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Luís XVI de França

Luís XVI foi Rei da França e Navarra de 1774 até 1791 e Rei dos Franceses até ser deposto em 1792, durante a Revolução Francesa, sendo executado no ano seguinte. Seu pai, Luís, Delfim de França, era o filho e herdeiro aparente do rei Luís XV. Como resultado da morte de seu pai, em 1765, Luís se tornou o novo delfim e sucedeu seu avô em 1774. Era irmão mais velho dos futuros reis Luís XVIII e Carlos X.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/07/2026
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Infância e educação

Louis-Auguste nasceu no Palácio de Versalhes em 23 de agosto de 1754, recebendo o título de Duque de Berry. Dentre oito filhos era a quarta criança e primeiro menino varão de Luís Fernando, Delfim de França, e, portanto, neto de Luís XV e de sua consorte, Maria Leszczyńska. Sua mãe era Maria Josefa da Saxônia, filha do rei Augusto III da Polônia. O delfim dedicou sua vida para ver se seus filhos estavam recebendo o tipo de educação que os prepararia para serem governantes benevolentes de grande caráter. Ele contratou o duque de La Vauguyon para conduzir a educação, e o próprio pai os ouvia recitar suas aulas duas vezes por semana para que ficasse atualizado sobre o que eles estavam aprendendo. Luís Augusto teve uma infância difícil. Passou os primeiros anos de sua vida na sombra de seu irmão três anos mais velho, Luís José, Duque da Borgonha, que era uma criança "excepcionalmente atraente e precoce que todos acreditavam que algum dia seria um grande rei". Essas esperanças foram frustradas quando ele faleceu após desenvolver tuberculose em 1761. Luís Augusto passou grande parte de seu tempo com seu irmão doente para dar-lhe companheirismo durante seus últimos meses, então a perda foi particularmente difícil para o tímido menino de seis anos que agora se encontrava em uma posição inesperada. Desde então, foi ensinado a nunca questionar seu dever de um dia conduzir seu país como rei.

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Casamento e filhos

A Áustria e França, inimigos de longa data, tornaram-se aliados graças ao Tratado de Versalhes, assinado em 1º de maio de 1756, para combater a Prússia e a Inglaterra na Guerra dos Sete Anos. Um casamento político com uma das filhas da imperatriz Maria Teresa era uma condição do acordo. Maria Antônia, a jovem arquiduquesa austríaca de 14 anos, fora prometida em um casamento arranjado com Luís Augusto. A união dos dois jovens destinava-se a fortalecer esse vínculo político instável entre as nações. À medida que os arranjos matrimoniais estavam sendo finalizados, a jovem futura consorte submeteu-se a um treinamento rigoroso para ser rainha, aprendendo a história da França e melhorando suas habilidades de língua francesa. Após um casamento por procuração em 21 de abril, ela deixou a Áustria. No caminho para Paris, numa ilha neutra do Reno, foi despojada de todos os seus acessórios austríacos. Estava vestida com roupas francesas e ganhou uma nova identidade — Maria Antonieta. Ela conheceu seu tímido e desajeitado noivo de 15 anos pela primeira vez em poucos dias. Seu casamento, realizado em 16 de maio de 1770, com fogos de artifício, banquetes e convidados ostentando diamantes, foi uma das ocasiões mais deslumbrantes já comemoradas no Palácio de Versalhes.

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Monarca absoluto da França

Quando Luís XVI subiu ao trono em 1774, tinha 19 anos. Em sua coroação realizada no ano seguinte, cavalgou num coche puxado por cavalos enfeitados com prata e ouro. Soldados da cavalaria real e mais dezesseis coches acompanharam-no até a grande Catedral em Reims. Como os reis de Bourbon antes dele, governaria pelo "direito divino", a crença de que havia sido colocado no trono "pela graça de Deus". Por séculos a corte francesa tinha sido uma das instituições mais importantes da Europa. Era o centro do poder na França enquanto o país era o centro do poder no continente. Neste momento possuía uma enorme responsabilidade, pois o governo estava profundamente endividado, e o ressentimento à monarquia estava em ascensão. O novo rei também não sentia-se qualificado para o trabalho. Luís focou principalmente na uniformidade religiosa e política externa. Embora ninguém duvidasse da habilidade intelectual do rei em governar a França, estava bastante claro que, apesar de ter sido criado como o Delfim desde 1765, faltava-lhe firmeza e determinação. Seu desejo de ser amado por seu povo é evidente nos prefácios de muitos de seus decretos que muitas vezes explicavam a natureza e a boa intenção de suas ações em beneficiar as pessoas. Pretendia ganhar o amor de seu povo através do restabelecimento dos parlamentos. Quando questionado sobre sua decisão, ele disse: "Pode ser considerado politicamente insensato, mas parece-me ser a vontade geral, e eu quero ser amado". Apesar de sua indecisão, estava determinado em ser um bom rei, afirmando que ele "deve sempre consultar a opinião pública; eles nunca estão errados". Portanto, nomeou um conselheiro experiente, Jean-Frédéric Phélypeaux, Conde de Maurepas que, até sua morte, em 1781, se encarregaria de muitas funções ministeriais importantes.

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Política externa

Grã-Bretanha e a Revolução Americana

Uma das decisões mais importantes do conselho que Luís XVI montou foi nomear o importante cargo de ministro das relações exteriores ao Conde de Vergennes. Vergennes serviu no cargo de 1774 até sua morte em 1787. Um de seus principais atos foi apoiar as Treze Colônias americanas durante as guerras revolucionárias. A partir de 1781 desempenhou um papel significativo nos assuntos domésticos da França na posição de primeiro ministro do rei. Os tratados de Aliança e de Amizade e Comércio assinados com os americanos em fevereiro de 1778 promoveram ajuda francesa às Treze Colônias num momento crítico de sua guerra de independência. Enquanto o ciclo intelectual liberal francês apoiou a causa da independência americana por razões ideológicas, a coroa francesa foi motivada pela oportunidade geopolítica de minar a posição da Grã-Bretanha no mundo após sua conquista do Canadá em 1763.

Índia e Cochinchina

Luís XVI esperava usar a guerra revolucionária americana como uma oportunidade para expulsar os ingleses da Índia. Em 1782, ele selou uma aliança com o peshwa Madhu Rao Narayan. Como consequência, Carlos José Patissier, Marquês de Bussy-Castelnau, moveu suas tropas à Île de France (hoje Maurício) e posteriormente contribuiu para o esforço francês na Índia em 1783.[carece de fontes?] Pierre André de Suffren se tornou o aliado de Hyder Ali na Segunda Guerra Anglo-Mysore contra o domínio britânico na Índia entre 1782 e 1783, lutando contra a frota britânica ao longo das costas da Índia e Ceilão. A França também interveio na Cochinchina, após a intervenção do missionário católico Pierre de Behaine para obter ajuda militar. Uma aliança entre a França e a Cochinchina foi assinada através do Tratado de Versalhes de 1787, entre Luís XVI e o Príncipe Nguyễn Ánh. À medida que o regime francês estava sob pressão considerável, a França não foi capaz de seguir com a aplicação do tratado, mas de Behaine persistiu em seus esforços e com o apoio de indivíduos e comerciantes franceses montaram uma força de soldados e oficiais franceses que contribuiu para a modernização dos exércitos de Nguyễn Ánh, contribuindo para a sua vitória e reconquista de todo o Vietnã, em 1802.

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Reinado constitucional revolucionário

Revoltas populares e período no Tulherias

Em 5 de outubro de 1789, uma multidão enfurecida de mulheres que trabalhavam foi incitada pelos revolucionários e marcharam sobre Versalhes, onde a família real vivia. Acompanhadas por alguns homens disfarçados, estavam armadas com forcados e piques. Ao amanhecer, se infiltraram no palácio e tentaram matar a rainha, que era associada a um estilo de vida frívolo que simbolizava muito do que foi desprezado pelo Antigo Regime. Depois que a situação foi neutralizada pelo Marquês de Lafayette, que liderava a Guarda Nacional, o rei e sua família foram levados pela multidão ao Palácio das Tulherias, em Paris. A França viveu anos de colheitas magras, o que resultou num aumento no preço do principal alimento básico das cidades, o pão. Quando os preços começaram a subir, o povo tomou as ruas de Paris em nome da Revolução. O raciocínio por trás da saída forçada de Versalhes foi a opinião popular de que o governo, especialmente Luís XVI, perdera o contato com as necessidades do povo passando muito tempo longe da capital.

Fuga de Varennes

Estava bem claro que o rei era prisioneiro em Paris. Assim, ele começou a levar mais a sério os vários planos de fuga que seus conselheiros, encorajados pela rainha, propunham. A ideia não era nova. O plano foi elaborado pelo Barão de Breteuil, antigo ministro da casa real; o Marquês de Bouillé, antigo comandante do exército real no norte; e o Conde de Fersen, embaixador sueco na corte francesa. A família real, disfarçada e carregando passaportes falsos, deixaria Paris e viajaria para o leste. Perto da fronteira seriam atendidos por escoltas armadas enviadas por Bouillé. Eles cruzariam a fronteira e, fora do alcance da Revolução, reuniriam forças para retomar o país. Finalmente, ele decidiu tentar uma fuga na noite de 20 de junho de 1791, a mais curta do ano. Para uma aposta de tal importância o plano da fuga foi mal elaborado. Seu sucesso dependia de um cronograma apertado de encontros com rei e sua escolta, mas não levou em consideração a sua indecisão geral. O rei demorou várias horas para sair das Tulherias e, uma vez na estrada, parou para conversar com os anfitriões. O plano também não era um segredo muito bem guardado. Marat fazia barulho em seu jornal há semanas, e houve um ensaio geral para a fuga em 18 de abril. O rei e sua família, sob o pretexto de ir a Saint-Cloud para celebrar a Páscoa, foram detidos e retornaram a Paris. O caso convenceu as autoridades da cidade de que estava pensando em fugir do país. Era responsabilidade do General Lafayette, como comandante da Guarda Nacional, cuidar da segurança nas Tulherias, e ele pessoalmente verificava o castelo.

Intervenção estrangeira

As outras monarquias da Europa olharam com preocupação os acontecimentos na França, e consideraram que, se deviam intervir, que fosse em apoio a Luís ou para tirar proveito do caos no país. O Sacro Imperador Romano Leopoldo II, irmão de Maria Antonieta, declarou que os poderes da Europa iriam intervir militarmente na Revolução Francesa para proteger a família real. Isso foi fundamental para iniciar as guerras revolucionárias francesas. Em 8 de julho de 1791, cerca de cinquenta mil pessoas organizaram uma manifestação em massa no Campo de Marte, em Paris, para pedir a remoção do rei. Os membros da Assembleia Nacional assistiram à manifestação em massa com horror. A maioria deles ainda estavam nervosos com a tentativa do rei de escapar sete semanas antes para Varennes. Em 17 de julho, emitiram uma ordem na qual o rei permaneceria no poder sob uma monarquia constitucional. Líderes jacobinos se uniram contra esse decreto. A Assembleia Nacional declarou lei marcial na cidade e despachou a Guarda Nacional de Paris sob o comando de Lafayette para dispersar a multidão no Campo de Marte. Nesse dia, seguiu-se uma série de tiros, matando entre doze e cinquenta manifestantes. O povo obrigou a Assembleia Nacional a recorrer à força. Os monarcas das outras nações erroneamente acreditavam que os políticos finalmente estavam recuperando os seus sentidos reprimindo os revoltosos.

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Prisão e execução

O rei e sua família passaram três dias e duas noites desconfortáveis em quartos improvisados na Sala do Manège, para onde tinham fugido, enquanto a Comuna e a Assembleia Legislativa decidiam se Luís seria prisioneiro. O Legislativo estava relutante em desistir do mais importante despojo de 10 de agosto, mas a Comuna, armada e vitoriosa, não podia ser negada. Ele foi oficialmente preso em 13 de agosto e enviado à Torre do Templo, uma antiga fortaleza em Paris que foi usada como prisão. As ruas da capital acompanharam a marcha que conduzia o rei rumo à prisão com insultos. Em 21 de setembro, a Assembleia Nacional declarou a França como uma república e aboliu a monarquia. Luís foi despojado de todos os seus títulos e honrarias, e a partir desta data ficou conhecido simplesmente como "Cidadão Luís Capeto". Os girondinos foram parciais em manter o rei deposto sob prisão, ambos como um refém e uma garantia para o futuro. Os Membros da Comuna de Paris e os deputados mais radicais, que logo formaram o grupo conhecido como Montanha, argumentaram para execução imediata de Luís. A experiência legal de muitos dos deputados tornaram difícil para um grande número deles aceitarem uma execução sem algum tipo de devido processo legal, e foi votado que o monarca deposto fosse julgado antes da Convenção Nacional, órgão que abrigava os representantes do povo soberano. De muitas maneiras, o julgamento do ex-rei representava o julgamento da revolução. O julgamento foi considerado como tal, com a morte de um veio a vida do outro. Michelet argumentou que a morte do ex-rei levaria à aceitação da violência como instrumento para a felicidade. Ele disse: "Se aceitarmos a proposição de que uma pessoa pode ser sacrificada para a felicidade de muitos, em breve será demonstrada que dois ou três ou mais também podem ser sacrificados para a felicidade de muitos. Pouco a pouco, vamos encontrar razões para sacrificar a muitos para a felicidade de muitos, e vamos pensar que foi um bom negócio".

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Sucessão

Apenas duas semanas após o enterro das últimas vítimas dos massacres de Setembro, a Assembleia Legislativa criou um novo órgão de governo da França, conhecido como a Convenção Nacional. Seu primeiro ato, datado de 21 de setembro de 1792, foi a abolição formal da monarquia e a proclamação de uma república. Após abolir a monarquia, a Convenção foi desfeita por sua lógica destrutiva em descartar o monarca ainda vivo. A Primeira República Francesa nasceu em 21 de setembro daquele ano. Durou, oficialmente, até 18 de maio de 1804, quando Napoleão Bonaparte proclamou-se imperador como Napoleão I. O Primeiro Império Francês veio ao fim quando o imperador abdicou em 6 de abril de 1814. Este foi sucedido pela restauração da monarquia dos Bourbons, até que esta foi derrubada pela revolução de julho de 1830. Durante a restauração da monarquia francesa, os irmãos mais novos de Luís XVI, Luís XVIII e Carlos X, governaram a França como reis constitucionais. Luís Carlos, filho legítimo do falecido monarca, jamais assumiu o trono e morreu na prisão em junho de 1795 como Luís XVII, título de jure. Nos 23 anos desde a abolição da monarquia, a França tinha sido transformada social e politicamente pela administração revolucionária e napoleônica. A "restauração" dos Bourbons foi um compromisso e o produto da derrota militar. Luís XVIII foi colocado no poder por inimigos antigos da França porque sentia-se que demonstrava a maior mudança de "curar as feridas da revolução". Em 1814, esperava-se que, se os Bourbons fossem restaurados "em condições", iriam se demonstrar aceitáveis à França e proporcionar a paz e estabilidade política que todos ansiavam. Em 1830, essas expectativas se mostraram falsas.

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Legado e representações

O historiador Jules Michelet atribuiu a restauração da monarquia francesa à simpatia que tinha sido gerada pela execução de Luís XVI. Seu Histoire de la Révolution Française e Histoire des Girondins de Alphonse de Lamartine, em particular, mostraram as marcas dos sentimentos despertados pelo regicídio da revolução. Os dois escritores não partilham a mesma visão sociopolítica, mas concordaram que, embora a monarquia foi justamente abolida em 1792, a vida da família real deveria ter sido poupada. A falta de compaixão, naquele momento, contribuiu para uma radicalização da violência revolucionária e para uma divisão maior entre os franceses. Para o romancista Albert Camus a execução representa "o evento mais significante e trágico da história francesa, a virada que marcou a irrevogável destruição de um Mundo que, por mil anos, abraçara uma ordem sagrada". Para o filósofo Jean-François Lyotard o regicídio foi o ponto de partida de todo o pensamento francês, a lembrança que age como um lembrete de que a modernidade francesa começou sob o signo de um crime.

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Fontes consultadas

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