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M'banza Congo

M'banza Congo, também grafada como M'banza Kongo e Mabanza Congo, é uma cidade e município angolana, capital da província do Zaire.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/08/2026
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História

A história oral e memorial de Mabanza Congo, bem como as pesquisas arqueológicas na região, atestam que a povoação e ocupação original da cidade é mais anterior à chegada dos portugueses, e mesmo da formação do poderoso reino do Congo, que, posteriormente, fez dela a morada e capital da dinastia reinante.

Fundação

Segundo a tradição oral, no ano de 690 AD os congos chegaram à região compreendida entre os rios Cuanza e Cuango, sob a liderança de Na-Culunsi, uma autoridade religiosa. As autoridades religiosas congolesas chamaram essa região Timansi-Timancosi, que siginifica "coração do leão". Em 691 as autoridades ordenaram que se construísse numa zona planáltica, próximo a uma montanha de nome Congo-dia-Tôtila, uma cidade, com trabalhos sob supervisão do artífice Masema-Toco. Sob coordenação do mesmo artífice abrem-se os Anzila Congo, as sete estradas que ligariam a nova cidade (que a princípio conservou o nome Tôtila) a todos os territórios dos congos, ao sul do rio Congo.

Conquista pelo reino do Congo

Quando o rei Luqueni-lua-Nimi (ou Nímia Luqueni) conseguiu unificar as entidades políticas dos congos para formar o reino do Congo em 1390, fixou inicialmente capital em uma localidade por nome Nisi Cuílo, em territórios do Congo-Quinxassa. Já politicamente forte, o reino do Congo organizou uma expedição e conquistou o reino rival de Muene Cabunga, que tinha sua capital na ainda denominada Mongo-dia-Congo. Após a conquista, a cidade mudou de nome, passando a chamar-se Mabanza Congo, para onde o rei do Congo se mudou e construiu o seu palácio.

Chegada dos portugueses

Em 1483, o explorador Diogo Cão, a serviço do reino de Portugal, chega em Mabanza Congo, onde assentava-se o trono do manicongos, monarcas que governavam o Reino do Congo. Quando os portugueses chegaram atestaram que Mabanza Congo era uma grande cidade, a maior já registrada pelos europeus na África a sul da linha do equador. No ano de 1549, por influência dos missionários portugueses, foi construída o templo católico Catedral de São Salvador do Congo no local em que os angolanos reclamam ser a mais antiga da África Sub-Saariana. A edificação foi elevada a catedral em 1596, quando foi erigida a Diocese de Angola e Congo e um bispo passou a residir na cidade.

Decadência e abandono

Os desentendimentos do reino do Congo com o reino de Portugal, levaram a cidade a ser saqueada várias vezes, principalmente durante a guerra civil que se seguiu após a batalha de Ambuíla. As consequências foram tão dramáticas que São Salvador do Congo foi abandonada no ano de 1678. Nas cercanias do ano de 1704 o rei Pedro IV do Congo concede a Quimpa Vita, líder política, profetiza e membro da monarquia congolesa a incumbência de ser a regente de São Salvador do Congo, numa tentativa de reocupar e restaurar a cidade. Por esforço de Quimpa Vita a cidade foi reestruturada e reconstruída aos poucos, não sendo mais abandonada desde então.

Séculos XIX e XX

No século XIX Portugal criou o Protetorado do Congo Português e, em seguida, o "distrito do Congo", mas resolveu não assentar os aparatos administrativos em São Salvador do Congo, a preterindo por Cabinda. Durante a grande revolta do Congo contra Portugal, a cidade foi parcialmente destruída, caindo em desgraça, pois em 1914 a monarquia congolesa é extinta, deixando de ser capital. Em 1917 o governo colonial pretere mais uma vez a cidade de São Salvador do Congo, pois transfere a capital do distrito do Congo para a antiga capital do ducado de Bambata, a cidade de Maquela do Zombo. Em 1922, porém, a cidade passa a sediar o "distrito do Zaire", condição que conserva até 1930, quando o distrito do Zaire é fundido ao de Cabinda para tornar-se a "Intendência-Geral do Zaire e Cabinda", com capital na cidade de Cabinda.

Pós-independência

Em fevereiro de 1975, após uma incursão relâmpago, as tropas da FNLA, com o apoio das Forças Armadas Zairenses, tomaram a cidade. O novo Estado angolano independente, sob comando do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), só conquistou a localidade em fevereiro de 1976, sendo a última grande localidade angolana sob domínio da FNLA. A partir desta data, Mabanza Congo permaneceu relativamente segura até a década de 1990. A cidade somente voltou a se chamar Mabanza Congo em março de 1976, após a Independência de Angola, por decreto do Presidente Agostinho Neto. O papa João Paulo II visitou a cidade em 1992, fazendo um culto especial na histórica catedral, onde fez apelo às negociações de paz dos Acordos de Bicesse, uma das tentativas de encerrar a Guerra Civil Angolana.

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Geografia

O município situa‐se no topo da serra ou planalto de Tôtila, que possui muitas encostas escarpadas; a sede municipal está numa elevação com cerca de cinco quilómetros quadrados, a cerca de quinhentos e vinte metros de altura em relação ao nível do mar. O planalto divide as sub-bacias dos rios Mupozo e Luezi. O município de Mabanza Congo é administrativamente subdividido, além da comuna-sede — que corresponde a própria cidade de Mabanza Congo —, nas comunas de Caluca, Quiende e Madimba (ou Nadinba). Até setembro de 2024 seu território continha as comunas de Calambata e Luvo. Mabanza Congo tem um clima tropical de savana (Aw) semelhante ao de Quinxassa ou Brazavile, caracterizado por uma estação chuvosa bastante longa, embora não intensa, de outubro a maio, e uma estação seca relativamente curta, mas quase sem chuva, de junho a setembro, causada pela forte influência da corrente fria de Benguela durante este período.

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Economia

Mabanza Congo é agora um importante centro comercial de atacado e varejo para a província zairense; serve também como centro agroindustrial beneficiador de milho, amendoim, amêndoas, gergelim e mandioca cultivados no leste do Zaire. A cidade também possui plantas industriais de beneficiamento de carnes, couro e leite, havendo também unidades de fabricação de bebidas, de têxteis e de materiais de construção. A capital zairense ainda dispõe de uma gama grande de serviços financeiros, administrativos, além de oferta de outros relacionados com a saúde, turismo, educação e entretenimento.

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Infraestrutura

As principais ligações rodoviárias do Mabanza Congo são pelas rodovias EN-210, que dá ligação ao Nezeto e à Cuimba, e; a EN-120 (Rodovia Transafricana 3), que dá ligação a Matadi (Congo-Quinxassa). A cidade ainda dispõe do Aeroporto Pedro Moisés Artur, que será desativado e substituído por uma nova infraestrutura, o Aeroporto Nímia Luqueni, a 33 quilómetros do centro da cidade, na comuna de Quiende.

Abastecimento de água

O abastecimento de água potável na cidade é assegurado pela Empresa Pública de Águas e Saneamento do Zaire (EPASZ), que sustenta o sistema por captações subterrâneas e, principalmente, dos rios Luege e Coco, sendo a água bombeada por eletrobombas para os reservatórios.

Comunicações

Do ponto de vista de comunicação, os serviços disponíveis são os telefónicos — telefonia fixa e móvel — ofertados pelas operadoras Angola Telecom e Unitel; serviços de rádio com frequência da Rádio Zaire (retransmissora da Rádio Nacional de Angola) e da Rádio Ecclesia; televisivo, com repetidores da Televisão Pública de Angola; Correios de Angola, com serviços de correio e telégrafo, e; serviço de internet disponível pela operadora Multitel. Nas mídias impressas, ainda há o tradicional Jornal de Angola e o jornal regional Nkanda.

Educação

Na educação superior, a cidade dispõe do campus universitário público da Escola Superior de Ciências Sociais, Artes e Humanidades do Zaire, além dos privados Instituto Superior Politécnico Privado do Zaire e Instituto Superior Privado Nzenzu Estrela.

Energia eléctrica

O fornecimento de energia eléctrica na cidade é garantido pelas línhas de transmissão de alta e média tensão da Rede Nacional de Transporte de Electricidade (RNT-EP), que disponibiliza energia da Central do Ciclo Combinado do Soyo (também chamada de Central Térmica do Soyo I), bem como do Complexo Hidroelétrico de Inga (localizado no Congo-Quinxassa). A eletricidade é distribuída a nível residencial e comercial pela Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE).

Saúde

No âmbito da saúde, a cidade dispõe dos centros de referência Hospital Geral do Zaire, Hospital Provincial Maria Eugénia Neto e Hospital Municipal de Mabanza Congo, além de diversas clínicas e centros de saúde.

Segurança

O sistema de segurança pública de Mabanza Congo é garantido por um batalhão da Polícia Militar das Forças Armadas Angolanas, por um destacamento permanente da Polícia Nacional, por uma delegacia de polícia do Serviço de Investigação Criminal e por um quartel do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros. Embora não tenha papel de força de segurança pública convencional, na cidade está a sede da 2ª Região de Infantaria Motorizada do Exército Angolano.

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Cultura e lazer

Cultura

Uma das principais manifestações culturais-religiosas da cidade, e por consequência do país, são as festividades de São Salvador, o padroeiro da cidade, e a procissão em alusão ao martírio de Quimpa Vita. Quem as promove é a Diocese de Mabanza Congo. Outras manifestações culturais de grande relevo são o Carnaval de Rua de Mabanza, a mais relevante festividade popular da cidade e do norte angolano, e o FestiCongo, uma festa multicultural que reúne os povos e países que integravam o antigo Reino do Congo.

Lazer

Mabanza Congo é conhecida pelas ruínas da Catedral de São Salvador do Congo (construída em 1492), do século XV, que afirmam ser a igreja colonial mais antiga da África Subsaariana. Na tradição oral, diz-se que esta mesma igreja, conhecida localmente como Culumbimbi, foi construída por anjos durante a noite. Foi elevado ao estatuto de catedral em 1596. O Papa João Paulo II visitou o local durante sua passagem por Angola em 1992. Ao lado de Culumbimbi está o Cemitério dos Reis do Congo, local enorme de importância histórica nacional. Outro local interessante de importância histórica é o Memorial de Dona Mpolo, mãe do rei Afonso I, próximo ao aeroporto, que rememora uma lenda popular que começou na década de 1680 em que o rei possivelmente havia enterrado sua mãe viva, porque ela não estava disposta a desistir de um "ídolo" que ela usava em volta do pescoço.

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