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Marinha do Brasil

Marinha do Brasil (MB) é o ramo naval e de guarda costeira das Forças Armadas e autoridade marítima do Brasil. Suas responsabilidades abrangem a defesa, gerenciamento e fiscalização das águas jurisdicionais brasileiras e atuação internacional no Atlântico Sul. Suas forças navais, aeronavais e de fuzileiros navais distribuem-se entre uma Esquadra de combate baseada no estado do Rio de Janeiro e meios auxiliares e de patrulha no litoral e bacias do Amazonas e Prata.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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Missão

A Marinha, Exército e Aeronáutica constituem as Forças Armadas do Brasil, "instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República", destinadas, nos termos da Constituição, à "defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem". A função particular da Marinha é o preparo e emprego do poder naval, isto é, os meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais e suas bases e estruturas de comando e controle, logística e administração, juntamente com meios do Exército e Aeronáutica vinculados a missões da Marinha. O poder naval tem quatro tarefas básicas: controle de área marítima, negação do uso do mar ao inimigo, projeção de poder sobre terra e contribuição à dissuasão. Na história naval brasileira, predominam a projeção de poder e controle de área marítima. A Estratégia Nacional de Defesa de 2008 inovou ao priorizar a negação do uso do mar. O poder naval é a parcela militar do poder marítimo, que engloba a marinha mercante, a infraestrutura portuária, a construção naval, a extração de recursos e outras atividades nacionais no mar. A marinha mercante brasileira não faz parte da Marinha do Brasil, mas serve de reserva e pode ser mobilizada em caso de guerra.

Atribuições subsidiárias

A legislação brasileira também atribui ações subsidiárias às Forças Armadas: contribuir para o desenvolvimento nacional e a defesa civil e prevenir e reprimir delitos na faixa de fronteira e no mar. O Comandante da Marinha é ainda designado "Autoridade Marítima" para exercer atribuições subsidiárias particulares à força: O conjunto das missões da Marinha é de gerenciamento e não só defesa das águas brasileiras. O Comandante da Marinha preside a Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM), coordenadora da estratégia de desenvolvimento marítimo do governo brasileiro. As Normas da Autoridade Marítima (NORMAM) e Instruções Normativas expedidas pela Marinha são competentes para preencher as lacunas na legislação marítima brasileira. Todo este arcabouço legal é aplicado pela Marinha nas águas jurisdicionais brasileiras, isto é, as hidrovias e águas internas, mar territorial, zona econômica exclusiva e águas sobrejacentes à plataforma continental estendida.

Guarda costeira

Atividades de patrulha e inspeção naval, socorro, salvamento e segurança da navegação aquaviária são típicas de uma guarda costeira. O Brasil não tem guarda costeira e é a Marinha que absorve essas funções. Ela se descreve como "marinha dual", apta tanto à guerra como ao policiamento litorâneo e fluvial. Já houve propostas para uma guarda costeira brasileira, das quais a última importante foi feita pelo ministro da Marinha Maximiano da Fonseca em 1983. Um projeto de lei criaria uma autarquia federal vinculada à Marinha e subordinada em tempos de guerra como força de reserva. Ela absorveria todas as atividades subsidiárias e o acervo de pessoal e material da Diretoria de Portos e Costas, que seria extinta. Porém, a proposta foi muito impopular na Marinha e não foi retomada por nenhum de seus sucessores. O projeto foi engavetado no Congresso. Nos primeiros anos da década de 2000, o setor de inteligência da Polícia Federal também recomendou a criação de uma guarda costeira.

Ciência e tecnologia

Amplo contato é mantido com a comunidade científica em áreas como a energia nuclear, exploração da Antártica e, historicamente, a indústria de informática. As reivindicações brasileiras de extensão da plataforma continental são baseadas no Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (Leplac), uma parceria entre a Marinha, a Petrobras e a comunidade científica, criada em 1989. As ultracentrífugas de enriquecimento de urânio da Fábrica de Combustível Nuclear de Resende são fornecidas pelo Programa Nuclear da Marinha. A logística naval sustenta bases científicas nos remotos arquipélagos de São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz com a expressa intenção de que contem como "ilhas habitadas" para fins de projeção de zona econômica exclusiva no mar ao seu redor. São Pedro e São Paulo é um posto avançado pouco habitável, que recebe apenas quatro pessoas em turnos quinzenais, com um navio sempre à espera para o caso de uma emergência. A Estação Antártica Comandante Ferraz e a logística do Programa Antártico Brasileiro são operadas pela Marinha. As primeiras expedições navais ao continente permitiram ao Brasil ser aceito em 1983 como parte consultiva do Tratado da Antártica.

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Área de atuação

A Marinha do Brasil é tradicionalmente considerada uma força costeira, com uma presença significativa também nos rios (as águas "marrons"). Suas metas de longo prazo tornariam-na uma força de águas azuis, capaz de empreender expedições distantes em alto-mar. Seu estado atual, que não chega a esse ponto, é caracterizado como de "águas verdes", focada na defesa das suas águas jurisdicionais. A maioria dos meios navais, especialmente os de maior porte, concentra-se no estado do Rio de Janeiro, a "espinha dorsal" da Marinha, onde está sediada a Esquadra. Há uma proposta para uma 2.ª Esquadra sediada no Norte ou Nordeste do país. Afora este componente principal, há navios de patrulha e auxiliares em vários pontos do litoral e das bacias do Amazonas e Paraguai. A Estratégia Nacional de Defesa (END) atribui prioridade ao controle das áreas marítimas na faixa entre Santos e Vitória e na foz do Amazonas. A Estratégia de Defesa Marítima de 2023 também mencionou, como "áreas marítimas de interesse", a Elevação do Rio Grande, as proximidades de ilhas oceânicas e as bacias petrolíferas de Santos e Campos. "As áreas marítimas estratégicas de maior prioridade e importância para o Brasil", segundo o Livro Branco da Defesa Nacional (LBDN), são as águas jurisdicionais brasileiras, "bem como a região compreendida entre o Paralelo 16 norte, a costa oeste da África, a Antártica, o leste da América do Sul e o leste das Antilhas Menores". É o que o pensamento militar já chamou de "entorno estratégico brasileiro", onde pode ser preciso intervir em favor dos interesses nacionais. Operações de manutenção de paz das Nações Unidas podem exigir a projeção de poder ainda mais longe do território nacional.

Relações internacionais

O rival histórico do Brasil nos séculos XIX e XX era a Argentina. O equilíbrio de forças navais na América do Sul girava em torno das potências ABC, Argentina, Brasil e Chile. A principal influência externa na doutrina e tradições da Marinha do Brasil, desde seus primeiros anos, era da Marinha Real britânica. Uma missão naval americana, contratada em 1922, começou a suplantar a influência britânica. A Alemanha foi a oponente em ambas guerras mundiais; a Segunda confirmou a influência americana, com o Lend-Lease e operações conjuntas, e ela chegaria ao ápice no Acordo Militar Brasil-Estados Unidos assinado no pós-guerra.[i] Os Estados Unidos assumiam a liderança de um sistema de defesa coletivo do Hemisfério Ocidental, codificado na Organização dos Estados Americanos (OEA) e no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), com um inimigo implícito: a União Soviética. Operações conjuntas com os Estados Unidos (Unitas, Veritas e Springboard) disseminavam padrões táticos americanos na América Latina.

Mentalidade marítima

A conquista e colonização do que viria a ser o Brasil pelo Império Português começaram pelo mar. Em consequência, no século XIX, o Brasil independente era um país "arquipelágico", com a população concentrada no litoral e nos rios navegáveis, como em Mato Grosso. A marinha mercante e a construção naval eram relevantes na economia e a "geografia imaginativa" da população centrava-se no mar — tudo isto dava uma função importante para o poder naval. No século XX, ao contrário, as políticas públicas e consciência coletiva voltaram-se ao interior continental, a exemplo da transferência da capital do Rio de Janeiro para Brasília, a Marcha para o Oeste e a substituição da cabotagem pela malha rodoviária como principal modalidade de transporte.

Amazônia Azul

Como Estado-membro da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), o Brasil tem direito a uma zona econômica exclusiva (ZEE) a até duzentas 200 milhas náuticas (370 quilômetros) do seu litoral, substituindo reivindicações anteriores (1970–1993) de um mar territorial de duzentas milhas náuticas. Três arquipélagos, São Pedro e São Paulo, Trindade e Martim Vaz e Fernando de Noronha, e o Atol das Rocas também projetam uma ZEE ao seu redor. Trindade e Fernando de Noronha são potencialmente viáveis numa defesa antecipada do litoral brasileiro, mas atualmente não são usadas militarmente. Também com base na CNUDM, o Brasil reivindicou uma extensão dos limites da sua plataforma continental em 2004. A Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas ainda não aprovou todo o pleito brasileiro. Somando a ZEE e todas as propostas de plataforma continental, o Brasil teria direitos sobre uma área marítima de 5,7 milhões de quilômetros quadrados.

Vias fluviais

Os conceitos de Amazônia Azul e águas jurisdicionais brasileiras abrangem as hidrovias. A Estratégia Nacional de Defesa determinou maiores investimentos nas bacias hidrográficas do Amazonas e do Paraguai-Paraná, às quais a Marinha tradicionalmente dá importância secundária. A instituição tem menos entusiasmo com a Amazônia ("verde") do que o Exército, mas suas batalhas mais famosas ocorreram em rios da bacia do Prata no século XIX. O espaço fluvial brasileiro é vasto. Do Atlântico, é possível alcançar o Peru, pelo rio Amazonas, e Mato Grosso, pelo rio Paraguai. Na Amazônia, não existe malha rodoviária completa e os rios são a principal modalidade de transporte. Até o Exército tem uma unidade de logística fluvial, o Centro de Embarcações do Comando Militar da Amazônia (CECMA). O Brasil coopera com a Colômbia e o Peru, na Amazônia, e a Bolívia, Paraguai, Argentina e Uruguai, no Prata, contra o tráfico de drogas e a criminalidade ambiental.

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História

A Marinha do Brasil é a mais antiga das Forças Armadas, e como tal, tem precedência formal em textos e eventos oficiais. Oficialmente ela remonta a 28 de julho de 1736, quando D. João V, rei de Portugal, criou a Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Domínios Ultramarinos. Na Independência do Brasil em 1822, instituições, navios e efetivos da Marinha Portuguesa presentes no território aderiram ao novo país. O órgão dirigente da nova instituição era o Ministério da Marinha, cujo primeiro incumbente foi nomeado em 28 de outubro de 1822. Em 1999 o Ministério da Marinha foi rebaixado a Comando da Marinha, subordinado ao novo Ministério da Defesa. A evolução da frota nos séculos XIX e XX seguiu ciclos de cerca de quatro décadas de expansão e retração. Os pontos altos foram atingidos em 1830, 1870, 1910, 1945 e 1980. No século XX, ela definiu tendências, sendo a primeira marinha na América Latina a adquirir dreadnoughts, submarinos e porta-aviões.

Século XIX

A Marinha atuou intensamente nas campanhas do Império Brasileiro (1822–1889), transportando e abastecendo o Exército, cortando as linhas de comunicação inimigas pelo bloqueio e defendendo as próprias da guerra de corso oponente. A expulsão dos portugueses da América do Sul na Guerra de Independência e a supressão das revoltas internas do período regencial (1831–1840) preservaram a integridade do novo Estado. Ainda que os únicos rebeldes com forças navais fossem os Farrapos, a logística naval era decisiva. A esquadra de 1822 era modesta e teve que ser complementada com mercenários estrangeiros, como o britânico Thomas Cochrane, e navios comprados em subscrição nacional. Havia uma capacidade local de construir navios de madeira desde o período colonial, embora a artilharia viesse da Europa. A troca dos canhões de alma lisa por canhões de alma raiada e a adoção da propulsão a vapor começaram nos anos 1830 e 1840.

Guerras mundiais

O Brasil entrou nas duas guerras mundiais, em 1917–1918 e 1942–1945, com praticamente a mesma frota:[n] a "Esquadra de 1910", composta dos dois dreadnoughts da classe Minas Gerais, dois cruzadores da classe Bahia, dez contratorpedeiros da classe Pará, três submersíveis classe F e embarcações auxiliares. Ela foi encomendada a estaleiros britânicos na alta nos ciclos do café e da borracha, com o apoio do ministro das Relações Exteriores, o Barão do Rio Branco. O Brasil nunca conseguiu aproveitar plenamente os dreadnoughts, por depender do exterior para a manutenção e por insuficiente profissionalização do material humano. Esta se revelou num motim de marinheiros contra a prática ainda vigente do castigo corporal, a Revolta da Chibata de 1910. A encomenda desencadeou uma corrida armamentista naval com a Argentina e o Chile, e a Esquadra de 1910 esteve logo ultrapassada.

Guerra Fria

Nas primeiras décadas da Guerra Fria, o almirantado brasileiro preparava-se para uma repetição da guerra anterior: uma campanha antissubmarino em auxílio à Marinha dos Estados Unidos. O esqueleto da frota passou a ser de contratorpedeiros recebidos dos estoques americanos.[p] Dois cruzadores leves da classe Brooklyn substituíram os encouraçados.[q] O acesso a navios de segunda mão prejudicou a indústria naval, mas deu uma capacidade anfíbia real ao Corpo de Fuzileiros Navais, através de navios de transporte de tropas,[r] e restaurou a Aviação Naval através do porta-aviões ligeiro Minas Gerais (A-11) (ex-HMS Vengeance da Marinha Real), ambos nos anos 1950. A Força Aérea disputou a posse da aviação embarcada e conseguiu que seus aviões constituíssem a ala aérea. Só os helicópteros eram da Marinha.[s] Essas eram aeronaves antissubmarino, não de ataque. A Argentina não tinha essa limitação com seu próprio porta-aviões e recuperou sua vantagem naval sobre o Brasil.

Pós-Guerra Fria

O fim da Guerra Fria completou outra mudança no pensamento naval, o abandono da prioridade à guerra antissubmarino e seus pressupostos geopolíticos.[v] Prevaleceu a ideia de uma esquadra balanceada, com capacidades diversificadas. O declínio da Armada Argentina nos anos 1990 mudou o equilíbrio de forças, mas a Marinha do Brasil se via premida a depender de navios de segunda mão, com a indústria naval em crise. Dentre eles, o porta-aviões São Paulo (A-12), ex-Foch da Marinha Francesa, comprado em 2000 para substituir o Minas Gerais. O Brasil manteve-se na prestigiosa posição de "potência de porta-aviões", mas extraiu pouco valor concreto do navio, por severas dificuldades de manutenção e obsolescência dos aviões A-4 Skyhawk de sua ala aérea.

Programas em curso

Os principais esforços correntes da Marinha são reunidos em sete programas estratégicos, dentre eles o Programa Nuclear da Marinha (PNM), Modernização do Poder Naval e Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz). O Programa Estratégico de Modernização do Poder Naval reúne iniciativas como o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (ProSub), o Programa de Obtenção das Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), o Programa de Obtenção de Meios Hidroceanográficos (Prohidro) e os subprogramas de fuzileiros navais, o ProAdSumus. O Programa Antártico Brasileiro não é exclusivo da Marinha. O ProSub teve início em 2009 com um contrato de sete bilhões de euros com a empresa francesa Naval Group. Ele compreende um estaleiro e base naval em Itaguaí, Rio de Janeiro, quatro submarinos convencionais da classe Riachuelo, baseada na Scorpène francesa, e um submarino nuclear, a ser denominado Álvaro Alberto (SN-10). O plano original era de 21 submarinos, mas nenhum pedido adicional foi feito desde então. Com os atrasos, em 2024 a previsão era comissionar o último dos quatro convencionais em 2026 e o nuclear em 2036. A transferência de tecnologia francesa não se estende aos componentes nucleares, que estão sendo desenvolvidos pelo PNM. Este é um programa mais antigo, iniciado nos anos 1970. Ele já domina a produção do combustível e desenvolve um reator. A Marinha descreve o ProSub em termos grandiosos: o Álvaro Alberto seria a futura "força máxima de dissuasão estratégica de nosso país". São polêmicas no ProSub e PNM o real objetivo estratégico do Brasil, a razão custo-benefício dos enormes investimentos, com a concomitante negligência a outros setores, e a relação do Brasil com os organismos de não-proliferação nuclear.

Planejamento

O Plano Estratégico da Marinha 2040, publicado em 2020, é o documento ostensivo que divulga as metas para o horizonte de vinte anos após a publicação. Outro documento, a Estratégia de Defesa Marítima (EDM) de 2023, dimensiona as capacidades pretendidas para os próximos vinte anos a partir de 2024. A EDM projeta, entre outros, os seguintes componentes:

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Estrutura

A Marinha está sujeita à autoridade do Presidente da República por intermédio do Ministério da Defesa. O Comando da Marinha é exercido por um almirante de esquadra e sediado na Esplanada dos Ministérios em Brasília. Ele tem subordinados um órgão de direção geral, o Estado-Maior da Armada (EMA) órgãos de assistência direta e imediata,[x] órgãos colegiados,[y] entidades vinculadas,[z], um órgão autônomo vinculado[aa] e órgãos de direção setorial.[ab] O EMA é o órgão que realiza estudos estratégicos e formula o pensamento naval brasileiro. Para formar consenso, o Comandante da Marinha pode convocar um dos órgãos colegiados, o Almirantado, que é um conselho de almirantes-de-esquadra. Toda a estrutura compunha mais de trezentas organizações militares em 2011, entre organizações operativas e organizações administrativas e de apoio: instituições de ensino e pesquisa, hospitais, bases, depósitos, laboratório farmacêutico, centro de munição, adidâncias navais e o Arsenal de Marinha. O grosso da Marinha operacional, com os principais meios de combate, está num dos órgãos de direção setorial, o Comando de Operações Navais (ComOpNav). Em 2017 o ComOpNav era responsável por 89 dos 102 navios em serviço. A maioria dos restantes estava no Grupamento de Navios Hidroceanográficos.[ac] Completa-se assim a divisão dos navios em três categorias: meios de Esquadra, meios distritais e meios de pesquisa.

Esquadra

A Esquadra é o núcleo do poder naval brasileiro. Ela está divida entre os Comandos das Forças de Superfície (ComForSup), Submarinos (ComForSub) e Aeronaval. Sua sede é a ilha de Mocanguê, em Niterói, Rio de Janeiro. A Força de Submarinos está sediada na Base de Submarinos da Ilha da Madeira, em Itaguaí, e a Força Aeronaval, em São Pedro da Aldeia, ambos ainda no estado do Rio de Janeiro. A Marinha do Brasil é tida como uma força mais moderna e tecnológica em comparação ao Exército e Força Aérea, mas com desvantagens relativas e pontuais com outras marinhas na América do Sul. Ao início dos anos 2020, grande parte da frota data de programas dos anos 1970 e 1980 e se aproxima da desativação. Em deslocamento total, ela era a 22.ª maior marinha do mundo em 2025, com 135 737 toneladas. Nesta posição, estava à frente da Armada Argentina (122 128 toneladas) e atrás da Marinha do Peru (170 344 toneladas) e Armada do Chile (176 065 toneladas).

Distritos Navais

Os Distritos Navais (DN) dividem o território nacional em nove áreas. Do primeiro ao nono, são respectivamente sediados no Rio de Janeiro, Salvador, Natal, Belém, Rio Grande, Corumbá, Brasília, São Paulo e Manaus. Para fins de busca e salvamento, que o COMPAAz coordena, o território nacional e a área marítima sob responsabilidade brasileira são divididos nas áreas Salvamar. O Salvamar Sueste corresponde ao 1.º DN, o Salvamar Leste ao 2.º DN, e assim por diante: Nordeste (3.º DN), Norte (4.º DN), Sul (5.º DN), Oeste (6.º DN), Centro-Oeste (7.º DN), Sul-Sueste (8.º DN) e Noroeste (9.º DN). Os Distritos Navais operam as duas bases navais mais relevantes fora do Rio de Janeiro, em Aratu, na Bahia (2.º DN), e Val-de-Cães, no Pará (4.º DN), na região da foz do Amazonas. Bases menores existem em Natal, Rio Grande do Norte (3.º DN), Rio Grande, Rio Grande do Sul (5.º DN), Ladário, Mato Grosso do Sul (6.º DN), e Rio Negro, Amazonas (9.º DN), sendo as últimas duas fluviais. Subordinam-se a eles navios patrulha e de sinalização náutica e unidades regionais de fuzileiros navais e aviação. A Força de Minagem e Varredura faz parte do 2.º DN. Ladário e Rio Negro respectivamente sediam a Flotilha de Mato Grosso e Flotilha do Amazonas. O maior número de navios está nos DNs, 63 em 2017, de um total de 89 no ComOpNav e 102 na Marinha. Em 2025 havia 44 navios e barcos de patrulha e três navios-varredores em serviço.[ae] As menores dotações de navios-patrulha em 2020 estavam no 8.º e 5.º DNs, correspondendo ao litoral do estado de São Paulo e da região Sul.

Aviação Naval

A Aviação Naval é o componente aéreo da Marinha, composto de aeronaves de asa fixa, helicópteros e aeronaves remotamente pilotadas. Tal como os navios, ela se divide entre meios aeronavais da Esquadra e meios aeronavais distritais. O Comando da Força Aeronaval, pertencente à Esquadra, é sediado na Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia. O 4.°, 5.°, 6.° e 9.° Distritos Navais têm seus próprios esquadrões, todos de helicópteros de emprego geral. A frota aérea somava 76 aeronaves em 2022. São Pedro da Aldeia sedia esquadrões de aviões de interceptação e ataque (Skyhawk), helicópteros de emprego geral (dois esquadrões com Esquilo, H-135 e Super Cougar), helicópteros de esclarecimento e ataque (Super Lynx), helicópteros antissubmarino (Seahawk), helicópteros de instrução (Jet Ranger e AS350B3 Esquilo) e aeronaves remotamente pilotadas (ScanEagle). O armamento inclui mísseis antinavio AM39 Exocet e AGM-119 Penguin. A frota de Super Cougar tem configurações de transporte pesado, múltiplo emprego (transporte, reconhecimento e combate) ou busca e resgate de combate.

Fuzileiros navais

O Corpo de Fuzileiros Navais é a infantaria naval da Marinha. Ele se divide entre a Força de Fuzileiros da Esquadra (FFE), subordinado ao ComOpNav, unidades subordinadas aos Distritos Navais e um órgão gerencial, doutrinário e técnico-administrativo, subordinado diretamente ao Comando da Marinha, o Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais (CGCFN), A FFE está distribuída entre a ilha das Flores e a ilha do Governador, no Rio de Janeiro. Ela tem o porte de uma brigada leve, com três batalhões de infantaria e componentes de comando e controle, artilharia, blindados, viaturas anfíbias, operações especiais, logística, engenharia, defesa antiaérea, defesa química, biológica, radiológica e nuclear, apoio médico e polícia militar. Os distritos navais têm batalhões de operações litorâneas e batalhões de operações ribeirinhas. O efetivo total em 2025 era de dezesseis mil fuzileiros navais.

Operações especiais

Duas unidades de elite na Marinha executam operações especiais, o Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais ("Comandos Anfíbios"), pertencente à Força de Fuzileiros da Esquadra, e o Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC), na Força de Submarinos. A principal diferença é o espaço de operações: os comandos anfíbios em terra e os mergulhadores de combate no mar, incluindo abordagens a navios e plataformas petrolíferas.

Diretoria-Geral de Navegação

A DGN tem duas diretorias especializadas, a Diretoria de Portos e Costas (DPC) e a Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN). A DPC lida com a marinha mercante, as políticas nacionais marítimas e a segurança e fiscalização do tráfego aquaviário. A DHN trata da hidrografia, oceanografia, cartografia, meteorologia, navegação e sinalização náutica. Seu Grupamento de Navios Hidrográficos, com nove unidades em 2025, abrange meios hidrográficos, oceanográficos, faroleiros e polares.

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Base industrial

Estaleiros nos Estados Unidos e Europa Ocidental são os principais fornecedores externos da Marinha do Brasil. Mas há também uma longa história de desenvolvimento e acordos binacionais na construção naval militar no Brasil, ainda que dependente de projetos e componentes estrangeiros. O Brasil é o único país na América Latina a montar seus próprios submarinos e tem progredido na área de pequenos combatentes de superfície. A regra era a construção de navios de guerra num estaleiro da própria instituição, o Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), localizado na ilha das Cobras, com exceções como os estaleiros privados Verolme, Ishikawajima e Indústria Naval do Ceará. No presente, as fragatas são construídas no Thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, e os submarinos, no Complexo Naval de Itaguaí. O AMRJ, maior complexo industrial da Marinha, tem três diques secos, incluindo o Dique Almirante Régis, maior da América Latina, capaz de docar porta-aviões. Ali se realizam os grandes períodos de manutenção geral (PMGs) dos navios são realizados no AMRJ, com outros reparos em grande escala em Val-de-Cães, em Belém. Reparos menores são feitos em outras bases. As menores capacidades de apoio estão nas estações navais de Rio Grande e Rio Negro (Manaus). Val-de-Cães tem um dique seco de 225 metros de comprimento, Aratu, 220 metros e Ladário, 80 metros.

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Efetivo

O Comando da Marinha vinculava 77 216 servidores em 2026. O efetivo de oficiais da Marinha foi fixado em 12 980 militares em 2026, incluindo 86 almirantes e 3 831 oficiais temporários. O efetivo de praças para 2025 era de 61 100, incluindo 7 094 temporários. A vida marinheira distingue-se por longos períodos de confinamento e afastamento da família. O contato direto com a população, e o interesse dos estudos sociológicos, é menor do que no Exército. Por outro lado, o contato com outros países é grande e a Marinha é, entre as Forças Armadas, mais cosmopolita. Os fuzileiros navais, que desenvolvem suas atividades mais em terra que no mar, têm uma identidade distinta. Para os que servem embarcados, a carga de trabalho é grande e cada tripulante tem mais de uma função ou encargo colateral. O navio é uma máquina repleta de materiais inflamáveis e componentes que podem falhar. Seu ambiente não natural impõe adaptações fisiológicas. O serviço embarcado pode significar a exposição a pesos, gases de combustíveis, solventes e ruídos e resultar em doenças como a perda da audição, hérnias de disco e distúrbios musculoesqueléticos. Alguns marinheiros se entregam ao alcoolismo. Os movimentos da embarcação induzem a cinetose e mal do desembarque. Alguns navios são piores. Um pequeno navio-varredor, por exemplo, joga muito e tem de racionar água. O ambiente mais extremo é o do submarino, com seu espaço muito limitado e ausência de dia e noite. Ainda assim, alguns estudos com submarinistas brasileiros indicam que a tripulação consegue suportar o estresse, o que os autores atribuem ao espírito de corpo e à seleção, treinamento e gestão de pessoal. A psicologia militar ainda é campo incipiente no Brasil.

Hierarquia

Como instituição baseada na hierarquia e disciplina, há um escalonamento dos oficiais em círculos, postos e antiguidade no posto. Da mesma forma, abaixo destes, os praças estão escalonados em círculos, graduações e antiguidade na graduação. Genericamente, chama-se os integrantes do círculo de oficiais generais de "almirante", os oficiais superiores de "comandante", e os oficiais intermediários e inferiores, "tenente". Os fuzileiros navais têm as mesmas patentes do restante da Marinha, com exceção da mais baixa, que é chamada de "soldado" em vez de "marinheiro". O círculo é uma divisão de convívio social em ambientes de trabalho, refeitórios, banheiros e alojamentos.

Corpos e Quadros

Para administrar uma alta complexidade funcional, o efetivo é dividido, conforme sua função, em Corpos, e estes, em Quadros. Três dos Corpos, da Armada, de Fuzileiros Navais e de Intendentes, têm um quadro de oficiais formados dentro de uma instituição da Marinha, a Escola Naval (EN), e um quadro complementar de oficiais preenchido por concursos públicos de nível superior. O Corpo da Armada é o de maior destaque, pois realiza a atividade básica da força, a navegação. O Corpo de Fuzileiros Navais tem as atribuições de combate em terra. O Corpo de Intendentes lida com a logística, economia, finanças, patrimônio, administração e controle interno.

Ensino

Os oficiais de carreira são formados em duas instituições: a Escola Naval, para os corpos da Armada, Fuzileiros Navais e Intendentes, e o Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW), para os quadros complementares desses três Corpos e para os Corpos de Engenheiros, Saúde e Auxiliar. Praças ingressam no Corpo da Armada pelas Escolas de Aprendizes-Marinheiros, e no Corpo de Fuzileiros Navais, pelo Centro de Instrução Almirante Milcíades Portela Alves (CIAMPA) e Centro de Instrução e Adestramento de Brasília (CIAB). A participação do serviço militar obrigatório é muito pequena na Marinha como um todo e inexistente no Corpo de Fuzileiros Navais, composto apenas de soldados profissionais, uma importante distinção em relação ao Exército. A Marinha também administra a Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM), com um centro de ensino no Rio de Janeiro e outro em Belém.

Perfil social

A Marinha já foi descrita como a mais aristocrática e conservadora das Forças Armadas. Seu corpo de oficiais é tido historicamente como representante das classes média e alta e de cor branca. A Marinha imperial foi descrita como "ilha de brancos" e "vitrine bem cuidada" pelo historiador e militar do Exército Nelson Werneck Sodré. Esta imagem tem se tornado menos precisa desde as últimas décadas do século XX, com um número crescente de aspirantes de classe média baixa e baixa e não-brancos na Escola Naval. Dentre os aspirantes que ingressaram em 2013, 31% tinham pais com ensino superior completo e 20 a 25% eram filhos de pais militares, dos quais 69% eram filhos de praças. 82% eram do estado do Rio de Janeiro. Isto confirma outros estudos que mostram um recrutamento endógeno, isto é, de filhos de militares, mais baixo na Marinha e Aeronáutica. De uma amostra de 94 oficiais que cursavam a EGN em 1998, as profissões da família eram muito variadas, predominando setores das "camadas médias", com a ressalva de que a amostra não era estatisticamente relevante.

Mulheres

O serviço em algumas funções na Marinha foi aberto às mulheres em 1980, no já extinto Corpo Auxiliar Feminino da Reserva da Marinha (CAFRM), e ampliado nas décadas seguintes. Atualmente estão abertos os Corpos de Intendentes, Engenheiros, Saúde, partes do Corpo Auxiliar e o Quadro de Músicos do Corpo de Praças de Fuzileiros Navais. As oficiais da Marinha, dependendo do seu quadro de pessoal, chegam até o posto de vice-almirante. Em 2025 havia 6 922 mulheres em serviço ativo, das quais 3 197 eram oficiais, e 3 725, praças.

Tradições

Como instituição naval, a Marinha tem linguagem própria, tradições, cerimônias e costumes marinheiros de longa data, muitos deles compartilhados com marinhas do mundo inteiro. Como instituição militar, a Marinha cultua o civismo e as tradições históricas e valoriza o espírito de corpo. Nomes de embarcações homenageiam locais, personagens históricos e espécies brasileiras, muitas vezes repetindo nomes consagrados. Toda embarcação carrega na frente o lema "Tudo pela pátria". A bandeira nacional é hasteada na popa, e o jeque (a "bandeira do cruzeiro") da Marinha, com 21 estrelas, na proa. Uma flâmula no topo do mastro, também de 21 estrelas, indica que o navio é comandado por um oficial da Marinha. Se alguma autoridade superior na cadeia de comando estiver a bordo, a flâmula é substituída por um pavilhão-símbolo. O comandante das operações na Guerra do Paraguai, Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré, tornou-se o patrono da Marinha, e 11 de junho, aniversário da batalha do Riachuelo, é a Data Magna da instituição. A data de nascimento de Tamandaré, 13 de dezembro, é o Dia do Marinheiro.

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Fontes consultadas

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