Marquês de Alegrete
Marquês de Alegrete foi um título nobiliárquico português, criado por carta do rei D. Pedro II de 19 de agosto de 1687, a favor de Manuel Teles da Silva, 2.º Conde de Vilar Maior.
Manuel Teles da Silva (1641–1709), filho dos 1.ºs Condes de Vilar Maior, nasceu a 13 de fevereiro de 1641 nas casas da família na Mouraria, em Lisboa. Combateu na Guerra da Restauração, tomando parte, como coronel de um terço de ordenanças, na recuperação de Évora depois da batalha do Ameixial; nos conflitos do reinado de D. Afonso VI tomou o partido do infante D. Pedro. Latinista, escreveu De rebus gestis Joannis II (Lisboa, 1689). Senhor da vila de Alegrete desde 1679, regedor da Casa da Suplicação e do Conselho de Estado, recebeu o título no regresso da embaixada à corte do Eleitor Palatino, de onde trouxe a princesa Maria Sofia de Neuburgo, segunda mulher de D. Pedro II. Por alvará de 30 de agosto de 1698 foram-lhe concedidas duas vidas no título. Morreu a 12 de setembro de 1709. Foi também vedor da Fazenda da repartição de África, a partir de 1672, e da do Reino, a partir de 1681, e esteve ligado às negociações do Tratado de Methuen (1703). Entre os filhos contaram-se Nuno da Silva Teles (1666–1703), reitor da Universidade de Coimbra, e João Gomes da Silva (1671–1738), 4.º Conde de Tarouca. A mulher, D. Luísa Coutinho, era filha de D. Brites de Meneses, 3.ª Condessa de Sabugal.
Palácio da Mouraria
O 1.º Marquês transformou num palácio as casas que a mãe recebera em dote na Mouraria, em Lisboa, junto à cerca fernandina. As obras terão começado em 1694 e, por dificuldades financeiras do marquês, foram tomadas a seu cargo em 1698 pelo tio deste, D. Frei Luís da Silva, arcebispo de Évora. O edifício tinha a fachada principal para a rua da Mouraria, com um portal encimado pelas armas dos Teles da Silva. Degradado depois do terramoto de 1755, deixou de ser habitado pela família e foi dividido em lojas e habitações arrendadas; ao longo do tempo foi também designado casas do Conde de Tarouca ou do Marquês de Penalva. Foi demolido entre agosto e outubro de 1946, no âmbito das obras do Martim Moniz, e a pedra de armas do portal conserva-se no Museu de Lisboa.
As armas eram esquartelado: no 1.º e 4.º, Teles de Meneses; no 2.º e 3.º, Silva; timbre de Teles de Meneses. Noutra descrição das armas dos Teles da Silva, o I e o IV são de Silva (de prata, um leão de púrpura armado e linguado de azul) e o II e o III de Meneses (de ouro pleno).


