Marcos Pérez Jiménez
Marcos Evangelista Pérez Jiménez GCBDO foi um militar e ditador da Venezuela entre 1950 e 1958, governando como membro da junta militar de 1950 a 1952 e como presidente de 1952 a 1958. Participou do golpe de Estado de 1948, passando a integrar a junta militar que assumiu o poder. Candidatou-se às eleições de 1952, mas a junta cancelou o processo eleitoral quando os resultados preliminares indicaram a vitória da oposição, declarando Jiménez como presidente provisório. Em 1953, promulgou uma nova constituição que lhe conferia poderes ditatoriais. Em 12 de agosto de 1955 foi agraciado com a Grã-Cruz da Banda das Duas Ordens, tendo sido o último agraciado.
Marcos Evangelista Pérez Jiménez nasceu em Michelena, Estado de Táchira. O seu pai, Juan Pérez Bustamante, era agricultor; a sua mãe, Adela Jiménez, era uma professora de Cucuta na Colômbia. Pérez Jiménez frequentou a escola na sua cidade natal e na Colômbia e, em 1934, formou-se na Academia Militar da Venezuela, como o melhor da sua turma. Posteriormente, estudou na Escola Militar de Chorrillos, no Peru. Em 1945, Pérez Jiménez participou num golpe que ajudou a instalar o fundador da Ação Democrática, Rómulo Betancourt, como Presidente da Junta do Governo Revolucionário. Este governo viria a ser conhecido como El Trienio Adeco. Após uma alteração constitucional que previa o sufrágio universal, realizaram-se eleições em 1947 que resultaram na eleição de um membro do partido, Rómulo Gallegos.
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O receio de cortes nos salários dos soldados e a falta de equipamento militar modernizado levaram Pérez Jiménez e Carlos Delgado Chalbaud a dar outro golpe de Estado em 1948. Betancourt e Gallegos foram exilados, os partidos políticos foram suprimidos e o Partido Comunista foi mais uma vez banido pela junta militar chefiada por Delgado Chalbaud, Luis Felipe Llovera Páez e Pérez Jiménez. Depois de um sequestro mal organizado que terminou com o assassinato de Delgado Chalbaud, a Junta Militar mudou o seu nome para Junta de Governo e reorganizou-se com Germán Suárez Flamerich assumindo a presidência de 1950 a 1952.
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A junta convocou eleições para 1952, com o objetivo de eleger uma Assembleia Constituinte que elegeria um presidente e redigiria uma nova constituição. Os primeiros resultados mostravam que a oposição estava a caminho da vitória, levando a junta a suspender a contagem dos votos. Em 2 de dezembro de 1952, a junta divulgou os resultados “finais”, que mostravam que a “Frente Eleitoral Independente” (FEI), pró-junta, tinha obtido a maioria dos lugares na assembleia. No mesmo dia, a junta dissolveu-se e entregou o poder aos militares, que nomearam Marcos Pérez Jiménez como presidente provisório. A Assembleia Constituinte, composta apenas por delegados da FEI após um boicote da oposição, elegeu-o formalmente presidente em 19 de abril de 1953. Pouco tempo depois, foi promulgada uma Constituição que conferia ao Presidente poderes praticamente ilimitados para adotar as medidas que considerasse necessárias para proteger a segurança nacional, a paz e a ordem, transformando, para todos os efeitos, a presidência de Pérez Jiménez numa ditadura legal.
Uma das primeiras manifestações públicas contra o regime de Pérez Jiménez ocorreu em 1952, após o assassinato do líder da oposição Leonardo Ruiz Pineda. Durante uma cerimónia comemorativa em Nuevo Circo, Caracas, centenas de pessoas agitaram lenços durante um minuto de silêncio em sua homenagem. Em 27 de março de 1957, Aaron Copland veio a Caracas para dirigir a primeira apresentação venezuelana do seu Lincoln Portrait. Um crítico do New York Times disse que a peça teve um “efeito mágico” no público. Como Copland recordou, “para surpresa de todos, o ditador reinante, que raramente se atrevia a ser visto em público, chegou no último momento possível”. Nessa noite, a atriz Juana Sujo interpretou as partes faladas da peça. Quando proferiu as palavras finais, “...que o governo do povo, pelo povo, para o povo (del pueblo, por el pueblo y para el pueblo) não pereça da terra”, o público levantou-se e começou a aplaudir e a gritar tão alto que Copland não conseguiu ouvir o resto da música.”
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Após deixar o poder, Pérez Jiménez exilou-se na República Dominicana e depois em Miami, Estados Unidos onde viveu até 1963, quando foi extraditado para a Venezuela para ser julgado sob a acusação de ter desviado 200 milhões de dólares durante o seu mandato presidencial relacionado com a Financiadora Administradora Inmobiliaria, S.A., uma das maiores empresas de desenvolvimento da América do Sul, e outras ligações comerciais. Esse caso é considerado pelos académicos como um estudo clássico sobre o precedente da aplicação da honestidade administrativa nos países da América Latina. Ao chegar à Venezuela, foi preso até o dia do seu julgamento, que só teve lugar cinco anos mais tarde. Condenado por desvio de fundos e condenado a quatro anos de prisão, foi libertado porque já tinha passado mais tempo na prisão enquanto aguardava o julgamento. Após sua soltura, foi exilado para a Espanha, acolhendo-se então sob a proteção do regime de Francisco Franco para estabelecer residência no país. No exílio consegue ser eleito democraticamente como senador pelo partido Cruzada Cívica Nacionalista nas eleições de 1968. Sua eleição foi contestada e ele foi impedido de tomar posse. Após isso, foi rapidamente aprovada uma lei que excluía os antigos prisioneiros da participação no processo governamental. Em 1972 busca a presidência para as eleições do ano seguinte, candidatura que foi legalmente rejeitada pelo poder eleitoral venezuelano.
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O período de Pérez Jiménez no poder é recordado historicamente como um governo de raízes nacionalistas. O seu governo baseou-se num pragmatismo ideológico caracterizado pela Doutrina do Bem-Estar Nacional, segundo a qual o regime expresso no Novo Ideal Nacional seria o farol filosófico para guiar as ações do governo. O seu legado político, conhecido como perezjimenismo, foi mantido pelo partido Cruzada Cívica Nacionalista (CCN), que teve assento no Congresso de 1968 a 1978. Nos últimos anos tem-se assistido a um renascimento do perezjimenismo e do Novo Ideal Nacional, com numerosos grupos a rever e a defender o legado de Marcos Pérez Jiménez. Na política venezuelana, simboliza, juntamente com Juan Vicente Gómez, uma mentalidade de caudilho de direita.==Referências== Mendoza · Bolívar · Páez · Vargas · Carreño · Narvarte · Carreño · Soublette · Páez · Soublette · J.T. Monagas · J.G. Monagas · J.T. Monagas · Gual · J. Castro · Gual · Tovar · Gual · Páez · Falcón · Bruzual · Villegas · J.R. Monagas · Villegas · Guzmán · Linares · Valera · Guzmán · Crespo · Guzmán · H. López · Rojas · Andueza · Villegas · Crespo · Andrade · C. Castro · Gómez · Gil Fortoul · Márquez · Gómez · J. Pérez · Gómez · E. López · Medina · Betancourt · Gallegos · Delgado Chalbaud · Suárez Flamerich · Pérez Jiménez · Larrazábal · Sanabria · Betancourt · Leoni · Caldera · C. Pérez · Herrera · Lusinchi · C. Pérez · Lepage · Velásquez · Caldera · Chávez · Carmona · Chávez · Maduro · Rodríguez


