Luiz Antônio Fleury Filho
Luiz Antônio Fleury Filho GOMM foi um professor, promotor de justiça e político brasileiro. Por São Paulo, foi Governador, Deputado Federal durante dois mandatos e Secretário Estadual de Segurança Pública no Governo Quércia.
Formou-se em Direito pelas Faculdades Metropolitanas Unidas, em 1972, passando a atuar como professor universitário e promotor de justiça, já em 1973. Foi professor de Direito Penal na mesma FMU e também em cursinhos especializados. Participou do movimento das Diretas Já em São Paulo e exerceu atividades no Ministério Público até 1987. Chegou a ser presidente do Conselho Nacional do Ministério Público, por três mandatos sucessivos, e da Associação Paulista do Ministério Público. Atuou junto à Assembleia Constituinte representando o Ministério Público. Em 1987, passou a ocupar o cargo de Secretário de Segurança Pública do governo Orestes Quércia. Em julho de 2020 foi submetido a um transplante de fígado devido a cirrose causada por esteatose hepática. Apesar de compartilhar o sobrenome Fleury com o delegado Sérgio Fleury, não havia qualquer relação de parentesco entre ambos.[nota 1]Também não há relação com os fundadores ou acionistas do Grupo Fleury.
Em 1990 pela legenda do PMDB , Fleury foi eleito governador na primeira eleição em dois turnos para o governo de São Paulo, derrotando Paulo Maluf no segundo turno.
Infraestrutura e obras públicas
Em sua gestão, deu continuidade a obras públicas iniciadas no governo anterior, com destaque para a Hidrovia Tietê - Paraná, que viabilizou a navegação até o sul de Goiás a partir do sistema de eclusas da Usina Hidrelétrica de Nova Avanhandava e do Canal Pereira Barreto. Construiu o complexo de aproveitamento múltiplo Mogi Guaçu e deu prosseguimento ao complexo de Canoas. Iniciou o Projeto Tietê, conjunto de iniciativas para despoluição do Rio Tietê na Região Metropolitana de São Paulo. O governo estadual, por meio da Sabesp, negociou empréstimo junto a organismos internacionais, principalmente o banco japonês JBIC, mas a liberação dos recursos ocorreu apenas no governo seguinte, de Mário Covas.
Políticas sociais
O governo implementou programa habitacional que resultou na construção de 250 mil moradias, com investimento da ordem de US$ 1 bilhão. As Campanhas de Vacinação alcançaram índice de cobertura de 97,1% e o trabalho de imunização contra a poliomielite resultou em prêmio da Fundação Meriéux de Paris ao Estado de São Paulo. Na educação, criou o projeto das "escolas-padrão", que em quatro anos transformou 2.225 escolas de uma rede de 6,7 mil, concedendo-lhes autonomia pedagógica e financeira. Uma caixa de custeio, formada por recursos estatais e doações da comunidade e empresas, permitia a aquisição de mobiliário e equipamentos, manutenção do prédio, reforço da merenda e contratação de serviços.
Endividamento e obras paralisadas
Ao final de seu mandato, Fleury Filho deixou uma dívida de 19,7 bilhões de dólares aos cofres do estado, sendo 8 bilhões de dólares apenas do Banespa. A dívida era superior ao PIB somado de Uruguai, Bolívia e Paraguai. O salário do funcionalismo foi reajustado no último ano de gestão, deixando despesas de 2 bilhões de reais sem recursos para cobri-las. Centenas de obras foram paralisadas, incluindo quinze hospitais. O endividamento do estado foi tema central da campanha do governo Mário Covas, que utilizou a situação fiscal para justificar privatizações.
Em 2 de outubro de 1992, durante o governo Fleury, ocorreu o Massacre do Carandiru, no qual 111 presos foram mortos. Segundo dados oficiais, 9 detentos foram mortos por outros presos com armas brancas, enquanto 102 foram mortos pela Polícia Militar. Em testemunho no júri, Fleury legitimou a ordem de entrada da polícia no presídio, alegando que "existiam pessoas que estavam matando umas as outras. A polícia não pode se omitir". No entanto, o número de mortos causados pela PM evidenciou o uso desproporcional da força, afastando a tese de legítima defesa. Reportagem da revista Veja acusou o então governador de tentar acobertar o massacre às vésperas da eleição. Em depoimento oficial, Fleury alegou que soube do massacre pouco antes do fechamento das urnas, quase um dia depois da invasão.
Intervenção no Banespa
O final do mandato foi marcado pela intervenção do Banco Central no Banespa, que era o maior banco estadual do Brasil. A intervenção ocorreu no último dia de seu mandato e foi alvo de uma CPI no Congresso Nacional.
Condenação de delegados-gerais
A justiça de São Paulo condenou a dezesseis anos de prisão por peculato dois ex-delegados-gerais da Polícia Civil do Estado de São Paulo: Álvaro Luz Pinto e Luís Paulo Braga Braun. Segundo o Ministério Público de São Paulo, os réus se envolveram em fraude em licitações. A sentença se refere ao crime de peculato ocorrido na cidade de Barão de Antonina, onde foram desviados cerca de US$ 657 mil. Os dois delegados trabalharam nos governos Fleury e Quércia. Fleury foi convocado a participar do processo como testemunha. Os delegados alegaram inocência e recorreram da sentença.
Irregularidades na Eletropaulo
O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo apontou irregularidades na construção da sede da Eletropaulo. A obra foi realizada pela construtora Andrade Gutierrez e pode ter causado prejuízos ao estado. Segundo o conselheiro do TCE/SP Antônio Roque Citadini, responsável pelas investigações, tratava-se de um dos maiores focos de irregularidades no relacionamento entre uma empreiteira e o poder público. A obra teve contrato assinado em 27 de março de 1991 pelo presidente da estatal Alfredo Almeida Júnior, que meses depois perdeu o cargo por irregularidades administrativas. Almeida Júnior foi denunciado pelo Ministério Público por enriquecimento ilícito. A justiça chegou a decretar sua prisão, mas ele obteve habeas corpus.
Após o término de seu governo, transferiu-se para o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), partido pelo qual se elegeu deputado federal em 1998 e 2002. Não conseguiu se reeleger em 2006.
Afastado de cargos públicos e disputas eleitorais, em 2011 retornou ao PMDB, partido que havia deixado após desentendimentos com seu ex-padrinho político, Orestes Quércia. Faleceu em 15 de novembro de 2022 em sua casa em São Paulo. Segundo a família, Fleury sofreu complicações após um transplante de fígado e morreu de insuficiência cardíaca.


