. Inicialmente pretendia fazer alguma graduação na Educação ou na Biologia e depois voltar para sua aldeia, mas influenciado por sua irmã, acabou optando pelo Direito. Em 2005 prestou vestibular para Direito na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, mas seis meses depois de iniciar o curso recebeu uma bolsa integral do Programa Universidade para Todos, transferindo-se para a Universidade Católica Dom Bosco, onde se graduou.

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Vukapánavo

Em 2020 Terena publicou o livro Vukapánavo: O despertar do povo Terena para os seus direitos. Movimento indígena e confronto político, escrito com base em sua tese de doutorado em Antropologia Social. A tese e o livro enfocam a história étnica, política e social do seu povo, as perseguições vividas, suas relações com a história do Brasil, sua identidade em transformação, e suas lutas pela vida, pela cultura e pelas terras, assim como o processo de articulação interna e conscientização política. A tese foi incluída na bibliografia básica recomendada por Miguel Aparicio, antropólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, destacando-a entre as produções antropológicas realizadas por pesquisadores indígenas que estão "reinventando a própria natureza do conhecimento antropológico e mostrando que, para além de um movimento de assimilação dos métodos da academia, suas produções são uma das principais instâncias de inovação nessa 'ciência-sobre-os-outros'. [...] Agora produtores de etnografias, a Antropologia será feita com eles, ou não será. Os antropólogos indígenas não vêm, portanto, para complementar, mas para redefinir".

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Reconhecimento

O trabalho jurídico de Terena é voltado principalmente para a defesa de direitos territoriais indígenas e defesa de lideranças que são processadas judicialmente, em particular no Mato Grosso do Sul. Sua atuação ganhou reconhecimento nacional e internacional. Segundo o líder indígena e escritor Ailton Krenak, Terena "representa a ascensão de uma geração de jovens lideranças indígenas que saíram das aldeias para estudar e trabalhar, mas que, diferentemente de gerações anteriores, deu continuidade às causas dos povos". Para a pesquisadora Florbela Ribeiro, "não há como separar história de vida e escolhas acadêmicas. As suas escolhas refletem as de muitos outros indígenas, que pretendem se apropriar dos conhecimentos específicos para utilizá-los em prol de sua comunidade". O pesquisador Miguel Aparicio, professor da Universidade Federal do Oeste do Pará, disse que "a trajetória pessoal e de pesquisa de Luiz Henrique Eloy Amado está marcada pela violência extrema do agronegócio regional contra as terras indígenas, numa das regiões mais anti-indígenas do continente. Foi diante desse cenário que Eloy Terena abraçou a carreira jurídica e se tornou um dos pioneiros do direito indígena no Brasil. [...] A Antropologia veio consolidar esse seu percurso como uma das principais lideranças da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e como primeiro advogado indígena a vencer uma ação de jurisdição constitucional perante a Suprema Corte".

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